Ilustração Andrea Laliberte.
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A verdadeira Poesia
não se prende a nenhum laço:
na tristeza, ou na alegria,
ela ocupa o mesmo espaço.
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(Moysés Augusto Torres)
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A verdadeira Poesia
não se prende a nenhum laço:
na tristeza, ou na alegria,
ela ocupa o mesmo espaço.
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(Moysés Augusto Torres)
René Magritte ( Bélgica, 1898-1967)
óleo sobre tela, 81 x 65 cm
National Gallery of Art, Washignton DC
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O lavrador consciente,
Que sabe reflorestar,
Quando tomba uma floresta,
Planta outra em seu lugar!
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(Walter Nieble de Freitas)
Ilustração Ben Swift, in The Daily Mail, Inglaterra.–
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Na capa de trás de Tchick de Wolfgang Herrndorf, [Tordesilhas:2011] está impresso o comentário de Ijoma Mangold do Süddeutsche Zeitung, “Então está provado: dá para escrever histórias inteligentes e, ao mesmo tempo, muito engraçadas em alemão”. Exatamente o que pensei ao terminar a leitura dessa deliciosa aventura de dois meninos de quatorze anos em férias, no verão de 2010.
Wolfgang Herrndorf consegue captar exatamente como adolescentes pensam e em que tipo de aventuras conseguem se meter, nessa idade em que não se acham mais crianças, mas ainda não conhecem bem o mundo. Dá para entender porque este romance se tornou um best-seller na Alemanha, onde vendeu mais de 120.000 exemplares: é uma aventura pra lá de gostosa, que sabemos que vai acabar mal – na verdade o livro começa pela fim — de modo que sabemos desde o início que as aventuras desses dois meninos vão acabar na polícia; é narrada com um humor delicioso, contagiante e é repleto de personagens com boas qualidades, com boas intenções. No final é uma história que nos dá grande fé nos seres humanos, na sociedade e no futuro.
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Acompanhamos dois meninos que, depois de não terem sido convidados para a festa da gatíssima Tatjana, se encontram sozinhos. Mike Klingenberg e Tchick, colegas de escola, embarcam, então, numa série de aventuras, num carro “emprestado”, um velho e quase indestrutível Lada. Partem à procura de Valáquia [região sul da România], onde Tchick diz ter familiares. Mas sem mapas e sem meios seguros de navegação, parece difícil chegarem lá. É justamente o trajeto, a viagem, que se torna a própria aventura, e abre algumas janelas do mundo para ambos os adolescentes. Uma amizade inesperada se desenvolve entre esses dois rapazes que até o início das férias de verão não conseguiam se ver como amigos. Uma deliciosa série de aventuras, contadas com muito humor, sem pieguismos.
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Recomendo sem hesitação Tchick para jovens e adultos. Qualquer leitor terá garantidas muitas horas de prazer e entretenimento. E para os adultos esse texto trará de volta a lembrança de como pensa um jovem adolescente. Dois detalhes enriquecem esse volume: a excelente tradução de Cláudia Abeling, e a dinâmica capa de Kiko Farkas e Adriano Guarnieri/ Máquina Estúdio. Uma publicação esmerada que vale ouro!
Joaquim Figueira (Brasil, 1904-1943)
óleo sobre tela, 50 x 60 cm
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Hélio Pellegrino
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Quanto silêncio em tua raiz,
árvore, respiraste,
para chegar a ousar
a doçura que ousaste;
quanta nortada sacudiu,
na fúria rouca de águas bravas,
tua galharia, até que houvesse
esta flor calma em tua haste.
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Em: Minérios domados- poesia reunida, Hélio Pellegrino, Rio de Janeiro, Rocco: 1993
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Hélio Pellegrino nasceu em Belo-Horizonte em 1924 e morreu no Rio de Janeiro em 1988. Cursou a faculdade de medicina em Belo Horizonte, mas terde vindo para o Rio de Janeiro com a família, inicia-se na psicanálise, que praticou por décadas ao mesmo tempo que se dedicava ao jornalismo. Teve também a oportunidade de desenvolver sua carreira de escritor e poeta.
Obras literária :
Poema do príncipe exilado, 1947
A burrice do demônio, 1988
Minérios Domados, 1993
Meditação de Natal, 2003
Lucidez embriagada, 2004
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Christina Rossetti
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Navegam botes nos rios,
navios andam no mar,
mas que é mais belo que as nuvens
que se transformam no ar?
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Vejo pontes sobre os rios,
belas esteiras de aço;
mas que ponte mais bonita
você conhece, no espaço?
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Sete cores reunidas
formando bonito véu,
um arco misterioso
que serve de ponte ao céu.
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É uma estrada colorida
que aparece, de repente,
levando, da terra ao céu,
tudo que nossa alma sente!…
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Tradução e adaptação de Helena Pinto Vieira
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Em: O mundo da crianças, poemas e rimas, Rio de Janeiro, Editora Delta: 1975, volume 1, p. 156
Ipê amarelo, s/d
Paulo Gagarin (Brasil, 1885-1980)
óleo sobre tela, 41 x33 cm
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Banhado de sol e de ouro,
tanta é a beleza que encerra,
que o Ipê parece um tesouro
saído há pouco da terra!
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(Clóvis Brunelli)
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Olegário Mariano
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Terra florida. Estação nova. Tanta
Vida em redor! Ser folha quem dera!
Cada arbusto que vejo é uma garganta,
Um grito de entusiasmo à Primavera!
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Bendito o sol que no alto céu flameja
E desce em fogo pelas serranias…
O sol é um velho sátiro que beija
Sofregamente as árvores esguias.
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Anda, toto pelo ar, espanejante,
Um enxame fantástico de abelhas
Que estonteadoramente paira diante
De corolas e pétalas vermelhas.
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Vida para o trabalho! Ouve-se o coro
Dos lavradores e das raparigas…
Ondula ao sol, como um penacho de ouro,
A cabeleira fulva das espigas.
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Primavera! No teu aspecto antigo,
Alucinante e triste muitas vezes,
Quando chegas pelo ar trazes contigo
Calma e fartura para os camponeses.
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Dá arrepios fortes e desejos…
Teu nome é seiva, é força, é mocidade…
A terra anda a clamar pelos teus beijos
Que são sementes da fecundidade.
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Em: Toda uma vida de poesia: poesias completas, Olegário Mariano, vol 1 ( 1911-1931), Rio de Janeiro, José Olympio:1957
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Olegário Mariano Carneiro da Cunha (Brasil, 1889 — 1958) Usou também o pseudônimo João da Avenida, poeta, político e diplomata brasileiro. Em 1938, foi eleito Príncipe dos Poetas Brasileiros, substituindo Alberto de Oliveira que morrera e que, por sua vez, havia substituído Olavo Bilac. Membro da Academia Brasileira de Letras.
Obras:
Angelus , 1911
Sonetos, 1921
Evangelho da sombra e do silêncio, 1913
Água corrente, com uma carta prefácio de Olavo Bilac, 1917
Últimas Cigarras, 1920
Castelos na areia, 1922
Cidade maravilhosa, 1923
Bataclan, crônicas em verso, 1927
Canto da minha terra, 1931
Destino, 1931
Poemas de amor e de saudade, 1932
Teatro, 1932
Antologia de tradutores, 1932
Poesias escolhidas, 1932
O amor na poesia brasileira, 1933
Vida Caixa de brinquedos, crônicas em verso, 1933
O enamorado da vida, com prefácio de Júlio Dantas, 1937
Abolição da escravatura e os homens do norte, conferência, 1939
Em louvor da língua portuguesa, 1940
A vida que já vivi, memórias, 1945
Quando vem baixando o crepúsculo, 1945
Cantigas de encurtar caminho, 1949
Tangará conta histórias, poesia infantil, 1953
Toda uma vida de poesia, 2 vols., 1957
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Docemente equilibrada,
ia a lua pelos ares,
qual linda concha embalada
pela corrente dos mares.
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(Gonçalves Dias)
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Que festa pelo caminho!
Que som, que luz, que esplandor!
Gorgeios em cada ninho,
abelhas em cada flor!
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(Paulo Setúbal)
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Paisagem do Campo do Ipiranga, 1893
Antônio Parreiras (Brasil, 1860-1937)
Óleo sobre tela, 100 x 147 cm
Museu do Ipiranga, USP
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7 de setembro
Proclamação da Independência
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Era arroio humilde e pequenino,
A deslizar, tranquilo e mansamente
Sem ideais e sem destino,
Sem ambições no coração de água corrente.
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Boiadeiros, tangendo, nas estradas,
Cansadas reses, em jornadas lentas,
Buscavam-te por vezes. E as boiadas
Bebiam, ávidas, sedentas,
Tuas águas barrentas.
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Ipiranga, outro préstimo não tinhas.
Riacho, ribeiro, córrego, regato…
Jamais se soube de onde vinhas,
A serpentear dentro do agreste mato.
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Jamais se soube aonde ias,
Rolando molemente nos calhaus,
A tua vida sempre igual, todos os dias,
Sem dias bons, sem dias maus.
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No teu sono de rio preguiçoso
Não pensaste, jamais, que, num surto triunfal,
Chegarias a ter neste apogeu glorioso
Os fidalgos brasões de nobrreza fluvial.
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E em radiosa manhã de setembro, eis que, ousado,
A tua timidez de córrego abandonas
E penetras na história audaz, transfigurado
Em possante caudal, desafiando o Amazonas.
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E do teu curso, então, muda-se a trajetória;
E demarcas com ela, heril e sobranceiro,
Nos novos mapas da brasileira história.
A linha divisória
Entre Brasil-colônia e o Brasil brasileiro.
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Ipiranga! Que importa, acaso, a procedência
A origem do teu nome? Ipiranga, em verdade,
No idioma do Brasil traduz Independência,
Na língua nacional quer dizer: Liberdade!
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Rio imenso, o Brasil cortas de sul a norte
E entram pelos sertões teus afluentes, aos mil.
Na voz d’água clamando. Independência ou Morte.
Nas cachoeiras cantando o nome do Brasil.
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Em: Antologia Poética, Bastos Tigre, 2 vols, Rio de Janeiro, Ed. Francisco Alves: 1982.
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Manoel Bastos Tigre nasceu no Recife em 1882. Formou-se em engenheiro pela Escola Politécnica do Rio de Janeiro. Mas dedicou-se às letras. Estreou na imprensa carioca em 1902, no Correio da Manhã, onde manteve uma coluna humorística diária: Pingos e Respingos, até a sua morte em 1957. Foi o primeiro bibliotecário brasileiro por concurso o que lhe valeu o título e Patrono dos Bibliotecários do Brasil.