A carta, 1900-1920
Annie Swynnerton (GB, 1844 – 1933)
óleo sobre tela, 101 x 48 cm
Royal Academy of Arts, Londres
A carta, 1900-1920
Annie Swynnerton (GB, 1844 – 1933)
óleo sobre tela, 101 x 48 cm
Royal Academy of Arts, Londres
Tesouro de Carambolo, séculos VII a V aEC. Museu Arqueológico de Sevilha.
Um mistério resolvido. Em 1958 um tesouro foi descoberto por arqueólogos no Morro El Carambolo, a 2 km oeste de Sevilha, Espanha. Foram 21 peças de ouro de 24 quilates, trabalhadas: um colar com pingentes, duas pulseiras, dois peitorais de couro de boi e 16 placas que podem ter feito um colar ou um diadema. As joias foram enterradas dentro de um vaso de cerâmica, deliberadamente enterrado no século VI aEC.
Desde de sua descoberta, o Tesouro de Carambolo, como ficou conhecido, foi fonte de especulação para estudiosos. As peças datavam de aproximadamente 500 anos antes da Era Comum, ou seja, tinham 2700 anos de idade. Por causa de sua idade e da proficiência na manufatura, essas joias, pareciam ser prova de uma civilização conhecida unicamente por livros, uma cidade mítica, portuária, na foz do rio Guadalquivir, na Andaluzia, costa sul da península ibérica, cujo nome em grego seria Tartessos, que para os gregos, seria o ponto de nascimento da cultura europeia.
Tesouro de Carambolo, séculos VII a V aEC. Museu Arqueológico de Sevilha.
Muitas fontes da antiguidade se referem a esse local, inclusive Heródoto que o descreve, assim como descreve os Pilares de Hércules (Estreito de Gibraltar) e até menciona um rei em Tartessos, chamado Arganthonios, cujo reinado compreendia os oitenta anos entre 625 –545 aEC. Os tartessianos teriam fundado a cidade de Tartessos 1000 anos antes e seu auge estaria nos trezentos anos entre os séculos IX e VI aEC.
De acordo com historiadores gregos a cultura Tartessiana se caracterizava pelo adiantado uso de metal. O historiador Éforo de Cime (400 – 330 aEC) cita “um mercado muito próspero chamado Tartessos, com muito estanho transportado por rio, bem como ouro e cobre de terras celtas“. O comércio de estanho era lucrativo na Idade do Bronze, pois é um componente essencial para a manufatura de bronze e não é um metal comum. O povo de Tartessos tornou-se importante parceiro comercial dos fenícios e sabemos que esses estavam presentes na península ibérica desde o século VIII aEC. Diversos povoados ao longo do vale do Guadalquivir estão documentados. Juntos formavam um todo, cuja capital talvez fosse Turpa, no lugar que hoje está o Porto de Santa Maria. Com os fenícios houve aumento na exportação das minas de cobre e prata e Tartessos se tornou um dos portos mais importantes na exportação de bronze e prata para o Mediterrâneo. Imperadores eram os chefes do sistema político desta civilização. Eles também se utilizavam da escrita. Suas leis eram registradas em placas de bronze. Mas no século VI aEC., Tartesso desaparece possivelmente destruída por Cartago
Tesouro de Carambolo, séculos VII a V aEC. Museu Arqueológico de Sevilha.
Nos anos 50 do século passado, muitos pensaram que o Tesouro de Carambolo representasse peças vindas do Leste do Mediterrâneo, ou dos fenícios ou pelos fenícios.
O mistério da origem do Tesouro Carambolo foi resolvido graças aos novos métodos de análises químicas e isotópicas que permitiu examinar minúsculos fragmentos de ouro que se separaram de uma das joias. Esta análise revelou que o material veio das mesmas minas associadas a túmulos subterrâneos monumentais em Valencina de la Concepción, que datam do terceiro milênio aEC., também próximos a Sevilha. As joias encontradas no Tesouro Carambolo marcam o fim de uma tradição contínua de processamento de ouro que começou cerca de 2.000 anos antes com Valencina de la Concepción.
©Jose Lucas, Alamy O tesouro inclui placas de ouro em forma de retângulos e peles de boi, e pesa mais de cinco quilos.
O tesouro inclui placas de ouro em forma de retângulos e peles de boi e pesa mais de cinco quilos. Embora o ouro fosse adquirido localmente, as joias foram fabricadas usando técnicas fenícias. Um templo fenício foi identificado na área onde a horda do Tesouro Carambolo foi encontrada, e o tesouro em si é provavelmente o produto de uma cultura mista de fenícios e tartessianos ou seja uma cultura que amalgamou povos nativos do Mediterrâneo Ocidental e marítimos do Oriente Próximo.
Tesouro de Carambolo, séculos VII a V aEC. Museu Arqueológico de Sevilha.
Exemplo da escrita Tartessiana.
Senhora das bananeiras, 1956
Paulo Silva (Brasil, século XX)
óleo sobre tela, 54 x 66 cm
Estudo para Retrato de Sra. C, c. 1925
Walt Kuhn (EUA, 1877-1949)
óleo sobre cartão
Benoît-Constant Coquelin, como Cyrano de Bergerac na estreia da peça do mesmo nome, de Edmond Rostand, no dia 27 de dezembro de 1897, no teatro Porte-Saint-Martin. Como apareceu na Revista L’Illustration de 8 de janeiro de 1898.
Quem não se apaixonou pelo drama de Cyrano de Bergerac contado por Edmond de Rostand em sua peça teatral do final do século XIX? No entanto, poucos sabem que houve um verdadeiro Cyrano, escritor, francês, nascido em Paris em 6 de março de 1619 [data de batismo, data de nascimento incerta]. Chamava-se Savinien de Cyrano e adicionou Bergerac depois que seu pai herdou de sua mãe a propriedade em Bergerac, local próximo a Rambouillet na Dordonha, às margens do rio Yvette, em 1616.
Sabe-se pouco de sua vida, morreu aos 36 anos, ferimentos, razão incerta. Veio de família com conhecimento, com aprendizado e alguma posição social, já que seu pai tinha o título de Senhor de Mauvières e Bergerac. Mesmo pelos padrões da época, a biblioteca de seu pai, Abel de Cyrano, advogado no Parlamento em Paris, seria considerada pequena (126 livros) , mas a diversidade das obras listadas no inventário após a morte de Abel, sugere um pai curioso pelo estudo de línguas e literatura da antiguidade, com interesse em diversos assuntos, inclusive o protestantismo. Bom lembrar que no século XVII, ainda que já houvesse muitos livros publicados, eles eram caros e não estavam ao alcance de qualquer pessoa. A biblioteca de Abel tinha obras jurídicas, de língua e literaturas antigas; obras dos grandes humanistas da Renascença (Erasmo, Rabelais) e alguns livros que mostravam interesse pelas ciências. Há conhecidos trabalhos protestantes de François de la Noue, George Buchanan, Pierre de La Ramée, Pierre Hamon e Philippe Duplessis-Mornay. Essas obras sugerem que na sua juventude o pai de Savinien esteve rodeado por huguenotes. Mas também estão lá duas Bíblias, um Novo Testamento e um livro de orações a São Basílio em grego. Assim é possível assumir que Sevinien tenha tido uma boa e sólida instrução em casa.
Cyrano de Bergerac
Étienne-Jehandier Desrochers (1668 – 1741)
Gravura, de quadro a óleo
A família sai de Paris para Bergerac por volta de 1620, quando Savinien era bebê. Sua educação portanto foi dada pelo ensino paroquial. Não se sabe exatamente quando ele chega a Paris para prosseguir com os estudos. Permanece na casa de conhecidos de seus pais, talvez até na casa de seu tio Samuel de Cyrano, mas não se sabe ao certo que escola frequentou: se o Collège de Beauvais ou o Collège de Lisieux. Em 1636, quando Savinien está com quinze-dezesseis anos, seu pai vende a propriedade em Bergerac e retorna a Paris. Por volta de 1639, Savinien se enlista na Guarde, onde serve nas campanhas de 1639 e 1640. Membro da pequena nobreza, Savinien ficou conhecido por sua habilidade com a espada e por gabar-se disso. Acredita-se que deixou a carreira militar para voltar a Paris dedicar-se à produção literária.
Retrato de Cyrano, desenhado e gravado por artista anônimo, baseado em obra de Zacharie Heince, 1654.
As obras de Cyrano de Bergerac, L’Autre Monde: ou les États et Empires de la Lune (“História cômica dos Estados e Impérios da Lua”), publicada postumamente em 1657 e Les États et Empires du Soleil (“Os Estados e Impérios do Sol”) em 1662, são clássicos como primeiras obras de ficção científica. No primeiro livro, Cyrano viaja à lua, usando um foguete com uma cabine impulsionado por fogos de artifício (rojões) e lá se encontra com habitantes de 4 pernas, com armas que atiram na caça e as cozinham, assim como brincos que educam crianças. Mistura ciência e romance nessas obras e elas eventualmente servem de exemplo para obras de seus sucessores, Jonathan Swift, Edgar Allan Poe, Voltaire.
Contemporâneo do grande dramaturgo francês Molière, Cyrano não vive para ver seu compatriota pegar emprestado algumas de suas ideias da obra Le Pédant joué, que também serve de fonte de ideias para outra estrela literária francesa: Corneille.
Obra:
Le Ministre d’Estat flambé en vers burlesques [O ministro de Estadi assado em verso cômico], 1649.
La Mort d’Agrippine, tragédie, par Mr de Cyrano Bergerac, 1654 [A morte de Agrippina, tragédia]
Les Œuvres diverses de Mr de Cyrano Bergerac [Obras diversas do Senhor Cyrano Bergerac] 1654
Histoire comique par Monsieur de Cyrano Bergerac contenant les Estats & Empires de la Lune [História cômica incluindo os Estados e Imperios da Lua], 1657
Les Nouvelles œuvres de Monsieur de Cyrano Bergerac. Contenant l’Histoire comique des Estats et Empires du Soleil, plusieurs lettres et autres pièces divertissantes [As novas obras do Sr. Cyrano Bergerac. Incluindo A história cômica dos Estados e Impérios do Sol, diversas cartas e outras peças de divertimento], 1662.
Les œuvres diverses de M. Cyrano de Bergerac [ Obras diversas do Sr. Cyrano de Bergerac], 1709
Aqui algumas ilustrações em sua obra:





Vaso de flores, 1950
Manoel Santiago (Brasil, 1897 – 1987)
óleo sobre tela, 65 x 54 cm
Cantina das Mulheres na Metalúrgica Phoenix Works, 1918
Flora Lion (GB, 1878 – 1958)
óleo sobre tela, 106 x 182 cm
Imperial War Museum, Londres
Uma iniciativa britânica de documentar o que mais tarde seria conhecido como Primeira Guerra Mundial levou algumas pintoras já estabelecidas a pintarem cenas que tinham a ver com a guerra, quer na linha de batalha, quer na terra natal, testemunhando as mudanças na vida diária do país.
Interior de uma ambulância, enfermeira acende cigarro para o paciente
Olive Mudie-Cooke (GB, 1890 — 1925)
aquarela sobre papel, 29 x 21 cm
Imperial War Museum, Londres
Grande parte da documentação existente refere-se a mulheres pintoras da Grã-Bretanha. Mas a Austrália e a França também têm obras feitas por mulheres durante a Primeiro Guerra Mundial.
Motorista de ônibus, 1919
Victoria Monkhouse (GB, 1883 – 1970)
aquarela sobre papel, 39 x 27 cm
Imperial War Museumm Londres
Ainda que tenha havido procura para que documentação da guerra estivesse nas mãos de mulheres, ela foram muito poucas quando passamos os olhos sobre aqueles que testemunharam e pintaram o dia a dia do período da guerra. Aqui vão mais imagens de pintoras “guerreiras”.
Dia de Natal, na Cantina YMCA em London Bridge, 1920
Clare Atwood (GB, 1866–1962)
óleo sobre tela, 152 x 182 cm
Imperial War Museum, Londres
Depois da Guerra, uma ambulância trazendo feridos civis franceses feridos por balas encontrados nos campos de guerram Beaulencourt Convoy
Olive Mudie-Cooke (GB, 1890 — 1925)
Imperial War Museumm Londres
Mães, 1919
Käthe Kollwitz (Alemanha, 1867–1945)
Litografia, 52 x 70 cm
The Metropolitan Museum of Art, New York
Hóstia cristã da série Imagens Místicas da Guerra, 1914
Natalia Goncharova (Rússia – França, 1881–1962)
Litografia, 30 x 22 cm
The Metropolitan Museum of Art, New York
Hospital Feminino da Escócia, no Claustro da Abadia de Royaumont, 1920
Norah Neilson-Gray (GB, 1882- 1931)
Óleo sobre tela, 114 x 139 cm
Loteamento de Guerra em um subúrbio de Londres, 1918
Dorothy Coke (GB, 1897 – 1979)
Estação Victoria, 1918
Corpo da Cruz Verde, Ambulância da Reserva de Mulheres, dirigindo soldados em licença, pintado em 1919
Clare Atwood (GB, 1866–1962)
DETALHE — Lady Mary Capell, Duquesa de Beaufort
Peter Lely (Holanda-Inglaterra, 1618 – 1680)
óleo sobre tela, 130 x 170 cm
Metropolitan Museum of Art, Nova York
Lady Mary Somerset [Capell], primeira Duquesa de Beaufort na Inglaterra, (1630 -1715) manteve um grande complexo de jardins na sua propriedade em Badminton. Foi muito mais do que uma pessoa dedicada ao canteiros e jardins, foi uma séria estudiosa e investigadora de plantas. Seus jardins não eram um hobby para ela, suas observações e experimentos documentam interesse científico sério que trouxe ao conhecimento da época muitas novidades.
Ativa em se corresponder com botânicos conhecidos como Southwell e Sir Hans Sloane e também com Sir Robert Southwell, Presidente da Royal Society, ela manteve notas preciosas sobre plantas, observações sobre a manutenção delas, germinação de sementes, poda e alimentação de plantas raras.
Selecionou folhas e flores colocando-os em livro. Desenhou com cuidado plantas de seu interesse que ainda podem ser vistos hoje nos 12 volumes que formam o seu Herbário. Infelizmente sua obra nunca foi publicada. Mas sobreviveu por mais de 300 anos e hoje se encontra na Biblioteca Botânica do Natural History Museum, Londres.
Espécimes do Hortus Siccus, da Duquesa de Beaufort, no Museu de História Natural de Londres.
A propriedade em Badminton no século XIX

Hoje


Abaixo a obra completa dos retratos das irmãs Capell
Lady Mary Capell, Duquesa de Beaufort e sua irmã Elizabeth Capell, Condessa de Carnarvon
Beatriz, 1895
Marie Spartali Stillman ( Grécia/ Inglaterra, 1844 – 1927)
aquarela, guache, têmpera sobre papel, 57 x 43 cm
Museu de Arte de Delaware, EUA
Giàcomo Leopardi
Giàcomo Leopardi (1798-1837)
Mangas, 1976
José Maria de Souza (Brasil, 1935-1985)
óleo sobre tela, 40 x 33 cm