Frans Smeers (Bélgica, 1873-1960)
óleo sobre madeira, 23 x 16 cm
Coleção Particular
Frans Smeers (Bélgica, 1873-1960)
óleo sobre madeira, 23 x 16 cm
Coleção Particular
A reunião [A reunião literária], 1903
Théo Van Rysselberghe (Bélgica, 1862-1926)
óleo sobre tela
Museum voor Schone Kunsten – Ghent, Bélgica
O escritor André Gide com a cabeça apoiada na mão direita, ouve a leitura, à direita.
Émile Verhaeren, em sua própria casa em Saint-Cloud, lê Felix Le Dantec.
Francis Vielé-Griffin, Henri-Edmond Cross também presentes.
Maurice Maeterlinck com os braços cruzados sobre o espaldar da cadeira onde Gide está sentado.
Félix Fénéon de pé em frente à lareira.
Henri Ghéon e Stuart Merrill
Les Promenades d’Euclide, 1955
[O passeio de Euclides]
René Magritte (Bélgica, 1898-1867)
óleo sobre tela, 162 x 129
The Minneapolis Institute of Art.
Tomemos “Les promenades d’Euclide“, uma das telas fundamentais de Magritte, versão aperfeiçoada de uma outra anterior, “La condition humaine“.
A cortina pesada alude a um cenário onde algo vai ser “representado”. São estas as dramatis personae: em primeiro plano além da cortina o cavalete e a larga vidraça. O cavalete é posto em grande destaque no conjunto: sujeito e protagonista em função do qual o ambiente — inclusive a paisagem — subsiste; um dos objetos-símbolos capitais do ofício de Magritte pictor. Este o secciona para sobrepor à tela original uma segunda, ao mesmo tempo libertada dele e integrada na parte inferior da vidraça, que corresponde à janela dividindo o espaço nos quadros dos antigos pintores flamengos.
Em segundo plano a torre, o arvoredo, o casario, duas minúsculas figuras isolando-se numa avenida deserta; e a linha do horizonte demarcada com rigor. Domina a tela um céu nuvioso. Todos esses elementos reunidos em absoluta consciência criam uma profundidade especial a que o espírito adere: texto de poesia ótica, não-literária. O seccionamento de duas partes do cavalete, a rarefação da segunda tela, a infinitude da perspectiva da alameda, que poderia remontar a Van Eyck ou Memling; a sobriedade da linguagem cromática em suas dominantes marrom, verde, branco e cinza, a justeza do desenho paciente, tudo isso forma uma atmosfera poética onde a mais alta fantasia se submete à planificação. O astro subterrâneo levanta-se, e, para maior segurança do seu itinerário, assume a ordem, a régua e o compasso, determinando relações de surpresa num contexto lógico de objetos familiares. Ajunte-se a isto, também de acordo com a linha dos antigos flamengos, a notação do silêncio, do respiro, da pausa funcionando como dramatis personae.
Em: Transístor, Murilo Mendes, Rio de Janeiro, Nova Fronteira: 1980,p.187-8.
Mulher lendo jornal na praia
George van Houten (Bélgica, 1888-1964)
óleo sobre madeira, 58 x 79 cm
Coleção da Universidade de Oxford
René Magritte (Bélgica,1898-1967)
técnica mista: colagem, aquarela, lápis
MOMA, Nova York
Ladyce West
Caiu no esquecimento
Por descuido,
Desleixo e negligência.
Saiu do meu pensamento
Abandonado, alheado.
E foi, sem retorno,
Encapsulado por ausências,
Achar-se em outro plano.
©Ladyce West, Rio de Janeiro, 2014
Alfred Stevens (Bélgica, 1823-1906)
óleo sobre tela
Museus de Belas Artes da Bélgica, Bruxelas
Jan van Beers (Bélgica, 1852-1927)
óleo sobre tela, 24 x 35 cm
Martins Fontes
Ao ronronar da rede preguiçosa,
ela, — morena de olhos de ouro, –embala
a esbraseante volúpia que se exala
dos seus vinte e dois anos cor de rosa.
Verão. O sol embriaga. Em plena orgia,
fundem-se os cheiros cálidos da terra.
E a moça abre o roupão, os olhos cerra,
e o que espera e deseja fantasia.
E a rede para. A viração marinha
Beija-a, lânguida e longa, loucamente…
E ela, os olhos abrindo, de repente,
Fica surpresa, por se ver sozinha!
(Volúpia)
Em: Nossos clássicos: Martins Fontes, poesia, Rio de Janeiro, Agir:1959, p.66
Gustave Leonard de Jonghe (Bélgica, 1829-1893)
óleo sobre madeira, 65 x 48 cm
Coleção Particular
A colecionadora de porcelanas, 1868
Alfred Stevens (Bélgica, 1823-1906)
óleo sobre tela, 71 x 45 cm
North Carolina Museum of Art
Alberto de Oliveira
Estranho mimo aquele vaso! Vi-o,
Casualmente, uma vez, de um perfumado
Contador sobre o mármor luzidio,
Entre um leque e o começo de um bordado.
Fino artista chinês, enamorado,
Nele pusera o coração doentio
Em rubras flores de um sutil lavrado,
Na tinta ardente, de um calor sombrio.
Mas, talvez por contraste à desventura,
Quem o sabe?… de um velho mandarim
Também lá estava a singular figura.
Que arte em pintá-la! A gente acaso vendo-a,
Sentia um não sei quê com aquele chim
De olhos cortados à feição de amêndoa.
Em: Nossos Clássicos: Alberto de Oliveira, poesia, Rio de Janeiro, Agir: 1959, p. 24