Chegam soldados estropiados…

9 08 2008

Soldados Revolucionários condecorados por atos de bravura

                             Soldados Revolucionários condecorados por atos de bravura

 

7 de agosto de 1932

 

Chegam soldados estropiados para descanso.  Partem soldados para a frente.  Há uma certa ansiedade da população; dúvida no desfecho.  Boatos menores.  Os boateiros já não agem com desembaraço.

 

♦♦♦♦♦♦♦♦♦♦♦

 

 

Transcrição do Diário de Gessner Pompílio Pompêo de Barros (MT 1896 – RJ 1960), Itapetininga, SP, página 134, em referência à Revolução Constitucionalista de 1932.

 

Tropas marchando para a frente sul

                                                Tropas marchando para a frente.





Uma poesia para crianças para o Dia do PAPAI.

9 08 2008
Mauricio de Sousa

Ilustração: Maurício de Sousa

 

 

 

 

Porque domingo é o Dia dos Pais.

 

 

 

Dia do Papai

 

Meu coração bate tanto

que alegria nele vai!

Estou feliz, pulo, canto:

— Hoje é o dia do papai.

 

O papai essa criatura

a quem amo com ardor,

que faz minha ventura

e me trata com amor.

 

O papai que minha vida

torna feliz, sem par,

— Ó mamãezinha querida;

Vamos o papai beijar!

 

 

Recolhi este poema do meu livro de poemas de escola.  Não tenho o autor.  Naquela época não me importava com isso.  Eu estava na segunda série primária, de uma escola pública no Rio de Janeiro, quando comecei, graças à minha professora D. Yolanda, um caderno de poesias.  Nele colocava pequenas poesias, em geral dadas pela professora. Aos poucos ela nos incentivou a copiarmos poesias de que gostássemos.   Minha avó, espertamente,  me deu um belo livro de capa dura com a palavra POESIAS em letras douradas,com páginas em branco, que tenho até hoje.  Este era o único lugar em que eu podia escrever a tinta.  Lá estão os meus garranchos a bico de pena… Foi daí que veio não só a apreciação pela poesia, mas o hábito de ler poesias sempre.

 

 





Humor, uma questão de DNA?

9 08 2008

Sempre gostei de estudar o humor nas suas várias formas.  Acredito que muito do humor é cultural, ainda que Freud haja estabelecido a localização do humor também na área psicológica.  Mas descobrir que há aspectos que podem ser genéticos, como se debate hoje, é uma surpresa.  Grande surpresa!  Um estudo recente feito no Canadá liga o humor dos ingleses, seu gosto pelo sarcasmo e também para a auto-depreciação, a um fator genético: o DNA inglês.

 

Li o artigo no portal Terra/ Ciências e depois fui catar mais informações, por pura  incredulidade.  A pesquisa liderada pelo Dr. Rod Martin, ganhou bastante cobertura internacional principalmente porque compara o senso de humor inglês com o americano. Muitos dos diários ingleses cobriram o assunto, mas ainda há pouca seqüência dada à pesquisa.  Por exemplo não consegui ler nenhuma entrevista com estudiosos cujo interesse seria provar o contrário.  Nem sei se existem trabalhos a este respeito.

 

Ilustração Walt Disney.

Ilustração Walt Disney.

É de longa data a noção de que os ingleses têm um senso de humor muito peculiar, e que uma vez você os entenda, descobre um tremendo charme nas situações penosas em que eles encontram humor. Dois exemplos mencionados na pesquisa para justificar a diferença de humor são familiares para nós brasileiros:  duas comédias britânicas feitas para a televisão.  Há a antiga série Fawlty Towers, onde reinou como autor e ator comediante John Cleese membro de um dos mais bem sucedidos grupos de comédia, Monty Python e o programa The Office, criado e estrelado pelo comediante Ricky Gervais, em companhia de Stephen Merchant, visto aqui no Brasil através da tv a cabo, originalmente produzido na Inglaterra.  [Uma nota curiosa a respeito destes dois programas de tanto sucesso é que ambos só tiveram 12 programas lançados em duas séries de seis programas cada.  The Office teve 2 outros especiais de Natal.  Mas me parece incrível que tanto sucesso tenha vindo com tão pouca exposição na tela]. 

 

O estudo da University of Western Ontário liderado pelo Dr. Martin  levou em consideração a comparação entre os programas The Office na Inglaterra e o mesmo programa feito pelos americanos para a televisão.  O resultado mostra que o americano parece mais inclinado ao humor mais inocente, menos crítico, menos sarcástico, enquanto os ingleses conseguem achar graça em situações cruéis ou encontram humor à custa do sofrimento alheio.

 

Neste estudo, os pesquisadores usaram como referência 5.000 pessoas: 2.000 pares de gêmeos nas ilhas britânicas e 500 pares de gêmeos nos Estados Unidos.  O humor positivo foi encontrado em ambos os lados do Atlântico.  Enquanto que o humor auto-destrutivo inglês não foi considerado como humor entre os americanos.  Este tipo de humor que cobre desde a picuinha aos rótulos sexistas, racistas, piadas sobre outras nacionalidades quando não chega a total humilhação, quando encontrada entre os gêmeos americanos foi considerada como comportamento aprendido ao invés de comportamento herdado geneticamente.

 

De qualquer maneira a tentativa de se classificar o senso de humor através de dados genéticos é uma proposta interessante que lembra alguns estudos feitos há algum tempo que comprovaram haver  maior influência genética em comportamentos humanos do que até então pensávamos.  

 

Estas descobertas são muito interessantes  desde que não venham a justificar futuras discriminações culturais.  Saber sobre a nossa herança genética sobre o nosso DNA é fascinante e essencial.  Mas cabe a nós também a responsabilidade de mantermos padrões de ética depois que descobertas da responsabilidade do DNA forem feitas. 

 

Para o estudo feito sobre o humor com o DNA, o link abaixo do portal Terra.

 

http://noticias.terra.com.br/ciencia/interna/0,,OI2667070-EI1827,00.html

 

 

Para os estudos feitos anteriormente sobre DNA, o link da Revista Veja, abaixo.

 

 

http://veja.abril.com.br/130906/p_070.html

 





PB: Escola com doações precisa de bibliotecário voluntário

8 08 2008
Ilustração Walt Disney.
Ilustração Walt Disney.

Copio e colo aqui o pedido de ajuda de uma escola em Umbuzeiro na Paraíba, que está recebendo livros para crianças doados por uma comunidade do Orkut e que tem a necessidade de que alguém com os conhecimentos de um bibliotecário os auxilie a organizar os livros, já que uma sala para a biblioteca se encontra em construção.  Veja abaixo:

Nós da comunidade Livro Errante, estamos formando a biblioteca da Escola Municipal Flávio Ribeiro Coutinho da cidade de Umbuzeiro – PB; as doações começaram em março e seguirão até fevereiro de 2009. Nenhum dos integrantes é do Estado da Paraiba. Embora seja de nosso conhecimento que organização/catalogação/sistema de empréstimo dos livrinhos deva ser feita corretamente, nenhum de nós é bibliotecário. Por essa razão, pedimos a colaboração voluntária de algum profissional que possa ir até a Cidade de Umbuzeiro. A professora responsável, tem toda a boa vontade e interesse porém precisa de orientação.
Você, que queira colaborar entre em contato conosco através deste blog.
Agradecemos,
L.E
O link de contato é:
http://livroerrante.blogspot.com




Borba Gato e os diamantes, poema de Cassiano Ricardo

7 08 2008
Charles Landseer (Inglaterra 1799-1879) Tropeiro Paulista, 1827, ost,

Charles Landseer (Inglaterra 1799-1879) Tropeiro Paulista, 1827, ost

 

Borba gato e os Diamantes

 

“Eu vou buscar diamantes”.

Foi quanto disse e já montou no rio

pôs mantimentos na garupa

levou o bugre pela frente

atrás do bugre o mameluco.

 

Montou no rio, então o rio

Logo desceu da cabeceira…

foi resmungando mas desenrolando

o corpo azul numa porção de voltas

mato a dentro à semelhança de uma

cobra muito grande que roncasse

e que passasse sacudindo

o rabo da cachoeira.

 

E levou na cacunda

em redemoinhos de água barafunda

uma porção de gente

armada de trabuco.

Formaram-se de pronto

alas de jacarés abrindo

a todo instante

a bocarra vermelha

no escurão do tijuco.

“Eu vou buscar diamantes”.

E armou seu barracão de couro

a quatrocentas léguas da partida.

 

Tudo correu, tudo saiu gritando!

Só porque um homem

chamado Borba Gato

armado de trabuco

entrou no mato…

 

 

Cassiano Ricardo

 

 

Do livro:  Terra Bandeirante: a história, as lendas e as tradições do Estado de São Paulo, para a 3ª série do curso primário, de Theobaldo Miranda Santos, Rio de Janeiro, Agir:1954

 

 

Cassiano Ricardo Leite (SP 1895 – RJ 1974), jornalista, poeta e ensaísta;

 

Obras

 

 

Dentro da noite (1915)

A flauta de Pã (1917)

Jardim das Hespérides (1920)

A mentirosa de olhos verdes (1924)

Vamos caçar papagaios (1926)

Borrões de verde e amarelo (1927)

Martim Cererê (1928 )

Deixa estar, jacaré (1931)

Canções da minha ternura (1930)

Marcha para Oeste (1940)

O sangue das horas (1943)

Um dia depois do outro (1947)

Poemas murais (1950)

A face perdida (1950)

O arranha-céu de vidro (1956)

João Torto e a fábula (1956)

Poesias completas (1957)

Montanha russa (1960)

A difícil manhã (1960)

Jeremias sem-chorar (1964)

Os sobrebiventes (1971)





Uma volta no sertão com Aleilton Fonseca: Nhô Guimarães

7 08 2008
José Ferraz de Almeida Júnior, (Brasil 1850-1899), Caipira picando fumo, 1893, ost, Pinacoteca do Estado de São Paulo

José Ferraz de Almeida Júnior, (Brasil 1850-1899), Caipira picando fumo, 1893, ost, Pinacoteca do Estado de São Paulo

 

Foi com imenso prazer que passei os dois últimos dias às voltas com o romance Nhô Guimarães, de Aleilton Fonseca, publicado em 2006, pela Editora Bertrand Brasil.  O romance leva o subtítulo Romance: homenagem a Guimarães Rosa.  Confesso que este foi o meu primeiro contato com o escritor.  Uma amiga recomendou calorosamente o livro.  E fiquei feliz de tê-lo feito porque quem saiu lucrando fui eu!

 

A primeira vista eu não teria por minha espontânea vontade selecionado este livro para ler.  Simplesmente porque não acredito em homenagens do gênero.  Em geral as obras feitas com esta intenção não passam de imitações de estilo que parecem bastante pedestres para até mesmo o leitor menos sofisticado.  E quando feitas para homenagear  um escritor cujo estilo foi único, responsável por uma marca indelével na literatura brasileira do século passado, o perigo, a tentação da pura imitação parecem ainda mais sedutores.  Mas confesso que Aleilton Fonseca me surpreendeu.  Seu romance Nhô Guimarães consegue se situar sozinho e ganhar um lugar de destaque na produção literária da virada do século, sem qualquer traço de imitação.

 

Acredito que deva ter sido difícil para o autor decidir se valeria à pena ou não colocar o subtítulo.  Se não o colocasse, muitos teriam simplesmente ignorado o livro com a rápida leitura do estilo dizendo: Mas quem que ele pensa que é?  Um Guimarães Rosa? Por outro lado, colocando o subtítulo há sempre a tentação, para quem lê o livro, de dizer: o autor recriou o grande autor Guimarães Rosa, como se de repente, por alguma clonagem pudéssemos esperar um texto de Guimarães Rosa.  Esse romance não merece nenhuma das duas ponderações.

 

 Aleilton Fonseca tem um estilo próprio.  Possui uma maneira de narrar elegante e sedutora.  Sua linguagem tem muito do espírito de Guimarães Rosa, mas não o imita.  O que ambas têm em comum é a grande naturalidade, a sensação de que as palavras vem da alma brasileira.  Só assim podemos explicar porque palavras não encontradas no nosso dia a dia parecem ter sempre existido, são imediatamente compreendidas como se refletissem um mundo que nós temos em comum; quase que uma meta-linguagem radicada no nosso inconsciente coletivo.

 

Este é quase um livro de contos.  Aleilton Fonseca trabalha numa das tradições mais antigas da narrativa, que é a aparência de transcrição de uma narrativa oral interligando diversos causos.  Não difere do que encontramos nas Mil e Uma Noites, no Decameron e em muitas outras obras clássicas. 

 

Há dois personagens centrais:  Nhô Guimarães e Manu que trocam histórias, causos do sertão, das gentes do interior, de suas maneiras, modos, vinganças e paixões.  Tudo com muita aceitação da natureza humana.  Estes são interlocutores convictos de que cada ser humano tem  seu destino e  sua maneira de ser.  Não há julgamentos necessariamente, simplesmente uma constatação da inevitabilidade das voltas que o mundo dá.  Manu é uma excelente contadora de histórias, sozinha, ela nos conta como o narrador precisa render com o assunto: quem proseia precisa imaginar, palavrear, distrair o parceiro.  Isto é o certo, as novidades boas e compridas.  A verdade é só um começo.  O melhor mesmo da história é o capricho da prosa [p.40].

 

Aleiton Fonseca certamente regeu com mestria a prosa cantada do sertão.  Com ele é um grande prazer nos enveredarmos nos caminhos do interior; nos detalhes das vidas contadas e cantadas e nos embrenharmos nas tramas ora trágicas, ora cômicas, mas acima de tudo humanas, que revelam a riqueza das experiências sertanejas.  Nota dez para este livro!  Vá, compre-o.  Você não vai se arrepender.

O escritor Aleilton Fonseca

O escritor Aleilton Fonseca





Segundo trem blindado para Buri — Revolução de 1932

6 08 2008
Trem blindado usado pelos Constitucionalistas em 1932

5 de agosto de 1932

 

Nada de novo na frente sul.  Relativa calmaria.

 

♦♦♦♦♦♦♦♦♦♦♦♦

 

 

 

Sustenta Fogo que a Vitória é Nossa!

Cartaz: Sustenta Fogo que a Vitória é Nossa!

 

 

 

 

6 de agosto de 1932

 

Calma na frente sul.  Desce para Buri um trem blindado, o segundo para esta gente.  Segue um carro tanque para a zona de Guapiara.

 

 

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Transcrição do Diário de Gessner Pompílio Pompêo de Barros (MT 1896 – RJ 1960), Itapetininga, SP, página 133, em referência à Revolução Constitucionalista de 1932.

Um dos tanques paulistas





Maroca: a vovó cocota — poesia infantil de Elias José

6 08 2008

 

Maroca: a vovó cocota

 

 

Vovó Maroca

toda cocota

toda vaidade

setenta anos

é mais pra frente

que muita gente

de pouca idade.

 

Vovó Maroca

se é calor

apanha a tanga

pega a motoca

vai pegar cor.

 

Vovó Maroca

se vai a festa

não se definha

não perde a linha

e ainda testa

o que é novidade

pra mocidade.

 

Vovó Maroca

se apruma

e se arruma

é um modelo

frente ao espelho.

Só “jeans” azuis

bata estampada

pouca pintura

e nada de tintura

no seu cabelo.

 

Vovó Maroca

não tem segredo.

E se há problema

só há um lema:

não ter medo

e enfrentar a vida

de cabeça erguida.

Elias José

 

Elias José – (MG 1936 – MG 2008 ) escritor de literatura infantil e juvenil, contista, poeta, romancista e professor.





Leite com café, poesia infantil de Maria da Graça Almeida

4 08 2008
Belli Studio.

Vaquinha ditosa. Ilustração: Belli Studio.

 

Leite com café

 

 

Sou garoto curioso,

e pra bem me instruir,

o que me é misterioso,

tento logo descobrir.

 

Sem certeza ou sem fé,

indago desde pequeno:

se a vaca bebesse café,

o leite seria moreno?

 

 

Maria da Graça Almeida

 

 

 

 

Maria da Graça Almeida (Pindorama, SP)– escritora, poetisa, professora, pedagoga, formada em Educação Artística.  Do portal de Maria Petronilho.

 

 





Alegria entre os que seguem para a luta. Revolução de 1932

4 08 2008

Cidade de Guara, após o bombardeio, 1932

Cidade de Guara após bombardeio pelas forças governistas.  Revolução de 1932.

3 de agosto de 1932

 

Boatos e mais boatos.  Pequenos encontros de tropas em Buri e Guapiara.

 

 

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4 de agosto de 1932

 

Boato de perturbação da ordem no Rio de Janeiro, prisões, etc.  Tropas que chegam de Buri, cansadas.  Tropas que partem para lá.  Alegria entre os que seguem para a luta.

 

 

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Transcrição do Diário de Gessner Pompílio Pompêo de Barros (MT 1896 – RJ 1960), Itapetininga, SP, página 133, em referência à Revolução Constitucionalista de 1932.

 

Estação de Engenheiro Neiva, durante a revolução de 1932

Estação de Engenheiro Neiva, durante a revolução de 1932