Boas maneiras XVIII

29 06 2009

18 - boa tarde professor 18

Se “boa tarde” você diz,

Seu professor fica feliz!





5 livros do romantismo IV: A escrava Isaura

28 06 2009

Eliseu Visconti, moça no trigal,1913,ost,65x80

Moça no trigal, 1913

Eliseu Visconti ( 1866-1944 )

Óleo sobre tela, 65 x 80 cm

Como postei no dia 3 de maio estou elaborando algumas notas sobre as excelentes informações do Professor Vanderlei Vicente  sobre os 5 livros do romantismo necessários para o vestibular, publicado no Portal Terra.  Meu objetivo é ajudar aqueles que precisam destas leituras: não só a entenderem  um pouquinho mais do romantismo no Brasil, mas conseguirem se lembrar de alguns detalhes das obras mencionadas. O artigo original estará sempre em itálico azul. 

A Escrava Isaura (1875), de Bernardo Guimarães – “Este romance apresenta a trajetória de Isaura, escrava paradoxalmente clara que é perseguida por seu senhor, Leôncio. Após fugir para o Nordeste, Isaura conhece e apaixona-se por Álvaro. O desfecho do romance é mais que feliz: Álvaro liberta Isaura das mãos de Leôncio ao pagar dívidas deste e tomar-lhe os bens. Vale lembrar que a obra obteve importância em sua trajetória por tratar de um tema polêmico para a época: a escravidão”.

 Até hoje, este é um dos romances favoritos do público brasileiro.  Seu sucesso atual não surpreenderia aqueles que testemunharam em 1875 a estrondosa reação do público leitor que se encontrava cada vez mais familiarizado com romances de aventuras num cenário brasileiro. 

 

Carapebus

Solar do Barão de Carapebus, construído em 1846 em Campos dos Goitacazes.  Esta construção seria do tipo de fazenda em Campos, retratado no romance de Bernardo Guimarães. 

A história se passa numa grande fazenda fluminense na cidade de Campos dos Goitacazes.  O romance aparece quatro anos depois da Lei do Ventre Livre.  A escravidão serve mais como impedimento no desenvolvimento do romance, do que como assunto a ser abordado contra ou a favor.  Bernardo Guimarães, joga com a aceitação da mulher de pele clara, como demonstração do preconceito de raça.  Enquanto que a escravidão simplesmente existe.  Há algumas poucas falas de estudantes abolicionistas, mas não são mais do que um aceno, uma batida na aba do chapéu, que Bernardo Guimarães dá ao movimento abolicionista.  A divisão da sociedade, a mostra da irracionalidade da escravidão, estão centradas na cor da pele da escrava.  Bernardo Guimarães remove a  máscara da sociedade brasileira e mostra a falsidade de seus preconceitos.  Realça a fragilidade e a dualidade da posição pró-escravidão, numa sociedade que já se caracterizava como miscigenada.

 Há, no entanto, uma grande novidade:  os cenários do romance não são estáticos.  O leitor correrá o Brasil seguindo o caminho de Isaura, o romance começa na cidade de Campos dos Goitacazes, mas sua linha de ação se move, do Estado do Rio de Janeiro para Recife, no estado de Pernambuco.   

recife-rua victoria, 1890

Recife em 1890, rua Vitória, com bonde puxado a uma parelha de burros.

Bernardo Guimarães é um escritor da chamada segunda geração do Romantismo, e se olharmos com cuidado os textos de seus livros, encontraremos um pendor por algumas características que viriam a aparecer nos escritores do movimento realista, principalmente no retrato da miscigenação da sociedade brasileira e também no retrato do homem e dos costumes sertanejos.

 Também é um escritor com  um grande número de anedotas associadas à sua vida.  A maioria das quais puras inverdades mas que serviam para acentuar algumas de suas mais famosas características e o peculiar de modo de encarar a vida.  Reproduzo aqui duas anedotas encontradas num artigo de Armelim Guimarães, neto do escritor.

 1 –  Em 1925, nas suas “Memórias de João Barriga”, José Avelino registrava este caso, de quando era o poeta professor no liceu de Ouro Preto:

“Examinador, a todos aprovava. Conta-se que, numa feita, um bicho [estudante calouro] estava tão cru em noções de Cosmografia que a reprovação seria inevitável no exame oral. Dois examinadores deram logo nota má, e Bernardo deu ótima. Perguntou-lhe um colega:

– Por que deu ótima, doutor, a um examinando que não soube o ponto?

— Porque eu também não sei.”

 

2 –  … vale lembrar um fato contado por Sousa Ataíde:

“Descia o poeta, certa vez, a rua de sua casa, em companhia de dois amigos, quanto, passando por eles três ou quatro pessoas que caminhavam em sentido contrário, uma delas perguntou-lhe:

– Saberá o cavalheiro informar-me onde mora o escritor Bernardo Guimarães?

“Eram pessoas que desejavam visitá-lo, e que ainda não conheciam. Bernardo, tranqüilamente, apontou a sua residência, e deu prontamente a informação pedida:

— É ali, naquele sobrado, ao alto.

“E continuou a descer  imperturbavelmente a ladeira. O Bretas espantou-se:

— Que é isso, homem! Eles querem te conhecer!

— Perguntaram-me onde eu moro. Dei, acaso, informação errada?, respondeu o poeta.”

 E ao que tudo indica, histórias engraçadas e anedotas diversas são até hoje contadas em Minas Gerias sobre este bem amado escritor mineiro.

***

 A Escrava Isaura, de Bernardo Guimarães,  já se encontra em domínio público.  Para lê-lo, clique AQUI.

 

 

 

bernardo_guimaraes

Bernardo Joaquim da Silva Guimarães (Ouro Preto, MG, 15/8/1825 – Ouro Preto, MG, 10/3/1884). Advogado, juiz, professor, escritor, jornalista, contista e poeta. Bernardo Guimarães é o patrono da Cadeira N.º 5 da Academia Brasileira de Letras.

 

Obras:

Cantos da Solidão, poesia, 1852

Poesias, 1865

O Ermitão do Muquém, romance, 1871

Lendas e Romances, novelas, 1871

O Garimpeiro, romance, 1872

O Seminarista, romance, 1872

Histórias e tradições de Minas Gerais, 1872

O índio Afonso, romance, 1873

A Escrava Isaura, romance, 1875

Novas Poesias, 1876

Maurício, romance, 1877

A Ilha Maldita, romance, 1879

O Pão de Ouro, romance, 1879

Rosaura, a Enjeitada, romance, 1883

Fôlhas de Outono, poesia, 1883

O Bandido do Rio das Mortes, poesia, póstuma, 1905

O Elixir do Pajé, poesias eróticas, s/d impresso às escondidas, raríssimo.

—–

Eliseu D’Angelo Visconti (Salerno, Itália 1866 – Rio de Janeiro RJ 1944). Pintor, desenhista, professor. Vem com a família para o Rio de Janeiro, entre 1873 e 1875, e, em 1883, passa a estudar no Liceu de Artes e Ofícios, com Victor Meirelles (1832 – 1903) e Estêvão Silva (ca.1844 – 1891). No ano seguinte, sem deixar o Liceu, ingressa na Academia Imperial de Belas Artes – Aiba, tendo como professores Zeferino da Costa (1840 – 1915), Rodolfo Amoedo (1857 – 1941), Henrique Bernardelli (1858 – 1936), Victor Meirelles e José Maria de Medeiros (1849 – 1925). Em 1888, abandona a Aiba para integrar o Ateliê Livre, que tem por objetivo atualizar o ensino tradicional. Com as mudanças ocorridas com a Proclamação da República, a Aiba transforma-se na Escola Nacional de Belas Artes – Enba. Visconti volta a freqüentá-la e recebe, em 1892, o prêmio de viagem ao exterior. Vai à Paris e ingressa na [i]École Nationale et Spéciale[/i] des Beaux-Arts [Escola Nacional e Especial de Belas Artes]; cursa arte decorativa na [i]École Guérin[/i], com Eugène Samuel Grasset (ca.1841 – 1917), um dos introdutores do Art Nouveau na França. Viaja à Madri, onde realiza cópias de Diego Velázquez (1599 – 1660), no Museo del Prado [Museu do Prado], e à Itália, onde estuda a pintura florentina. Em 1900, regressa ao Brasil e, no ano seguinte, expõe pela primeira vez na Enba. Executa o ex-libris para a Biblioteca Nacional, no Rio de Janeiro, e vence o concurso para selos postais e cartas-bilhetes, em 1904. Em 1905 é convidado pelo prefeito da cidade, engenheiro Pereira Passos, para realizar painéis para a decoração do Theatro Municipal do Rio de Janeiro. Entre 1908 e 1913, é professor de pintura na Enba, cargo a que renuncia por descontentamento com as normas do ensino. Retorna à Europa para realizar também, entre 1913 e 1916, a decoração do foyer do Theatro Municipal do Rio de Janeiro e só se fixa definitivamente no Brasil em 1920. Segundo alguns estudiosos, é considerado um praticante do Art Nouveau e do desenho industrial e gráfico no Brasil, com obras em cerâmica, tecidos e luminárias.

 Itaú Cultural





Quadrinha para uso escolar: Lua

28 06 2009

noite de luar

 

A lua branca passava,

Pelo céu devagarinho

E no mar a onda olhava

A lua no seu caminho.

 

(Maria Dulce Prado Carvalho Rosas)





Tomografia revela como seria sacerdotisa egípcia

27 06 2009

meresamunSacerdotisa, Meresamun.  Reconstutuição.

 

Artistas independentes americanos utilizaram um equipamento em 3D para reconstruir a possível aparência da múmia da sacerdotisa egípcia Meresamun, que viveu há cerca de 3 mil anos. Durante 80 anos, a múmia permaneceu desconhecida em seu sarcófago porque os pesquisadores do Museu Oriental da Universidade de Chicago mantiveram o ataúde lacrado para não danificá-la. Em fevereiro deste ano, uma tomografia computadorizada em um aparelho CT-scan revelou que a múmia era mesmo de Meresamun. As informações são do site científico Live Science.

Meresamun, cantora que viveu em um templo de Tebas (onde hoje fica a cidade de Luxor, no Egito) por volta de 800 a.C, morreu de causas desconhecidas quando tinha cerca de 30 anos. Os pesquisadores criaram modelos digitais em 3D do crânio da mulher com base em tomografias computadorizadas. Em seguida, os dados foram entregues a dois profissionais especializados em arte forense para desenvolver as características faciais da sacerdotisa.

O artista Joshua Harker utilizou uma técnica tradicional e precisa, geralmente usada na identificação de vítimas de crimes, para calcular os contornos do rosto da múmia. Michael Brassell, com experiência em casos de investigação na unidade de desaparecidos da polícia estadual de Chicago, ajudou a finalizar os detalhes do rosto.

“O crânio é a condução da arquitetura facial. Todas as proporções e posições estarão lá, se você souber lê-las”, disse Harker. “Mesmo as formas dos lábios, nariz e sobrancelhas podem ser determinadas, se você souber como procurá-las”, afirmou o especialista.

Conforme Brassell, a múmia foi submetida ao mesmo método de investigação utilizado em casos de homicídio. “As tomografias ficaram muito claras, tornando mais fácil o trabalho”, avaliou. Meresamun era aparentemente alta para a época, tinha olhos grandes e a arcada dentária superior projetada para frente.

 

meresamun,urna

Urna de Meresamun.

 

“Meresamun foi, até o momento de sua morte, uma mulher muito saudável”, explicou Michael Vannier, radiologista da Universidade de Chicago que realizou os exames. O médico disse que alguns indícios encontrados nos ossos indicam que a mulher tinha uma boa alimentação e um estilo de vida ativo.

A reconstrução artística de Meresamun, a múmia e o sarcófago estão expostos no Museu Oriental da Universidade de Chicago até dezembro deste ano.

 

Fontes: Terra, Live Science





O menor esforço — poema infantil de Giuseppe Artidoro Ghiaroni

27 06 2009

 trabalho, pantera cor de rosa

 Pantera cor-de-rosa. Ilustração Freleng e DePatiee.

 

 

 O Menor Esforço
                                                      Guiuseppe Artidoro Ghiaroni

Ferreiro e filho de ferreiro,
um dia visitei meu vizinho carpinteiro.
E ao ver quanto a madeira era macia
em relação ao ferro que eu batia,
deixei de ser ferreiro.

 Tornei-me carpinteiro e, vendo o oleiro
modelando o seu barro molemente,
cobicei seu oficio de indolente
e larguei meu formão de carpinteiro.

Mas fui depois a casa do barbeiro,
que alisava uns cabelos de menina.
E achando aquela profissão mais fina,
deixei de ser oleiro.

Um dia, em minha casa de barbeiro
entrou um poeta de cabelo ao vento.
E ao ver quanto era livre e sobranceiro,
troquei minha navalha e meu dinheiro
por sua profissão de encantamento…

Meu Deus! Por que deixei de ser ferreiro ?

 

Giuseppe Artidoro Ghiaroni — Nasceu em Paraíba Do Sul, (RJ), no dia 22 de fevereiro de 1919. Jornalista, poeta, redator e tradutor;  Depois de ter sido ferreiro, “office-boy” e caixeiro, passou a redator do “Suplemento juvenil ” iniciando-se assim no jornalismo de onde passou para o Rádio distinguindo-se como cronista e novelista.  Faleceu em 2008 aos 89 anos.

Obras:

O Dia da Existência, 1941

A Graça de Deus, 1945

Canção do Vagabundo, 1948

A Máquina de Escrever, 1997





Adaptações sem limites, um conto

26 06 2009

ciência Tudo pela ciência, ilustração de Walt Disney.

 

 

ADAPTAÇÕES SEM LIMITES

 

de  Ladyce West

 

Na minha adolescência, eu sempre me encabulava de ser vista no carro de meu pai.  Só convidava minhas amigas para uma carona, se me visse forçada.  Tinha receio do que poderia revelar a meu respeito ou a respeito de meu pai.  

 Nosso carro era um híbrido pode-se dizer de um tanque da Segunda Guerra Mundial com um carro passeio.  Combinação possível graças ao gênio inventivo de meu pai, um cientista.  Esse ornitorrinco do mundo dos carros poderia ter sido encontrado numa história em quadrinhos de ficção científica.  Meu pai foi um típico homem dedicado à ciência, cujo abundante e rebelde cabelo grisalho espelhava suas ruminações.   Sua notória falta de atenção era conseqüência de uma mente em ebulição,  resolvendo problemas diversos, enquanto seu carro, o nosso carro, era a prova concreta dos princípios rudimentares dos testes científicos: nada funcionava de acordo com o procedimento padrão.

 Originalmente o carro tinha sido um Standard Vanguard, cinza, uma criação britânica, importada para o Brasil, e anunciada como sólido carro para a família.  Sua primeira cirurgia aconteceu quando mudaram o guidão do lado direito para o lado esquerdo do motor.  Não me lembro se papai foi responsável por esta operação ou não, porque este carro substituiu o antigo Austin, quando eu ainda não tinha cinco anos.  Mas desde que me entendo por gente, papai trabalhou para a melhoria dos padrões do Standard Vanguard

 O processo acontecia na nossa garagem. Mesmo assim podíamos encontrar peças de carro pela casa inteira, principalmente onde minha mãe não as queria.  Para falar com franqueza, na nossa casa, o domínio de meu pai era restrito ao quarto da empregada, próximo à cozinha, cuja função havia se tornado obsoleta, já que nossa cozinheira não dormia em casa.  O quarto tinha a vantagem de ter água corrente do banheiro vizinho, o que para papai era essencial, porque ali também era o seu laboratório.  Meu pai era um químico industrial que transformou sua crise de meia-idade numa pós-graduação em física.  Para ele, o laboratório era um modo de pensar, uma maneira de viver.

 O quarto, estúdio-biblioteca-laboratório, refletia sua personalidade, sua mente inquisitiva.  Com paredes cobertas do teto ao chão por livros aparentava uma desordem de natureza orgânica.   No centro, mobiliário de metal onde cadinhos e tubos de ensaio competiam por espaço com outros objetos na bancada de azulejos.  Tudo ali resumia preocupações antigas e atuais de papai: tanques de aquários vazios, coleções de borboletas espetadas, microscópio, equipamento fotográfico, espécies de sementes que poderiam ser usadas para alimentar gado, cobras e aranhas em álcool e dúzias de reagentes químicos em garrafas de vidro com rótulos de caveiras nos bojos. 

Pensando bem, é impressionante que nosso único acidente tivesse sido um pequeno incêndio causado por meu irmão Júlio, que, aos quatro anos, brincava com fósforos, no seu quarto, longe da área de perigo.  Porque a quantidade de material explosivo, em potencial, que se estocava na nossa casa poderia fazê-la ser isolada pela segurança pública com cartazes: AREA RESTRITA, caso seu conteúdo viesse a ser descoberto pelas autoridades.   Ainda que nós crianças pudéssemos entrar e sair do “laboratório”  ao bel prazer, nenhum vizinho, conhecido ou amigo colocou os pés no quarto do papai.  Nunca!

 Para desespero de minha mãe, papai era um tipo mais sociável do que a maioria dos cientistas.  Isso significa que suas ferramentas e livros poderiam ser encontrados na mesa da sala de jantar – seu lugar favorito de leitura; ou em frente da televisão – seu lugar favorito para uma soneca.  Sem perder qualquer oportunidade para nos ensinar alguma coisa, ele adorava ficar rodeado pela família enquanto trabalhava.  Mamãe queria ver a casa livre de seus apetrechos e reclamava com freqüência.  Mas acabava aceitando um pouquinho de bagunça na casa toda.  Mas havia uma regra: nenhuma “parte de carro” dentro de casa.  Se encontrasse alguma, um grande rebuliço brotava pela casa.  Isto ela não aceitava.  “Todas essas peças cheias de graxa, estragando a minha mobília, arranhando as tábuas do piso! Cláudio tire tudo isso daqui!” Lá pelas tantas, papai pegava uma chave inglesa, uma chave de fenda, pistão, filtro, válvulas, farol e levava de fininho para o Lab.

 Mas logo ignorava as regras.  Por propósito ou negligência, partes do carro nos cômodos internos da casa eram lugar comum. Nem ele, nem minha mãe abriam mão de seus direitos e o confronto entre os dois era a norma.  Papai sempre começava trabalhando numa coisa pequenina – um ou dois fios, uma chavinha de fenda, que vinha escondida no bolso.  Estes objetos vinham quietos, macambúzios e se instalavam timidamente sobre jornais velhos num canto da mesa de jantar.  No final da tarde, ou à noitinha, eram algumas chaves de fenda, um ferro de soldar elétrico, algumas pinças que haviam encontrado o caminho da sala e achado repouso num canto do tapete oriental debaixo da mesa, quando não achavam acolhida ao lado da sopeira antiga na cristaleira.  E, como sempre, ao lado de papai, havia um de nós fazendo o dever de casa ou brincando com pedacinhos de fios, desencapando-os.  Todos os nossos bonecos, lá em casa, eram ruivos: tinham belíssimas cabeleiras de fios de cobre.

 Papai sempre queria estar onde tudo acontecia.  E ele podia.  Tinha um grande poder de concentração, uma característica herdada por todos os três filhos.  Uma característica que era também outro ponto para mais discussões na nossa casa, porque mamãe, cansada de nos chamar para o jantar ou para por a mesa, tinha que vir até nós, às vezes até sacudir nossos braços, ou retirar de nossas mãos os livros ou brinquedos com que nos divertíamos, para nos “acordar” para o mundo.  Papai, é claro, era o pior de nós todos.  Não era raro ele se sentar à mesa do jantar quando nós já estávamos na sobremesa.  Mamãe o chamava.  Mas depois de algum tempo se calava e dizia: “precisamos esperar, agora, que os sons do jantar cheguem até o inconsciente de seu pai e o lembrem que o jantar está servido”.  A surdez momentânea de papai se tornava pior quando ele estava absorvido com o carro, quer na garagem, quer no Lab.

 No Lab havia uma parafernália enorme relacionada a carros: caixas e caixas de parafusos de tamanhos diferentes, radiadores, caixa de transmissão, carburadores, correias de ventilador, baterias e todo tipo de canos e peças de metal e ferramentas.  Mas o passatempo diário de papai – a melhoria do carro da família — afetava a família muito além da localização das peças e ferramentas por toda a casa.  Afetava nossos horários, nossa imagem, nosso orgulho e até mesmo a percepção que tínhamos de nós mesmos.  O carro era o grande ditador da nossa vida, o cardeal por trás do rei, a eminência parda do nosso lar.  

 Foi a persistência de papai que nos levou a ter um carro com duas baterias escondidas atrás do banco traseiro; um painel indicando através de luzes diferentes o estado de diversas partes do motor e assentos removíveis transformando a caminhonete num  verdadeiro pequeno caminhão.  Enumerando as melhorias desta maneira elas até parecem muito boas.  Mas era a maneira como os fios eram dependurados pelo carro, vindos do guidão e painel fronteiriço, passando por trás das portas, caindo como sanefas das  janelas que era um problema!  É claro que as portas do carro já não tinham acabamento.  Tudo era visível: o mecanismo de abrir e fechar os vidros, os fios vindos de trás, da frente, de lugares que não podíamos imaginar.  Tudo isto levava uns vinte minutos para ser ligado.  Eram muitas adaptações diferentes que precisavam esquentar antes de colocar o carro em andamento.  Havia é claro um termômetro no motor para manter a temperatura ideal e garantir o melhor funcionamento da engenhoca.  Tudo isso contribuía para que ficássemos todos encabulados com o nosso carro.

 O critério usado por papai para melhorias automobilísticas era puramente pragmático.  Seu carro era um experimento e estava sempre em processo. Tudo era registrado para futuras adaptações.  Quanto maior o controle, melhores as soluções.  A conseqüência era simples: o interior do nosso carro tinha adaptações diversas de outras máquinas, de partes de outros carros, de outros fabricantes.  Sob as mãos mágicas de papai esta pilha de ferro velho se transformava em tacômetros, botões de ligar e desligar luzes de aviso, reguladores da temperatura da água, medidores de pressão de óleo, medidores de pressão dos freios e de seu desgaste.  Tudo permitia leituras específicas sobre o carro. Papai anotava dados em grossos cadernos de capa dura, às vezes até mesmo durante os trinta segundos de parada num sinal vermelho.  O carro tinha guidão da Mercedes, e partes do motor da Volkswagen, carburadores de quatro velas e botão para ligar e desligar as baterias que preveniam o roubo do carro.  Grande defensor de medidas de segurança, papai instalou cintos de couro para nós crianças no banco de trás.  Para ele, estes precursores dos modernos cintos de segurança não tinham a aparência horrenda que lhes atribuíamos.  Para papai, a diferença entre um carro comum e o nosso era que o nosso era melhor!

 Sem tomar conhecimento das reclamações estéticas feitas por mim e mamãe sobre o interior do carro, papai incentivou uma guerra dos sexos na família, encontrando apoio nos meus dois irmãos mais novos: David e Júlio.  Ambos eram freqüentemente mecânicos-auxiliares na garagem lá de casa.

 David se interessava por qualquer coisa que precisasse de força.  Ele gostava de músculos.  Desde que nascera media suas forças com as de papai e depois insatisfeito com os resultados ele passeava pela casa comparando bíceps comigo, mamãe e Júlio.  Às vezes até a vovó se deixava medir nos músculos dos braços.  Ele sempre sonhava que era Tarzan.  Suas tarefas na garagem envolviam equipamento pesado.

 Júlio por outro lado se preparava para seguir nos passos de meu pai.  Metódico e dado a pesquisas, gastava horas no Lab afinando pontas de parafusos para adaptá-los a este ou aquele uso, ou trabalhando com algo que envolvesse eletricidade.  A ele cabiam as tarefas detalhistas, o trabalho cuidadoso.   Melhor que ninguém na família, Júlio podia colocar ordem em qualquer caos. Sua maneira sistemática de resolver problemas e sua aptidão para organização eram sempre bem-vindas quando a tarefa envolvia fios para serem desembaraçados, ou desfazer nós.  Se paciência fosse um requisito da situação, Júlio era chamado.

 Eu nunca ajudava papai; tomava o partido de minha mãe.  Mas eu ficava furiosa quando papai dizia que “preocupações estéticas eram típicas do sexo frágil”.  Nem eu nem mamãe éramos contra o desenvolvimento da ciência.  Só não queríamos participar dos experimentos.  Éramos passivas e resistentes.  Aprendemos a não ouvir qualquer dito, provérbio ou frase sobre feminilidade, ainda que uma divisão dos sexos tivesse se formado na nossa casa.   De um lado, papai se recusando a ser normal.  Do outro lado, mamãe com crescente ódio pelo carro, chamando taxis, pegando carona com minhas tias e me levando junto.  O carro era vergonhoso para nós duas.  Tudo o que eu queria na minha adolescência era mostrar a mim mesma e às minhas amigas que fazia parte de uma família bem normal.

 Meus irmãos, mais jovens e ainda adolescentes imaturos encontraram nas atividades de papai uma fonte de grande orgulho e felicidade.  Eles também gostavam do pequeno clube que faziam, separados de nós, e na verdade, muito cedo, quando ainda eram bem criancinhas, eles já “dirigiam o carro” para dentro e fora da garagem.  Aprenderam também a estacioná-lo com perfeição.  E quando mamãe e eu dizíamos alguma coisa derrogatória a respeito do carro ou deles estarem cegos por causa de seus amores pela máquina, ouvíamos o refrão repetido: “Típica  preocupação de mulher”.   

 Por muito tempo nosso carro ficou quase intacto no lado de fora, mas era uma cena de guerra por dentro, até que papai teve “o grande acidente” quando o carro capotou três vezes até parar.  Como era o único carro na estrada naquela hora, ninguém mais se feriu.  Papai, “salvo por milagre”, de acordo com mamãe e “protegido pelas minhas invenções” de acordo com ele, começou logo a melhorar a carroceria contra futuros acidentes.  O carro de calhambeque passou a joça. 

 Mamãe perdeu a aposta que fez conosco, crianças, sobre a revisão anual do estado.  Ela tinha certeza de que o carro não passaria na inspeção.  Ela falava.  E eu achava que via medo refletido nos olhos de papai.  Isso acontecia todos os anos e era a fonte de muitas conversas aos segredinhos entre minha mãe e suas irmãs.  Ouvíamos a constante observação de que os “inspetores eram cegos”.  O que mamãe esquecia era que meu pai se dava ao trabalho de maquiar o carro nas semanas anteriores ao ritual anual.   Com ajuda de meus irmãos, papai, numa única vez ao ano, se mostrava preocupado com a aparência do carro e o carro saía da garagem, no dia da inspeção, tinindo de beleza, como se uma fada tivesse trabalhado a noite toda, como se os inspetores fossem mulheres.  Fios desapareciam, seguradores de portas e alavancas de abrir e fechar os vidros reapareciam.  O acabamento nas portas e no teto do carro surgia do nada e estava sempre limpinho, porque afinal não havia sido usado por um ano inteiro!  E o carro, passou na inspeção ano após ano.  Mas logo depois de voltar para casa começava a pegar aquele ar de abandono que lhe era peculiar o ano todo. 

 Tivemos este carro por toda minha adolescência.  Menti para amigos muitas vezes para evitar sua companhia em nosso carro.  Com a desculpa de que o carro era muito pesado  para uma mulher frágil, aprendi a dirigir numa escola de motorista do bairro e nunca dirigi o Vanguard.

 David, no entanto, aprendeu a dirigir no carro da família.  Chegou a levar a namorada algumas vezes para uma volta pela cidade.  Mas logo, logo, notou que Lúcia, ou Diana, ou até mesmo Márcia, não apreciavam muito aquela moldura para seus passeios românticos.  Quer dizer, suas namoradas não estavam interessadas no motor. Só no  carro, e por causa da aparência, não conseguiam apreciar o passeio.  Nessa hora eu e mamãe ganhamos um importante aliado, do sexo certo. David se juntou a nós nos pedidos para trocarmos de carro.  Papai agora contava só com Júlio, que com treze anos, começava a se preocupar com as garotas.  Depois de um segundo acidente de carro, papai foi finalmente convencido a desistir do velho auto.

 Quando foi vendido, pouco restava de suas peças originais.  Foi vendido, sem qualquer dos inventos de papai, para um ferro-velho.  Os mecanismos extras foram guardados nas prateleiras mais altas do Lab. II.  Uma casinhola construída no fundo do quintal.   A família tinha um carro novo.  Novo em folha.  Vermelho.  Lindo.  Brigávamos para dirigi-lo.   Permutas criativas eram feitas.  A troca de responsabilidades na casa tornou-se moeda corrente, espertamente usada, para dissuadir alguém de usar o carro em qualquer noite.  Eventualmente, papai comprou outro carro, este de segunda mão, para nós, filhos dividirmos quando não pudéssemos usar o novo carro.  Nós adoramos a solução.  Até que nos preocupamos quando papai teve a idéia de colocar uma segunda bateria no carro.  E o fez.  Mas, por algum motivo, seu amor aos motores, à mecânica parecia ter desaparecido.  Não pensava em adicionar nada mais.  Uma vez, quando lhe perguntaram a respeito, papai simplesmente respondeu que o Vanguard era diferente.  “Aquele é que era um carro de verdade.  Esses carros novos, essas novas carrocerias não foram construídas para durar.  Não valia a pena o esforço”.  Mentalmente agradeci aos novos padrões de fragilidade dos carros modernos.

 

Em: Contos do Livro Errante, edição e organização de Cristiane Rose Duarte e  Márcia Regina Schwertner,  Brasil,  2009, diversos autores, 104 páginas.  [Ficha catalográfica por Letícia Alves Vieira].





Para comemorar um ano no blog

26 06 2009

bolo

 

Neste mês de junho completamos um ano de postagens na Peregrina Cultural.    Eu não poderia ter advinhado que teria tanto material para postar e que houvesse tanta gente que se agradasse com isso, pessoas muito especiais que  me dão o maior incentivo…  Foi uma grande surpresa o carinho de todos e também conseguir fazer amigos virtuais.  Quem diria que as minhas preocupações culturais fossem populares?  Num dia normal, este blog recebe de 1700 a 2100 visitas.  Acho fenomenal! So posso agradecer:  Muito obrigada!

Junto a esta comemoração, chegou este mês para mim, uma outra publicação, não-virtual, também especial: o livro, Contos do Livro Errante, uma coletânea dos contos premiados no concurso de contos da Comunidade do Livro Errante no ORKUT em 2008.   Um de meus contos recebeu Menção Honrosa, e saiu publicado no livro ao lado dos contos vencedores. 

Como anteriormente tive um poema que também recebeu menção honrosa, no concurso de poesias sobre o meio ambiente, patrocinado pela revista cultural carioca: Bafafá,  em 2006, e considerando pedidos do meu cara-metade para que eu deixasse de ser tão tímida a respeito do que escrevo, hoje, faço a postagem do conto premiado.  Mais tarde farei a postagem do poema.   Nunca me considerei primeiramente uma escritora e muito menos uma poeta.  Mas, vez por outra, confesso, sentir urgência de colocar no papel uma ou outra idéia.   Agradeço desde já a todos que se dispuserem a “dar uma olhadinha”.





Uma história, uma menção honrosa, um livro! Muita honra!

26 06 2009

Capa, Contos do Livro Errante

 

Este livro reúne os contos premiados no concurso de contos da comunidade Livro Errante do Orkut.  A bela capa, a organização e a formatação são da carioca, arquiteta e professora de arquitetura da UFRJ Cristiane Rose Duarte, que além destas funções também tem um interessantíssimo conto nesta edição.   O livro tem a organização também da gaúcha Márcia Regina Schwertner que também é responsável pelas introdução e apresentação do livro.  Márcia foi também a ponte entre os concorrentes e a banca examinadora, garantindo anonimidade para os competidores.  O livro apresenta 22 textos.  Nem todos os contos premiados, no entanto, estão presentes nesta edição, porque há autores, com outros planos para a publicação de seus contos,  provavelmente em edições estritamente dedicadas a suas obras.    

Esta foi uma parte divertidíssima da minha participação na comunidade do Livro Errante, da qual ainda faço parte e um dos aspectos mais interessantes da troca de idéias e amizades que podem ser atingidos através da internet.  

 Aqui fica o meu agradecimento a Cristiane Rose, a Márcia Regina e a banca examinadora.  Mas, uma outra palavra ainda precisa ser dita:  um agradecimento especial a fundadora da comunidade do Livro Errante, a pernambucana  Regina Porto.  Como vocês podem ver, este grupo de leitores que se encontra no Orkut, cobre o imenso território nacional e fomenta as amizades mais diversas.





Imagem de leitura — Lucília Fraga

25 06 2009

LuciliaFRaga(1895-1979)Leitura,osm,62x46

Leitura, s/d

Lucília Fraga ( Brasil, 1895 – 1979)

Óleo sobre madeira  62 x 46 cm

 

Lucília Fraga (BA, 1895 — SP, 1979) professora, desenhista e pintora brasileira, de estilo figurativo.

 Nascida em Caetité, na Serra Geral, alto sertão da Bahia, mudou-se com a família para Jaú e depois para São Paulo.

 Começou sua formação artística, com Henrique Bernadelli, no Rio de Janeiro e com Pedro Alexandrino e Antônio Rocco, em São Paulo . Suas irmãs Anita e Helena também foram artistas plásticas. Suas obras podem ser encontradas em coleções particulares, alcançando boa cotação no mercado. O Centro Cultural São Paulo e a Pinacoteca do Estado de São Paulo possuem obras suas em seus respectivos acervos.

Sua última exposição foi em Santos, em 1970. Dentre seus ex-alunos destacam-se as artistas Ernestina Karman e Colette Pujol.





O cavalo e o burro, fábula, texto de Monteiro Lobato

25 06 2009

horsedonkeybarlow_400O Cavalo e o burro, ilustração de Frances Barlow, metade do século XVII.

 

O cavalo e o burro

                                                                                              Monteiro Lobato

O cavalo e o burro seguiam juntos para a cidade.  O cavalo contente da vida, folgando com uma carga de quatro arrobas apenas, e o burro — coitado!  gemendo sob o peso de oito.  Em certo ponto, o burro parou e disse:

— Não posso mais!  Esta carga excede às minhas forças e o remédio é repartirmos o peso irmãmente, seis arrobas para cada um.

O cavalo deu um pinote e relichou uma gargalhada.

— Ingênuo!  Quer então que eu arque com seis arrobas quando posso tão bem continuar com as quatro?  Tenho cara de tolo?

O burro gemeu:

— Egoísta,  Lembre-se que se eu morrer você terá que seguir com a carga de quatro arrobas e mais a minha.

O cavalo pilheriou de novo e a coisa ficou por isso.  Logo adiante, porém, o burro tropica, vem ao chão e rebenta.

Chegam os tropeiros, maldizem a sorte e sem demora arrumam com as oito arrobas do burro sobre as quatro do cavalo egoísta.  E como o cavalo refuga, dão-lhe de chicote em cima, sem dó nem piedade.

— Bem feito!  exclamou o papagaio.  Quem mandou ser mais burro que o pobre burro e não compreender que o verdadeiro egoísmo era aliviá-lo da carga em excesso?  Tome!  Gema dobrado agora…

***

Em:  Criança Brasileira, Theobaldo Miranda Santos, Quarto Livro de Leitura: de acordo com os novos programas do ensino primário.  Rio de Janeiro, Agir: 1949.

VOCABULÁRIO:

Folgando: descansando, alegrando-se; excede: ultrapassa; arque: aguente; tropica: tropeça; maldizem: lamentam; refuga: rejeita.

José Bento Monteiro Lobato, (Taubaté, SP, 1882 – 1948).  Escritor, contista; dedicou-se à literatura infantil. Foi um dos fundadores da Companhia Editora Nacional. Chamava-se José Renato Monteiro Lobato e alterou o nome posteriormente para José Bento.

Obras:

A Barca de Gleyre, 1944

A Caçada da Onça, 1924

A ceia dos acusados, 1936

A Chave do Tamanho, 1942

A Correspondência entre Monteiro Lobato e Lima Barreto, 1955

A Epopéia Americana, 1940

A Menina do Narizinho Arrebitado, 1924

Alice no País do Espelho, 1933

América, 1932

Aritmética da Emília, 1935

As caçadas de Pedrinho, 1933

Aventuras de Hans Staden, 1927

Caçada da Onça, 1925

Cidades Mortas, 1919

Contos Leves, 1935

Contos Pesados, 1940

Conversa entre Amigos, 1986

D. Quixote das crianças, 1936

Emília no País da Gramática, 1934

Escândalo do Petróleo, 1936

Fábulas, 1922

Fábulas de Narizinho, 1923

Ferro, 1931

Filosofia da vida, 1937

Formação da mentalidade, 1940

Geografia de Dona Benta, 1935

História da civilização, 1946

História da filosofia, 1935

História da literatura mundial, 1941

História das Invenções, 1935

História do Mundo para crianças, 1933

Histórias de Tia Nastácia, 1937

How Henry Ford is Regarded in Brazil, 1926

Idéias de Jeca Tatu, 1919

Jeca-Tatuzinho, 1925

Lucia, ou a Menina de Narizinho Arrebitado, 1921

Memórias de Emília, 1936

Mister Slang e o Brasil, 1927

Mundo da Lua, 1923

Na Antevéspera, 1933

Narizinho Arrebitado, 1923

Negrinha, 1920

Novas Reinações de Narizinho, 1933

O Choque das Raças ou O Presidente Negro, 1926

O Garimpeiro do Rio das Garças, 1930

O livro da jangal, 1941

O Macaco que Se Fez Homem, 1923

O Marquês de Rabicó, 1922

O Minotauro, 1939

O pequeno César, 1935

O Picapau Amarelo, 1939

O pó de pirlimpimpim, 1931

O Poço do Visconde, 1937

O presidente negro, 1926

O Saci, 1918

Onda Verde, 1923

Os Doze Trabalhos de Hércules,  1944

Os grandes pensadores, 1939

Os Negros, 1924

Prefácios e Entrevistas, 1946

Problema Vital, 1918

Reforma da Natureza, 1941

Reinações de Narizinho, 1931

Serões de Dona Benta,  1937

Urupês, 1918

Viagem ao Céu, 1932

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Francis Barlow ( Inglaterra, 1626? – 1704) Pintor, gravador e ilustrador.  Seu primeiro trabalho foi como ilustrador do livro Theophila, de Edward Benlowe, publicado em 1652.  Em 1666 ilustrou e publicou uma edição das Fábulas de Esopo, que mais tarde, em 1687 foi republicada e depois mais uma vez em 1668.  A versão de 1687 aparece com várias outras fábulas e ilustrações adicionais.    Barlow trabalhou em Londres a partir de 1653 como pintor de animais , pássaros e da vida campestre.   Tudo indica que morreu na pobreza.  Foi sepultado em   11 de agosto de 1704, mas não se sabe ao certo a data de seu falecimento.

Esta fábula de Monteiro Lobato é uma das centenas de variações feitas através dos séculos da fábulas de Esopo, escritor grego, que viveu no século VI AC.  Suas fábulas foram reunidas e atribuídas a ele, por Demétrius em 325 AC.  Desde então tornaram-se clássicos da cultura ocidental e muitos escritores como Monteiro Lobato, re-escreveram e ficaram famosos por recriarem estas histórias, o que mostra a universalidade dos textos, das emoções descritas e da moral neles exemplificada.  Entre os mais famosos escritores que recriaram as Fábulas de Esopo estão Fedro e La Fontaine.  Nota, interessante sobre este texto especificamente:  na fábula grega o incidente ocorre entre uma mula e um burro.