Curiosidade: a língua romana

6 09 2013

Cesar-sa_mortA morte de César, 1804-1805

Vincenzo Camuccini (Itália, 1771-1844)

óleo sobre tela

A Língua Romana foi uma das duas principais línguas coloquiais do império romano.  A outra foi  o grego. A língua romana foi usada principalmente nas províncias ocidentais do império (Itália, Espanha, Gália, Grã-Bretanha, África do Norte, Sardenha, Córsega), mas também em partes do norte da península dos Bálcãs  [Dacia, Moesia, Illyria, norte da Macedônia. A população do Império Romano  no século I-II da nossa era foi estimada em 50 milhões de pessoas  ou 1/6 do total mundial da época.  Calcula-se que o império chinês também  tivesse cerca de 50 milhões de habitantes, nos primeiros dois séculos da Era Comum . Supõe-se que dois terços dos cidadãos romanos usassem a língua romana como língua nativa ou que a usassem como língua secundária em seus assuntos públicos.





Minutos de sabedoria — Coelho Neto

5 09 2013

Elisabeth Louise Vigée Le Brun(França 1755-1842) condessa de la ChatreCondessa de La Châtre, 1789

Elisabeth Vigée Le Brun (França, 1755-1842)

óleo sobre tela, 114 x 88 cm

Metropolitan Museum, Nova York

“Não perguntes à Felicidade quem ela é nem de onde veio: abre-lhe a porta para que ela entre e fecha-a bem aferrolhada, para que não fuja.”

Coelho_neto

 

 

 

 

Coelho Neto





Viagem de trem, texto de Geraldo Brandão em “Café Amargo”

4 09 2013

ARMÍNIO PASCUAL (1920) Trem, óleo sobre madeira industrializada - 49 x 64.Trem, s/d

Armínio Pascual (Brasil, 1920-2006)

óleo sobre madeira, 49 x 64 cm

“Como lagarta sonolenta o trem vinha de Mato Grosso. Corumbá , Campo Grande, Três Lagoas.  O sol estava a pino. O trem em linha sinuosa como uma serpente. Não tinha pressa de chegar. O sol entrava ora de um lado, ora de outro, queimando, torrando. Que linha… A gente pensava que ia parar numa cidade e o trem se afastava, depois vinha novamente. E o sol torrando aquela gente. Não podiam fechar as janelas por causa do calor, abafado. “É antigamente os engenheiros ganhavam por quilômetro construído, quanto mais comprida a linha, mais ganhavam, então faziam a linha cheia de curvas…” Alguém falou. Os vagões atulhados de gente sonolenta que tentava dormir, que esticava as pernas, tirava os sapatos, virava a cabeça. Gente branca, gente amarela, gente preta. Profusão de malas, trouxas e pés. Cheiro de suor, chulé, budum, morrinha. Miséria.

Uma família de gente loira. Quanta criança! Deve ter vindo do Báltico tentar a sorte na América, mas, está voltando pobre. Filhos, trouxas e ossos marcando sob a pele. A cada tranco do vagão um olho se abre e volta a fechar-se vencido. A perna estica, a cabeça se ajeita na trouxa imunda. A criança do colo geme. Sonolenta, a mãe abre o corpete, dá-lhe o seio murcho e volta ao sono, incapaz… Nos solavancos, de sono ou fraqueza o menino solta o bico que a mãe lhe pusera na boca. O seio enorme, pendurado, balança, balança no ritmo inconsciente do vagão. Passa o chefe-do-trem apregoando as estações. Passam jovens soldados que vão buscar água no vagão de primeira. O seio está balançando, balançando…mas ninguém olha para ele com olhar profano.

E o trem prossegue nas curvas que não acabam mais com apitos que não têm sentido. O sol queimando, queimando, só curvas e cafezais, roças e mais roças.

Uma moça dorme com os pés no banco da frente. O cabelo em desalinho é como uma cortina a defender a beleza mal formada. A mala de papelão, toda esfolada, amarrada com corda para não estourar. Por que deixou sua terra natal? Seria da Bolívia ou do Paraguai? Fugiria da miséria ou da maldade da gente que não lhe perdoou ter amado um dia? Talvez procurasse a cidade, onde a vida é mais fácil, mais fácil esconder e esquecer…

Outro é mascateador. É o único que fala, que fala do seu bairro distante. É de Vila Maria, e com orgulho repete o nome. Tem malas e pacotes além do número permitido. Espalha-as pelo vagão. O chefe passa, percebe a fraude e finge não entender. Deixa o mascate mascatear…”

Em: Café amargo, Geraldo Brandão, São Paulo, Brasiliense: 1968, pp,225-6





Anedota sobre Alexandre Dumas Pai na revista O Espelho de 1859

4 09 2013

Eileen, c1949. Anne Redpath (Scottish, 1895-1965)

Eileen, c. 1949

Ann Redpath (Escócia, 1895-1965)

óleo sobre madeira

Ferens Art Gallery, Hull Museums, Grã Bretanha

“Na noite da primeira representação da Dama das Camélias, de A. Dumas filho, um folhetinista encontrando A. Dumas pai junto à escada do vaudeville, disse-lhe com ar malicioso:

— Ora confesse que o Sr. entrou nesta peça, que toma nela alguma parte.

— Pois não! respondeu o espirituoso romancista: fui eu que fiz o autor.”

***

Em:  O Espelho: revista de literatura, modas, indústria e artes, n. 17,  25 de dezembro de 1859, p.11. da edição em facsímile, Rio de Janeiro, MEC:2008, p. 218.





Palavras para lembrar — Provérbio árabe

2 09 2013

Olga Lysenko, reading-in-outdoor-cafe, ost, 20x20cmLendo em um café em Paris

Olga Lysenko (Rússia, radicada na Inglaterra)

“Livros, caminhos e dias dão ao homem sabedoria”.

Provérbio árabe





O mundo animal de Valentine Thomas Garland

2 09 2013

Animal - Cat - Kitten, cat's cradleCama de gato, 1899

Valentine Thomas Garland (Inglaterra, 1868 – 1914)

óleo sobre madeira,  23 x 30 cm

llr_lcnug_1927_237_slideUma mãe ansiosa

Valentine Thomas Garland (Inglaterra, 1868 – 1914)

imageUma matilha de bassets, 1894

Valentine Thomas Garland (Inglaterra, 1868 – 1914)

óleo sobre tela, 41 x 56 cm

valentine-thomas-garland-puppies-in-a-haystack_thumbFilhotes em monte de feno, s./d.

Valentine Thomas Garland (Inglaterra, 1868 – 1914)

aquarela, 19 x 29 cm

Der-Stardarsteller-von-Valentine-Thomas-Garland-14488Estrela do espetáculo

Valentine Thomas Garland (Inglaterra, 1868 – 1914)

óleo sobre tela, 51 x 71 cm

brg23114Trutas em Winchester

Valentine Thomas Garland (Inglaterra, 1868 – 1914)

óleo sobre tela

H0078-L00412304“Vixon”, “Venom” e “Viper”, 1898

Valentine Thomas Garland (Inglaterra, 1868 – 1914)

óleo sobre tela, 30 x 46 cm

p13news4O livro favorito,

Valentine Thomas Garland (Inglaterra, 1868 – 1914)

óleo sobre madeira

8412362172_530d7d18b0_bTrês filhotes, 1902

Valentine Thomas Garland (Inglaterra, 1868 – 1914)

óleo sobre tela, 41 x 33 cm

H0619-L09552699Um foxhound, 1895

Valentine Thomas Garland (Inglaterra, 1868 – 1914)

óleo sobre madeira, 28 x 21 cm

Valentine Thomas Garland (Inglaterra, 1868 - 1914)expectador curiosoUm expectador curioso

Valentine Thomas Garland (Inglaterra, 1868 – 1914)

óleo sobre tela

H0027-L04871957Beba, filho, beba!,  1900

Valentine Thomas Garland (Inglaterra, 1868 – 1914)

óleo sobre tela, 51 x 38 cm

H3771-L40445175Três filhotes de Collie, 1887

Valentine Thomas Garland (Inglaterra, 1868 – 1914)

aquarela e guache sobre papel, 23 x 17 cm

24f4b8092aaatUm osso disputado, 1897

Valentine Thomas Garland (Inglaterra, 1868 – 1914)

óleo sobre madeira, 25 x 33 cm

Thomas-Valentine-Garland-kittensMãe protetora, 1891

[também conhecido como “velhos adversários“]

Valentine Thomas Garland (Inglaterra, 1868 – 1914)

óleo sobre madeira, 35 x 24 cm





Terras do Brasil, poesia de D. Pedro II, na Semana da Pátria

1 09 2013

Bandeira_do_Brasil_1-_By_Digerson_Araaujo__(1)Bandeira do Brasil, 2011

Digerson Araújo (Brasil, 1952)

60 x 40 cm

Digerson Araújo

Terras do Brasil

D. Pedro de Alcântara

Espavorida agita-se a criança,

De noturnos fantasmas com receio.

Mas se abrigo lhe dá materno seio,

Fecha os doridos olhos e descansa.

Perdida é para mim toda esperança

De volver ao Brasil; de lá me veio

Um pugilo de terra, e nesta, creio,

Brando será meu sono e sem tardança.

Qual o infante a dormir em peito amigo,

Tristes sombras varrendo da Memória,

Ó doce Pátria, sonharei contigo!

E entre visões de Paz, de Luz, de Glória,

Sereno aguardarei, no meu jazigo,

A Justiça de Deus na voz da História.

Em: Poetas Cariocas em 400 anos, seleção de Frederico Trotta, Rio de Janeiro, Editora Vecchi:1965, pp.149-150





Imagem de leitura — Lucile Blanch

1 09 2013

Lucile BlanchGittel, c, 1940

Lucile Blanch (EUA, 1895-1981)

Lucile Blanch nasceu em Minnesota em 1895, filha da pintora e litógrafa Lucille Linquist. Durante a Primeira Guerra Mundial ela estudou no Minneapolis School of Art com quem seria mais tarde seu marido,  Arnold Blanch. Lá conheceu outros artistas de maior renome tais como Harry Gottlieb e Adolf Dehn. Depois foi para Nova York onde se casou  com Arnold Blanch. Juntos ajudaram a construir a Colônia de Arte em Woodstock, no estado de Nova York. Divorciaram -se em 1935. Lucile Blanch faleceu em 1981.





A grande lição de Dora, em Os Rodriguez, de Sra. Leandro Dupré

25 08 2013

Eliseu Visconti, BARONESADEGUARAREMAOSM20x131892COLEOPARTICULARBaronesa de Guararema, 1892

Eliseu Visconti (Itália, 1866 — Brasil, 1892)

óleo sobre madeira, 21 x 13 cm

Coleção Particular

“Compreendeu que saber viver é um dom, uma sabedoria; saber dar valor a fatos que à primeira vista parecem insignificantes, mas que no fundo são de grande valia é uma virtude. Lembrava os conselhos do pai: “quando você estiver triste, seja qual for o motivo, pense nas coisas piores que poderiam ter acontecido e não aconteceram. Pense naqueles que estão sofrendo muito mais que você, nos doentes incuráveis, nos aleijados, nos infelizes e nos indigentes.”

Rira desses conselhos, achara o pai simples, quase pueril, quando dizia: “Procure dar valor às coisas simples da vida, aos pequenos prazeres que estão ao seu alcance; uma hora de boa leitura, uma refeição agradável, uma linda música. Cultive as boas amizades, lembre-se de que a amizade sincera é um bem precioso. Lembre-se de que uma hora de solidão faz bem a quem tem o espírito inquieto, perturbado; lembre-se de que tudo há de vir a tempo, não corra ao encontro de nada, não force os fatos, pode sofrer desilusões. Filha, se toda gente soubesse dar valor a pequenos fatos, a vida seria um paraíso.”

Errara. Não cultivara a flor do espírito. Só dera valor aos grandes bens materiais que o dinheiro pode comprar e desdenhara os bens espirituais. E agora que perdera a fortuna…tinha a impressão de que nada mais ficara, perdera tudo… Poderia ter possuído ambos e agora no fim reter alguma coisa… Não. Não tinha amizades, nem o amor dos filhos. Tinha Dorita, apenas Dorita… Não… Não perdera tudo. A esse pensamento, seu rosto contraiu-se num sorriso quase alegre; ficara aquele anel de valor inestimável, e apertava-o nervosamente contra o peito.

Sorriu ao sentir junto ao corpo o saquinho de pano que fizera naquela tarde para guardar a pedra resplandescente.”

Em: Os Rodriguez, Sra. Leandro Dupré [Maria José Dupré], São Paulo, Editora Saraiva: 1958; 6ª edição, pp,220-221.





Minuto de sabedoria — Florbela Espanca

22 08 2013

david emile joseph denoter_la_lectureA Leitura

David Émile Joseph de Noter (Bélgica, 1818-1892)

óleo sobre tela

Coleção Particular

“Ama-se quem se ama e não quem se quer amar.”

180px-Espanca_Florbela   Florbela Espanca