Palavras para lembrar — Harold Bloom

13 02 2012

Um momento para ela, 2009

Malie Baehr (Holanda)

óleo sobre tela, 24 x 18

www.maliebaehr.com

“Ler é um dos grandes prazeres que a solidão permite”.

Harold Bloom





A guerra das mulheres — lenda Ioruba

13 02 2012

Homem Ioruba em trajes tradicionais.

A guerra das mulheres

Nos velhos tempos, na cidade de Ilesa, antes das guerras entre os reinos, havia mulheres governantes assim como homens.  Uma geração se sucedia a outra em paz.  Às vezes as mulheres reinavam, às vezes os homens.  Até que houve uma governante em Ilesa, chamada Aderemi.

Um dia, durante o seu governo, um exército de guerreiros de outro reino, tentou invadir Ilesa.  Essa era a primeira vez que a cidade tinha que se defender para sobreviver.  Por isso mesmo não havia procedimentos a serem seguidos para proteger a cidade.  Não havia tradição.  Ninguém podia dizer: “Oba Tal lutou dessa maneira”, ou “Oba Fulano-de-Tal lutou daquela maneira”.  Aderemi juntou seus conselheiros. Alguns eram homens e alguns eram mulheres.  Eles confabularam.   Arguiram sobre a melhor maneira de se livrarem dos inimigos.  Os conselheiros homens disseram que os guerreiros homens deveriam se munir de lanças e escudos, cajados, arcos e flechas e ir à luta.  Mas as conselheiras tinham outras ideias e sugeriram que as melhores armas seriam os pilões, longos com que batiam nos grãos para preparar a comida.  Elas também favoreciam o uso de ovos, porque estes continham o poder de neutralizar os poderes dos inimigos, e assim, ovos deveriam ser usados.  A discussão entre os conselheiros foi esquentada, mas finalmente Aderemi declarou que as conselheiras haviam ganho.

Os conselheiros homens perguntaram: “Que guerreiro vai para o campo de batalha munido de pilão e ovos?

Aderemi respondeu indignada, “ Muito bem, então os homens ficam na cidade e fazem as tarefas daqui.  Enquanto isso as mulheres vão defender Ilesa.

Ela mandou as mulheres pegarem as armas e se prepararem para a luta.  Elas tiraram seus longos pilões das cumbucas, apertaram as roupas e se pintaram seus rostos para guerra.  Cada mulher segurou um ovo na mão esquerda e juntas foram para frente da casa de Aderemi.

A líder lembrou-as que deveriam ter coragem dizendo: “Vão e encontrem o inimigo. Joguem os ovos na frente deles para combater seus poderes. Ataquem e faça com que eles fujam, sem piedade para o lugar de onde vieram, para que eles nunca voltem a atacar a cidade de Ilesa.”

No entanto, os homens continuaram a reclamar dizendo, “não é assim que se faz isso.”

Aderemi respondeu ríspida, “guardem para si, os seus conselhos.”

As guerreiras saíram com os pilões nas mãos direitas e os ovos nas esquerdas. Acharam o inimigo.  Os inimigos riram quando viram as guerreiras vindo com pilões e ovos para defender Ilesa.  E gritaram, “não há homens nessa cidade?  Voltem.  Não viemos à procura de esposas, essas nós já temos em casa.”

As mulheres de Ilesa ouviram o insulto e jogaram seus ovos em direção aos invasores dizendo, “assim como os seus poderes se tornam estéreis, também vocês ficarão sem poderes.”  E elas correram a atacar com seus pilões.  Mas os inimigos se protegeram com os escudos, e lutaram de volta com cajados, lanças, arcos e flechas.  Muitas mulheres de Ilesa morreram no campo de batalha.  As outras deram para trás.  Daí, os inimigos atacaram e as mulheres fugiram para a cidade.  Chegando lá,  elas entraram em casa e se desfizeram dos pilões.

Os homens de Ilesa viram tudo o que aconteceu.  Foram até Aderemi e disseram, “isso é demais para você. Nos tempos de paz você reinou bem.  Mas agora, que a guerra veio, você tentou moer o inimigo como se fosse milho puro e simples.  Essa é a natureza das mulheres.  Assim, não podemos mais ter uma governante mulher em Ilesa.  Daqui por diante, Ilesa deve ter um chefe guerreiro como governante.” Os homens se reuniram em um conselho e selecionaram um homem para ser Oba da cidade e das terras à sua volta.

Sob orientação do novo Oba, os homens munidos de lanças, escudos, facas, cajados e arcos e flechas, saíram da cidade cantando seus gritos de guerra, e atacaram o inimigo.  Fizeram-no voltar atrás, eliminando o inimigo de sua terra.  Os inimigos ficaram confusos e se desorganizaram.  A batalha continuou até que o único inimigo à vista eram os corpos caídos no chão.  Depois disso, os guerreiros Ilesa foram para casa.  Disseram, “foi feito.”

Os  guerreiros voltaram a dizer que daí por diante Ilesa só teria homens como governantes.  Disseram, “Obatala fez todos humanos e os amou igualmente.  No entanto, cada pessoa tem habilidades para coisas específicas.  Mulheres têm autoridade sobre pilões e ovos.  Essa é a natureza delas.  Os homens são bons para  defenderem suas casas.  Vamos respeitar as nossas diferenças.”

Desde então só homens governaram Ilesa e só eles entram em guerra enfrentando inimigos.

***

Tradução e adaptação: Ladyce West

Em: Tales of Yoruba Gods and Heroes: myths, legends and heroic tales of the Yoruba people of West Africa, Harold Courtlander, New York, Fawcett Premier Book: 1974.





Imagem de leitura — Fábio Hurtado

12 02 2012

Dormindo

Fábio Hurtado (Espanha, 1960)

óleo sobre tela

www.fabiohurtado.com

Fábio Hurtado nasceu em Madri, na Espanha em 1960.  É pintor e fotógrafo. Dedica-se à pintura num estilo que se assemelha ao inicio da era Art Déco, das décadas de 1920 e 1930, amplamente influenciado pela fotografia e pelo cinema.  Formou-se pela Escola de Belas Artes de Madri e em 1982 abriu seu próprio ateliê.





Fevereiro, que venham os bailes de máscaras (V)

12 02 2012

O baile de máscaras, s/d

Giuseppe Bernardino Bison  (Itália, 1762-1844)

óleo sobre tela

DETALHE DA TELA ACIMA





Quadrinha da boa ação

12 02 2012

Ilustração de Clive Upton, 1971.

Quando a safra é recolhida,
quem planta o bem não se espanta;
na agricultura e na vida
a gente colhe o que planta!

(Pedro Ornellas)

 





Imagem de leitura — Adolfo Belimbau

11 02 2012

Jovem lendo na varanda, s/d

Adolfo Belimbau (Itália, 1845 – 1938 )

óleo spbre tela, 52 x 62 cm

Adolfo Belimbau nasceu no Cairo, Egito em 1845.  Autodidata dedicou-se à paisagem, a cenas de gênero oriental e ao retrato.  Seus trabalhos estão expostos na Galeria de Arte Moderna di Palazzo Pitti em Florença.





Fevereiro, que venham os bailes de máscaras (IV)

11 02 2012

Baile de máscaras no Opéra, 1874

Edouard Manet (França, 1832-1883)

óleo sobre tela, 500 x 408 cm

The National Gallery of Art, Washington, DC, USA

DETALHE DA TELA ACIMA

 





Verão, poesia de Hélio Pellegrino

11 02 2012

Ilustração Ethel Betts, 1908.

Verão

Hélio Pellegrino

Colho a sombra das coisas

sob o sol

Como quem colhe frutas

Rio, 24/2/80

Em: Minérios Domados, Hélio Pellegrino, Rio de Janeiro, Rocco:1993.





Palavras para lembrar — Lin Yutang

11 02 2012

Novas aventuras, 2004

Linda Kyser Smith (EUA)

40 x 25 cm

www.lindakysersmith.com

“O homem sábio lê tanto os livros quanto a vida por si mesma”.

Lin Yutang





Imagem de leitura — Aldo Luongo

10 02 2012

História na luz

Aldo Luongo (Argentina, 1941)

Gravura glicée com pintura sobrepost

www.aldoluongo.com

Aldo Luongo nasceu em Buenos Aires, Argentina em 1941. Formou-se pela Academia de Belas Artes de Buesnos Aires na década de 1960.  No entanto, antes de seguir carreira como artista plástico, seguiu o sonho de ser um jogador de futebol.  Emigrou para os Estados Unidos onde jogou futebol profissionalmente no time New York Cosmos.  Na década de 1970 voltou-se para as artes visuais, e desde então teve uma carreira de sucesso.