Quadrinha do teu segredo

5 04 2012

Ilustração, autor desconhecido, década de 1920.

O teu segredo famoso

eu bem sei, direitinho…

chegou depressa, ditoso,

nas asas de um passarinho! …

(Luiz Pereira de Faro)





Imagem de leitura — Ciro d’Alessio

5 04 2012

Pique-nique, 2007

Ciro d’Alessio (Itália, contemporâneo)

Ciro d’Alessio

Pintor napolitano.





Grande dinossauro com penas descoberto na China

4 04 2012

Desenho que ilustra como seriam os Yutyrannus huali.

Paleontólogos chineses e canadenses descobriram um fóssil do maior dinossauro com penas encontrado até hoje. O tiranossauro chamado de Yutyrannus huali, que significa” belo tirano com penas”, media nove metros e pesava cerca de 1400 quilos. Embora fosse muito menor que o Tiranossauro rex, o peso do novo dinossauro era 40 vezes mais elevado do que o maior dinossauro com penas conhecido até hoje, o Beipiaosaurus.

Apesar de contar com penas de 15 centímetros estes dinossauros que viveram na Terra há 125 milhões de anos eram incapazes de voar. Além de serem muito pesados para saírem do chão, havia uma questão aerodinâmica nas penas que impedia o voo. “As penas eram filamentosas eram estruturalmente mais parecidas com cabelos ou cerdas do que as plumas das aves modernas, portanto não formavam superfície aerodinâmica para o voo“, disse Corwin Sullivan, paleontólogo canadense que participou do estudo publicado no periódico científico Nature.

Os pesquisadores acreditam que as penas tinham a função de isolamento térmico. “Os grandes animais geralmente conseguem conservar o calor mais facilmente. Eu suspeito que que o Y. huali era um animal de sangue quente para que pudesse se beneficiar deste mecanismo de retenção de calor“, disse ao iG Sullivan.

A descoberta foi feita a partir da análise de três esqueletos completos do Yutyrannus huali. Os três esqueletos – um exemplar adulto e dois filhotes -, foram encontrados na província de Liaoning, na China.   Os paleontólogos tinham conhecimento, há mais de uma década, que alguns pequenos dinossauros tiveram plumas semelhantes às dos pássaros, com tamanhos semelhantes às de uma galinha,  graças às descobertas de vários fósseis nesta região chinesa. Mas esse achado mostra que existiu pelo menos uma grande espécie que também tinha penas.

Enquanto os dois filhotes deveriam pesar cerca de meia tonelada, o exemplar adulto teria alcançado 1.400 quilos e nove metros de comprimento, dimensões que o transformam no maior animal com penas que já existiu.  Seu tamanho era consideravelmente menor do que seu primo Tiranossauro Rex, mas quarenta vezes maior do que as espécies com penas anteriormente descobertas.

Engana-se, porém, quem pensa que as penas do “Yutyrannus” eram belas como as de alguns pássaros atuais. Sua plumagem era feita de “simples filamentos e se pareciam com as de um pintinho“, explicou Xu Xing, principal autor do artigo e pesquisador do Instituto de Paleontologia e Paleoantropologia de Vertebrados de Pequim.

O caso do Yutyrannus, cujo corpo era apenas parcialmente coberto com penas, pode refletir uma adaptação a um ambiente frio incomum, afirma o estudo. Ao contrário de seu parente, o tiranossauro, que viveu numa época quente, o “Yutyrannus” habitou a Terra em meados do Cretáceo Inferior, um período que se estendeu de 145 milhões de anos a 98 milhões de anos atrás, e no qual as temperaturas caíram. Por isso suas penas devem ter servido para proteção contra o frio, já que supõe-se que esse período tenha sido muito mais frio do que o resto do Cretáceo, 10°C contra 18°C em média.

O estudo revela mais um novo elemento sobre a evolução dos primeiros animais com penas. É possível que a dimensão e a natureza da plumagem “evoluiu de acordo com as mudanças de massa corporal e da temperatura do ambiente“, acreditam os pesquisadores.

Pode-se até considerar, de acordo com o estudo, que o Tiranossauro e seus parentes tiveram penas em partes do corpo.  A descoberta pode ser uma prova de que “as penas estavam muito mais disseminadas do que os cientistas pensavam até poucos anos, pelo menos entre os dinossauros carnívoros“, disse o autor do estudo.

Fonte: Terra, Le Temps





Palavras para lembrar — Logan Pearsall Smith

4 04 2012

Palavras

Ray Caesar (Inglaterra, 1958)

www.raycaesar.com

“Dizem que a vida é tudo, mas prefiro ler”. 

 –

Logan Pearsall Smith





Inglaterra, Argentina, Faulklands, Malvinas e a fineza de julgamento de Elsie Lessa

4 04 2012

Londres, Casas do Parlamento, 1903

Claude Monet ( 1840-1926)

óleo sobre tela

[Claude Monet pintou uma série enorme de paisagens como esta, retratando as casas do parlamento inglês, num estudo sobre os efeitos da neblina.  Não sei exatamente o número total de varições desse tema, mas elas foram pintadas em 1900-1904]

Esta semana vimos muitos programas na televisão e artigos no jornal que lembram o aniversário de 30 anos da Guerra das  Ilhas Malvinas ou Faulklands.  Não me pronuncio politicamente nesse blog.  Este não é o objetivo desse lugar, mas não pude deixar de me lembrar dessa crônica de Elsie Lessa,  quando vi tais comemorações:  uma crônica que eu havia lido há alguns anos.  Devo dizer, que sou fã de algumas cidades no mundo.  Londres está entre elas.  [As outras? Paris, Madri, Coimbra, Córdoba, Sarlat e Siena, lugares que por várias e diversas razões cheguei a conhecer muito bem e a visitar inúmeras vezes]. Mas meu sonho de consumo, aquele que a gente acalenta sem dizer palavra porque sabe ser quase impossível, aquele que só se realizaria se um dia eu ganhasse na loteria, (e jogo sempre na esperança)  é ter um “flat” em Londres, uma cidade verdadeiramente cosmopolita.  Como poucas.

COTIDIANO INGLÊS

Elsie Lessa

Estrangeira, com quase cinco anos de Londres, é muito frequente virem me perguntar, brasileiros e ingleses, o que acho da Inglaterra.  Posso dizer a ambos, sem mentir, que acho um privilégio ter desfrutado dela por tanto tempo.  Porque?  Tranquilidade, um sentido de segurança, de ser respeitado como ser humano, de ser deixada viver, sem atritos, num mecanismo social de rodas bem azeitadas, dentro das falibilidades humanas. É um sapato que não dói no pé, como todas as felicidades, negativo, não incomoda, não machuca e a gente só se dá conta disso quando, à força de uso, lembra que está na hora de substituí-lo ou de ter que deixar o país.

As pequenas coisas da vida: o inevitável “obrigado por ter chamado” de qualquer amiga inglesa, para quem a gente ligou. O “por favor” e o “muito obrigado” de que é recheado o cotidiano.

Outro dia eu esperava o ônibus na esquina e, decerto para entreter a espera, aquele senhor de cabelos brancos e roupa meio puída me chamou atenção para aquele desperdício de dois postes tão juntos.  Não era preciso não estava ali aquele com a tabuleta da parada? Para que o outro?  Era assim que eles gastavam o nosso dinheiro e por aí vai.  Entrei contente na conversa e na argumentação, tinha todíssima razão, a gente devia escrever ao “Council” (Conselho Municipal), dona Tatcher era uma senhora sem juízo, a vida estava cara, essas amenidades.  Veio o meu ônibus, o dele não.  E eu já estava dentro quando o meu vizinho de rua, como fazia meu pai quando lhe agradeciam ter pago a passagem de bonde, levantou um pouco o chapéu, saudou-me, agradecendo: “obrigado por ter falado comigo”. Está aí um obrigado que nunca ninguém antes me dissera.

Sou jornalista, gosto de papear, num dia a dia sem muitos interlocutores e usufruo os privilégios da feliz idade a que cheguei, que me põe a salvo de intenções equívocas, ao iniciar uma conversa com um vizinho de balcão de café.  Era ali na Brompton Arcade para o cafezinho das 4, com um cheiro que deixa os fregueses de bom humor.  Entrei na deixa fácil do café do Brasil, falamos de outros, cafés e países, ele já me oferecia galante uma segunda xícara quando me despedi.  Este já era um “gentleman” bem-apessoado,ao contrário do homem reclamador de Chelsea.  Só os unia a mesma boa educação: “muito obrigado por ter falado comigo”.  Tudo boa gente.

Há 8 semanas este país está em estado de conflito, se não de guerra, já tendo ceifado uma meninada e alguns dos seus comandantes.  Não ouvi uma discussão em voz alta sobre ela, embora seja muito comentada.  A televisão tem vozes soturnas, nunca esbravejantes.  Inevitavelmente são transmitidas as notícias e as estatísticas dos dois lados, embora divirjam. São mostrados trechos inteiros da televisão argentina.  Sem comentários ou com um único, certa vez: “A televisão aqui é um pouco diferente”. Nos programas de auditório, fascinantes, em que se discute tudo, (outro dia tomava parte um argentino do auditório), aceitam-se, em voz baixa, todos os argumentos a favor, contra, nem a favor nem contra, muito pelo contrário. Admite-se que seres humanos tenham diferentes pontos de vista e que os defendam, com bons modos e serenidade.  A Rainha tem um filho na frente de batalha e nem ela nem ninguém faz estardalhaço disso.  Ela respondeu simplesmente, perguntada: “São tempos de preocupação e sofrimento para todos nós.  Nossos corações estão com eles,  Mas a vida deve continuar…”  O príncipe mais moço, Edward, acaba de se alistar como fuzileiro naval.  Com uma única nota para a imprensa: não por causa da guerra, mas como parte da educação dos rapazes da família real”. É, a Inglaterra não dói no pé.

Em: Ponte Rio-Londres, Elsie Lessa, Rio de Janeiro, Record:1984.





Imagem de leitura — Elin Danielson-Gambogi

4 04 2012

Irmãs, 1891

Elin Danielson-Gambogi ( Finlândia, 1861-1919)

óleo sobre tela.

Elin Kleopatra Danielson nasceu em Moormarkku, na Finlândia, em 1861.  Em 1876 mudou-se para Helsinki onde estudou desenho  na Sociedade de Arte Finlandesa.  Depois, entre 1878 e 1880, estudou pintura na academia particular do pintor finlandês Adolf Von Becker  (1831-1909).  De 1883 a 1885 foi aluna  na Academia Colarossi em Paris.  Retornou à Finlândia, onde permaneceu por um único ano, voltando para Paris em 1888.  Visitou a Itália em 1898, apaixonou-se pelo país, onde acabou  permanecendo até sua morte em 1919.  Também conhecida como Elin Danielson-Gambogi, nome de casada.





Um dia de diletantismo, uma volta pelas hortas medievais…

3 04 2012

Trabalhos agrícolas nos doze meses do ano, 1459

Iluminura, Tratado de agricultura de Pietro de Crezcenzi  [ MS 340 ]

Musée Condé, coleção  em Chantilly

Hoje foi um dia de diletantismo involuntário.  Mas mesmo assim diletantismo.  Estou desenvolvendo uma série de palestras sobre as artes em contexto.  E precisava de uma demonstração das roupas usadas por peões na Idade Média, mais precisamente na época de Carlos Magno.   Eu queria poder ilustrar as descrições do excelente livro Daily life in the World of Charlemagne, de Pierre Riché [Philadelphia, Univesity of Pennsylvania: 1978] sobre esse período na história da França.  É irrelevante sabermos porque eu estava fixada nesse ponto.  Depois do dia de hoje, já não importa.  Mas fato é que não encontrei o que queria, na internet.  Não porque não haja, mas porque me distraí.  E a culpa dessa distração segue abaixo, na deliciosa ilustração de colméias em manuscrito medieval.

Theatrum Sanitatis, c. 1450-1475

de Ububchassym de Baldach

Códice 4182

Biblioteca Casanatense de Roma

Saí à cata de mais colméias, de mais abelhas…  Adoro mel, mas tenho uma facilidade tremenda para a insectofobia, sim,  não gosto de coisinhas que voam, ou não, que tenham muitas patinhas, que adoram subir pelas nossas pernas, braços, voar sem rumo em nossa direção.  Enfim, o que aconteceu foi que também não encontrei muitas abelhas, mas encontrei… hortas.  Sim, representações em iluminuras, da plantação de legumes, ervas, alimentos e me perdi.  Perdi o rumo, perdi a direção, tal qual uma abelha zunindo daqui para lá, pegando o néctar das iluminuras medievais para sabe-se lá fazer o quê com elas além de postá-las aqui e dividí-las com os leitores?  Segue um passeio pelas hortas medievais.  Espero que vocês possam sentir o cheirinho das folhas verdes e a umidade do solo, como eu fiz.

Cebolas, século XV [ 1400-1500]

Tacuinum Sanitatis, (BNF Latin 9333)

Aipo, século XV [ 1400-1500]

Tacuinum Sanitatis, (BNF Latin 9333)

Endro, século XV [ 1400-1500]

Tacuinum Sanitatis, (BNF Latin 9333)

Espinafre, século XV [ 1400-1500]

Tacuinum Sanitatis, (BNF Latin 9333)

Feijões, século XV [ 1400-1500]

Tacuinum Sanitatis, (BNF Latin 9333)

Grão de bico, século XV [ 1400-1500]

Tacuinum Sanitatis, (BNF Latin 9333)

Milho miúdo, século XV [ 1400-1500]

Tacuinum Sanitatis, (BNF Latin 9333)

Panicum, século XV [ 1400-1500]

Tacuinum Sanitatis, (BNF Latin 9333)

Cenouras, século XV [ 1400-1500]

Tacuinum Sanitatis, (BNF Latin 9333)

Plantando o aipo, c. 1370-1400

Tacuinum Sanitatis (ÖNB Codex Vindobonensis, series nova 2644)

Plantando cebolinhas, c. 1370-1400

Tacuinum Sanitatis (ÖNB Codex Vindobonensis, series nova 2644)

Plantando endro, c. 1370-1400

Tacuinum Sanitatis (ÖNB Codex Vindobonensis, series nova 2644)

Plantando repolhos, c. 1370-1400

Tacuinum Sanitatis (ÖNB Codex Vindobonensis, series nova 2644)





Palavras para lembrar — Henry David Thoreau

3 04 2012

Mulher lendo, s/d

Clifford Harper ( Inglaterra, 1947)

xilogravura

“Um bom livro me ensina mais do que ler.  Tenho que logo colocá-lo de lado, e começar a viver de acordo com sua sugestão…  O que começou como leitura, acaba em ação”.

Henry David Thoreau





Poesia infantil: O vento, de Helena Pinto Vieira

3 04 2012

O vento

Helena Pinto Vieira

Eu hoje acordei feliz,

e ninguém sabe por quê;

como isto é um segredo,

vou dizer só a você,

menino que ora me escuta:

você não fica, também,

contente, muito contente,

quando o vento sopra, além?

É este, pois, meu segredo;

vou sair, vou lá pra fora,

vou soltar meu papagaio.

Que bom vento sopra agora!

No barbante, que é bem forte,

um recado vou mandar

às andorinhas que voam,

lá no alto, sem cansar.

O vento que está soprando,

menino, meu companheiro,

parece estar convidando

a brincar o dia inteiro.

Em:  O mundo da crianças, poemas e rimas, Rio de Janeiro, Editora Delta: 1975, volume 1, p. 143





Imagem de leitura — Géza Vörös

2 04 2012

Mulher com livro, 1943

Géza Vörös (Hungria, 1897-1957)

óleo sobre tela

Geza Voros nasceu em Nagydobrony, na Hungria em 1897.  Estudou na Academia de Belas Artes de Budapeste. Aos 19 anos expôs seu primeiro trabalho.  Morou em Nagybánya e Szolnok, ambas colônias de arte na Hungria. Foi nesse período que conheceu sua futura esposa, Anna, que se tornou o principal modelo para suas pinturas de figurativas. Fez bastante sucesso com as suas naturezas-mortas e  pinturas de interiores também. Em 1927, foi a Paris, a estudo.  Lá conheceu Matisse que daí por diante exerceu  grande influência sobre ele: veja os contrastes ousados de cores e os detalhes ornamentais. Morreu em Budapeste em 1957.