Divertimentos no Rio de Janeiro do século XIX, texto de Gastão Cruls

2 09 2013

???????????????????????????????Panorama da Praia de Botafogo e do Morro da Viúva, s/d (DETALHE)

Iluchar Desmons (França, c. 1803 — ??)

Litografia, 41 x 171 cm

Museu Imperial, Petrópolis

Festas Sacras e Profanas

Gastão Cruls

“Divertimento que caiu no gosto do público foram as corridas de cavalos. Já nos referimos à primeira iniciativa desse gênero, promovida por ingleses, na Praia de Botafogo, em 1825. Uns vinte anos mais tarde, em 1849, tendo à frente a figura prestigiosa de Caxias, tentou-se outra realização semelhante. Esta tinha sua pista em terrenos da hoje rua Paissandu, só aberta posteriormente, sob o nome de Santa Teresa do Catete, pista que devia ficar mais ou menos onde é hoje o estádio do Fluminenese. Mas apenas o Jockey Club, fundado em 1868, e depois o Derby Club, em 1885, atualmente reunidos numa só sociedade, lograram manter-se entre quantas dificuldades ainda lhes criava o meio e que  foram fatais para o Turf Club e um hipódromo em Vila Isabel.

São de 1849 as primeiras regatas em Botafogo. Competiram nessas provas, alguns rapazes ingleses, gente da nossa Marinha e funcionários públicos.

Em 1870, até um corso se fazia, à tarde, das 5 às 6, nessa mesma Praia de Botafogo, como aquele que, já no começo do século, graças ao prestígio de sua coluna elegante na Gazeta de Notícias, o cronista Figueiredo Pimentel conseguiu manter ali por certo prazo. Apenas, este era frequentado pelo set carioca, enquanto outro, conforme rezam os memorialistas do tempo, só rodavam, nas carruagens, bilontras, cômicas e “horizontais”. ”

Em: A aparência do Rio de Janeiro, Gastão Cruls, Rio de Janeiro, José Olympio: 1949 [Coleção Documentos Brasileiros], volume 2, p. 393.





Quadrinha da faladora

1 09 2013

fofoca, Arthur_Sarnoff_Womens_Home_Companion_Have_You_Heard_Illustration“Você sabia… [Have you heard…?]” ilustração Arthur Sarnoff.

Quem à língua não põe freio,

depois não deve estranhar

a desgraça que lhe veio,

porque se pôs a falar.

(Trova popular espanhola)





Filhotes fofos — bezerrinho

1 09 2013

loving-mother-cow-and-calf1Um bezerrinho ganha um  afago de sua mãe…  Fazenda nos EUA.




Terras do Brasil, poesia de D. Pedro II, na Semana da Pátria

1 09 2013

Bandeira_do_Brasil_1-_By_Digerson_Araaujo__(1)Bandeira do Brasil, 2011

Digerson Araújo (Brasil, 1952)

60 x 40 cm

Digerson Araújo

Terras do Brasil

D. Pedro de Alcântara

Espavorida agita-se a criança,

De noturnos fantasmas com receio.

Mas se abrigo lhe dá materno seio,

Fecha os doridos olhos e descansa.

Perdida é para mim toda esperança

De volver ao Brasil; de lá me veio

Um pugilo de terra, e nesta, creio,

Brando será meu sono e sem tardança.

Qual o infante a dormir em peito amigo,

Tristes sombras varrendo da Memória,

Ó doce Pátria, sonharei contigo!

E entre visões de Paz, de Luz, de Glória,

Sereno aguardarei, no meu jazigo,

A Justiça de Deus na voz da História.

Em: Poetas Cariocas em 400 anos, seleção de Frederico Trotta, Rio de Janeiro, Editora Vecchi:1965, pp.149-150





Imagem de leitura — Lucile Blanch

1 09 2013

Lucile BlanchGittel, c, 1940

Lucile Blanch (EUA, 1895-1981)

Lucile Blanch nasceu em Minnesota em 1895, filha da pintora e litógrafa Lucille Linquist. Durante a Primeira Guerra Mundial ela estudou no Minneapolis School of Art com quem seria mais tarde seu marido,  Arnold Blanch. Lá conheceu outros artistas de maior renome tais como Harry Gottlieb e Adolf Dehn. Depois foi para Nova York onde se casou  com Arnold Blanch. Juntos ajudaram a construir a Colônia de Arte em Woodstock, no estado de Nova York. Divorciaram -se em 1935. Lucile Blanch faleceu em 1981.





Flores para um sábado perfeito!

31 08 2013

Antonio Soriano - acrílica sobre tela - 34x40 cmVaso com flores

Antonio Soriano (Brasil, 1944)

acrílica sobre tela, 34 x 40 cm

Coleção Particular





Postou? Ficou para sempre… Preste atenção à sua imagem na internet

31 08 2013

Children_Day_vector_wallpaper_0168043bIlustração captada na internet sem autoria especificada.

Há pouco tempo criei um mal-estar na família, por sugerir a um jovem membro que considerasse, pensasse, e talvez limitasse a postagem de uma ou outra foto que haviam sido postadas na internet, no Facebook mais precisamentre. Os pais não entenderam a observação como crítica construtiva, levaram para o lado pessoal… Lembraram-me que eu não sabia como as coisas funcionavam no mundo moderno, e assim foi…  Abandonei a ideia de contribuir para a preservação do futuro da família, deixei de lado qualquer advertência.  As fotos, na verdade,  não tinham nada demais, mas eu sabia, por experiência de vida e de usuária da internet, há mais tempo do que a maioria das pessoas, que devemos ter muito cuidado, muito cuidado, com aquilo que postamos.  As pessoas mudam, os costumes mudam e nem sempre o que poderia ser interpretado num dado momento como engraçado, pode ser visto mais tarde como tal. Foi uma pena…

Hoje, no entanto, o primeiro parágrafo da coluna A nova era digital da Cora Ronai no jornal O Globo, recomendando a leitura de “A nova era digital: como será o futuro das pessoas, das nações e dos negócios”, de Eric Schmidt e Jared Cohen (Intrínseca, 320 páginas, tradução de Ana Beatriz Rodrigues e Rogerio Durst) serve justamente de advertência a pais e outros usuários.  Ela lembra que a internet não esquece.  E que tudo que lá se posta fica guardado para sempre, e que uma simples busca na web pode revelar muito do que se sabe a seu respeito, desde suas preferências até as loucuras da adolescência.  Dos palavrões às  declarações de amor… das fotos comportadas às que mostram um comportamento questionável. Postou?  Ficou para sempre.  Só postou fotos suas, tiradas com o celular?  Quem disse que não o considerarão narcisista, preocupada só consigo mesmo, com a sua aparência? De brincadeira tirou uma foto beirando o erótico?  Que pensarão seus futuros empregadores sobre você?  Estará tudo lá. Para sempre… ad eternum...    Então fiquem aqui com a advertência de quem é considerada EXPERT na internet, leiam o primeiro parágrafo da Cora Ronai e cliquem no link para ler o artigo inteiro.  Sinto-me justificada.

“Um dia — que já devia ter sido ontem — todos os pais e mães terão uma conversa muito séria com os filhos a respeito da vida online. Essa conversa é ainda mais importante do que aquela clássica conversa sobre sexo da qual todos querem fugir, e deve começar cada vez mais cedo: a internet não esquece nada, e pode ser que, lá na frente, o destino profissional de uma pessoa possa ser prejudicado por uma bobagem que ela postou na adolescência. Pela primeira vez desde que o mundo é mundo, a vida das pessoas começa a ser registrada antes mesmo que elas venham o mundo, com as ultrassonografias postadas por pais orgulhosos nas redes sociais; o registro continua, implacável, pelos anos escolares, pela universidade, pelo trabalho. Uma busca das mais simples pode revelar hábitos alimentares, culturais e de consumo, amores e ódios. Nos tempos pré-internet, os humanos gozavam o benefício do esquecimento. Fomos geneticamente programados para isso, numa prova de que a natureza é sábia até socialmente: uma pessoa de 30 anos guarda muito pouco de quem era aos 15. Basta ver os cortes de cabelo e as roupas que tínhamos coragem de usar…”





Mapas do Brasil do século XVI para a Semana da Pátria

31 08 2013

Brazil-16-mapMapa do Brasil, século XVI.

a14fig08mapasMapa de Pero Fernandes, 1545.

Brazil_16thc_mapMapa do Brasil, século XVI.

a14mapsAtlas de Sebastião Lopes, 1565.

mapa do brasil,giacomoMapa de Giàcomo Gastaldi, 1550.

SouthAmerMap1585AMapa parcial do Brasil e vizinhos, 1585.

CapitaniasMapa de Luís Teixeira, 1574.

Add 5415A f.23v-24 Atlas by Diego Homem of South America, showing Indians in their settlements, Spanish Expeditionary Force Camp and Men in Armour, c.1558Mapa Diego Homem, 1558.

piri-reisMapa Piri Reis, 1513.

_1573_TeixeiraMapa, 1573.




Quadrinha da chegada da primavera

25 08 2013

Inverno, gaston-marechaux-1918-the-departure-elegant-hprints-comIlustração Gaston Maréchaux, 1918.

É Inverno … mas, que importa ?
Estou sempre à tua espera.
Quando chegas e abro a porta,
entra junto a Primavera…

(Déspina Athanásio Perusso)





A grande lição de Dora, em Os Rodriguez, de Sra. Leandro Dupré

25 08 2013

Eliseu Visconti, BARONESADEGUARAREMAOSM20x131892COLEOPARTICULARBaronesa de Guararema, 1892

Eliseu Visconti (Itália, 1866 — Brasil, 1892)

óleo sobre madeira, 21 x 13 cm

Coleção Particular

“Compreendeu que saber viver é um dom, uma sabedoria; saber dar valor a fatos que à primeira vista parecem insignificantes, mas que no fundo são de grande valia é uma virtude. Lembrava os conselhos do pai: “quando você estiver triste, seja qual for o motivo, pense nas coisas piores que poderiam ter acontecido e não aconteceram. Pense naqueles que estão sofrendo muito mais que você, nos doentes incuráveis, nos aleijados, nos infelizes e nos indigentes.”

Rira desses conselhos, achara o pai simples, quase pueril, quando dizia: “Procure dar valor às coisas simples da vida, aos pequenos prazeres que estão ao seu alcance; uma hora de boa leitura, uma refeição agradável, uma linda música. Cultive as boas amizades, lembre-se de que a amizade sincera é um bem precioso. Lembre-se de que uma hora de solidão faz bem a quem tem o espírito inquieto, perturbado; lembre-se de que tudo há de vir a tempo, não corra ao encontro de nada, não force os fatos, pode sofrer desilusões. Filha, se toda gente soubesse dar valor a pequenos fatos, a vida seria um paraíso.”

Errara. Não cultivara a flor do espírito. Só dera valor aos grandes bens materiais que o dinheiro pode comprar e desdenhara os bens espirituais. E agora que perdera a fortuna…tinha a impressão de que nada mais ficara, perdera tudo… Poderia ter possuído ambos e agora no fim reter alguma coisa… Não. Não tinha amizades, nem o amor dos filhos. Tinha Dorita, apenas Dorita… Não… Não perdera tudo. A esse pensamento, seu rosto contraiu-se num sorriso quase alegre; ficara aquele anel de valor inestimável, e apertava-o nervosamente contra o peito.

Sorriu ao sentir junto ao corpo o saquinho de pano que fizera naquela tarde para guardar a pedra resplandescente.”

Em: Os Rodriguez, Sra. Leandro Dupré [Maria José Dupré], São Paulo, Editora Saraiva: 1958; 6ª edição, pp,220-221.