Macaquinhos, MW Editora e Ilustrações.
A vida — coisa engraçada —
é um contraste permanente:
nós rimos da macacada,
que ri imitando a gente.
(Remy Prates Pinheiro)
Macaquinhos, MW Editora e Ilustrações.
A vida — coisa engraçada —
é um contraste permanente:
nós rimos da macacada,
que ri imitando a gente.
(Remy Prates Pinheiro)
Ilustração, Maurício de Sousa.
Professorinha
Dimas Costa
Chinoca, meiga, trigueira,
Descendente das missões,
Exigente nas lições,
Reclama e briga por tudo.
Mas eu fico sempre mudo
Ao ver aquela carita,
Quando repreende e grita,
Numa expressão sedutora.
Essa é a professora
Do colégio onde estudo.
Que me importa com estudo
De história ou geografia,
Se eu gosto é da anatomia
Dessa prenda encantadora.
Eu que sou índio de fora
Meio matuto, por certo,
Vou decorando o alfabeto
Com muita dificuldade,
Porque só aprendo, é verdade,
Nas lições que ela me dá,
Que coisa mais linda não há
Do que os olhos da professora.
Esses dias me surpreendeu,
Quando mui séria ensinava,
Que apaixonado eu a olhava
Sem escutar a sua fala.
E, por assim eu mirá-la
Acho que bem entendeu,
Pois de pronto enrubesceu
E tomando-me a lição,
Diz que por falta de atenção,
Me pôs pra fora da aula.
Professora, professora,
Deixa de manha, mimosa!
Chinoca quando é dengosa
Ressalta mais o primor.
Desculpa, mas minha flor
Entende a minha paixão:
Deixa pra lá essa lição
E vem comigo, querida,
Viver as coisas da vida
Num recreio só de amor…
Se tu quiseres mesmo
Unir-te em laços eternos,
Bota fora os cadernos
E vem seguir os meus passos.
Se larguemo pelos espaços
A procura de um cantinho,
Onde ergueremos um ninho
Debaixo do céu aberto,
E eu morro analfabeto
Só pra viver nos teus braços!
Dimas Noguez Costa, (Bagé, RS, 1926 ), pseudônimo: Chiru Divertido. Poeta, cronista, radialista.
Obras:
Carta a mãe natureza, 1979
Céu e campo, 1954
Céu, pampa e pago, 1968
Entardecer na querência, 1989
Pampa bravo, 1958
Pelos caminhos do pago, 1963
Poesia gauchesca para moças e crianças, 1983
Poesia gauchesca para prendas e peões, 2003
Três poemas de destaque, 1963
Nesta mês em que comemoramos entre outras coisas o DIA DA CRIANÇA, achei que seria uma boa ouvirmos com cuidado os conselhos de Aaron Young, e prestarmos atenção as crianças que temos em casa, na família, entre os amigos, à nossa volta. Uma delas pode estar sofrendo.
Belíssima melodia para um assunto muito sério.
Filhote de onça-pintada faz sucesso no jardim zoológico da cidade de Bloemfontein, na Africa do Sul.
A espécie é das Américas, mas é na África que um filhote de onça-pintada (Panthera onca), também conhecida como jaguar, vem fazendo sucesso.
A cria é atração do zoológico de Bloemfontein, na África do Sul, onde brinca o dia todo com os adultos, entre muitos “abraços” e lambidas.
Fonte: FOLHA
Ignat Bednarik (Romênia, 1882-1963)
aquarela sobre papel
—
Ignat Bednarik nasceu em Orsova, na Romênia em 1882. Em 1894, aos 12 anos ganhou seu primeiro prêmio de pintura enquanto estudava na escola secundária em Turnu Severin. Em 1898 entrou para a Escola de Belas Artes em Bucarest. Em 1901, vai para Viena estudando quase que por conta própria os mestres das artes nos museus, frequentando esporadicamente a Academia de Belas Artes de Viena. Vai depois para Sofia, Bulgária, onde passa dois anos se formando artisticamente até que em 1908 retorna a Bucareste e então começa uma vida extremamente atuante nas artes plásticas do país. Combate junto a outros artistas, através de caracterizações gráficas e envolvimento total, as forças alemãs nas duas guerras mundiais, do século XX. Em 1938 fica cego. Faz uma operação na vista em 1947 que restaura parcialmente sua visão. Mas volta à cegueira em 1961. Trablahou praticamente em todos os gêneros de pintura: retrato, paisagem, natureza-morta, pintura de gênero. E também foi bastante versátil no uso de tecnicas de pintura: óleo, aquarela, desenho a nanquim, pastel.
O Jardim Zoológico de Toronto, no Canadá, realiza um concurso com o objetivo de escolher um nome de batismo para um filhote de gorila recém-nascido na instituição. O pequeno mamífero, um macho, nasceu no último dia 2 de setembro.
O público em geral pode votar pelo endereço eletrônico do zoo ( www. torontozoo.com ) até o próximo dia 13 de novembro. Segundo a instituição, os melhores nomes deverão ser premiados. O nome oficial do gorila será escolhido em 18 de novembro.
Campos de girassóis dominam a paisagem rural da Alta Andaluzia, de Jaen a La Carlota.
25 de outubro
Meus queridos,
Deixamos Córdoba em direção a Portugal, ontem à tarde. No caminho me lembrei que tinha duas cartas e quinze cartões postais para colocar nos Correios. Já estávamos a caminho. De modo que decidimos parar na primeira cidade que encontrássemos. Paramos afinal num lugar chamado La Carlota. Lá, tive uma experiência muito interessante.
La Carlota é cortada em duas pela estrada em que viajávamos. Depois de ter ido ao lado errado da cidade, finalmente me disseram que eu tinha que atravessar a estrada para lá achar os Correios, dentro da prefeitura. Na prefeitura eu os achei do outro lado de um enorme jardim interno cheio de laranjeiras, escondido por filas e filas de pessoas umas indo para a enfermaria da cidadezinha (parecia fila de atendimento médico brasileiro); outras indo para uma caixa receber pensões: uma longa fila de senhoras idosas vestidas de preto. Havia outras filas, mas com franqueza não me lembro para que, só que o reboliço era enorme, crianças chorando, balbúrdia geral. Nos Correios eu me deparei com um senhor bem redondinho, que olhou muito intrigado para a minha pilha de cartões, olhou bem para os endereços, coçou a cabeça e apanhou um livro grande, que mais parecia um dicionário do século XIX e pôs-se a procurar por alguma coisa. Alguns momentos depois ele me disse que não tinha ali os selos necessários para as tarifas das cartas para o Brasil, nem dos cartões postais. Mas que ele achava que a tabacaria do outro lado da praça talvez tivesse.
Região de La Carlota, Espanha.
Esse homenzinho, então, calmamente tirou o avental que trazia por sobre a roupa normal, saiu detrás do balcão, fez um aceno com a mão para que eu saísse da sala também, colocou um cartaz na porta, “Correios Fechados” e me levou, quase pela mão, até o outro lado da praça à tabacaria em questão. Na loja eu tive que comprar setenta selos e precisei colá-los lá mesmo. Cada carta levou cinco selos, cada postal quatro. Os donos da loja se colocaram à minha disposição imediatamente e nós três começamos a lamber os selos ( que já vêm com cola) e colá-los, tudo na mais perfeita comunhão de interesses. Conversamos um pouco com o meu brasinhol e depois de dizerem que era bom mesmo que eu estivesse escrevendo para minha mãe “porque mãe é a coisa mais preciosas que temos no mundo”, eles se candidataram a me levar de volta aos Correios onde eu teria que depositar a correspondência numa caixa amarela. Eu garanti que sabia voltar, e eles relutantemente me deixaram ir.
Quando estou para colocar as cartas na caixa amarelíssima, bem na entrada dos Correios, de lá, sai depressa num passo de jato o homenzinho redondinho, tomou os postais e as cartas de minhas mãos, segurou-os com firmeza e cuidado e me garantiu de uma maneira bem importante que iria “tomar conta dessa correspondência pessoalmente”.
Sabem agora por que eu adoro a Espanha?
Saudades e beijinhos, a próxima carta já será de Portugal. Já quase dá para ver a fronteira! H. se anima, adora Portugal e sente saudades da comida portuguesa! L.
Para conservar os dentes,
Sempre em boas condições,
Não se esqueça de escová-los
Logo após as refeições.
(Walter Nieble de Freitas)
Bailando pelo vergel,
a declarar seus amores,
tendo as ramas por dossel,
o colibri beija as flores.
(Heráclito de Oliveira Menezes)
O SAPO
–
Ferreira Gullar
–
Aqui estou eu: o Sapo,
Bom de pulo e bom de papo.
Falo mais que João do Pulo,
Pulo mais que João do Papo.
Por cautela, falo pouco,
Pra evitar de ficar rouco.
Mas, na verdade, coaxo.
Sou quem toca o contra-baixo
em nossa orquestra de sapos,
pois com os sons de nossos papos
fazemos nosso concerto:
um som fechado, outro aberto,
um que parece trombone,
outro flauta ou xilofone.
Tocamos em qualquer festa.
O nosso e-mail é <orquestra
@sapos. com. floresta>.
—
Ferreira Gullar (José Ribamar Ferreira) Pseudônimo: Ferreira Gullar, nasceu no dia 10 de setembro de 1930, na cidade de São Luiz, capital do Maranhão,
Obras:
A Estranha vida banal,1989
A Luta corporal, 1954
A Luta corporal e novos poemas, 1966
A Saída? Onde fica a saída? ,1967
Antologia poética, 1977
Antonio Henrique Amaral – paintings 1978
Argumentação contra a morte da arte 1993
Arte brasileira hoje, 1973
As Melhores crônicas de Ferreira Gullar, 2005
As Mil e uma noites 2000
Augusto dos Anjos ou Morte e vida nordestina 1976
Barulhos, 1980-1987 1987
Cidades inventadas 1997
Crime na flora, ou, ordem e progresso 1986
Cultura posta em questão 1965
Dentro da noite veloz 1975
Dr. Getúlio, sua vida e sua obra 1968
Etapas da arte contemporânea 1985
Ferreira Gullar 1980
Gramacão 1996
Indagações de hoje 1989
João Boa-Morte, cabra marcado para morrer 1962
Lygia Clark 1980
Muitas vozes 1999
Na vertigem do dia 1980
Nise da Silveira 1996
O Formigueiro 1991
O Menino e o arco-íris 2001
O Meu e o Seu – Antonio Henrique Amaral XX d
O Touro encantado 2003
Os Melhores Poemas de Ferreira Gullar 1983
Poema sujo 1976
Poemas 1958
Poemas escolhidos 1983
Poesias 1982
Por você por mim 1968
Quem matou Aparecida? 1962
Rabo de foguete
Relâmpagos : (dizer o ver) 2003
Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come 1966
Sobre arte 1982
Teoria do não objeto 1959
Toda Poesia 1981
Um Gato chamado gatinho 2000
Um pouco acima do chão 1949
Um Rubi no umbigo 1978
Uma Luz do chão 1978
Uma Tentativa de compreensão 1977
Vanguarda e subdesenvolvimento 1969