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Ilustração Maurício de Sousa.
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Agora quero lembrar
Um dever da honestidade;
Nunca deixe que a mentira
Tome o lugar da verdade.
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(Walter Nieble de Freitas)
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Agora quero lembrar
Um dever da honestidade;
Nunca deixe que a mentira
Tome o lugar da verdade.
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(Walter Nieble de Freitas)
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Praia, s/d
Yvonne van Woggelum (Holanda, 1958)
acrílica sobre tela
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Henry David Thoreau
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Vista de Toledo, 1596-1600
El Greco (Creta, 1541- Espanha, 1614)
óleo sobre tela, 121 x 109cm
Metropolitan Museum of Art, Nova York
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A postagem na semana passada sobre os mais belos céus na pintura trouxe muitas respostas e aqui vão, então, outros céus espetaculares, que não couberam na primeira postagem ou que foram sugeridos pelos visitantes no blog tanto aqui como na página do blog no Facebook.
Começo com El Greco que reconheço deveria estar na lista anterior… Esta vista de Toledo tem uma representação sublime (latu senso) dos céus tenebrosos da Espanha da Inquisição, não é mesmo?
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Paisagem heróica com arco-íris, 1805
Casper David Friedrich (Áustria, 1774-1840)
óleo sobre tela, 118 x 113cm
Ricardo, leitor do blog e dono do blog O Último Abencerragem, mencionou Casper David Friedrich, também na lista do jornal inglês, mas comparacendo na publicação britânica com outra obra, diferente da paisagem heróica que escolhi. O pintor tem céus impressionantes, céus e luminosidade.
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Vista do mar e da costa com casario, barcos e figuras,
Claude Joseph Vernet ( França, 1714-1789)
óleo sobre tela
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Meu ex-professor de arte do século XVIII, minha quase segunda matéria de especialização, Prof. George Levitine deve estar muito zangado comigo, percebendo, de lá da outra dimensão, que me esqueci de colocar Vernet na lista dos 10 mais. Mas esse coração, que é por essência tropical, teve muita dificuldade de se adaptar à Idade da Razão, na pintura… Lucrei muito com meu extraordinário mestre, principalmente com dois seminários sobre Goya, mas acabei optando pelo barroco holandês como 2ª especialização. Ah, sim, para quem não segue esse blog regularmente: a primeira área de especialização foi arte moderna européia, 1868-1945; toda pesquisa feita sobre o surrealismo, onde e quando a razão definitivamente sai de foco…
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A lua da collheita, s/d
George Inness (EUA, 1825-1894)
òleo sobre tel, 75 x 111cm
The Corcoran Gallery of Art, Washington DC
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Tenho que confessar que em todos os anos que estudei história da arte, tanto no Brasil, quanto nos Estados Unidos, nunca tive um semestre sequer de pintura americana. Meus interesses estavam em outras áreas e havia muito que estudar. Mas morando nos Estados Unidos por muitos anos fez com que aos poucos eu conseguisse adquirir uma visão bem ampla da pintura americana do século XIX. E as paisagens de George Inness foram uma grande descoberta e passaram desde que primeiro as vi a estar dentre aquelas que considero extraordinárias.
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Moisés vendo a Terra Prometida, 1846
Frederic Edwin Church ( EUA, 1814-1900)
óleo sobre madeira, 32 x 25
Coleção Particular
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Frederic Edwin Church foi lembrado por meu marido que, especialista em literatura americana, vê em Church, e eu concordo, um paralelo na pintura aos movimentos literários do século XIX nos Estados Unidos. Os céus de Church são muito expressivos, traduzindo em parte o espírito do transcendentalismo característico da época em que viveu.
Pescadores ao mar, 1796
J. M. W. Turner ( Inglaterra, 1775-1851)
óleo sobre tela, 91 x 122cm
Tate Gallery, Londres
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É quase injusto colocar aqui uma pintura a óleo de Turner, que foi um dos maiores aquarelistas já conhecidos,com céus belissimamente retratados. No entanto, este talvez seja o seu quadro mais conhecido. Centenas, milhares talvez de reproduções dessa tela existem no mundo inteiro desde estampas, jogos americanos para a cozinha, reverso de cartas de baralho… O mundo todo conhece este quadro.
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Paisagem com ruínas de castelo em Egmond, 1650-1653
Jacob van Ruysdael (Holanda, 1628-1682)
óleo sobre tela, 95 x 125 cm
The Art Institute of Chicago
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Sou parcial à toda pintura barroca do século XVII ao norte da Europa, simultaneamente, não tenho muita afinidade com o Barroco Italiano, coisas de temperamento. A arte flamenga, que na época abrangia tanto a Holanda quanto a Bélgica de hoje, foi uma das minhas áreas de especialização e uma coisa é certa: quanto mais se conhece de um assunto, mais difícil é acharmos um nome, uma pintura, um quadro que possa representar aquele período ou aquele pintor. Jacob van Ruysdael foi um dos grandes paisagistas da época e todas as suas paisagens têm céus surpreendentes.
Fico por aqui. Continuo interessada em saber quais são outras paisagens com céus maravilhosos, ou paisagistas… Mas vou mudar um pouquinho a minha busca:
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Menina lendo à janela, 1850-1855
Caroline von der Embde (Alemanha, 1812-1867)
óleo sobre tela, 52 x 40 cm
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Caroline Von der Embde nasceu em Kassel, na Alemanha em 1812. Filha mais velha e aluna do pintor Augusto der Embde, trabalhou como pintora desde 1850 em Dusseldorf. Entre 1852 e 1860 participou de exposições em Munique, Dresden e em Colônia. Trabalhando sempre com seu pai, ela se dedicou principalmente à pintura de gênero e ao retrato, áreas em que seu pai atuava. Como Caroline assumiu a pintura de alguns temas preferidos que seu pai pintava e também concluiu alguns quadros dele, é frequentemente difícil separar a obra dos dois. Em 1854 ela se casou com o jurista Augusto Klauhold e mudou-se para Bremen, depois para Hamburgo. Faleceu em 1867 provavelmente em Hamburgo.
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Mário Quintana
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=
Não te movas, dorme, dorme
O teu soninho tranquilo.
Não te movas (diz-lhe a Noite)
Que ainda está cantando um grilo…
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Abre os teus olhinhos de ouro
(O Dia lhe diz baixinho).
É tempo de levantares
Que já canta um passarinho…
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Sozinho, que pode um grilo
Quando já tudo é revoada?
E o Dia rouba o menino
No manto da madrugada…
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A praia em Villers sobre o mar, 1921
Lucien Hector Jonas (França 1880-1947)
Óleo sobre tela, 54 x 73 cm
Southeby’s UK — 2007
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William Ewart Gladstone
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Moedas de prata de origem celta encontradas na Basileia, ao noroeste da Suiça.–
Um tesouro de 293 moedas celtas de prata foi descoberto em Fullinsdorf, no cantão da Basileia, ao noroeste da Suíça. Primeiro foram algumas moedas apenas mal enterradas a poucos centímetros do solo. Elas foram encontradas por um homem comum que trabalhava como olheiro de um sítio arqueológico. Depois, tendo alertado a equipe responsável pelo sítio, foram descobertas mais moedas, quase trezentas ao todo, espalhadas por uma área de 50m², todas bem próximas à superfície. Este achado é o maior número de moedas celtas já encontradas na Suiça.
Segundo Urs Wutrich, chefe do departamento de Cultura do país, trata-se da descoberta arqueológica mais importante já realizada na Suíça. “É o achado do século“. As moedas foram, provavelmente, enterradas juntas. Cada peça tem cerca de um centímetro de diâmetro e apenas duas gramas. No total, pesam cerca de 500 gramas.
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As moedas são de um tipo conhecido como quinários, uma pequena moeda de prata valendo metade de um denário. Quando foram emitidas pela primeira vez em Roma, em 211 a.C., essas moedas foram denominadas quinário porque tinham o valor de cinco as (o equivalente a 5 quilos de moedas de bronze). Quando foram reeditados em 101 a.C., ainda valiam metade de um denário, ainda que a reforma monetária tenha feito o denário valer 16 as. Isso significa que em 101 a.C. o quinário valia oito as.
Os celtas usaram as moedas romanas como modelo, mas modificaram os detalhes. Suas moedas são menores, apenas um centímetro de diâmetro e dois gramas de peso. Os quinários romanos tinham uma figura de capacete de Pallas, depois a imagem de uma Vitória no anverso, e os Dióscuros ( as entidades divinas dos gêmeos Castor e Pólux) a cavalo no verso.
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A versão celta também tem uma vitória de capacete no anverso, mas feito em estilo celta e um único cavalo celta no verso. Essas moedas também tinham no verso escrito em grego, a palavra : KAΛETEΔOY, ou Kaletedou no alfabeto latino.
Existem dois tipos diferentes de quinários no tesouro, uma moeda mais antiga e outra posterior, mas ambas com a palavra Kaletedou. Nós não sabemos quem ou o que ele representa, mas os arqueólogos acreditam que é um nome pessoal, provavelmente pertencente a um chefe gaulês. [NOTA da tradução: muitas das moedas gaulesas de origem celta, existentes no mercado numismático, têm essa palavra inscrita].
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Arqueólogos acreditam que as moedas encontradas na Suiça foram enterradas por volta de 80-70 a.C. E que ainda que tenham sido encontradas espalhadas, elas provavelmente foram enterradas juntas, por alguém tentando escondê-las em local seguro. Não há evidência arqueológica de qualquer localidade ou estrutura em lugar próximo ao da descoberta. Mas sabemos que os celtas habitualmente enterravam seus bens para guardá-los, às vezes perto de um santuário, cuja divindade se tornava guarda permanente.
Atualmente não há como se saber o poder de compra dessas moedas de prata, bronze e ouro na área, naquela época, mas as evidências sugerem que economizar dinheiro acontecia com maior frequência nas áreas ao redor de centros urbanos. Isso quase não acontecia nas aldeias agrícolas ou em áreas semi-urbanas, características da maioria dos assentamentos das tribos locais celtas. Na área Füllinsdorf, quem estaria habitanto a região nesse período seriam os Rauraci, uma tribo cliente do helvécios, que viveu do comércio intra-regional e internacional com os povos do Mediterrâneo. Ela estava bem estabelecida na área já no primeiro século a.C.
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Depois de 80 a.C., o comércio dessa região foi declinando, pois a área estava particularmente perturbada por guerras locais entre líderes tribais. Havia pressão dos povos germânicos contra as forças invasoras de Roma. Com isso a população começou a deixar as áreas menos povoadas em busca da segurança que as cidades fortificadas lhes davam. Essa tensão crescente levou os helvécios, que habitavam o que hoje é a Suíça, a planejarem, junto com tribos celtas, uma migração em massa para a costa atlântica do que hoje é o território da França. Isso aconteceu no ano 61 a.C. Júlio César os impediu. E essa se tornou sua primeira vitória nas Guerras da Gália.
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Para quem puder ou estiver interessado em ver esse tesouro, as moedas encontradas em Füllinsdorf estão em exposição no Museu do Cantão da Basileia de 31 de março de 2012 a 23 de setembro deste ano.
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Fontes: Terra, The History Blog
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Nunca te esqueças, criança,
Que a água é a melhor bebida,
Mas precisa ser tomada
Sempre filtrada ou fervida.
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(Walter Nieble de Freitas)
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Cena de Café, s/d
Jacqueline Osborne (Inglaterra, comtemporânea)
gravura
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Jessamyn West
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Caricatura portuguesa sobre a política, de Alonso, 1923.
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Lima Barreto
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Trouxe Chaves, quando nasceu, o nome de Felismino. Seus padrinhos, a pedido dos pais, conservaram-lhe o nome do Santo do dia do seu nascimento; mas acrescentaram a este, o de Felicíssimo. Veio a chamar-se, portanto, Felismino Felicíssimo Chaves da Costa.
Antes do batismo, sua mãe, senhora duplamente crente, tanto na Igreja Católica como nas práticas da adivinhação e feitiçaria, mandou chamar algumas pessoas conspícuas e entendidas nessas últimas misteriosas coisas e pediu-lhes que dissessem o futuro da criança. A mãe de Chaves ainda estava de resguardo; e as “fadas” locais disseram a “buena-dicha” do pequeno.
Falou em primeiro lugar a Victoria, uma velha indiática, originária da raça extinta dos Caetés, aqueles indígenas sacrílegos que, logo nos primórdios da colonização do Brasil, não trepidaram em cremar as carnes do primeiro bispo do nosso país, D. Pero Fernandes Sardinha.
A velha cabocla falou em primeiro lugar e com brevidade:
— Iaiá, ele vai longe; vai ser grande coisa.
Disse isto, após ter feito algumas gatimonhas, caretas e cuspinhar nos quatro cantos do aposento, que ainda rescendia a alfazema.
Seguiu-se à velha índia, a não menos velha Maria Ângela, uma preta da raça catrinta, rainha do terreiro e respeitada por toda aquela redondeza, pelo poder de seus bruxedos e feitiços.
Era aparecer alguém com moléstia tenaz, queixar-se de atrasos de vida ou desgraças domésticas, todos aconselhavam a una você:
— Isto, D. Dadá – por exemplo – é “uma coisa feita”. Não há que ver! Porque a senhora não procura a tia Maria Ângela, para cortar?
Sendo assim famosa e respeitada, indo ler o horóscopo do infante Felismino, esperava ser a primeira ouvida. Não o foi, porém; agastou-se. Contudo, não deixou cair o seu despeito.
Quando chegou a sua vez de deitar o vaticínio, preliminarmente fez uns passos de jongo, em melopeia horrível e profética:
— Sim, menino, meu anjinho: vancê será grande coisa… Mamãe é bem boa… Eu não corta... Mas vancê não será feliz naquilo que vancê e os seus quisé.
A mãe não se conteve e perguntou:
— Em que será então?
A velha negra não teve tempo de responder.
Pai Luís, um velho preto congo, também entendido nessas coisas transcendentes de adivinhar o futuro dos outros, e que viera prognosticar a vida a vir de Felismino, apressou-se, um tanto amuado, em afirmar:
— Eu não gunguria ningror; não qué botá biongo nem mangá; mas eu diz que criança sê macota no que ele não sabe.
Chaves fez-se rapazola e foi matriculado na escola militar do Ceará, porque em criança andava de chapéu armado, feito com jornal, tendo uma espada de bambu na cinta e corria pela chácara paterna, montado num cabo de vassoura. Era um bom augúrio para uma bela carreira militar…
Não acabou o curso e foi desligado por falta de pontos. Terminou mal ou bem, aos tombos os preparatórios, e foi mandado estudar medicina, na Bahia. Foi logo reprovado em Botânica e Zoologia, no primeiro ano. Tomou então a resolução de estudar direito. Formou-se afinal. Fez-se promotor, juiz, ganhou influência na comarca. Guindaram-no a deputado. Ele viveu, na Câmara Federal, calado e, por isso mesmo, logo foi feito senador pelo seu estado natal.
Veio a governar a República o Imperador Pechisbeque. Um belo dia, sem saber como, Felismino Felicíssimo Chaves da Costa deitou-se senador e levantou-se da cama ministro do estado dos negócios da Marinha.
Todos os horóscopos dos feiticeiros de sua terra se haviam cumprido exatamente.
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15-12-1920
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Em: A Nova Califórnia e outros contos, Lima Barreto, seleção e apresentação de Flávio Moreira da Costa, Rio de Janeiro, Revan: 1994.