Quadrinha da casuarina

6 02 2010

casuarina

Ora é canto, ora é lamento,

canção de amor em surdina,

esse sussurro de vento

nas ramas da casuarina.

( José Lucas Filho)





Imagem de leitura — Ricardo Sanz

5 02 2010

Manhã de domingo, 2005

Ricardo Sanz ( San Sebastián, Espanha — contemporâneo)

Óleo sobre tela,  89 x 116 cm

Ricardo Sanz é um pintor espanhol.  Nasceu em San Sebastián, na província de Guipúscoa, na região Basca, em uma família bastante engajada com o mundo das artes plásticas.    Quando seu avô percebeu que o menino Ricardo tinha habilidades no desenho, foi estudar com o pintor José Camps e mais tarde com outros pintores.  Permaneceu muito tempo na sua cidade Natal mas logo que pode visitou Madri onde pode observar as pinturas de Velázquez, Van Dyck, Rembrandt, e a do século XIX, que lhe encantavam.  Mais tarde foi a Paris.  Vive atualmente em Madri.

Maiores informações:  http://ricardosanz.com





Os Maias se revelam em mais descobertas em Toniná

5 02 2010

 

Foto: EFE

Cientistas do Instituto de Antropologia e História do México (INAH) divulgaram nesta quinta-feira a descoberta de um muro em um sítio arqueológico Maia ao sul do estado de Chiapas. Junto ao muro estava uma estátua do hierarca mais poderoso da antiga cidade de Toniná.  A atribuição ao nome do poderoso antepassado ainda não foi divulgada.  Toniná, é um local de pesquisas arqueológicas da civilização Maia, a oito quilômetros da cidade de Ocosingo.

Os pesquisadores relataram ter encontrado também textos hieroglíficos com o nome do hierarca da antiga civilização. Alguns textos hieróglifos ainda retêm as cores originais. A iconografia mostra ainda um grande Deus da Morte, semelhante ao que foi encontrado numa fachada anteriormente descoberta. Os textos ainda não foram decifrados e serão analisados pelo Instituto Nacional de Antropologia e História.  Esta descoberta foi feita em área próxima ao local onde, ainda este mês, um sarcófago de pedra, datando de  840-900 d.C. e semelhante ao encontrado na tumba de Palenque  e atribuído a Rainha Vermelha, de 840-900 d.C. foi encontrado. 

Fonte: Terra

Para mais vistas de Toniná, veja o vídeo abaixo, em espanhol:





Descoberta a fonte de água para aqueduto romano

4 02 2010
Foto: AFP

 

Há muito tempo procurava-se a fonte de água limpa que abastecia a cidade de Roma na antiguidade.  Tudo indica que finalmente, uma equipe de arqueólogos localizou a fonte de um aqueduto romano construído pelo imperador Trajano há 1900 anos. As câmaras coletoras estavam sob uma igreja a noroeste de Roma.   A implantação de água corrente na época, água limpa, foi muito importante para a saúde e a higiene da população e preservação da população.

O aqueduto, Aqua Traiana, tinha origem no Lago Bracciano, a 40 km do centro de Roma.  O sistema de transporte desta água foi inaugurado no ano 109 e era um dos onze aquedutos que abasteciam Roma, a capital do império, uma cidade que crescia rapidamente e contava com aproximadamente um milhão de habitantes na época.   

Trajano

 

O imperador Trajano governou o império romano do ano  98 ao 117 da nossa era.   Este período é considerado um dos mais prósperos da antiga Roma, que sob seu governo, desfrutou de grande estabilidade e de paz.  Trajano foi também o primeiro imperador de origem fora de Roma, tendo nascido na Espanha, na época território do império romano.   Foi no governo de Trajano que a Dácia, atual Romênia, foi conquistada. 

Fonte: BBC, Terra, e outros





Filhotes fofos: tigre bebê apresentado ao público

4 02 2010
Foto: Reuters

 

Um filhote de tigre do sul da China (Panthera tigris amoyensis) de sete meses foi exibido terça-feira passada pela Base de Conservação de Suzhoua. A instituição é uma das maiores do país na preservação desta espécie e, além do pequeno felino, também abriga outros 14 tigres nascidos em cativeiro.   A espécie tem proteção total do governo chinês por estar ameaçada de extinção. Exemplares selvagens são raros de se encontrar no habitat natural.    O tigre do sul da China, também conhecido como tigre Amoy ou tigre de Xiamen, pode pesar entre 130 a 175 kg e medir entre 2,30 a 2,60 m de comprimento.

Fonte: Terra





A solidão dos números primos, de Paolo Giordano

3 02 2010

 

Há tempos eu não lia compulsivamente.  Em geral leio de dois a três livros simultaneamente, mas confesso que no mês de janeiro houve duas narrativas, completamente distantes uma da outra que não me deixaram dividir meu tempo livre com qualquer outra história.  Foram leituras sedutoras do início ao fim e que pediram e ganharam a minha total atenção enquanto leitora:  O tigre branco, de Aravind Adiga [Nova Fronteira: 2008] e A solidão dos números primos de Paolo Giordano [Rocco: 2008].  Hoje vou me concentrar no livro italiano.

Eu não teria acreditado, se me dissessem, que eu iria me interessar, que iria ler apaixonadamente, um romance que tratasse das vidas de pessoas muito complexas,  que carregavam traumas da infância.  Pessoas que cresceram no meio de famílias ineptas, que não conseguiam lhes dar atenção.  Famílias, pais, que  não notam  as  carências dos filhos, que os deixam sofrer distúrbios emocionais.  Essa descrição dos dois principais personagens de A solidão dos números primos, Alice e Mattia, teria simplesmente feito com que eu fechasse o livro e dito: Não sei se me encontro num momento emocional para ler sobre este tipo de tragédia Ando a procura de uma história mais branda…  Que erro eu teria cometido!  Porque não teria sido apresentada a esta história maravilhosa, a este livro sedutor.

Mas aí entra a arte deste recém descoberto escritor, Paolo Giordano.  Sua primeira profissão é a física. É formado em Física pela Universidade de Turim, onde ganhou uma bolsa de doutoramento em Física de Partículas. A segunda profissão, só agora começada, é a de escritor.  Não sei se uma tomará a frente da outra.  Numa entrevista à revista Elle, o escritor, que foi agraciado com o maior prêmio literário da Itália, o Prêmio Strega, em 2008,  por este primeiro romance, com o qual também recebeu uma menção honrosa do Prêmio Campiello no mesmo ano,  garante que gosta mais de escrever.  Espero que sim, pois revelou uma voz única e bem sucedida. 

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Parte do sucesso dessa narrativa vem da revelação, muito bem descrita, dos sentimentos de inadequação dos adolescentes, sentimentos que serão permanentes em cada um dos protagonistas.  Alice e Mattia têm essa inadequação elevadíssima: conseqüência do sofrimento físico ou psicológico sofrido por cada um na infância.  Vivem em extrema solidão, mesmo sendo membros de famílias confortavelmente estabelecidas na classe média.  Acompanhamos suas vidas de 1983 a 2007.  Enquanto Mattia, que tem o perfil de um gênio, se refugia na matemática, onde consegue se realizar – porque nela sentimentos não são necessários; Alice encontra abrigo na anorexia, onde se sente confortável emocionalmente, habituada que está à ausência dos alimentos emotivos de que sua alma, seu espírito, precisa.  Ambos são ímpares em seus respectivos casulos emocionais e é exatamente isso o que os aproxima e o que nos aproxima dos personagens. 

Fato é que  conhecemos estes personagens.  Se não são nossos filhos, irmãos, primos ou sobrinhos, estão no círculo de amigos, amigos de amigos, filhos de amigos, companheiros com quem nos relacionamos.  Reconhecemos alguém próximo e com a narrativa sedutora, rápida e contemporânea de Paolo Giordano seria difícil não nos aproximarmos emocionalmente, não acharmos Alice e Mattia fascinantes.

Paolo Giordano

Dizer que a matemática tem poesia é lugar comum.  Mostrá-la é único!  Neste livro a matemática é usada como metáfora, magistralmente: Os números primos são divisíveis apenas por um e por si mesmos.  Estão em seus lugares na série infinita dos números naturais, comprimidos entre dois, como todos, mas um passo adiante em relação aos outros.  São números suspeitos e solitários, e por isso Mattia os achava maravilhosos.  E nas mãos hábeis de Paolo Giordano, nós também achamos os números primos maravilhosos. 

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Leia.  Não se arrependerá!





Verão, poesia infantil de Zilda Maria Vasconcellos

1 02 2010
Ilustração de Meredith Johnson

Verão

                              Zilda Maria Vasconcellos

 

Bem na pontinha dos pés,

sobre a erva do caminho,

com os sapatos na mão,

fui caminhando sozinho.

Belo dia de verão!

Tudo parado, quietinho…

perfumes para todo lado,

e um gostoso calorzinho.

O sol bateu em meu rosto

e a leve aragem do vento.

Fui caminhando com gosto

num passo lento, bem lento.

Demorei a encontrar

as minhas vespas amigas,

as cigarras a cantar,

as diligentes formigas.

Então, no grande silêncio,

uma formiga ouvi:

Precisamos trabalhar,

O outono está quase aí.

Já vão-se abrir as escolas,

Irás estudar também.

Adeus,  meu bom amiguinho,

até o verão que vem!

Em: O mundo da criança, vol. 1: poemas e rimas,  Rio de Janeiro, Editora Delta: 1971





Brasil que lê: fotografia tirada em lugar público

26 01 2010

Receita de verão:  sombra, banco, sem camisa, e um bom livro!.  Parque Lage, Rio de Janeiro.

Foto:  Ladyce West





Quadrinha sobre o trabalho

25 01 2010

trabalhar vc está louco

Ilustração, Walt Disney.

Se tens à frente uma estrada,

não passes por um atalho,

que a vida só é gozada

à custa de muito trabalho.

(Luiz Evandro Innocêncio)





Papa-livros: Relato de um certo oriente, de Milton Hatoum, resenha

24 01 2010

Manaus, foto antiga, coleção Allen Morrison.

Se eu tivesse que expressar visualmente a minha impressão do livro de Milton Hatoum, Relato de um certo oriente, teria que dizer que como leitora, fui habilmente seduzida por um texto cuja história se mostra tímida, escondida nas entrelinhas, e que vai se revelando, a contragosto, com algumas contorções, com gestos delicados e incompreensíveis,  com mudanças de ritmo e de perspectiva.  Foi como se eu tivesse sido vítima de magia, encantada por uma Salomé, por uma dançarina oriental, debaixo de sete véus.  Infelizmente, Milton Hatoum não me deu, como leitora, a oportunidade de descobrir a total beleza da mulher que se desnuda à minha frente.  O último véu, aquele que encobria o rosto, aquele que só me  permitia, até o último momento, ver só os olhos pelos quais me aproximei da história, esse véu não caiu.  A última barreira para a identidade da narradora dessa trama,  para o seu nome, fica presa naquela película translúcida através da qual sinto a presença da face.   Gostaria de que esse véu tivesse também caído, para saber ao certo, sem quaisquer dúvidas,  a identidade dessa personagem, filha adotiva,  sem-nome, que volta à casa da infância e se lembra das histórias do passado.  Os detalhes do rosto que vislumbro e que imagino, no entanto, nessa dança sedutora, não me são jamais revelados.  Foi grande a frustração causada pela narrativa dissimulada, oblíqua da história desta família de imigrantes do Oriente Médio no Amazonas.    Terminado o texto, voltei ao início do livro para ter certeza de que não havia perdido algum detalhe que houvesse me desviado para um final inconclusivo, mas continuei, depois de reler o texto, com a inconveniente sensação de uma narrativa que carecia de um único detalhe para um desfecho pleno, satisfatório.

Esse é o terceiro livro de Milton Hatoum que leio.  Já havia lido Dois irmãos, de que gostei imensamente, e Órfãos do Eldorado, cuja resenha pode ser encontrada aqui no blog.   Esse grande escritor amazonense me agrada.  Aprecio sua dedicação à memória, à memória cultural, à memória individual.  Sem ela não somos, simplesmente estamos.  Milton Hatoum tem uma maneira onírica de contar histórias e é capaz de nos levar facilmente a um mundo meio-sonho, meio realidade, à zona da imaginação que pontua narrativas de um passado não muito distante.  Como nos livros citados acima, este romance também se passa em Manaus, essa última fronteira, terra de água e de floresta, de culturas imigrantes e nativas.  Ali os mundos se encontram e aprendem a conviver.

Milton Hatoum, foto: Lucila Wroblewski.

A trama é centralizada numa família, cujos principais componentes e eventos que a cercam são contados não só pelas lembranças da principal narradora, uma mulher que, passados vinte anos, retorna ao lar da infância, mas por outras vozes também.  Ela era a filha adotiva do casal de imigrantes, e permanece o centro das recordações.   A narrativa é composta de diversas memórias, não só dessa filha, mas também de outros membros da família, de amigos, memórias  que se entrelaçam e se confundem.   Conhecemos assim por pedaços, por insinuações o mundo de Emilie, matriarca desse clã libanês.  Ao longo da narrativa tive consciência da herança da cultura oral brasileira e das culturas do Oriente Médio.  Com uma narrativa evocativa, o romance ganha profundidade a cada relato, a cada personagem que conta parte da história.  Acaba-se com a sensação de se ter lido, de fato um grande romance.  Gostaria, no entanto, de fazer a seguinte observação:  acho que Milton Hatoum complica um belíssimo texto, mais do que necessário.  Se eu, que sou leitora assídua e regularmente inteligente, tenho que pegar papel e lápis para fazer anotações e ver se estou entendendo direito o que acontece na trama, há algo de errado.   E foi isso o que aconteceu comigo.  Li o livro com papel e lápis na mão.  Até um esboço de uma árvore genealógica construí.  Não acredito que isso deva acontecer.  Qualquer que seja o romance, de quem quer que seja.  Mas mesmo assim, a força narrativa de Milton Hatoum, e seu texto, cuidadoso — como hoje já quase não vemos na literatura brasileira — não deixam que eu coloque esse livro de lado.  Vou recomendá-lo, mas advirto, nem sempre o texto tem a clareza que deveria  transmitir.  Fiquei frustrada e me senti manipulada com essa narrativa oblíqua e dissimulada.