Quadrinha da lua, trova portuguesa

25 04 2014

lua john alcornLua, ilustração John Alcorn.

Em frente à tua janela,

teve a lua que parar;

achando-te muito bela,

se pôs a te contemplar…

(Trova portuguesa)





Os sapatinhos, poesia infantil de Walter Nieble de Freitas

22 04 2014

sapateiroIlustração de livro escolar britânico da década de 1950. Veja.

 

Os sapatinhos

Walter Nieble de Freitas

Sapateiro, bate sola,

Bate sola, sem parar,

Faze já os sapatinhos

Para o “seu” doutor calçar.

Bate sola, martelinho,

Vamos, pois, bem trabalhar:

São três horas e às quatro

“Seu” doutor vai-se casar.

Bate sola, martelinho,

Bate sola sem cessar:

“Seu” doutor é a pessoa

Mais ilustre do lugar!

Quando à noite “seu” doutor

Com a noiva for dançar:

— Que lindíssimos sapatos!

Toda gente vai falar.

Em: Barquinhos de Papel: poesias infantis, Walter Nieble de Freitas, São Paulo, Difusora Cultural:1961, pp. 45-46

 

 

NB: Agradeço ao blog Tú Lisa, yo Conda, a referência à ilustração usada nesta postagem.

 





Quadrinha da bondade

22 04 2014

esmola, caridade, cartão postal dos anos 20 do sec xxCartão postal dos anos 20 do século XX  [ajude aos pobres]

Em certa gente, a bondade

não passa de fantasia:

na aparência — santidade;

mas, no fundo hipocrisia.

(Carlos Cardoso)





O leão e o camundongo, poema de Olavo Bilac

16 04 2014

DoreLionForWimIlustração de Gustave Doré.

O leão e o camundongo

Olavo Bilac

Um camundongo humilde e pobre

Foi um dia cair nas garras de um leão.

E esse animal possante e nobre

Não o matou por compaixão.

Ora, tempos depois, passeando descuidoso,

Numa armadilha o leão caiu:

Urrou de raiva e dor, estorceu-se furioso…

Com todo o seu vigor as cordas não partiu.

Então, o mesmo fraco e pequenino rato

Chegou: viu a aflição do robusto animal,

E, não querendo ser ingrato,

Tanto as cordas roeu, que as partiu afinal…

Vede bem: um favor, feito aos que estão sofrendo,

Pode sempre trazer em paga outro favor.

E o mais forte de nós, do orgulho se esquecendo,

Deve aos fracos tratar com caridade e amor.

Em: Criança Brasileira: quarto livro de leitura, Theobaldo Miranda Santos, Rio de Janeiro, Agor: 1949, p.59





O Maracujá, poesia de Sônia Carneiro Leão

10 04 2014

 

Aquarela_Passiflora_edulis_01Ilustração botânica do maracujá [Passiflora edulis Sims] de Maria Cecília Tomasi.

O Maracujá

Sônia Carneiro Leão

Pego o maracujá e me assusto

Tão dura e tão oca

essa fruta mais louca

me deixa perplexa

de tão desconexa.

Sua carne é só casca.

Seu ventre, sementes.

Sua polpa tão pouca,

não dá pros meus dentes,

Maracujá intrigante,

enrugado, velhinho,

de gosto aceso, bacante,

como o do vinho.

Quero morder, não consigo.

Chupar, tão pouco não posso.

Que fazer, então, contigo,

com o teu paradoxo?

Ninguém o fura com o dedo

para evitar contusão,

esconde dentro o segredo

o doce-azedo da paixão.

Respeitamos o non-sense

da sua concepção.

Em: Respostas ao Criador Das Frutas, Sônia Carneiro Leão, auto-publicação,Holos Design,  ilustrado por Renata Vilanova, p. 13.

 –

Sônia Carneiro Leão nasceu no Rio de Janeiro, mas reside em Recife.  Psicanalista, escritora, poetisa, contista  e tradutora.

 





Canção do outono — poesia de Mário Quintana

7 04 2014

outono, Paul Bransom (1885-1979)Outono, ilustração de Paul Bransom (1885-1979).

Canção de Outono

Mário Quintana

O outono toca realejo

No pátio da minha vida.

Velha canção, sempre a mesma,

Sob a vidraça descida…

Tristeza? Encanto? Desejo?

Como é possível sabê-lo?

Um gozo incerto e dorido

De carícia a contrapelo…

Partir, ó alma, que dizes?

Colher as horas, em suma…

Mas os caminhos do Outono

Vão dar em parte nenhuma!

Em: Prosa e Verso, Mário Quintana – série paradidática Globo, Porto Alegre, Edições Globo: 1978, p. 12

 





Quadrinha do orgulho

5 04 2014

orgulhoso demais,

Orgulho é como se fosse

uma bolha de sabão:

com um sopro do destino,

espatifa-se no chão.

(Ailsa Alves Santos)





Soneto de Bernardino Lopes do livro Cromos (1881)

31 03 2014

ANITA MALFATTI (1889 - 1964),O Samba, 1940,ost, 39x49cmO Samba, 1940

Anita Malfatti (Brasil, 1889-1964)

óleo sobre tela, 39 x 49 cm

XXII

Bernardino Lopes

Homens e moças, crianças,

Todos vêm fora, ao terreiro.

Um deles, chamando às danças,

Põe-se a rufar no pandeiro…

Principia a cantarola…

Um camponês de unha adunca

Ponteia alegre a viola.

Faz um luar como nunca!

Salta um rapaz no fadinho;

Uma mulher, de corpinho,

Vem requebrando de lá;

E a meninada bizarra

Faz uma grande algazarra

Brincando de tempo-será*.

* O negrito é do texto original.

Em: Cromos, Bernardino Lopes, 1881

Abaixo a  brincadeira tempo-será.

Tempo será — brincadeira de pique. As crianças escolhem um pegador. Ele e as outras crianças então recitam o seguinte:

Pegador — Tempo será.
Crianças — De cericecó.
P — Laranja da China.
C — Pimenta em pó.
P — Pinto que pia?
C — Pi-pi-ri-pi.
P — Galo que canta.
C — Cocorocó
P — Quem é o durão?
C — Só eu só.
P — Olha que lhe pego.
C — Não é capaz.
P — Olha que lhe pego.
C — Se for capaz…

Todos fogem do pegador. O primeiro que for pego será o pegador seguinte.





Quadrinha do amigo

25 03 2014

Amigos, Mark ArianAmigos, Mark Arian

Amigo é um grande tesouro

guardado com muito jeito.

A chave é talhada a ouro,

a fechadura é no peito.

(José Carlos Gomes)





Quadrinha da sombrinha

17 03 2014

mulher-na-chuvaIlustração Sérgio Bastos.

De onde vens hoje, ó vizinha,

que assim às tontas, ao léu,

– na curva azul da sombrinha

pareces trazer o céu?

(Gentil Fernando de Castro)