Copacabana, Princesinha do Mar
Castro Almeida (Brasil, 1941)
acrílica sobre tela, 60 x 100 cm
Paisagem com rio e baía ao fundo, 1835-40
Joseph Mallord William Turner (GB, 1775-1851)
óleo sobre tela, 93 x 123 cm
Museu do Louvre, Paris
♦ Vive? Pseudônimo, isolado numa casa de Chelsea, domínio da desordem e da poeira. O irmão de Ruskin refere que nunca viu nada tão impressionante “desde Pompéia”.
♦ Ignoram-no os acadêmicos ou não. Entre sábado e segunda-feira eclipsa-se na periferia londrina, instala-se nos bordéis: decifrará ou não o enigma do sexo, suas cores mordentes?
♦ Habita, familiar, a faixa do relâmpago, as ruínas do maremoto, a chama extinta, o reino das ondas giróvagas, o balanço dos navios correlativos, a fantasmagoria de Veneza que dorme esquecida em si própria, auto-espectra, a subversão da luz. Não “representa” coisa alguma. O pincel clandestino precede a marcha do impressionismo.
♦ É William Turner. A luz interna e a luz externa conjugam-se no seu quadro, onde a manhã anoitece.
1973
Em: Transístor, Murilo Mendes, Rio de Janeiro, Nova Fronteira: 1980, p. 217.
Natureza morta com limões e romãs, 2012
Márcio Camargo (Brasil, 1975)
óleo sobre tela, 30 x 40 cm
Coleção Particular
Sérgio Telles (Brasil, 1936)
óleo sobre tela, 51 x 76 cm
Sylvia Alves (Brasil, 1947)
óleo sobre tela, 80 x 80 cm
Renato Neves (Brasil, contemporâneo)
acrílica sobre tela, 80 x 60 cm
Mário Zanini (Brasil, 1907-1971)
óleo sobre tela, 33 x 46 cm
Hajime Higaki (Brasil, 1908-1998)
óleo sobre tela, 40 x 30 cm
Velho Correios e Telégrafos, Vale do Anhangabaú, SP, 2007
Guérati (Irlanda/Brasil, 1947)
óleo sobre tela, 80 x 90 cm
Guarda-chuva na cidade de São Paulo
Carmen Arruda (Brasil, 1934)
óleo sobre tela
Carlos Eduardo Zornoff (Brasil, 1959)
óleo sobre tela, 50 x 70 cm
Alice Bril (Alemanha/Brasil, 1920-2013)
óleo sobre tela
MASP – Museu de Arte de São Paulo
Élon Brasil (Brasil, 1957)
óleo sobre tela, 100 x 100 cm
Centro da cidade de São Paulo, 1958
Francisco Cassiani (Brasil, 1921-2001)
óleo sobre tela, 41 x 33 cm
Viaduto de Santo Antônio, SP, 1951
Takeshi Suzuki (Japão/Brasil, 1908-1987)
óleo sobre tela
Jessica Rohrer (EUA, 1974)
óleo sobre placa, 30 x 48 cm
“Na sala de aula, durante uma projeção de slides de arquitetura, ele escreve uma carta para os pais. Na semi-escuridão do auditório de palestras ele escreve que tudo está bem na faculdade, que o proprietário do apartamento é muito simpático e cuida bem dele. Quando termina, levanta a cabeça e vê os perfis dos colegas de classe iluminados pela luz do projetor, hipnotizados pelo clique-clique das transparências, pelo tom de voz monótono do professor e pelas brilhantes imagens das casas californianas na tela — o exterior de madeira, os pátios, as grandes extensões de vidro com vista para os jardins. Essas casas todas parecem muito limpas, simples, ensolaradas e alegres, portando em suas linhas descomplicadas a promessa de décadas dóceis, passadas na mesma cidade, na mesma rua, na mesma casa, mas sem oferecer proteção nenhuma contra o tédio que acompanha tudo isso. Olhando para as imagens, ele conclui que seus colegas de classe — simpáticos, com seus trajes impecáveis e essencialmente ilesos — são produtos de tais lares.”
Setembros de Shiraz, Dalia Sofer, Rio de Janeiro, Rocco: 2008, p. 40
Anne Redpath (Escócia, 1895-1965)
aquarela sobre papel
Nem todo livro de ficção fica conhecido pelo estilo poético do autor, pelo torneio de frases. O de Fredrik Backman será lembrado pelo oposto: consegue extrair grandes emoções, através da narrativa fria e impassível detalhando as idiossincrasias de um personagem carrancudo e sem senso de humor. Talvez por isso, esse improvável herói literário consiga desde o primeiro capítulo cativar o leitor. Todos nós conhecemos alguma versão de Ove. Quem não tem na família, no bairro, no emprego, algum conhecido que mantém hábitos de pensamento e ação rígidos? Os cinquenta e nove anos de posicionamentos imutáveis são a coluna dorsal de Ove, o homem simples que habita essas páginas. Suas verdades incontestáveis e valores incorruptíveis são a essência do seu caráter.
Apesar de sua postura irredutível sobre muitos aspectos do dia a dia, Ove é capaz de grandes paixões. Paixões cegas, que não admitem qualquer desvio. Elas podem ser pela marca de um carro ou por uma mulher. Através dessas paixões conhecemos a lealdade desse herói escandinavo. Nos apaixonamos por ele assim como Sonja, sua esposa, o fez.
Quando encontramos Ove, ele está deprimido. Aposentado aos cinquenta e nove e viúvo, sente o peso da solidão. Tudo o que deseja é seguir o caminho dela. No outro lado. A vida perdeu a razão de ser. Planeja cuidadosamente um suicídio. Depois outro e ainda outro, mas é interrompido cada vez pela mão do acaso, na figura de vizinhos bisbilhoteiros, que parecem tão determinados nas suas demandas quanto ele na sua decisão. Porque se trata de pessoa tão meticulosa, o dar errado de cada tentativa é inesperado. Narrado com objetividade a situação leva o leitor a rir. Não só a sorrir. Mas rir. Com gosto. Divertido.
No entanto, logo depois, nas conclusões dos capítulos somos presentados com um pensamento de Ove, sucinto, que exprime sua dor, seu amor, a falta que Sonja lhe faz. E do riso brotam as lágrimas. Com a mesma facilidade.
Fredrik BackmanUm homem chamado Ove demonstra a necessidade humana de ser útil, e de ser membro de um grupo. Na falta do amor, amigos mostram como a nossa presença é importante para o melhor desempenho deles. Mesmo o mais turrão dos homens, a pessoa menos gentil de um grupo, tem com que contribuir para o bem estar de todos e de si próprio. Essa é uma história que faz bem à alma e nos eleva. Acabamos a leitura com a lembrança do que nos faz humanos. Poucas histórias conseguem isso. Divertido e sensível, recomendo a todos, homens e mulheres, jovens ou anciãos. É tempo de lembrar do nosso mais importante quinhão: a cooperação. E de sua consequência, a aceitação.