Trova da Felicidade

17 08 2014
carta no correioCartão postal, 1ª metade do século XX.

 

 

Felicidade é um recado

sem data, sem remetente,

chegando sempre atrasado

na caixa postal da gente!

 

(Aurora Pierre Artese)





A felicidade, conto infantil das Histórias do Arco da Velha

16 08 2014
RideOnPrinceIlustração de autoria desconhecida.
A felicidade

 

Três irmãos viviam no meio de um bosque escuro, muito escuro, a pouca distância do mar azul e puro.

Tinham tido a desventura de perder os pais quando eram ainda meninos, e viviam lá muito solitários.

Um dia, finalmente, o mais velho, aborrecido de tanta solidão disse:

— “Além do bosque está o mar azul e puro, e além dele, à margem de lá, uma cidade rica e bela.”

E o outro acrescentou:

–“Dizem que lá encontram-se árvores belas, como as da nossa floresta, e pássaros que cantam  também como os que temos aqui, em torno da nossa casinha paterna?”

Mas o maior replicou:

— “Partirei em busca desta felicidade.”

O segundo repetiu:

–“Partirei também para tentar a minha fortuna, ou para ver se me será dado encontrar a felicidade.”

O terceiro abaixou a cabeça e nada falou:

Selaram os cavalos, os seus belos cavalos negros, tomaram as lanças, as suas boas lanças de ferro, luzentes e agudas, e partiram todos três à procura da felicidade.

O mais velho atravessou a montanha, e entrou no país, vasto e fértil; o segundo passou o mar azul e puro a bordo de um barco, e recolheu-se na cidade rica e bela, lugares onde deveriam encontrar a felicidade, mas nunca puderam vê-la.

O mais jovem, no entanto, não se tinha retirado para longe. Estava ainda junto do bosque, quando sentiu o coração palpitar no peito.

Ergueu-se então, e disse ao cavalo negro:

— “Seria melhor se tornássemos à casa paterna, no meio da floresta escura, muito escura.”

Tirou a brida ao cavalo, ao seu belo cavalo negro, e tornou a conduzi-lo ao casebre.

As árvores agora começavam a murmurar mais suavemente e a inclinar-se ante ele como para saudá-lo; e os pássaros seguiam-no saltando de ramo em ramo, cantando.

E a floresta inteira parecia dizer-lhe:

–“Fizeste bem em voltar!”

Perto da casa paterna viu uma rapariga de cabelos dourados, sentada no portal, atenta a olhá-lo, tendo a seus pés um lindo gato, envolto nas dobras do seu vestido, a dormir.

–“Quem sois?”, perguntou o moço à bela rapariga de cabelos dourados.

Ela picou-lhe os seus grandes olhos doces, e sorrindo respondeu:

— “Sou a Felicidade!…”

 

***

Em: Histórias do Arco da Velha — Livro para crianças, de Viriato Padilha, Rio de Janeiro, Quaresma: 1947,pp: 179-181.





Trova da conquista

14 08 2014

 

 

 

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Nestor enamorado, ilustração de Walt Disney.

 

 

Conquista é jogo de azar

e, no amor, jogo pesado;

querendo te conquistar,

eu é que fui conquistado!…

 

(Heloísa Zanconato Pinto)





Vamos brincar, lua! poesia infantil de Murilo Araújo

13 08 2014

Pierrot cantando ao luar, ilustração de John A. Ardema.

Vem brincar, lua!

Murilo Araújo

Cantemos rindo

canções douradas!

O luar é lindo

pelas estradas…

Rodem as rondas

com as mãos dadas!

Rodem nas rondas

os camaradas!

Há na floresta

que a luz debrua

alguma festa

que continua…

Rodem as rondas

pela floresta…

Dance na festa

Senhora Lua!

Não passam pagens

na redondeza

com carruagens

para a princesa?!

Rodem as rondas

com ligeireza!

Dance com os pagens,

Dona Princesa!

Não andam fadas

voando no ar

pelas estradas

cor de luar?

Rodem as rondas

descabeladas!

Senhoras fadas,

vamos dançar!

Pelas estradas

iluminadas…

Vamos dançar, dançar…

dançar!…

Em: Poemas completos de Murilo Araújo, Rio de Janeiro, Irmãos Pongetti:1960





Inaceitável: mulher lendo no Brasil do passado, texto de Ana Miranda

12 08 2014

 

 

 

moacyr alves, ouro preto, 1964, ost, 115x147Ouro Preto, 1963

Moacyr Alves (Brasil, 1904- 1982)

óleo sobre tela, 115 x 147 cm

 

 

“Nunca usava decotes como os das mulheres das Minas, vestia quase sempre saia e casaco pretos. Ás vezes aparecia com pintura e cabeleira, como os sodomas do palácio do governador. Costuma ser distraída e gostava de apreciar o horizonte. Falava com estranhos. Entrava nas igrejas, rezava ajoelhada. Andava com o nariz para o alto e olhava as pessoas nos olhos. Despertava vontade de fornicar, pois tinha carnes; mais dava medo. Às vezes a fidalga ficava olhando um livro de capa preta, que Lourenço não sabia dizer o que era, mas talvez fosse um missal.

 
Frei Francisco interessou-se especialmente por esta última informação, que poderia esclarecer de vez o caráter de dona Mariana. Muitas pessoas se interessavam pelos livros de poesias e ensaios, abandonando as leituras de obras religiosas; não para adquirirem sabedoria filosófica, mas para se desavergonharem. Buscavam na Arte de amar apenas os trechos obscenos. Ovídio ensinava às esposas como enganar seus maridos em celas alugadas; suas mulheres ostentavam infidelidade e os homens uma complacência cornuda. A obra de Ovídio reduzia uma grande civilização a um galinheiro. A maioria dos livros continha um amontoado de sujeiras, arrotos de desbraguilhamentos. Os poetas costumam ser uma gente de natureza maliciosa. Descreviam príncipes em atividades obscenas nos alcouces, nobres em atitudes indignas nas camas, alcoviteiras ensinando moças a tornarem seus amantes generosos, velhos seduzindo meninas, exoterismo mundano, cumplicidade de salão; cantava-se gente da sarjeta em versos langorosos, padres eram difamados. Filósofos ensinavam como apanhar adolescentes no circo. Imperadores invadiam cidades vestidos como mulheres e deleitavam-se com escravos. O que achavam as pessoas, por acaso, que os poetas escreviam sobre as tendas esfumaçadas de César? Discussões sobre táticas de guerra? Meditações? Preferiam descrever vasos de vinho, coroas de pâmpanos, lascívia as bailarinas orientais e homens deitados na mesma cama.”

 

 

O retrato do rei, ANA MIRANDA, São Paulo, Cia das Letras:1991,páginas 87-88

 





Trova do avião

12 08 2014

 

avião amarelo em vôo, hergéAvião, ilustração de Hergé.

 

Entre nuvens no infinito,

sofro a prisão mais prisão…

Sinto-me pássaro aflito

na gaiola de um avião.

 

(Gilka Machado)





Trova da Pata

1 08 2014

 

patinho na chuvaDesconheço a autoria da ilustração.

 

 

Ciumenta, a pata chorava,

procurando pelas matas,

sabendo que o pato estava

andando com duas patas!

 

(Aurora Pierre Artese)





Outra do rato, poesia infantil de Alzira Chagas Carpigiani

30 07 2014

A. L. HOLDING, Mice and Huntley & Palmer's Superior Biscuits,Watercolour,19.00 x 23.00cmCamundongos e caixa de biscoitos Huntleigh & Palmers

A. L. Holding (Inglaterra, séc. XIX-XX)

aquarela, 19 x 23 cm

 

 

Outra do rato

 

Alzira Chagas Carpigiani

 

Rato roedor,
não roas as
roupas do
imperador.
Elas são grossas
e têm cheiro
de bolor.
Rato roedor,
rói sim
as roupas
da imperatriz.
Elas são
feitas de
seda macia
e têm gosto de anis.





Trova da minha estrada

29 07 2014
passarinhos, a e martyIlustração A. E. Marty.

 

Vou-me embora pela estrada

carregando os sonhos meus…

Vem atrás a passarada,

cantando, dizer-me adeus!

 

(Elza Capanema Leitão)

 

 





Os livros favoritos de Ariano Suassuna

27 07 2014

 

Livros usados, David Carson Taylor, acrilicaLivros Usados

David Carson Taylor (EUA, contemporâneo)

acrílica sobre tela, 35 x 28 cm

 

 

A jornalista Simone Magno, colocou no seu blog a  lista as obras favoritas de Ariano Suassuana.  A informação é parte de uma entrevista que se encontra no portal da CBN.  Não deixe de ouvir o escritor na gravação da rádio.  Mas para matar a curiosidade, aqui estão:

 

AUTORES BRASILEIROS

As obras de Monteiro Lobato para crianças

Tesouro da Juventude — enciclopédia

Através do Brasil de Olavo Bilac e Manoel Bonfim

Os sertões, Euclides da Cunha

O triste fim de Policarpo Quaresma, Lima Barreto

O cortiço, Aluísio Azevedo

A carne, Júlio Ribeiro

 

Garotos_estudando_01Crianças estudando, ilustração do Tesouro da Juventude.

 

AUTORES ESTRANGEIROS

Scaramouche, Rafael Sabatini

Memórias de um médico, Alexandre Dumas

O Conde de Monte Cristo, Alexandre Dumas

Crime e castigo, de Fiódor Dostoiévski

O idiota, de Fiódor Dostoiévski

Os irmãos Karamazov, de Fiódor Dostoiévski

Os demônios, de Fiódor Dostoiévski

Almas mortas, Nicolai Gogol

Ana Karenina, Liev Tolstoi

Guerra e Paz, Liev Tolstoi

O vermelho e o negro, Stendhal

 

Então, quais desses livros você já leu?  Que tal colocar os outros na lista de leitura para os próximos dois anos?