Coleção de arte doada: ganha a UEMG, ganhamos todos

6 03 2014

Noite de São Joãode Alberto da Veiga GuignardAcervo-Artístico-Priscila-FreireNoite de São João

Alberto da Veiga Guignard (Brasil, 1896-1962)

óleo sobre tela

Coleção Priscila Freire

Um belo empurrão na preservação da cultura brasileira foi a recente doação de uma coleção de arte, com destaque para a arte popular do Vale do Jequitinhonha, por Priscila Freire ex-diretora do Museu de Arte da Pampulha, em Belo Horizonte. Priscila Freire cedeu todo o seu acervo à Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG).  Não fosse isso bastante, cedeu também uma área na chácara onde mora, para que ali seja instalada uma escola de arte. Sem filhos. Sem herdeiros naturais, ela  nomeou a UEMG como consignatária de sua coleção onde se encontram obras de Guignard [só dele são dezessete obras], Tarsila do Amaral [desenhos de sua viagem a MG em 1924] e  Pancetti;  cerâmicas do Vale do Jequitinhonha, gravuras, esculturas e tapeçarias conhecidos artistas brasileiros.

Guignard, Retrato de Priscila freire,Retrato de Priscila Freire, 1959

Alberto da Veiga Guignard (Brasil, 1896-1962)

óleo sobre tela, 55 x 46 cm

A Chácara Santa Eulália, localizada no bairro de São Bernardo, na região norte de Belo Horizonte foi comprada por seu pai na década de 30 e compreende 53 mil metros quadrados.  Essa área ficará aos cuidados da universidade que usará 2.000m² para um núcleo de pesquisa e criação artística da Escola Guignard, vinculada à UEMG, enquanto os restantes 50 000 m² –continuarão a constituir a reserva ecológica de que já são parte.

Dijon Moraes Júnior, reitor da universidade lembra que  o gesto de Priscila Freire é semelhante ao de  José Mindlin, advogado, empresário e bibliófilo que cedeu sua biblioteca  à Universidade de São Paulo,e  de Yolanda Penteado, que doou obras de arte e dinheiro a museus.  Todos mostram o reconhecimento da relevância das instituições recebedoras de tais presente e quem lucra, é claro, somos nós o público, o curador final da cultura brasileira.

FONTES: UAI, Veja BH





Imagem de leitura — E. Schwarzer

6 03 2014

E Schwarzer, cartão postal, Alemanha 1915E. Schwarzer. Cartão postal, Alemanha, 1915.




Hoje é dia de feira: frutas e legumes frescos

5 03 2014

FRANCISCO MANNA (1879 - 1943) Abacaxi, o.s.t. - 32 x43Abacaxi, s/d

Francisco Manna (Itália, 1879 – Brasil, 1943)

óleo sobre tela, 32 x 43cm





Carnaval, poema de Afonso Louzada

5 03 2014

CESAR LACANNA - (1901 - 1983) - Carnaval - a - 32 x 23 - cid - 1966Carnaval, 1966

César Lacanna (Brasil 1901-1983)

aquarela sobre papel

Carnaval

Afonso Lousada

E foi-se o Carnaval. E só ficou,

de tudo, uma lembrança dolorida

que resta desse amor que se acabou

numa alegria que redime a vida.

Da loucura da febre que passou,

a alma se sente só e consumida;

na solidão que o sonho lhe deixou

a saudade ainda vive, malsofrida.

E, tristemente, o coração recorda,

na angústia de uma louca nostalgia,

esse sonho fugaz que ele sonhou.

Carnaval de um amor que, na alma, acorda

a esperança de uma última alegria,

entre as cinzas de tudo que passou.

Em: Noturnos, Afonso Louzada, Rio de Janeiro, Imprensa Nacional:1947, p. 38





Bibliotecas públicas no Rio: livros mais procurados

4 03 2014

Fabricio Fontolan,(Paraná, Brasil)  Reading, 2005, oil on canvasLendo, 2005

Fabrício Fontolan (Brasil, contemporâneo)

óleo sobre tela, 40 x 50 cm

fontolan paintings

-C

Neste fim de semana de Carnaval o jornal O Globo publicou os resultados de uma pesquisa entre as bibliotecas públicas municipais e estaduais no Rio de Janeiro que listava os livros mais requisitados e emprestados ao público [Ranking de leitura, estrangeiros no topo]. Foi constatado que leitores preferem os livros das listas dos mais vendidos e mais falados.  Livros que na maioria são escritos por  autores estrangeiros.  Não importa onde essas bibliotecas estejam localizadas, se em bairro de classe média, rica ou pobre o interesse pelos campeões de venda é o mesmo.

Não fiquei surpresa. Acho natural que todos queiram estar a par  dos assuntos nas conversas nos cafés, nas escolas e na internet.  Principalmente os adolescentes e jovens adultos, que sabem muito  bem os livros que andam fazendo sucesso em outros países.  Esse costume brasileiro de querermos ler o que é escrito no exterior não é de hoje.  No século XIX  até meados do século XX era a França que ditava o que os brasileiros liam. Nem por isso deixamos de ter um Machado de Assis.

O importante é que nossas bibliotecas públicas tenham para emprestar os livros que as pessoas queiram ou precisem ler. É uma maneira simples de garantir a leitura.  Ler é o mais importante. De longe.  Depois que a leitura se estabelece como um hábito, o leitor por si mesmo irá se encaminhando para outros livros, para outros horizontes.

Os autores Nicholas Sparks e J. K. Rowling lideram os empréstimos dessas bibliotecas.





Nossas cidades — Olinda

3 03 2014

Georges Wambach, Igreja de Nossa Sra. Do Bom Parto, Olinda, 1957,47 x 42Igreja de Nossa Senhora do Bom Parto, Olinda, 1957

George Wambach (Bélgica 1901- Brasil, 1965)

óleo sobre tela, 47 x 42cm





Quadrinha da linda morena

3 03 2014

mulher e pássaro, vogue, junho 1921Mulher e pássaro, capa da revista Vogue, junho de 1921.

Morena, linda morena

de lábios cor de carmim,

quero saber se teus olhos

sorriem só para mim.

(Ângela Maria)





Imagem de leitura — Ernest Anders

2 03 2014

ernest-andersUm momento de quietude, 1878

Ernest Anders (Alemanha, 1845-1911)

óleo sobre tela

Coleção Particular, Düsseldorf





Uma descrição primorosa na obra de Hilary Mantel

2 03 2014

William Kay BlacklockEnsinando a irmã a coser ou A lição, s.d.

William Kay Blacklock (Inglaterra, 1872-1922)

aquarela e guache sobre papel

Nem todos os escritores se dedicam a uma boa descrição.  Hilary Mantel é uma extraordinária artesã no texto descritivo.  Fiquei particularmente fascinada com a caracterização que ela faz de uma mulher — a mãe da narradora do romance Um experimento amoroso.  São dois parágrafos sucintos, mas de grande riqueza. Ao final dessa leitura, conhecemos a personagem descrita.  Vejam:

“Meu pai era escriturário; eu soube desde muito cedo em minha vida, por causa do hábito de minha mãe de me dizer: “seu pai não é apenas um escriturário, sabe.” Toda noite ele fazia um jogo de palavras cruzadas. De vez em quando minha mãe lia livros da biblioteca ou folheava revistas, que também chamava de “livros”, mas mais fequentemente fazia tricô ou costurava, a cabeça inclinada sob a lâmpada do abajur. O trabalho dela era requintado: a tapeçaria, o trabalho de bainha aberta. Nossas fronhas eram bordadas, branco sobre branco, com rosas esparramadas de talos longos, com ramalhetes em cestas trançadas, com laços em guirlandas de nós graciosos. Meu pai tinha um blusão de lã tricotado diferente para cada dia da semana, se quisesse usar. Todas as minhas, cortadas e feitas por ela, tinham babados de renda na bainha e – e também na bainha do lado esquerdo – um bordado com o mesmo tema representando a inocência: um botão-de-ouro,por exemplo, ou um gatinho.

Posso ver que minha mãe,  como pessoa, não era nada requintada. Tinha o queixo firme e uma voz alta, ressonante. O cabelo estava ficando grisalho e era rebelde, preso por pregadores de mola. Quando franzia o cenho, uma nuvem passava sobre a rua. Quando erguia as sobrancelhas – como fazia com frequência, espantada a cada hora pelo que Deus esperava que ela suportasse –, um sistema de trilhos de bonde de cidade pequena surgia em sua testa. Ela era brigona, dogmática e esperta; sua maneira de falar era assustadoramente franca, ou então desnorteadamente cheia de rodeios. Os olhos eram grandes e alertas, verdes como vidro verde, sem nada de amarelo ou amêndoa neles; sem nenhum dos compromissos que as pessoas têm quando se trata de olhos verdes. Quando ria, ela raramente sabia porque, e quando chorava, sabia menos ainda. Suas mãos eram grandes, nodosas e cheias de calos, feitas para segurar um rifle, não uma agulha”.

Em: Um experimento amoroso, Hilary Mantel, tradução de Ana Deiró, Rio de Janeiro, Record: 1999, pp. 14-15





Domingo, um passeio no campo!

2 03 2014

CASEMIRO RAMOS FILHO - (1905 - 1976)Flamboyant, 1952, osm, 27x34Flamboyant, 1952

Casemiro Ramos Filho (Brasil, 1905-1976)

óleo sobre madeira, 27 x 34 cm