Imagem de leitura — Edmond Adler

18 07 2013

EDMOND ADLERedmond-adler-006_thumb

Boletim escolar, 1920

Edmund Adler (Áustria, 1871-1965)

Óleo sobre tela,  59 x 69 cm

Edmond Adler, nasceu na Áustria em 1876.  Estudou arte na escola técnica, procurando a especialização de litografia. Mais tarde, entre 1896-1903, estudou na Academia de Belas Artes de Viena, sob a direção de Christian Griepenkerla.  Após a formatura,  recebeu uma bolsa de estudos da Academia e passou um ano de estadia em Roma (1903-1904). Em 1910, ele se estabeleceu em Mannersdorfie am Leithegebirge. Em 1914 anos, no exército,foi capturado e passou os próximos anos de guerra em um campo de prisioneiros russo, na Sibéria. Retornou à Áustria em 1920. Pintou paisagens, interiores e naturezas-mortas, mas acima de tudo, ele era conhecido como retratista e cenas de gênero autor cujos heróis eram crianças. Estas pinturas serenas, de uma infância feliz, retratada com humor , foram particularmente apreciadas pelos clientes e colecionadores. Muitos deles acabaram em coleções privadas, tanto na Europa como no Canadá e nos Estados Unidos. Faleceu em 1965, na Áustria.





As fases da vida: “O verão sem homens” de Siri Hustvedt

17 07 2013

602px-Gustav_Klimt_020As três idades da mulher, 1905

Gustav Klimt (Áustria, 1862-1918 )

óleo sobre tela, 180 x 180 cm

Galeria Nacional de Arte Moderna, Roma

Há uma fase em que a maioria das mulheres se encontra na difícil posição de Mia Fredrickson, personagem principal em O verão sem homens: presa entre pais octogenários e filhos adolescentes ou jovens adultos, todos requerendo atenção.  Além disso,  essas mulheres precisam  gerenciar suas carreiras, lidar com as mudanças físicas da menopausa.  Dúvidas sobre a própria sensualidade pós-climatério são muitas vezes acentuadas pelo conformismo de um longo casamento, onde o parceiro já nem sempre está atento, carinhoso ou interessado.  O terreno é fértil para qualquer novelista e em grande parte, Siri Hustvedt consegue explorar bem os diversos aspectos dessa fase.

Sua estratégia foi colocar Mia Fredrickson, personagem principal do romance, poeta laureada e professora, abandonada pelo marido depois de 30 anos de casados, rodeada de mulheres nas mais diversas fases da vida, por um verão.  Para se restabelecer do choque da separação Mia aluga uma casa numa pequena cidade onde sua mãe mora num asilo para idosos e arranja um  trabalho de verão, dando aulas de poesia para um grupo de adolescentes.  Sua única amizade fora este círculo é com a vizinha, mãe de dois filhos pequenos, entre eles uma adorável menina.  Um arranjo perfeito:  todas as fases mais importantes na vida de uma mulher representadas.  Ótima idéia.  Da menina sonhadora  de poucos anos,  filha da vizinha ao grupo de adolescentes sensíveis e maldosas ;  da filha de Mia começando uma carreira artística à  vizinha, mulher m fase reprodutora, casada; da poeta já na menopausa e à mãe no final da vida, todas as fases da vida de uma mulher estão  representadas e dialogam entre si.   Como o título sugere este é um livro sem homens, ainda que muito aconteça por causa das ações dos homens vislumbrados.  Digo vislumbrados porque são representados sem profundidade, quase caricaturalmente.

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Sarcástica, mordaz no humor, Siri Hustvedt tem momentos brilhantes na narrativa.  E confesso que li ávida e com muito prazer os primeiros dois terços do livro.  Mas Mia Fredrickson não cativa como personagem.  Lá pelas tantas não me interessava mais o que aconteceria com ela.  Foi aí que percebi que muito mais importante do que uma história bem  contada, para a autora, o que  importou foram as teorias sobre o comportamento feminino nas diversas etapas da vida, examinadas com frieza intelectual.

Há momentos de grande sensibilidade e clareza, principalmente as precisas observações sobre o envelhecer.  Mas  tanto o grupo de adolescentes quanto o grupo de senhoras do asilo são caracterizadas de maneira simplista e é difícil de mantê-las separadas.  Sabemos os nomes de todas, mas seus perfis não se salientam o suficiente para se tornarem  personagens fora do grupo.  O texto é intercalado também de  muitas citações literárias.  Relevantes.  E há também diversas formas narrativas, inclusive, a de direcionar observações ao “Caro Leitor”, que nem sempre deixa o texto correr imune à interferência.  Aos poucos a Siri Hutsvedt, intelectual analítica, aparece demais, deixando de lado a voz narrativa da romancista.  Mas há, nesse pequeno livro, uma interessante descrição sobre diferenças entre os sexos, além da menção de diversos estudos científicos.  Isso, no entanto, enfraquece o impacto do texto.

SiriHustvedt-small6Siri Hutsvedt

Híbrido, nem romance,  nem ensaio.  O resultado é a combinação de uma tese sobre a condição feminina e um romance: nem um nem outro totalmente.  Se ensaio peca pela ficção e pela abundância de personagens.  Se romance peca pelo distanciamento intelectual, pelas inúmeras citações científicas e literárias. Acaba afetado e artificial, quase pretensioso.  O que o salva o texto são o humor de algumas passagens, e a série de citações de artigos científicos que suportam o texto, que é de um  feminismo, suave, de terceira geração, que se apoia nas diferenças de comportamento entre os sexos.   Apesar disso é uma história de leitura leve, perfeita para um verão na praia, com ou sem homens.





Quadrinha do vento e da flor

16 07 2013

flores, colhendo no passeioIlustração de autoria desconhecida.

O vento que a flor afaga
é sagaz explorador:
dessas carícias, em paga,
leva o perfume da flor.

(Vital Bizarria)





O verde do meu bairro: Camarão amarelo

16 07 2013

???????????????????????????????Camarão amarelo em jardim na zona sul do Rio de Janeiro.

Passeando pelo meu bairro você não diria que uma das plantas mais usadas na decoração ao longo de grades e muros seria uma planta nativa de outro país.  O Camarão Amarelo [Pachystachys lutea] está tão difundido no paisagismo  carioca que parece brotar voluntariamente.   Mas não é verdade. É original do Perú e leva esse  nome pela aparência de suas flores.   Também é conhecido pelo nome de Planta-camarão e simplesmente de Camarão.

É um arbusto que pode crescer até 150 cm.  Gosta de sol ou de sombra parcial.  Aqui no meu prédio temos alguns pés.  Todos com aparência muito saudável.  Lembrei-me deles hoje porque parece que esta semana foi a semana dedicada à poda.  Ele  tem  folhas lustrosas e alongadas, verde bem escuro.   Assim como os cariocas, o Camarão Amarelo não gosta de frio e aqui onde moro dá flores o ano inteiro.  Suas flores são branquinhas, pequeninas, saindo das brácteas  amarelo ouro.  Este tipo de arbusto atrai beija-flores.  Talvez seja por isso que haja tantos  beija-flores no jardim do meu edifício.





Palavras para lembrar — São Tomás de Aquino

15 07 2013

Chronique Martinienne. France (Tours) 1475-1500.Thott 430 2º. Parchment, 317 ff.

Luís de Laval (1411- 1489), Senhor de Châtillon, que encomendou a tradução para o francês da “Chronique Martinienne” sentado com o livro traduzido à sua frente.  A seu lado o tradutor Sebastien Mamerot, prior de Luís de Laval.

Crônica Martiniana, 1475-1500

 France (Tours?)

Thott 430 , pintura sobre pergaminho,  317 ff. Fol. 2r

Biblioteca Real da Dinamarca

“Cuidado com o homem de um só livro”.

São Tomás de Aquino





Meio ambiente: aprendendo com os antigos romanos

15 07 2013

??????????Aqueduto romano na Espanha, foto: Superstock

Quem me conhece sabe: das civilizações antigas é a romana que me faz vibrar.  A ingenuidade, a arquitetura, as estradas, o uso comum do espaço urbano, suas esculturas tudo me encanta na Roma antiga.  Mas são suas construções o que mais me causam admiração.  Por isso mesmo, não me passou despercebida a publicação no mês passado do artigo  Roman Seawater Concrete Holds the Secret to Cutting Carbon Emissions [ O concreto romano submarino mostra o segredo da diminuição das emissões de carbono] que li na Science Daily.  Puxa duas paixões conectadas num só artigo?  Eu não podia deixar de ler.

Foi um quebra-mar de concreto romano, que passou os últimos dois mil anos submersos no mar Mediterrâneo, que deu a dica a uma equipe internacional de pesquisadores liderada por Paulo Monteiro, professor de engenharia civil e ambiental da Universidade da Califórnia, em Berkeley. Analisando as amostras do material de construção desse quebra-mar os cientistas descobriram as razões do concreto romano ser superior ao mais moderno concreto, quando falamos de durabilidade e mais, porque é menos prejudicial ao meio ambiente.

É claro que o concreto usado hoje é bom, é excelente.  Mas sua fabricação polui.  7% do dióxido de carbono colocado no ar vem da fabricação de cimento portland, que é o cimento comum, usado no mundo inteiro, nos nossos dias.  Mas se fazer o cimento portland é necessário aquecer uma mistura de calcário e argilas a 1.450 graus centígrados, liberando carbono no processo de fabricação.  Os romanos, por outro lado, usavam muito menos cal e  com isso podiam produzir o cimento a uma temperatura muito mais baixa —  900 ˚C  ou menos — exigindo muito menos combustível do que o cimento portland.

Os romanos faziam concreto através da mistura de cal e pedra vulcânica. Para estruturas subaquáticas, cal e cinzas vulcânicas foram misturados para formar a argamassa, e esta argamassa e tufos vulcânicos foram embalados em formas de madeira. A água do mar provocou imediatamente uma reação química quente.  A cal hidratada – que incorporou as moléculas de água na sua estrutura – reage com as cinzas, cimentando o conjunto todo com a mistura.

Não só o uso de pedra vulcânica diminui o gás carbônico emitido na produção do cimento, como acaba produzindo cimento que ao invés de durar os 50 anos que o cimento portland dura, pode durar muito mais.  Se hoje fazemos construções que durem 100 a 120 anos, se usássemos pedra vulcânica estaríamos fazendo construções para durarem 1.000 anos.

E a economia de se fazer pontes, edifícios e quaisquer outras estruturas que durem muitos séculos seria imensurável.  Poderíamos muito bem aprender mais uma lição com os antigos romanos.

Para mais detalhes sobre essa descoberta não deixe de ver o artigo inteiro na Science Daily.





Brasil que lê: fotografia tirada em lugar público

13 07 2013

Praça do Lido, brasileiro lendo jornalPraça do Lido, Copacabana, Rio de Janeiro.




Dona Feia, poesia de Ernani Vieira

13 07 2013

Haydéa Santiago,Vestido Novo, 1937,ost,65 x 50Vestido novo, 1937

Haydéa Santiago (Brasil, 1896-1980)

óleo sobre tela,  65 x 50 cm

Dona Feia

Ernani Vieira

Feia e boa. Nasceu de uma saudade

E vive uma saudade a reviver…

Foge dessa alegria da Cidade

— para a Cidade não n’a conhecer…

Nossa Senhora de uma Soledade

dentro da soledade a padecer,

a feia — assim como a necessidade

que tenho, há tanto tempo, de a querer…

Tem a Dor e a Ilusão por companheiras

de sua vida, e guarda n’alma, quieta,

a virtude monástica das freiras.

E não sabe afinal, entre ilusões,

que tem a glória de envolver um Poeta

na mais pura de todas as paixões…

Em: A lira da minha terra: poetas antigos e contemporâneos no Pará, selecionado por Clóvis Meira,  sem indicação de editora, Belém: 1993





Interessantes descobertas arqueológicas no México

12 07 2013

pinturarupestremexicoPintura rupestre, Serra de San Carlos, México.

Nas últimas 6 semanas o México surpreendeu com uma série de descobertas arqueológicas de grande valia.  No final de maio foram 4.925 pinturas rupestres em Burgos, no Estado de Tamaulipas, no nordeste do país. Pinturas feitas em cores facilmente encontradas na natureza como vermelho, amarelo, preto e branco representando pessoas, animais, e insetos alem de representações do céu e imagens abstratas, fazem parte de um grande achado, pois não se acreditava que na região da serra de San Carlos houvesse significantes resquícios de antigas culturas.  No entanto, essas pinturas distribuídas em 11 locais diferentes na serra  revelaram três  grupos de povos caçadores cujas idade ainda está imprecisa.  Análise química terá que ser aplicada as esses achados para descobrir mais sobre os habitantes da região.  O material encontrado é extenso e necessitará de cuidadosa investigação.  Só em uma caverna específica foram descobertas 1.550 imagens. A arqueóloga Martha Garcia Sanchez, que está envolvida nos estudos dessas descobertas, lembrou que se sabe muito pouco sobre as culturas que viveram em Tamaulipas: “Esses grupos escaparam do domínio espanhol por 200 anos porque fugiram para a Serra San Carlos, onde encontraram água, plantas e animais para se alimentarem“.

arqueologiacivilizacaomaiaefe1Arqueólogo mostra um dos muros descobertos em Campeche.

Três semanas depois foi  a vez da descoberta em  Campeche, no leste do México de uma antiga cidade maia que dominou uma vasta região há 1.400 anos.  De acordo com o  Instituto Nacional de Antropologia e História (INAH) essa cidade “permaneceu oculta na selva” durante séculos, até ser descoberta há duas semanas por uma equipe de arqueólogos que a batizou de Chactún, o que significa ‘Pedra Vermelha’ ou ‘Pedra Grande’ em maia.  Essa cidade maia, está situada entre as regiões de Rio Bec e Chenes.  Sua área cobre aproximadamente  22 hectares e teve seu apogeu entre anos 600 e 900 da era comum.

“É definitivamente um dos maiores sítios das Terras Baixas Centrais” da civilização maia, disse Ivan Sprajc, arqueólogo do Centro de Pesquisas Científicas da Academia Eslovena de Ciências e Artes, que liderou a expedição. “São as estelas e altares que melhor refletem o esplendor da cidade contemporânea de urbes maias como Calakmul, Becán e El Palmar”, destacou o INAH.

Inscrições em uma das estelas contam que o governante K’inich B’ahlam “cravou a Pedra Vermelha (ou Pedra Grande) no ano de 751“, o que levou os cientistas a chamar a cidade de Chactún. O sítio conta com numerosas estruturas de tipo piramidal, de até 23 metros de altura, assim como dois campos de jogo de pelota, pátios, praças, monumentos e residências.A descoberta foi possível graças à análise de fotos aéreas de vestígios arquitetônicos.  A esperança é que essa descoberta venha a esclarecer a relação entre as regiões de Rio Bec e Chenes, assim como seu vínculo com a dinastia Kaan estabelecida em Calakmul.

 “Nesses locais estão espalhados numerosas estruturas piramidais, palácios, incluindo 2 campos de jogos, pátios, plazas, monumentos esculturais e áreas residenciais.  A pirâmide mais alta tem 23m de altura.  O que impressiona é o grande número de edificações.  São as estelas – 19 encontradas até agora — e os altares, muitos dos quais tem argamassa, que melhor refletem o esplendor dessa cidade do Período Clássico Tardio (600-900 da era comum)”, comentou Ivan Šprajc, arqueólogo que lidera a equipe de arqueólogos mexicanos e estrangeiros financiados pela  National Geographic.

mexicoarqueologiafigurasefe1Objetos encontrados em Veracruz.

E ontem, houve o anúncio da descoberta de 30 sepulturas pré-hispânicas na região de Veracruz, no México por arqueólogos do Instituto Nacional de Antropologia e História (Inah). Elas têm  quase 2.000 anos.  Junto  foram descobertos chifres de veados, restos de tartarugsa, peixes, e fósseis antigos.  Isso tudo ao lado de uma pirâmide de 12 metros de altura e 25 metros de largura cercada de ladrilhos com características maias da região de Comalcalco (em Tabasco).

A pirâmide, segundo os pesquisadores, é toda em pedra.  Pedra é um material raro.  A maioria das estruturas piramidais encontradas na região de Veracruz, a 400 quilômetros da Cidade do México, são de terra pisada. No local, foram localizadas também ossadas acompanhadas por oferendas que continham ossos de animais, pedras como jade e espelhos, além de símbolos de origem teotihuacano, maia, nahua, popoluca e da cultura de Remojadas (no centro de Veracruz).

FONTES: BBC ,México Unmasked, Terra





Minuto de sabedoria — Camilo Castelo Branco

12 07 2013

Scheiber_Hugo-(Hungria, 1873-1950)Lendo as notícias no banco,guache, coleção particularLendo notícias num banco, s/d

Hugo Scheiber (Hungria, 1873-1950)

Guache

Coleção Particular

“Em coisas insignificantes é que um verdadeiro amigo se avalia.”

ng2176888   Camilo Castelo Branco (Portugal, 1825-1890)