Presentes de Natal? Livros é claro! — A Peregrina recomenda quatro livros!

15 12 2011

Sim, dou livros de presente de Natal.  Talvez seja porque não consigo imaginar a vida sem eles.  Também acho que o livro certo para a pessoa certa faz milagres.  Para presente, se não sei especificamente o gosto ou o desejo do presenteado, prefiro dar livros que abram portas além dos best-sellers.  Livros que:

1 –  possam ser lidos tanto por homens como por mulheres

2 – que sejam bem escritos.

3 – que surpreendam

A minha lista de recomendações este ano é pequena mas excelente!

Traduzindo Hannah
de Ronaldo Wrobel

Sinopse

O sapateiro judeu Max Kutner é convocado para trabalhar na censura postal do regime Vargas, traduzindo cartas do iídiche para o português em busca de subversivos. Enquanto lida com o peso na consciência, Max se apaixona por uma desconhecida através de suas cartas e, determinado a encontrá-la, descobre mais do que pretendia – inclusive sobre si mesmo.

Editora: Record: 2010,  ISBN: 8501091146,  Páginas: 272

Instruções para salvar o mundo
de Rosa Montero

Sinopse

Num cenário de subúrbio, onde a noite reclama o seu território e os fantasmas reivindicam o seu espaço, um taxista viúvo que não consegue superar a perda da mulher, um médico desiludido, uma cientista anciã e uma belíssima prostituta africana sedenta de vida cruzam os seus caminhos, para nos obsequiarem com uma visita guiada ao mundo vertiginoso e convulso que cada um encerra dentro de si. Mas esta não é uma história de horrores, é antes uma fábula de sobreviventes, de quatro personagens que reúnem todos os elementos necessários para serem considerados uns desgraçados, que se movem nos mundos limítrofes à máfia, ao tráfico de mulheres brancas, e a universos virtuais como Second Life, mas que conseguem encontrar um apoio que lhes permite a remição e a saída das trevas que os mantinham prisioneiros.

Editora Nova Fronteira: 2011, ISBN: 9788520926567 Páginas: 288

O pintor de letreiros
de R. K. Narayan
Sinopse

Malgudi é uma efervescente pequena cidade no Sul da Índia, onde se respira a força da cultura tradicional indiana unida ao anseio de integração no mundo moderno e global, um lugar em que palavras como ética, democracia, liberdade sexual e igualdade entre os sexos, individualismo e bem comum não só têm importância e sentido, como não estão necessariamente em conflito com a tradição. Um fio percorre e conecta a vida de uma inteira comunidade – são os letreiros de Raman. Do advogado ao comerciante, do sacerdote ao charlatão, é a escrita que os une. Raman prepara os letreiros no seu ateliê de fundo de quintal, onde vive sozinho com a tia, numa casa à beira do rio. Durante as solitárias leituras vespertinas ou pedalando a bicicleta a serviço dos fregueses e à caça de novos clientes, sua imaginação prevalece e torna incoerentes as convicções e certezas que defende e apregoa, fazendo-o cair em frequentes contradições, que geram situações embaraçosas e hilariantes ao mesmo tempo. Porém este equilíbrio na rotina metódica do pintor de letreiros é rompido com a chegada de uma forasteira. Idealista e determinada, ela contrata os seus serviços e o envolve numa viagem cheia de aventuras pela zona rural. Durante o percurso, Raman realiza uma dupla travessia – a atribulada viagem num carro-de-boi e o mergulho insidioso pelos meandros da paixão carnal e do romantismo.

Editora: Guarda-Chuva: 2011,  ISBN: 9788599537190 Páginas: 252

O aprendizado da srta. Beatrice Hempel: diário de uma jovem professora
de Sarah Shun-lien Bynum

Se existe algo que a srta. Beatrice Hempel acredita é que ela é uma terrível professora. Para tentar reverter esse quadro, a jovem faz de tudo um pouco. Libera os alunos cinco minutos mais cedo às sextas-feiras, começa o ano sempre lendo um livro que fala sobre o quanto os pais podem ser malvados com os filhos e faz de conta que não ouve quando os alunos falam mal dos outros professores. Ela não poderia estar mais equivocada, como se percebe ao longo da leitura de O aprendizado da srta. Beatrice Hempel – Diário de uma jovem professora, finalista do PEN/Faulkner Award em 2009. Os alunos adoram a professora criada por Sarah Shun-Lien Bynum, uma das 20 melhores ficcionistas norte-americanas da atualidade, segundo a prestigiada revista New Yorker. Afinal, que outro professor seria capaz de oferecer à sétima série aquele livro de Tobias Wolff, repleto de palavrões? Nem mesmo os pré-adolescentes sentiram-se confortáveis no início. Porém, como os próprios pais e mães observaram na reunião de pais, havia muito tempo que os alunos não liam um livro de forma tão voraz – se é que alguma vez isso havia ocorrido. A própria Beatrice Hempel tinha uma atração especial por palavrões. Em casa, o pai a proibia terminantemente de dizê-los. Como descreve a autora, ela até desejou um dia se tornar uma pessoa de boca imunda, mas não teve muito sucesso. Ao longo das páginas, a jovem professora vai relatando situações aparentemente corriqueiras da escola, enquanto recupera aqui e ali lembranças de sua própria infância. Reflete que na escola as crianças são livres para ser o que bem quiserem e sonhar com o futuro que acharem mais interessante. Beatrice Hempel lembra-se de quando ela mesma frequentava o colégio: “O maravilhoso na escola é isso, quando você vai bem no teste de matemática, pode um dia vir a trabalhar na Nasa, se o diretor do coral pede para que você cante um solo, já se imagina a Mariah Carey…” Enquanto acompanha pequenas conquistas dos alunos dia a dia e algumas dela mesma, a protagonista revela ao leitor alguns dos acontecimentos de seu passado, não apenas as interações com o pai, mas seus relacionamentos amorosos e mesmo relacionamentos com seus alunos, a quem normalmente trata com a reserva e distância que os papéis de ambos sugerem. A partir dessas pequenas histórias, a autora vai apresentando o caminho de transição percorrido por Beatrice Hempel desde as inseguranças do início da carreira até atingir a maturidade. Sarah Shun-Lien Bynum divide os relatos em oito capítulos, escritos de forma elegante e disciplinada, talvez como a própria Beatrice Hempel faria, caso ela se sentisse confortável escrevendo pareceres – especialmente aqueles sobre o comportamento e a evolução de seus alunos. A autora constrói assim um romance delicado, mas que reflete a complexidade e as nuances dos sentimentos e das relações humanas.

Editora: Rocco: 2011, ISBN: 9788532527011  Páginas: 192

E… ótimas leituras nesse Natal! 
Aproveite o tempo livre, leia pelo menos um livro!




Os leitores sugerem: livros para adolescentes, neste Natal e sempre

4 12 2011

Ilustração, autoria desconhecida.

Está na hora de novo: que livros comprar para os jovens que conhecemos?  Este ano farei duas postagens sobre o assunto: a primeira, hoje.  Aqui estarão os livros sugeridos pelos leitores do blog.  Trata-se de leitura que adolescentes possam gostar.  E os títulos foram todos sugeridos pelos leitores.  A próxima postagem tratará dos livros que eu selecionei como minhas escolhas para presentes esse ano, independente do que os leitores sugeriram.  Foram muitas as séries e grande a variedade.  Por causa disso peço que leiam com atenção porque está um pouco mais misturado do que nas postagens anteriores, i. e. aventura e vampiros; romance, tópicos jóvens, autores brasileiros e estrangeiros.  Paciência.  A gente chega lá.

Ao todo, 91 diferentes títulos foram mencionados.  Poucos, muito poucos já haviam sido citados nesse blog, anteriormente.  Foram repetidos quando entraram nos mesmos parâmetros dos demais.   A seleção foi baseada nos seguintes parâmetros:

1 – Títulos mencionados mais de uma vez por diferentes pessoas.

2 – Verificação de notas dadas por leitores em portais especializados como SKOOB, por exemplo.  Não postei livros com menos e 60% de aprovação.

3 – Alguns autores foram mencionados como:  todos os JK Rowling, todos os….  Esses estão mencionados no final.

4 – A esmagadora maioria dos votos foi para autores estrangeiros.  Fiz uma pequena lista de menção honrosa no final dessa postagem sugerindo os autores brasileiros mencionados.

PS: A lista não está em ordem nenhuma significativa.  Tentei variar os assuntos, senão poderíamos ter uma postagem em que os primeiros 8 itens fossem VAMPIROS, por exemplo.

Querido diário otário  — série

de Jim Bentom, Editora Fundamento [ www.editorafundamento.com.br]

Capas dos primeiros 6 volumes.

Por enquanto são 12 livros acompanhando a vida de Jamie Kelly.  Ela mora com a mãe, que é uma péssima cozinheira, o pai e seu adorável cachorro com o indicativo  nome de Fedido, um beagle, que como todos os cães de sua espécie tem um odor específico, nesse caso desagradável e que brinca e namora seu brinquedinho “Nojogosma”, nome dado por Jamie ao brinquedo.  Também vive com ela a filha do Fedido, Fedidita, que tem como mãe Framboesa. Jamie estuda no Colégio Mackerel, onde sua a menina Isabella Vinchella,  de 12 anos como ela, aparece como “malvada” ou “cruel”, na maioria das vezes.  Na escola ela também conhece Angelina, uma menina loura e “gloriosamente” bonita que Jamie odeia.  Angelina, porém, se mostra melhor que Isabella em algumas partes. Outros alunos  fazem parte do grupo de personagens das histórias, entre eles Lucas Ribas, o ” 8º garoto mais bonito da escola “, por quem Jamie é apaixonada.

O livro das estrelas — trilogia

de Erik L’Homme, editora Rocco [www.rocco.com.br]

O livro das estrelas é um dos maiores êxitos editoriais dos últimos tempos no mundo e principalmente na França, terra natal do auto que foi distinguido com vários prêmios literários.  É uma trilogia baseada em ficção fantasiosa sobre um garoto chamado Guillemot que tem entre 12 e 13 anos e vive com a mãe no vilarejo de Troil, no país de Ys, localizado entre dois mundos: o Mundo Certo (o nosso) e o Mundo Incerto, que é um lugar assustador com criaturas horríveis e também governado pela “Treva” (que ninguém conhece).

Qadehar, o Feiticeiro – O Livro das Estrelas – vol. 1

Em uma ilha chamada Ys, localizada entre o Mundo Certo e o Mundo Incerto, vive Guillemot, um menino de 12 anos que vai participar de uma emocionante aventura, recheada de poderes mágicos e tramas sombrias. Tudo começa quando o garoto encontra o feiticeiro mais importante de Ys. Os poderes do menino começam a se manifestar e Qadehar, o feiticeiro, o ajuda a descobrir o mistério que envolve o seqüestro de sua maior inimiga. A primeira aventura fantástica da trilogia O Livro das Estrelas, uma jornada de outro mundo.

O Senhor Sha – O Livro das Estrelas – vol. 2

Guilherme de Troll, o Aprendiz de Feiticeiro, escapou por um triz às forças malignas do Mundo Incerto. Depois de muitas aventuras, concentra-se agora na aprendizagem da magia. Mas a ameaça de um ataque ainda paira sobre a Ilha Perdida e os feiticeiros da Guilda concebem um plano para atacar a Escuridão – um plano condenado ao fracasso.  Torna-se evidente que há um traidor em Gifdu e a desconfiança recai sobre o Mestre de Guilherme, Qadehar. Mas quem é, afinal, o sinistro Lorde Sha que se infiltrou no mosteiro? Porque motivo quer encontrar Guilherme? Saberá ele onde se encontra O Livro das Estrelas?

O Rosto da Treva – O Livro das Estrelas – vol. 3

Último volume da trilogia O LIVRO DAS ESTRELAS : A notícia caiu como uma bomba na Ilha Perdida: Guilherme estava refém da Escuridão, o adversário mais temível que jamais enfrentara. Ao mantê-lo prisioneiro, a Escuridão esperava desvendar os últimos segredos de O Livro das Estrelas.  Para o libertar, um grupo de Cavaleiros, liderado por Qadehar, alia-se aos Homens Livres do Mundo Incerto e, juntos, partem à procura do Aprendiz de Feiticeiro.  Por seu lado, os amigos de Guilherme tudo fazem, também, para o resgatar, enquanto na torre, onde se encontra prisioneiro, este trava uma luta sem tréguas com a Escuridão.  Apesar dos seus poderes extraordinários, será Guilherme capaz de resistir à Escuridão, essa entidade maléfica que ameaça dominar os Três Mundos?

Ilustração “Family Matters”, sem indicação de autoria.

A morada da noite — série

de P.C. Cast e Kristin Cast, Editora Novo Século [ www.novoseculo.com.br]

Os primeiros 5 volumes de um total de 12 prometidos.

Esta é uma série de doze livros, lançada originalmente em 2007, e criada pela autora norte-americana P.C. Cast, com co-autoria de sua filha Kristin Cast.  A série inclui os títulos: Marcada, Traída, Escolhida, Indomada, Caçada, Tentada, Despertada, entre outros.  Nesses volumes seguimos a história da adolescente Zoey Redbird.  No mundo que Zoey, a nossa adolescente-heroína, habita vampiros sempre existiram entre os humanos e convivem tranquilamente com eles.  O que os torna diferentes são as marcas que têm no corpo.  Um dia, Zoey é marcada com o símbolo dos vampiros e se vê obrigada ir para A morada da noite, num universo alternativo, deixando para trás amigos, namorado e a família.  Lá ela terá um treinamento necessário para sua vida adulta como vampira. Ela passa por várias transformações, que podem torná-la vampira, ou matá-la, caso seu corpo rejeite a mudança.

Marley & Eu: a vida e o amor ao lado do pior cão do mundo

de John Grogan, Editora Prestígio [www.ediouro.com.br]

Este é um livro de não-ficção escrito pelo jornalista norte-americano John Grogan.  Através de uma narrativa em primeira pessoa, o autor relata a história real de seu cachorro da raça labrador,  chamado Marley, durante os treze anos em que foram companheiros de vida.  John e Jenny eram recém-casados e estavam começando a sua vida juntos, quando levaram para casa Marley, “um bola de pêlo amarelo em forma de cachorro”, que, rapidamente, se transformou num labrador enorme e encorpado de 43 quilos.    Era um cão como não havia outro nas redondezas: arrombava portas, estragava paredes, babava nas visitas, comia roupa do varal alheio e abocanhava tudo a que pudesse. De nada lhe valeram os tranqüilizantes receitados pelo veterinário, nem a “escola de boas maneiras“, de onde, aliás, foi expulso. Mas, acima de tudo, Marley tinha um coração puro e a sua lealdade era incondicional.


A fantástica fábrica de chocolate

de Roald Dahl, Editora Martins Fontes

Atenção:  algumas livrarias ainda têm esse livro, mas o portal da Martins Fontes não reconhece o livro como em oferta para venda.

Ninguém sabia o que acontecia dentro daquela fábrica de chocolate. Havia gente trabalhando nela, claro, mas ninguém entrava e ninguém saía. Só saíam os doces e os chocolates, bem embrulhadinhos, prontos para serem vendidos. Um dia, os portões da fábrica se abriram para os cinco felizardos ganhadores do Cupom Dourado – e o mistério se desvendou. O leitor é convidado a conhecer o rio de chocolate, a grama de açúcar mentolado, os caramelos de cabelo e mil outras delícias – tudo isso na companhia do incrível Sr. Wonka, o dono da Fantástica Fábrica de Chocolate.

O menino do dedo verde

de Maurice Droun, editora José Olympio [www.record. com.br]

Era uma vez Tistu, um menino diferente de todo mundo, um menino muito feliz, que nasceu e foi criado com todo o luxo que seus belos pais – donos da maior fábrica de canhões do mundo – podiam dar e o dinheiro podia comprar. Morava numa mansão – a “Casa-que-Brilha” – e tinha criados que o adoravam.   Com uma vidinha inteiramente sua, o pequeno de olhos azuis e cabelos loiros deixava impressões digitais que suscitavam o reverdecimento e a alegria. As proezas de seu dedo verde eram originais e um segredo entre ele e o velho jardineiro, Bigode, para quem seu polegar era invisível e seu talento, oculto, um dom do céu.  Com as aulas do Senhor Trovões, ele entra em contato com a violência urbana cotidiana e conhece a infelicidade e a tristeza. Inconformado, Tistu decide mudar o mundo apenas com o toque de seu dedo verde, começando pela cidade onde mora, Mirapólvora.

George e o Segredo do Universo George e a Caça ao tesouro Cósmico

De Lucy e Stephen Hawking, Editora Ediouro [www.ediouro.com.br]

George e o Segredo do Universo

Radicais, os pais de George não o deixam ter acesso à tecnologia. Mas junto com a amiga Annie e um supercomputador, eles farão uma viagem de aventura e aprendizado pelo espaço sideral. Um enredo criado para mostrar as revolucionárias idéias e conceitos de Física e Astrofísica de Stephen Hawking sobre o Universo, de uma forma divertida para o público infantil.

George e a Caça ao Tesouro Cósmico

Esta empolgante aventura não é só uma história emocionante em busca de um tesouro cósmico. Mas também uma forma divertida de conhecer a ciência do nosso Universo. Stephen Hawking, um dos mais importantes cientistas do mundo, se uniu a sua filha Lucy, para tornar a ciência atraente e empolgante para jovens e adultos. George e a caça ao tesouro cósmico é a continuação do bestseller George e o Segredo do Universo.

Ilustração de Abgail Zambon.

Soul Love – À noite o céu é perfeito!

de Lynda Waterhouse,  Editora Melhoramentos

Atenção:  Este livro só pode ser achado em sebos. Sugiro que procurem na Estante Virtual [www.estantevirtual.com.br] Coloquei-o aqui na lista dado o grande número de votos que recebeu e pelas resenhas quase que unanimemente elogiosas.

Jenna não quer trair os amigos e não revelará o que se esconde por trás de sua expulsão do colégio, assumindo toda a culpa sozinha. Como castigo sua mãe a levou para passar algum tempo com uma tia numa tediosa cidadezinha do interior. É lá que Jenna encontra Gabe, um rapaz autêntico, melancólico e reservado. Completamente diferente de todas as outras pessoas ela conhece. É inevitável: Jenna se apaixona por ele. Será que Gabe é sua alma gêmea? Ele mostra a Jenna a beleza de um céu noturno sem nuvens, escuro, um contraste perfeito para o brilho das estrelas. E, em meio a livros, música, poesia e noites estreladas, o sentimento entre eles se torna cada vez mais forte. Mas Cleo, uma garota antipática que tem uma ligação muito estranha com Gabe, não está gostando nada desse romance. Afinal, ela não quer que ninguém mais saiba o grande segredo de Gabe…

Coração de Tinta

De Cornelia Funke, Editora Companhia das Letras [www.companhiadasletras.com.br]

Há muito tempo Mo decidiu nunca mais ler um livro em voz alta. Sua filha Meggie é uma devoradora de histórias, mas apesar da insistência não consegue fazer com que o pai leia para ela na cama. Meggie jamais entendeu o motivo dessa recusa, até que um excêntrico visitante finalmente vem revelar o segredo que explica a proibição.

É que Mo tem uma habilidade estranha e incontrolável: quando lê um texto em voz alta, as palavras tomam vida em sua boca, e coisas e seres da história surgem como que por mágica. Numa noite fatídica, quando Meggie ainda era um bebê, a língua encantada de Mo trouxe à vida alguns personagens de um livro chamado Coração de tinta. Um deles é Capricórnio, vilão cruel e sem misericórdia, que não fez questão de voltar para dentro da história de onde tinha vindo e preferiu instalar-se numa aldeia abandonada.

Desse lugar funesto, comanda uma gangue de brutamontes que espalham o terror pela região, praticando roubos e assassinatos. Capricórnio quer usar os poderes de Mo para trazer de Coração de tinta um ser ainda mais terrível e sanguinário que ele próprio. Quando seus capangas finalmente seqüestram Mo, Meggie terá de enfrentar essas criaturas bizarras e sofridas, vindas de um mundo completamente diferente do seu.

Tobias Lolness:  A Vida na Árvore

De Timothée de Fombelle, Editora Rocco [www.rocco.com.br]

Bem-vindo à Árvore, um mundo em miniatura onde as pessoas medem menos de dois milímetros de altura e a Natureza tem todo o poder sobre os seres vivos. É lá onde mora Tobias, de 13 anos. Como seu pai, o professor Lolness, recusa-se a revelar o segredo que pode pôr em risco a vida na Árvore, sua família é condenada à morte. Para fugir da perseguição, eles são obrigados a deixar os Cumes e se exilar nos Galhos-Baixos. Assim, em meio à luta pela própria sobrevivência, Tobias acaba conhecendo lugares e pessoas nunca antes imaginados e também a brava e bela Elisha Lee.

Tobias Lolness: Os olhos de Elisha

de Timothée de Fombelle, Editora Rocco [www.rocco.com.br]

O herói de 13 anos e apenas um milímetro e meio de altura que emocionou leitores em mais de vinte países, abocanhou diversos prêmios literários e foi aclamado pela crítica em todo o mundo está de volta. Tobias Lolness, protagonista da série de mesmo nome escrita pelo francês Timothée de Fombelle, sobreviveu a grandes desafios desde que sua família foi exilada devido às cobiçadas descobertas científicas de seu pai em Tobias Lolness – A vida na Árvore. Nesse volume, uma enorme cratera foi aberta no interior da grande Árvore e os galhos foram invadidos por musgos e parasitas, controlados por um terrível tirano. A população dos Galhos Baixos vive subjugada, e Elisha Lee foi feita prisioneira. Tobias sabe que não pode fechar os olhos para a situação de miséria, opressão e medo que se instalou. E resolve lutar por liberdade, justiça e pelo seu grande amor. Conseguirá o pequeno herói vencer mais esta batalha?

Rangers: a ordem dos arqueiros, 1 -12 volumes

de  John Flanagan, Editora Fundamento [www.editorafundamento.com.br]

Aqui a foto de 6 dos 12 volumes dos Rangers, muito mencionado entre os meus leitores.

Sinopse do primeiro volume:

Durante a vida inteira, o pequeno e frágil Will sonhou em ser um forte e bravo guerreiro, como o pai, que ele nunca conheceu. Por isso, ficou arrasado quando não conseguiu entrar para a Escola de Guerra.   A partir daí, sua vida tomou um rumo inesperado: ele se tornou o aprendiz de Halt, o misterioso arqueiro, que muitos acreditam ter habilidades que só podem ser resultado de alguma feitiçaria.
Relutante, Will aprendeu a usar as armas secretas dos arqueiros: o arco, a flecha, uma capa manchada e… um pequeno pônei muito teimoso. Podem não ser a espada e o cavalo que ele desejava, mas foi com eles que Will e Halt partiram em uma perigosa missão: impedir o assassinato do rei.   Essa será uma viagem de descobertas e aventuras fantásticas, na qual Will aprenderá que as armas dos arqueiros são muito mais valiosas do que ele imaginava.

Os 11 volumes seguintes seguem a história dessa saga.

Menções honrosas para os seguintes escritores:

Brasileiros: 

Marcos Rey, Pedro Bandeira, Lygia Bojunga, José Mauro de Vasconcellos, Luiz Alfredo Garcia-Roza.

Estrangeiros:

Sidney Sheldon, Stepheny Meyer, Emily Giffin, Aprilynne Pike, Annie Bryant, Anne Rice.

NOTA: É importante que você leia a sinopse desses livros — procure na internet — antes de comprá-los.  Leitores de 12 a 17 anos se desenvolvem de maneiras diferentes, tem preferências próprias e experiências de vida diversas.  É importante que se leve em consideração a temática para sugerir livros ou presentear com livros.





Papa-livros: Guia de discussão para o livro Um dia, de David Nicholls, leitura terminada em 18/10/ 2011

16 11 2011

Conversa Fiada, 1908

Rupert Bunny (Austrália, 1864-1947)

óleo sobre tela

A boa recepção, a popularidade imediata, que este livro teve tanto na Inglaterra, sua terra natal, onde foi publicado em 2009, assim como nos Estados Unidos – um país avesso às publicações estrangeiras – assim como a imediata filmagem do romance, numa produção para ser lançada em circuito aberto, aqui no Brasil em breve, fez com que muitos achassem tratar-se simplesmente de uma obra comercial, sem qualquer outro valor que valesse uma discussão mais aprofundada.  No entanto, é inescapável a realização de que a obra de David Nicholls [veja resenha nesse blog] falou a muitos, a uma geração inteira, nascida por volta de 1970 e a tantos outros que mantêm seus espíritos abertos a novas e interessantes aventuras.   O livro retrata dois personagens de  1998 a 2007, a cada capítulo um ano se passou.  Com detalhes pontuais de cada época, percebe-se a mudança de tempo e de atitudes não só dos dois protagonistas, como da sociedade à volta.

Sugestão de perguntas: 

1 – Logo no início, quase na apresentação dos personagens, tanto Emma quanto Dexter fazem uma resenha de como cada um imagina o outro, no futuro.  Você considera isso um prenúncio do que virá?  São visões que se realizam? 

2 — Dexter e Emma seguem seus diferentes caminhos, quase como lados opostos de uma mesma geração, de um mesmo grupo de pessoas.  Em que eles se opõem?  O que eles têm em comum, apesar de vidas aparentemente opostas? 

3 – A vida que Emma segue, seus diferentes “empreguinhos” são consistentes com o que ela diz querer da vida?   E Dexter?  Segue um caminho consistente com seus valores?  Quais são esses valores?

 4 – Dexter acha que Emma tem baixa auto-estima, que ela não se valoriza.  Você concorda?  Por que ele estaria notando isso sobre a amiga?

 5 – Dexter tem um comportamento auto-destruidor.  Auto-destruição está com frequência ligada à baixa auto-estima.  Por que ele sofreria dessa percepção de si mesmo, já que era atraente, sedutor e tinha uma carreira de sucesso? 

6 – A medida que eles se aproximam dos 30 anos há uma diferença de atitudes nas suas vidas.  Cada um dá uma guinada.  Emma se acha velha, e tem um caso amoroso que jamais teria pensado possível.  Dexter por outro lado também se encontra envolvido com Sylvie.  A reação de cada um deles com a aproximação dos 30 anos é condizente com suas vidas?  O que elas demonstram?  

7 –  Ambos vão separadamente a um casamento.  Este é um momento pivô no romance.  O que cada um descobre a respeito de si mesmo nessa ocasião?

8 —  O que muda no relacionamento deles depois que Emma tem sucesso como escritora e Dexter está num caminho oposto, tendo que lidar com sua falência profissional?

9 —  Como esse romance difere de e o que tem em comum com outros romances em que um envolvimento romântico entre um homem e uma mulher acontece?  

10 – David Nicholls por vezes parece se ater a pequenos incidentes na narrativa, coisas que não parecem importantes.  Até mesmo alguns personagens, que mais tarde se tornam importantes, têm sua estréia no romance como se fossem coadjuvantes de muito menor valia.  O que esta maneira de narrar traz dá ao leitor?  Por que ela foi usada?

11 – A narrativa de uma vez por ano exige que o leitor preencha em muitos parênteses em aberto sobre a vida de cada um dos personagens principais, sobretudo quando no dia 15 de julho de um determinado ano, nada de grandioso ou importante parece ter acontecido.  Essa ferramenta de narrativa é eficaz?  O que ela tem como objetivo? 

12 – Você acredita que esse romance conseguiu fazer um retrato convincente da geração que descreve?





Tchick, de Wolfgang Herrndorf, montes de aventuras e grande humor

17 09 2011
Ilustração Ben Swift, in The Daily Mail, Inglaterra.

Na capa de trás de Tchick de Wolfgang Herrndorf, [Tordesilhas:2011] está impresso o comentário de Ijoma Mangold do Süddeutsche Zeitung, “Então está provado: dá para escrever histórias inteligentes e, ao mesmo tempo, muito engraçadas em alemão”.  Exatamente o que pensei ao terminar a leitura dessa deliciosa aventura de dois meninos de quatorze anos em férias, no verão de 2010.

Wolfgang Herrndorf consegue captar exatamente como adolescentes pensam e em que tipo de aventuras conseguem se meter, nessa idade em que não se acham mais crianças, mas ainda não conhecem bem o mundo.   Dá para entender porque este romance se tornou um best-seller na Alemanha, onde vendeu mais de 120.000 exemplares: é uma aventura pra lá de gostosa, que sabemos que vai acabar mal – na verdade o livro começa pela fim — de modo que sabemos desde o início que as aventuras desses dois meninos vão acabar na polícia; é narrada com um humor delicioso, contagiante e é repleto de personagens com boas qualidades, com boas intenções.  No final é uma história que nos dá grande fé nos seres humanos, na sociedade e no futuro.

Acompanhamos dois meninos que, depois de não terem sido convidados para a festa da gatíssima Tatjana, se encontram sozinhos.  Mike Klingenberg e Tchick, colegas de escola,  embarcam, então, numa série de aventuras, num carro “emprestado”, um velho e quase indestrutível Lada.  Partem à procura de Valáquia  [região sul da România], onde Tchick diz ter familiares.  Mas sem mapas e sem meios seguros de navegação, parece difícil chegarem lá.  É justamente o trajeto, a viagem, que se torna a própria aventura, e abre algumas janelas do mundo para ambos os adolescentes.  Uma amizade inesperada se desenvolve entre esses dois rapazes que até o início das férias de verão não conseguiam se ver como amigos.  Uma deliciosa série de aventuras, contadas com muito humor, sem pieguismos.

Wolfgang Herrndorf

Recomendo sem hesitação Tchick para jovens e adultos.  Qualquer leitor terá garantidas muitas horas de prazer e entretenimento.  E para os adultos esse texto  trará de volta a lembrança de como pensa um jovem adolescente.  Dois detalhes enriquecem esse volume: a excelente tradução de  Cláudia Abeling, e a dinâmica capa de Kiko Farkas e Adriano Guarnieri/ Máquina Estúdio.  Uma publicação esmerada que vale ouro!





A solução de Rosa Montero: consideração para com o nosso semelhante, em Instruções para salvar o mundo

14 09 2011

A bebedora de absinto, 1901

Pablo Picasso (Espanha, 1881-1973)

Óleo sobre tela,

Hermitage, São Petersburgo, Rússia

Meu primeiro contato com Rosa Montero foi através do fantástico História do rei transparente [Ediouro: 2006], que devorei em dois dias.  Amei!  Mais tarde, vim a ler A louca da casa, [Ediouro: 2004],  Histórias de mulheres [Agir: 2008], A filha do canibal [Ediouro:2007] e agora, este mês, Instruções para salvar o mundo [Record: 2010].  O que surpreende nessa escritora espanhola é o camaleonismo, ou melhor, como cada um de seus livros parece ter um estilo diverso, um narrador diferente, um tema inesperado.  O que os une, a todos, é uma voz narrativa que carrega o leitor por tortuosos e imaginativos caminhos.  Essa também é a característica de Instruções para salvar o mundo.

Quatro personagens principais preenchem o espaço desse romance.   Três são o centro do drama:  Matias, um taxista viúvo, que agoniza diariamente pela perda de sua esposa para o câncer;  Daniel um médico frustrado,  mais ambicioso do que sua capacidade de  dedicação profissional e com a satisfação na vida pessoal inexistente  e Fatma,  natural de Serra Leone, belíssima mulher e prostituta.   Eles parecem ter pouco em comum, mas invadem o nosso mundo imaginário quando suas vidas se mostram interligadas, apesar de extremamente solitárias.  Em contraponto, quase que preenchendo o papel que seria do coro numa tragédia grega, temos Cérebro, cognome de uma ex-professora universitária, uma cientista, cuja linha de pensamento nos mostra o caminho de Rosa Montero.  Cérebro não só é minha personagem favorita pela clareza de seu raciocínio, como é também quem dá a dimensão da tragédia que testemunhamos.  Aos poucos, e graças à força narrativa da autora, esses dois homens e duas mulheres nos envolvem e participamos silenciosamente da absoluta solidão em que vivem,  presenciamos o desespero calado que os corrói.   A falta de perspectiva de uma vida melhor parece inviável para cada um.  E sufoca.

Os personagens vivem num caos emocional que praticamente os deixa anestesiados para a vida cotidiana.  Ou, porque não conseguem perceber nada além do vazio interno que os preenche,  ou porque se dopam, ou se retiram do momento atual, do presente,  para algum lugar  íntimo, interior, onde podem sobreviver as penas de um cotidiano irreparável, como acontece com Fatma.  O mundo externo, fora dessas emoções contidas e reprimidas, está também presente no caos das mudanças climáticas que os rodeiam, refletido no calor fora de época da cidade.  Todos quatro são cidadãos de uma gigante metrópole, igual a dezenas de outras, parecidas com aquelas em que vivemos.  E, como muitos desses cidadãos, como habitantes dessas zonas urbanas, eles passam a vida paralisados nas suas angústias, entorpecidos nas suas emoções.

Rosa Montero

A solução de Rosa Montero para saciar esse desespero interno de cada um é a bondade.  A bondade com o nosso semelhante, o desprendimento.  Talvez uma solução por demais ingênua e idealista para essa leitora.  Algo de irreal, de conto de fadas nessa solução me dá pausa.  Sinto-me crítica.  Talvez eu mesma já esteja, como os personagens da trama, cáustica, amarga, incrédula para considerar tal sugestão com o peso que uma autora como Rosa Montero merece.   Este é o grande senão que tenho com o romance.   As questões sobre o que está acontecendo com a humanidade, o que está acontecendo com o lugar em que vivemos que inevitavelmente temos que levar em conta ao longo da leitura de Instruções para salvar o mundo não só são difíceis de responder, mas também impossíveis de serem solucionadas por ato tão simples e pequeno, quanto esse romance.    Mas fica aqui a minha admiração por quem tem a coragem de levantar essas questões.

Aqui, uma entrevista da autora em espanhol, legendada:






Uma visão adolescente dos turistas, em Tchick, de Wolfgang Herrndorf

13 09 2011

Turistas, s/d

Charles Hawes ( EUA, 1909)

aquarela

www.charleshawes.org

Estou lendo Tchick, de Wolfgang Herrndorf, e me divertindo muito com o nosso adolescente narrador.  Perspicaz e intrépido ele tem observações muito boas e frequentemente hilárias.  Posto hoje uma passagem em que ele observa alguns turistas numa pequena cidade da Alemanha.  Ele está na companhia de seu amigo Tchick.  É verão e eles se aventuram por pequeninas estradas à procura do que der e vier…

A cada meia hora, um ônibus com turistas aparecia na praça do mercado.  Em algum lugar alto da cidade havia um pequeno castelo.  Tchick estava sentado de costas para o ponto de ônibus, mas eu ficava o tempo todo olhando para os aposentados que saíam aos borbotões do ônibus.  Pois eram exclusivamente aposentados.  Todos eles usavam roupas marrons ou beges e um chapeuzinho ridículo, e quando passavam pela gente, onde havia uma pequena subida, eles bufavam com se tivessem corrido uma maratona.

Eu ainda não conseguia me convencer de que algum dia eu mesmo seria um aposentado bege.  Mas todos os homens velhos que eu conhecia eram aposentados beges.  E todo as aposentadas eram assim também.  Todos beges.  Era incrivelmente difícil imaginar que essas mulheres velhas algum dia foram, necessariamente,  jovens.  Que tiveram a idade da Tatjana e que à noite se arrumavam e que freqüentavam salões de dança, onde é provável que tenham sido chamadas de belezinhas ou algo parecido, há cinqüenta ou cem anos.  Não todas, claro.  Algumas delas também deviam ser insípidas e feias já naquela época.  Mas também as insípidas e feias provavelmente tinham objetivos, elas com certeza fizeram planos para o futuro.  E as bem normais também tinham planos para o futuro, e era garantido que nesses planos não havia nada se tornarem aposentadas beges.  Quanto mais eu pensava sobre esses aposentados que desciam dos ônibus, mais me deprimia.  E o que mais me deprimia era pensar que entre essas aposentadas devia haver algumas que não tinham sido insípidas e chatas na juventude.  Que tinham sido bonitas, as mais bonitas do seu tempo, aquelas pelas quais todos tinham se apaixonado, e havia setenta anos, alguém sentado em sua torre de índio, ficou ansioso apenas vendo a luz do quarto delas se acender.  Essas garotas agora eram aposentadas beges também, mas não dava mais para distingui-las das outras aposentadas bege.  Todas tinham a mesma pele cinza, orelhas e narizes oleosos, e isso me deixava tão deprimido a ponto de eu quase passar mal.

Em: Tchick, de Wolfgang Herrndorf, tradução de Cláudia Abeling, São Paulo, Tordesilhas:2011, p. 110.





A cadeia infinita das gerações, texto de Rosa Montero

8 09 2011

Nota: no texto abaixo, Cérebro é o cognome de um dos personagens do romance, uma cientista que está na terceira idade.

 

“Cérebro nunca desejou ter filhos, nunca se sentiu impelida a ser mãe.  E não acreditava que ser mulher consistia em parir.  Mas sua formação científica também a tornava consciente do fracasso biológico de seus genes.  Todos os seres humanos, homens e mulheres,  são o produto de um longuíssimo, múltiplo e clamoroso êxito.  Do triunfo de cada um dos seus antepassados. Seus pais, seus avós, seus tataravós, toda essa linhagem genitora que ascende até se perder no passado mais remoto, é composta por indivíduos que conseguiram nascer, não morrer quando crianças, amadurecer, acasalar com um parceiro adequado e fértil, ter ao menos uma cria e mantê-la viva por tempo suficiente para que o processo continuasse.  Sim, Cérebro era a consequência de um sucesso coletivo monumental, mas agora esse testemunho genético se perderia.  Seu pequeno e trivial fracasso biológico colocava o ponto final numa linhagem de sobrevivência milenar.”

 

Em: Instruções para salvar o mundo, Rosa Montero, Rio de Janeiro, Nova Fronteira: 2011, p.222





A alquimia do amor, em As Avós de Doris Lessing

6 09 2011

Mad dogs… [ Loucos…] 

Jack Vettriano (Escócia, 1951)

óleo sobre tela

www.jackvettriano.com

Fiquei surpresa com a persistência das imagens dançando na minha imaginação dias após a leitura de As Avós de Doris Lessing [Cia das Letras: 2007].  Por um tempo não sabia exatamente o que dizer sobre o livro além de recomendá-lo enfaticamente.  Tudo tem seu tempo.  Às vezes as idéias precisam amadurecer.  De repente, ZÁZ!, veio o ponto de encaixe: uma conversa sem agenda, com uma amiga.  Entre um cafezinho e outro ela disse que lia para ser apresentada a mundos e pessoas que jamais conheceria na vida real.  Sentia-se assim enriquecida pela leitura.  A meta era expandir seu conhecimento sobre outros seres humanos. Nada de extraordinário, mas foi a chave, para a introdução a esta resenha.  Sim, isso me aconteceu com a leitura de As avós: uma ligeira mutação da norma comportamental e fiquei intrigada o suficiente para não deixar o tema de lado.

A sinopse do romance, que na verdade não é nada mais do que um conto alongado, ou uma novela, é simples, e reproduzo-a aqui como aparece nos sites de venda para facilitar a resenha.  “Roz e Lil são amigas inseparáveis desde a infância. Cresceram, casaram, tiveram filhos, e vivem na paradisíaca bacia de Baxter, um lugar cercado de rochas por todos os lados. O ambiente protegido, “bocejante”, além do qual o “verdadeiro oceano rugia e roncava”, é o cenário ideal para uma relação cada vez mais simbiótica. Morando em casas vizinhas, elas criam os filhos por conta própria – e eles se tornam adolescentes encantadores.Tão encantadores e próximos, que Roz e Lil não tardam a se envolver uma com o filho da outra. Num efeito ambíguo e desconcertante, típico da grande literatura, o que poderia parecer repulsivo é tratado com naturalidade e bom-humor, fazendo a quebra de tabus soar como regra, e não como dramática exceção. Temas como a amizade, maternidade e sexualidade ganham novos contornos enquanto Doris Lessing esmiúça as complexidades e armadilhas da forte ligação entre essas duas mulheres, e retrata a força com que elas confrontam as convenções familiares e sociais de sua época.”

O romance gera perguntas cujas respostas são difíceis de encontrar.  Estamos diante de diversos tipos de amor.  Há o amor narcisista:  Roz e Lil — que até se parecem fisicamente, ainda que, quando adultas, tenham personalidades e profissões diversas — vêem a si mesmas na outra, desde pequenas, desde os bancos da primeira escola.  E nos questionamos:  estaremos sempre à procura de nós mesmos nos nossos pares?  São os pontos em comum que temos com eles o que nos une?  É o narcisismo a força vital do amor fraternal?  Você gosta de seus amigos pelo que eles refletem de você neles?   E na paixão o mesmo acontece?

As vidas de Roz e Lil são de um paralelismo impressionante, mas não raro entre amigos.  Observo à minha volta: amigos se casaram em datas próximas, tiveram filhos mais ou menos ao mesmo tempo, permaneceram, quando puderam, nos mesmos bairros, trocaram de casa à mesma época e assim por diante.  O paralelismo no romance, no entanto, é tão perfeito que de fato as vidas retratadas parecem mais especiais, porque são como imagens refletidas num espelho.  

No mundo das artes e das antiguidades, há uma diferença considerável de valor no par de objetos considerados  “ par verdadeiro”.  Paga-se mais, muito mais, quando, por exemplo, num par de vasos – cada vaso aparece com a decoração invertida (da direita para a esquerda e/ou vice-versa), como se girassem num eixo vertical imaginário.  Esses são chamados “pares verdadeiros” , ao contrário de um par simplesmente  composto por dois vasos exatamente iguais.  Aqui também.  O par, formado por Roz e Lil parece muito mais interessante porque elas são diferentes, têm gostos diferentes, maridos diferentes, e até seus filhos têm um comportamento diferente.  E no entanto, são iguais, são simbióticas, elas se completam a tal ponto de não considerarem morar longe uma da outra.

Através do romance o tema da homossexualidade permanece palpável, endereçado aqui e ali, sem compromisso, mas latente.  Tão forte é a simbiose entre as amigas que um dos maridos se divorcia porque se sente em segundo plano.  Mas elas escapam dessa identificação, relacionando-se, ao contrário, com seus respectivos filhos.   E de novo, temos o espelho.  Narciso mete sua cara…  Saturno comendo seus próprios filhos também…  Mas não há nada de imoral nesse relacionamento, nada saturnal, no sentido de orgia.  Longe disso, a implicação de imoralidade está com o leitor apenas, deparando-se com um comportamento fora dos padrões.  Amoral?  Não há incesto.  Não são seus filhos…  E voltamos à questão do amor, de Narciso: será que elas gostam de ver nos rapazes aquilo de que gostam nas amigas?   

Doris Lessing

O mundo se fecha para eles, ou melhor, eles se fecham para o mundo, como se o amor fosse hermafrodita, auto-devorador, auto-consumido.  Vivem numa realidade hermética, como num processo alquímico.  Respiram, ganham novas vidas, vicejam no ambiente fechado que criaram, cegos para o mundo exterior.  Os quatro se bastam, se saciam, se fartam.   Por quanto tempo?   Anos.  Muitos anos.  Mas a natureza é entrópica e os rapazes, quase ao mesmo tempo, se casam…  Não se casam com qualquer jovem.  Eles, que são melhores amigos, se casam com duas melhores amigas.  E o processo parece poder continuar.  Parece cheio de possibilidades infinitas…   Espelhos refletindo espelhos. 

Não há como não se tentar definir o amor depois da leitura de As avós.  As experiências extremas retratadas na novela nos são familiares e por isso mesmo têm tanto efeito no leitor.  Quem já teve um amigo de infância chegado, aquele ou aquela com quem dividia todos os segredos, pode ter beirado uma situação semelhante à descrita no texto.  Quem já se apaixonou, reconhece, no círculo fechado dos amantes alheios ao mundo exterior, a sensação de saciedade que acompanha a paixão consumida.  Talvez seja por causa da familiaridade dessas emoções que essas 104 páginas de prosa consigam permanecer vivas por tanto tempo…  Consigam parecer tão relevantes.  Tenham tanto impacto.





Papa-livros: Guia de discussão do livro Cada Segredo, de Laura Lippman, leitura terminada em 08/2011

28 08 2011

Chá no jardim, 1917

Fernand Blondin (Suíça, 1887-1967)

óleo sobre tela, 84 x 102cm

Mark Murray Fine Paintings

Este é um livro de suspense.  Laura Lippman é uma escritora bastante conhecida e detentora de diversos prêmios na categoria de mistério e suspense.  A maior parte de suas obras é situada na cidade de Baltimore, no estado de Maryland,  nos Estados Unidos.  Baltimore é uma das poucas cidades americanas que tem maioria negra, próximo a 65% da população.   Mas é uma cidade com grande pluralidade de americanos de outras origens.  Os descendentes de irlandeses e de italianos formam uma grande percentagem da população.  Há também muitos descendentes de poloneses e outros imigrantes de ascendência européia.  Levando em conta esse panorama, o romance Cada Segredo, explora os preconceitos de origem e de cor da pele que determinam o comportamento de diversos personagens na trama.   Este é o ponto em comum de todos os personagens.

1) Como e que personagens mostram comportamento preconceituoso?

2) Além do preconceito de cor da pele, há também preconceitos de origem, de classe social e de religião.  Como eles são retratados?

3) Você acredita que a maneira de representar esses preconceitos é essencial ao desenvolvimento da trama?

4) A autora preencheu muitos detalhes sobre a vida de cada personagem dando informações sobre o passado de cada um e sobre sentimentos complexos que os fazem agir dessa ou daquela maneira.    Você acha que todos esses detalhes foram necessários?  Eles enriqueceram a sua experiência na leitura ou eles desviaram a sua atenção da solução do crime?

5) Alguns personagens tentam influenciar a ação da polícia.  De que maneira eles fazem isso?  São bem sucedidos?  Por que eles não conseguem deixar a polícia resolver o crime por si própria?  Qual é o interesse de “guiar” a mão da polícia?

6) A solução do crime cometido foi satisfatória?

7) Duas meninas de 10-11 anos vão para a cadeia, pagar pela morte de um bebê.  Elas saem da cadeia aos 18 anos.  A filha de um juiz tenta exercer sua influência para que elas sejam julgadas como adultas.  Que diferença faria isso?

8 ) Quais as diferenças entre a sociedade americana e a brasileira quando o crime de assassinato é perpetrado por uma criança de 10-11 anos?

9) Nos Estados Unidos o crime de assassinato não prescreve.  Ou seja, o processo de procura de um assassino está sempre em aberto, nunca é arquivado, até que o crime seja resolvido, mesmo que décadas tenham se passado.  Compare essa estipulação da lei americana com as leis brasileiras.  O que você endorsa?

10) A literatura de mistério e de suspense no Brasil ainda engatinha.  Temos bons autores, mas se comparada com a produção americana estamos bem aquém.  Quais seriam as razões dessa diferença, já que há milhares de leitores desse gênero no Brasil?

Para participar desse debate, sugiro que você leia o livro.  Coloque suas opiniões aqui.  Como fiel da balança a Peregrina irá monitorar as respostas a essa postagem e editar caso seja necessário cada uma das respostas.  Obrigada por pedirem o debate,  que ele seja proveitoso.





Papa-livros, leitura para agosto: Cada segredo, Laura Lippman

17 08 2011

Retrato da atriz T S Lyubatovitch, s/d

Konstantin A. Korovin ( Rússia, 1863-1939)

óleo sobre tela

Leitura para AGOSTO, discussão nesse blog a partir do dia 22

Cada segredo,  de Laura Lippman

SINOPSE

Depois de uma desagradável experiência em uma festa de aniversário, Ronnie e Alice voltam para casa sozinhas e desoladas. No caminho, elas encontram um carrinho abandonado com um bebê dentro. O que acontece em seguida é terrivelmente chocante. Sete anos depois, as jovens, então com 18 anos, voltam para suas casas depois de um período de reclusão. Mas os segredos passado ainda assombram a todos. Então outra criança desaparece sob as mesmas estranhas circunstâncias. Cabe a detetive Nancy Porter encontrar o bebê e descobrir a pista que, anos atrás, deixou escapar.

EDITORA: Record

Ano: 2011

Número de páginas: 406