Manhã de sol no Rio de Janeiro, passeio no Jardim Botânico

9 10 2011

Jardim Botânico, aléia das palmeiras reais, entrada principal.

A primavera chegou quente e ensolarada.  Hoje a máxima parece ter chegado aos 30ºC  — pelo menos foi o que prometeram nos jornais — pelo calor eu diria que foi mais, mas é possível que a temperatura tenha caído rapidamente porque a tarde se cobriu de nuvens.  Foi, no entanto, uma bela manhã para um passeio no Jardim Botânico.  Tenho a felicidade de morar próximo desse belíssimo parque e o prazer de andar por suas aléias é constante.

Entrada para o Jardim Oriental, dentro do Jardim Botânico, no Rio de Janeiro.

O jardim oriental passou por uma grande reforma nos últimos anos.  Está hoje mais ZEN.   Tem mais pedras, exibe aquela  simplicidade de pureza de formas que não tinha anteriormente. Diminuíram a extensão da ponte vermelha.  Parece a mesma, mas se contarmos o número de segmentos, vemos que a ponte ficou menor, menos extensa. Uma foto mais antiga que tenho, de um outro ângulo, talvez ajude a mostrar a diferença.  E o  entorno do lago está bastante mudado, vejam abaixo.

O novo Jardim oriental tem muitos caminhos de pedras.

Foto mais antiga, de 2007, do mesmo lago, outro ângulo, no Jardim Oriental do Jardim Botânico.

Acredito que a ponte antiga seja uma interpretação mais romântica do que seria um jardim oriental.  Enquanto que a disposição mais moderna, incluindo o comprimento menor da ponte, sejam mais realistas quanto a estética oriental.  Gosto mais da interpretação romântica, com uma ponte mais esticada, apesar de não desgostar da que temos hoje.

Raizes de uma andiroba.

Aléia das andirobas.

E assim terminou o passeio de hoje, numa das minhas aléias favoritas: árvores gigantescas, com raízes imponentes.  Lembre-se de não plantar uma andiroba ao ladinho da sua casa…  Mas próximo à divisa do seu terreno ficaria maravilhosa!  Sim, é natural do Brasil.





Um show de equilíbrio para um domingo de descanso.

9 10 2011







Imagem de leitura — Lisa DeWilde

8 10 2011

Merchie, s/d

Lisa DeWilde ( EUA, contemporânea)

aquarela

www.lisadewilde.com

Lisa DeWilde estudou no College of Art de San Francisco na Califórnia e diplomou-se em artes gráficas pela Universidade Estadual de  San Jose.  Entre suas especializações estão a pintura mural e as aquarelas.





A pluralidade de gostos literários reflete a democracia do conhecimento

8 10 2011

Leitura na praia, s/d

Alexandre Washington ( Brasil, contemporâneo)

óleo sobre tela

No artigo Reflexo do País, no jornal O Globo, de hoje, o escritor Ricardo Lísias considera o que lhe parece injusto:  autores ganhadores dos maiores prêmios nacionais de literatura nem sempre são aqueles que se dedicam “a dizer a verdade ao poder e desafiá-lo” como entende que uma literatura de peso deva fazer.   Vou desabonar a defesa que Ricardo Lísias fez da infeliz posição do diretor de cinema Lars Von Trier, como um exemplo corajoso de quem não tem medo de enfrentar os poderes vigentes. Na pressa de preparar um artigo para o jornal e no afã de defender um ponto de vista, às vezes escritores recorrem a palavras de efeito sem pesar suas consequências.  Acredito que esse tenha sido o caso do autor de O livro dos Mandarins, pois até mesmo Lars Von Trier já se retratou pela infeliz piada a respeito dos nazistas que fez durante o Festival de Cinema de Cannes.

O que me surpreendeu no artigo do escritor paulista foi um resquício de elitismo intelectual – muito chegado às posições dos desacreditados sistemas políticos de esquerda — que está em desacordo com a pluralidade que a verdadeira democracia do saber atinge.  A grande esperança democrática de uma educação plena tem, entre outros, o objetivo de formar alguns milhões de leitores no país.  E ela não condiz com os parâmetros rígidos de VALOR (!) que o escritor parece querer aplicar, como se houvesse um POLITBURO do intelectualismo cujas normas deveríamos obedecer.  Um fato incontestável: quanto mais leitores tivermos maior será o número de pessoas que divergirão das metas estabelecidas por Ricardo Lísias ou qualquer outro queira impor um valor absoluto.

Leitora, s/d

André Kohn (Rússia, contemporâneo)

óleo sobre madeira,  45 x 34 cm

www.andrekohn.com

Não é fácil viver no sistema democrático, porque ele exige aquilo que nos faz menos selvagens e mais humanos: a aceitação do outro; da maioria.  E é exatamente disso que o escritor reclama:

No Brasil, os prêmios literários são o reflexo do país.  De vez em quando, protagonizamos eleições em que o melhor candidato é eleito; outras vezes permitimos que gente como Tiririca ou Clodovil (in memoriam) [sic] nos representem.  Na literatura é a mesma coisa: em alguns prêmios os melhores livros são contemplados; em outros, lá vai o Tiririca, lépido e faceiro, buscar o seu troféu.”

É isso mesmo.  A democracia tem dessas coisas: quem tem o maior número de votos ganha.  Se quisermos, de verdade, incrementar as chances de que outras pessoas sejam eleitas será preciso aumentar o número de leitores no país; o número de pessoas com sólida escolaridade.  E aí, e talvez só aí, outros políticos serão eleitos, outros autores ganharão prêmios.  Mas não haverá garantia.  Nunca.  Não poderemos nos assegurar de que aqueles que representam os valores que nos são preciosos sejam os mais votados, os adotados, os reverenciados. Porque numa nação democrática, mesmo que educada, teremos “em cada cabeça uma sentença”.

©Ladyce West, 2011





Quadrinha sobre a leitura

8 10 2011

Autoria desconhecida.-

 

Sem divertimento passo,

mas de um gosto não me privo:

é ler, e ler sem cansaço,

ter sempre nas mãos um livro.

(Roosevelt da Silveira)





Imagem de leitura — Elisha Dasenbrock

7 10 2011

Pensamentos secretos, s/d

Elisha Dasenbrock (EUA, contemporânea)

aquarela, 70 x 45cm

© Elisha Dasenbrock

Elisha Dasenbrock nasceu na pequena cidade de Lodi no estado de Ohio.  Aos 20 anos seguiu para Chicago à procura de um sonho: tornar-se uma artista plástica de sucesso.  Hoje,  mora e trabalha em Chicago, no estado de Illinois nos Estados Unidos.  Formada pela America Academy of Art, ela se especializou em aquarelas figurativas.





Quadrinha da lua e dos sonhos

7 10 2011

Ilustração de Edouard Halouze.

Quando estou em meu terraço,

olhando os astros risonhos,

a Lua atravessa o espaço

puxando o carro dos sonhos.

(José Lucas de Barros)





Imagem de leitura — Chen Shuzhong

6 10 2011

Mulher sentada com livro

Chen Shuzhong ( China, 1960)

óleo sobre tela

www.zmzart.com

Chen Shuzhong nasceu  na Província de Liaoning em 1960.   Formou-se pela academia de Luxun Academyde Belas Artes em Shenyang.  Ela se especializa em cenas da vida rural.  Ocupa no momento o cargo de vice-professora e diretora do estúdio de pintura a óleo da Academia de Belas Artes de Sichuan.

 

 

 





As ilustrações de Dorca para o livro infantil: Os três irmãos de Vicente Guimarães

6 10 2011

Capa, Os três irmãos, Vicente Guimarães, Editora do Brasil, sem data, sem local.

Volto a mencionar a necessidade de estudarmos os ilustradores brasileiros do passado.  Eles fazem parte da nossa herança cultural.  Muito pouco existe a respeito daqueles que ilustraram os livros que nos fizeram sonhar, daqueles que ilustraram os livros em que nossos pais aprenderam a ler.  Muitas das ilustrações do início do século XX eram estrangeiras.  Mas a medida que os textos para crianças — e para adultos também — foram se popularizando com autores nacionais, vimos um bom número de artistas gráficos se dedicar à ilustração.  Há alguns impecilhos óbvios para este estudo: 1) livros para crianças se deterioram com facilidade. 2) as edições de livros de meados dos século XX pecavam pela falta de informações básicas tais como data, local da editora, como acontece com este livro em que focalizo as minhas atenções hoje.  Não tenho idéia da data.  Pelo traçado das ilustrações imagino que sejam do início da década de 1960.  Na internet outros volumes com fotografias do mesmo livro têm outras capas e outras ilustrações.  O mais antigo desses é de 1960, mas outra edição  com outras ilustrações.  3) a premissa de que muito poucas crianças saberiam ler, e ainda menos crianças teriam pais comprando livros, fez com que as tiragens de cada um desses livros fossem muito pequenas.  Assim, torna-se muito difícil salvaguardarmos as imagens e encontrarmos referências biográficas sobre os ilustradores.

Página de abertura.

A página acima não é assinada por quem ilustrou o livro: Dorca.  Há uma outra assinatura que reproduzo abaixo e que me parece ser  Tom 62.  Caso seja isso é possível que todas as páginas de abertura da coleção Histórias Encantadas dessa editora tenham sido iguais, só mudando o nome do livro.  Há de se verificar com outros volumes da coleção.

Assinatura de quem?

Daqui por diante as ilustrações, com a palheta reduzida a três cores, são de autoria de Dorca [sic, sem “s” no plural, como esse nome é mais comumente grafado].  Nem todas as ilustrações são de página inteira.  Grande parte é.  Mas para facilitar só coloquei as imagens aqui, abstendo-me de mostrar qualquer trecho de texto que aparecesse na página.  As legendas são minhas, de acordo com as imagens.

” — Vi o senhor entrar na igreja e ouvi sua oração.”

” Luís tomou a bolsa e pôs-se a contemplá-la.”

Outros países, Inglaterra, Estados Unidos e grande parte dos países europeus — os de 1º mundo — já dedicaram suas pesquisas nas áreas das artes gráficas aos ilustradores de livros para crianças.  Um exemplo sempre lembrado quando se pensa em ilustrações para crianças  é da inglesa Beatrix Potter.

Era verdade! A boa velhinha não mentira.  Agora ia ser invencível.”

Nos EUA há também os famosos ilustradores Maxfield Parrish e Norman Rockwell, ambos trabalhando mais tarde que Potter, na Inglaterra, mas ainda na primeira metade do século XX.  No entanto,  o número de ilustradores de livros para adultos e crianças é enorme a partir da segunda metade do século XIX nos Estados Unidos.

“Joãozinho, ali mesmo, ao pé de uma árvore, sentou-se e abriu o livro precioso.”

Na França temos outros tantos ilustradores famosíssimos: Grandville, Gustave Doré são só dois de dezenas de artistas de peso que se dedicaram às ilustrações de livros tanto de crianças quanto de textos para adultos.

“Acontece que, um dia, a filha do rei ficou seriamente doente.”

[A  ilustração acima é um exemplo deliciosomente anacrônico.  a história se passa num reino encantado, e o remédio para a princesa, podemos ver claramente é uma injeção de penicilina! ]

“Correu imediatamente ao seu encontro e foi dizendo: — Bom dia, boa velhinha.”

” — Mas o monstro azul é muito forte. Até hoje não foi vencido por nenhum ser humano.”

— Não tenha receio, meu irmão. Eu sou invencível.  Não há na terra quem possa comigo, nem mesmo um gigante.”

“Apoderaram-se da caixinha e saíram correndo.”

“Não havia remédio algum.  Viam-se escritas algumas palavras em idioma desconhecido para eles.”

” Joãozinho abraçou Luís e resolveu voltar com ele para o palacete.”

“Causou admiração o aparecimento dos três rapazes, ao palácio.”

“Assim que a moça surgiu na sacada, a multidão prorrompeu em vivas.”

Ficam aqui, então,  as ilustrações dessa edição de Os três irmãos, para entretenimento de todos e quem sabe para instigar uma pesquisa mais aprofundada sobre a ilustradora e sobre a história da ilustração infantil no Brasil.





Quadrinha infantil sobre as mãos

6 10 2011

Ilustração Maurício de Sousa.

Os que têm as mãos fechadas

felizes não podem ser,

pois as mãos foram criadas

para dar e receber.

(Fernandes Soares)