Chegada de Papai Noel.
Capa da Revista Toda Família, Suécia, 1917.
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Natal é meditação,
é o tempo da Humanidade
entender que salvação
tem um nome: CARIDADE!
(José Ouverney)
Chegada de Papai Noel.
Capa da Revista Toda Família, Suécia, 1917.
—
Natal é meditação,
é o tempo da Humanidade
entender que salvação
tem um nome: CARIDADE!
(José Ouverney)
Nascimento de Jesus
Arte folclórica dos Estados Unidos, anônimo
Manuel Bandeira
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O nosso menino
Nasceu em Belém
Nasceu tão-somente
Para querer bem.
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Nasceu sobre as palhas
O nosso menino.
Mas a mãe sabia
Que ele era divino.
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Vem para sofrer
A morte na cruz,
O nosso menino.
Seu nome é Jesus.
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Por nós ele aceita
O humano destino:
Louvemos a glória
De Jesus menino.
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Em: Bandeira, antologia poética, Rio de Janeiro, José Olympio:1978, 10ª edição.
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Manuel Carneiro de Sousa Bandeira Filho (Recife, 19 de abril de 1886 — Rio de Janeiro, 13 de outubro de 1968) poeta, crítico literário e de arte, professor de literatura e tradutor brasileiro.
Obras:
3 Conferências sobre Cultura Hispano-americana, 1959
50 poemas escolhidos pelo autor , 1955
A Autoria das Cartas Chilenas, 1940
A Cinza das Horas, 1917
A Cópula, 1986
A Leste do Éden, 1958
A Morte, 1965
A Versificação em Língua Portuguesa
Alumbramentos, 1960
Andorinha, Andorinha 1965
Antologia de Poetas Brasileiros Bissextos Contemporâneos 1946
Antologia dos Poetas Brasileiros da Fase Parnasiana 1938
Antologia dos Poetas Brasileiros da Fase Romântica 1937
Antologia dos Poetas Brasileiros: fase moderna 1967
Antologia dos Poetas Brasileiros: Fase Simbolista 1937
Antologia Poética 1961
Apresentação da Poesia Brasileira 1944
Auto Sacramental do Divino Narciso, de Sóror Juana Inés de la Cruz
Carnaval 1919
Cartas de Mário de Andrade a Manuel Bandeira 1958
Colóquio Unilateralmente Sentimental 1968
Crônicas da Província do Brasil 1937
De Poetas e de Poesia 1954
Discurso de Posse de Manuel Bandeira na Academia Brasileira de Letras 1941
Em Busca do Verso Puro, de Pedro Henríquez Ureña 1946
Estrela da Manhã 1936
Estrela da Tarde 1960
Estrela da Vida Inteira 1966
Flauta de Papel 1957
Francisco Mignone 1956
Glória de Antero 1943
Gonçalves Dias 1952
Guia de Ouro Preto 1938
Itinerário de Pasárgada 1954
Itinerários 1974
Libertinagem 1930
Literatura Hispano-americana 1949
Macbeth, de Shakespeare 1958
Mafuá do Malungo 1948
Maria Stuart, de Schiller 1955
Mário de Andrade: animador da cultura musical brasileira 1954
Meus Poemas Preferidos 1967
Noções de História das Literaturas 1940
Noturno do Morro do Encanto 1955
O Melhor Soneto de Manuel Bandeira 1955
Obras Poéticas 1956
Obras Poéticas de Gonçalves Dias 1944
Obras-primas da Lírica Brasileira 1943
Opus 10 1952
Oração de Paraninfo 1946
Os Reis Vagabundos 1966
Panorama das Literaturas das Américas 1958
Pasárgada 1960
Poemas Traduzidos 1945
Poemas-gráficos: 3 ensaios tipográficos no centenário do poeta 1986
Poesia do Brasil 1963
Poesia e prosa 1958
Poesia e Vida de Gonçalves Dias 1962
Poesias 1924
Poesias completas 1940
Poesias Escolhidas 1937
Poesias, de Alphonsus de Guimaraens 1938
Portinari 1939
Recepção do sr. Peregrino Júnior 1947
Recordações de Manuel Bandeira nos Arquivos Implacáveis de João Condé 1990
Rimas, de José Albano 1948
Rio de Janeiro em Prosa & Verso 1965
Rubaiyat, de Omar Khayyan 1965
Sonetos Completos e Poemas Escolhidos, de Antero de Quental 1942
Um Poema de Manuel Bandeira 1956
Ceia de Natal
Cartão de Natal da Polônia.
—
Natal! É sonho e vigília
harmonia, amor e paz…
Milagre! Toda a família
se reúne uma vez mais…
(J. G. de Araújo Jorge)
Igreja de São Bento, Vale do Tamanduateí, SP, s/d
José Wasth Rodrigues (Brasil, 1891-1957)
Aquarela, 32 x 47 cm.
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À memória de Horácio Senne
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” A fé é o firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova daquelas que não se vêem.” —- S. PAULO, Epístola aos Hebreus, 11
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Nada se pode articular contra a sinceridade com que a gente do Vale do Paraíba pratica seus deveres religiosos. Pelo menos, era assim no meu tempo de menino: os preceitos da Igreja, nós os cumpríamos com uma pontualidade inalterável, e mais ainda: com profunda unção espiritual.
Por alguns anos (antes de nos transferirmos para a Chacrinha, às margens do Paraíba), residimos perto da Matriz, e tivemos como vizinho o velho vigário Gaudêncio Antônio de Campos.
Tal circunstância, acrescida pelos desvelos de minha mãe, concorreu para a dedicação e o interesse com que eu e meus manos nos dedicávamos a tudo o que dissesse respeito ao culto.
Por ocasião das grandes e solenes procissões, nós figurávamos em lugares de realce, trajando roupas vermelhas, e tendo nas mãos pesados círios. Nas rezas do mês de Maria, igualmente, éramos incluídos na guarda de honra do altar. Como mais velho, eu, compenetradíssimo, fiscalizava meus irmãos, pois o maior prazer do Nelson era brincar com a chama de sua vela, e reacender as que se apagassem, para o que saía pingando cera em todo o mundo; e o do Júlio, bater nos cachorros que entrassem no templo, os quais saiam ganindo lamentosamente, o que a meu ver perturbava a atenção piedosa dos fiéis.
O vigário Gaudêncio, homem boníssimo, utilizava, sempre que possível, nosso concurso nas festinhas da paróquia. É claro que não designo por essa forma as grandes solenidades, religiosas e populares, que se efetuavam outrora, como ainda hoje, nos dias 23 a 25 de junho, e que compreendem as homenagens ao Santo Precursor, padroeiro da cidade e as festas anuais consagradas ao Divino Espírito Santo. Nesses dias havia alvorada, missas cantadas (pregando o Evangelho ilustres oradores sacros), imponentes procissões, retretas ao jardim público, mesas de doces franqueadas ao povo, como nas hecatésias atenienses, leilões, fogos de artifício o que tudo figurava nos programas impressos em enormes folhas de papel de cor, e absorvia as atenções de toda a gente, durante aquele movimentado tríduo.
Dessas solenidades, porém, a que mais me impressionava era a proclamação dos festeiros para o ano seguinte. Os festeiros eram três: o “Imperador”, o “Capitão do Mastro” e o “Alferes da Bandeira.” O primeiro, superintendia toda a festa; o segundo tinha a seu cargo a ereção do mastro, alto poste de madeira, cantado em frente a Matriz, poste que devia ser anualmente substituído. Na extremidade do tal mastro ficaria o quadro, isto é, a bandeira, em que São João Batista se via com o inseparável cordeirinho aos pés. Ao “Alferes da Bandeira” cabia a feitura desse quadro.
Salvo casos especialíssimos (de promessas, ou de donativos altamente valiosos), os festeiros eram escolhidos mediante sorteio, entre paroquianos de notória idoneidade, que se apresentassem candidatos àquelas honrosas funções.
Quando se proclamava o “Imperador”, estando a velha igreja repleta, sentia-se certo frisson na assistência: a música tocava, os sinos vibravam, e o foguetório enchia o ar com seus estrondos. É claro que tais homenagens lisonjeavam a vaidade dos pretendentes.
Lembra-me ainda o dia em que o vigário Gaudêncio se mostrava preocupado com qualquer problema de solução difícil.
— Estou numa dúvida desagradável, seu João de Deus – dizia ele a meu pai. – Imagine que eu já havia assumido compromisso com o Rebouças de Carvalho, o Dr. França e o Chico Carlos, para imperador, capitão do mastro e alferes da bandeira. Agora soube que o Zé Carlos e o Monteiro também fazem questão fechada de ser festeiros. Não quero faltar a minha palavra, mas também não desejo magoar a esses bons amigos… Que acha você que convém fazer?
Meu pai formulou uma solução conciliatória, mas o padre fez ver que nada conseguiria, dada a intransigência dos candidatos.
O Nelson, que comigo assistia ao grave debate, animou-se a propor outra sugestão.
— Pois vamos ver o que é, menino, disse o sacerdote, já sorrindo por conta da extravagância que esperava.
— Em vez de três festeiros, o senhor arranja cinco.
— Cinco? Mas, como? Se são só três os cargos!
— Isso não tem importância! O senhor arranja mais dois: o major da fogueira, e o tenente do pau de sebo!
É claro que a idéia do Nelson nem sequer foi objeto de deliberação o que o decepcionou bastante. Atribuímos a recusa do padre ao fato de não ser possível promover o Capitão José Carlos a “major”, nem rebaixar o Capitão Moreira a “tenente”.
Convém recordar que naquele tempo todos os fazendeiros do interior adquiriam patentes de oficiais da extinta “Guarda Nacional”, e, como esses títulos nunca mudavam, aderiam ou anexavam-se indelevelmente aos nomes dos respectivos portadores.
— O padre Gaudêncio é muito atrasado, observou Nelson, despeitado. E é teimoso na sua opinião. Nunca muda nada! Todos os anos há de se fazer a mesma coisa que se fazia há cinqüenta anos atrás!
Em casa a turma fez caçoada. Sugeriram-se mais dois postos, altamente honrosos: o de coronel da retreta e o de general da procissão.
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Mais do que as festas juninas, porém, o fato que ora vou referir comprova o espírito religioso do povo queluzense. Quando ele ocorreu, já o padre Gaudêncio, valetudinário, havia deixado o árduo ministério. Pastoreava a paróquia o padre Paulo Machado.
Prolongada estiagem estava causando graves danos à lavoura, em todo o município. Tres longos meses haviam transcorridos, sem que do alto caísse um pingo d’água. Os lavradores queixavam-se e com razão. Rios e ribeirões das fazendas distantes do Paraíba minguavam a olhos vistos. O gado perecia.
Quando ocorrem tais períodos de secas, o céu torna-se pardacento, todo por igual, e os dias passam sem que nos venha o refrigério de uma brisa, o que produz em toda gente, nos animais, e até nas plantas uma tristeza esquisita, um desalento sem remédio.
O povo de Queluz suportava a ausência de chuvas enquanto podia. Se a natureza perseverasse em sua ação inclemente, não havia discutir: recorria-se a São Roque.
Procissão, 2007
Vera Sabino (Brasil, PR. Contemporânea)
Acrílica sobre eucatex
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São Roque tem o seu culto em modesta capelinha em torno da qual se formou um pequeno povoado, simples arraial, que do município de Areias foi recentemente transferido para o de Queluz. Cerca de três quilômetros separam o povoado de qualquer das duas cidades. Numa e noutra tem o santo apreciável número de devotos.
Para trazer São Roque a Queluz tornava-se necessário a autorização do vigário. Obtida a licença, organizavam-se os crentes em procissão e lá iam, galgando a estrada que contorna a Fortaleza, e repetindo orações que se iniciavam e se encerravam pela prece “Ad petendam pluviam”.
De volta, ao reentrar a procissão na cidade, o povo vinha receber a imagem do milagroso santo, e, com demonstrações do maior respeito acompanhava-a até o alto da Matriz.
Repicavam os sinos e soltavam-se foguetes, condimento indispensável em tais cerimônias.
— Ora, não é tanto assim, objetou o sacerdote, cautelosamente. E prosseguiu: Talvez convenha aguardar uns dias mais… Penso que só em caso extremo devemos apelar para São Roque, e removê-lo de sua capela para a Matriz…
— Mas… V. Revma. não se opõe?
— A que a imagem venha, não!… Apenas acho que ainda é cedo… Consultem os zeladores; depois… veremos o que se há de fazer.
Os solicitantes retiraram-se descontentes com o resultado da tentativa.
À tardinha, ao despertar de sua sesta habitual, o vigário teve uma surpresa que o deixou contrariadíssimo.
Soube que à sua revelia, os mesmos devotos e outros vários tinham estado na igreja, e dali retiraram tudo o que era necessário ao cortejo. Descendo, processionalmente, a ladeira, e atravessando a ponte do Paraíba, o grupo se engrossou com grande número de aderentes. Quando o sacerdote teve plena ciência do caso, já a procissão subia a Fortaleza, fora da zona urbana, entoando o cântico “Ad petendam pluviam”.
Mas o Padre Paulo não se deixava convencer facilmente. Considerou que aquilo significava um desrespeito a sua autoridade.
A vinda de São Roque importava na realização de uma festinha, dias depois do aguaceiro, na data fixada para o regresso do santo. Ora, ele vigário, julgara prematura a vinda da imagem, pensando já nas conseqüências. Resolveu agir com presteza no sentido de procrastinar a execução daquele ato.
Saiu imediatamente, arranjou, às pressas, um veículo do tipo que outrora se chamava “aranha”, e foi no encalço da procissão.
Em poucos minutos alcançou-a.
Os romeiros interromperam a marcha, ao vê-lo.
— Então, que é isso, meus amigos? Vocês vão, assim, buscar São Roque?
— Vamos, seu Vigário – explicou o líder do movimento – como Vossa Reverendíssima disse que não se opunha, e todos os zeladores concordaram, nós não quisemos incomodar Vossa Reverendíssima, que estava descansando, e…
— Mas aqui ninguém acredita em São Roque! — exclamou o vigário, em tom paternal de censura.
— Perdão, seu Vigário, mas nós todos confiamos no santo…
— Ninguém acredita, insistiu energético, o sacerdote. E a prova é esta: ninguém trouxe guarda-chuva! Se vocês, realmente, têm fé em São Roque, voltem, para buscar os guarda-chuvas!
Ouvindo essa recomendação, um dos crentes tomou a iniciativa de transmitir a todos os demais o aviso, exclamando em voz bem alta, no linguajar de roceiro:
— Vorte quem tem fé! Vorte tudo, pra morde buscá os guarda-chuva!
Não houve remédio, senão atender. Todo o bando voltou, com raras exceções. Tornou atrás, igualmente, o vigário, convencido de que pelo menos naquela tarde não seria possível a marcha que ele interceptara.
Mas enganou-se. Os devotos de São Roque, em matéria de pertinácia, nada deixavam a desejar, relativamente ao padre que os guiara. A procissão atrasou-se em três quartos de hora; mas reconstituiu-se, e prosseguiu.
A julgar pela quantidade de paraguas, a fé em São Roque era, mesmo, profunda.
Ao cair da noite, regressavam os devotos a Queluz. A imagem vinha com eles, é claro.
A essa hora, nuvens sombrias já se iam acumulando para os lados da Figueira.
E quando a procissão entrou na cidade, chovia a cântaros. Os guarda-chuvas prestaram excelente serviço a seus possuidores.
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No dia seguinte, o Padre Paulo encontrou, na boca da ponte, dois paroquianos que haviam participado da procissão, e foi ter com eles.
— E não é que a chuva veiu ônte mêmo, seu Vigário.
— Ora, como não havia de vir! Que São Roque é milagroso, todos nós sabemos. Agora – o que eu notei é que todos mostraram ter Fe no santo, menos vocês dois!
— Pruquê, seu Vigário?
— Porque só vocês não voltaram para buscar o guarda-chuva!
— Ah! seu padre! Nós tem muita fé em São Roque, mas nós não tem guarda-chuva!
***
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Em: Histórias do rio Paraíba: episódios e tradições regionais, de J.B. de Mello e Souza, São Paulo, Saraiva:1951, 2 volumes, pp 80-88, volume I
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João Batista de Mello e Souza (SP 1888 — RJ 1969) — Pseudônimo: J. Meluza — Contista, romancista, poeta, memoralista, autor didático e de Literatura Infantil, teatrólogo, historiador, tradutor, folclorista, diplomado em Direito (1910), funcionário público, professor universitário, jornalista, membro da Academia Carioca de Letras. Prêmio Joaquim Nabuco -ABL (1949).
Obras:
Sacuntala de Calidasa e outras histórias de heroísmo e amor, contos indianos,
Lendas Medievais, contos
A sombra do bambual, teatro, 1955
Histórias do Rio Paraíba, 2 vol, contos e memórias, 1951
Histórias famosas do Velho Mundo, contos,
Majupira, romance histórico, 1949
Sete lendas de amor e outras poesias, 1959
Estudantes do meu tempo, contos e memórias, 1958
História da América, história, 1957
História do Brasil, história, 1959
História Geral, história, 1956
O homem sem pátria, 1963
Joaquim Serra
——
Na palhoça iluminada,
Que fica junto da ermida,
Des que a missa foi cantada
Se congrega a multidão;
Toldo de mirta florida,
Flores de mágico aroma
Ornam o presépio, que toma
Na sala grande extensão.
—-
Quão lindo está! Não lhe falta
Nem o astro milagroso
Que de repente brilhou;
Nem o galo, que o repouso
Deixara por noite alta
E que inspirado cantou!
——-
Tudo o que a lenda memora
E consagra a tradição,
Vê-se ali, grosseiro embora,
Despido de perfeição.
——
Céu de estrelinhas douradas,
Estrelas de papelão;
Brancas nuvens fabricadas
Da plumagem do algodão!
Anjos soltos pelos ares,
Peixes saindo dos mares,
Feras chegando do além.
Marcha tudo, e vêm na frente
Os Reis Magos do Oriente
Em demanda de Belém.
——-
É esta a lapa; o Menino
Nas palhas está deitado,
Com um sorriso de alegria
Todo doçura e amor!
——
Contempla o quadro divino
São José ajoelhado,
E a Santíssima Maria
De Jericó meiga flor!
——
Trajando risonhas cores
Com muitos laços de fitas,
Rapazes, moças bonitas
Formam grupos de pastores.
———-
Que curiosos bailados,
Com maracás e pandeiros!
E o ruído dos cajados
Desses risonhos romeiros!
——–
Essa quadrilha dançante,
Cantando versos festivos,
Aos pés do celeste infante
Vai depor seus donativos:
———
Frutas, doces, sazonadas,
Ramilhetes de açucenas,
Cera, peles delicadas,
Pombinhos de brancas penas.
—–
São as joias que os pastores
Dão ao Deus onipotente!
E o povo aplaude os cantores
E o espetáculo inocente.
———
Eis o presepe singelo
Da devoção popular;
Oratório alegre e belo
Sagrado risonho altar!
——
——
Em: Poesia Brasileira para a Infância, de Cassiano Nunes e Mário da Silva Brito, São Paulo, Saraiva: 1969.
—–
——
Joaquim Serra
——
—–
Joaquim Maria Serra Sobrinho ( MA 1838 — RJ 1888) jornalista, professor, político e teatrólogo. Pseudônimos: Amigo Ausente, Ignotus, Max Sedlitz, Pietro de Castellamare, Tragaldabas. Foi um intelectual muito ativo na segunda metade do século XIX. Abolicionista, trabalhou lado a lado com Joaquim Nabuco, Quintino Bocaiuva e José do Patrocínio para o fim da escrevidão.
Obras:
A capangada, sem data, séc. XIX
A pomba sem fel, sem data, séc. XIX
As Cousas da moda, sem data, séc. XIX
Epicedio à morte de Manuel Odorico Mendes, sem data, séc. XIX
O jogo das libras, sem data, séc. XIX
O remorso vivo, sem data, séc. XIX
Quem tem boca vai a Roma
Rei morto, rei posto
Biografia do ator brasileiro Germano Francisco de Oliveira, 1862
A coalisão, 1862
Julieta e Cecília, contos, 1863
Mosaico, poesia traduzida, 1865
O salto de Leucade, 1866
A casca da caneleira, romance de autoria coletiva, cabendo a J.S. a coordenação, 1866
Um coração de mulher, poema-romance, 1867
Versos de Pietro de Castellamare, 1868
Semanário maranhense, 1867
Quadros, poesias, 1873
Almanaque Humorístico Ilustrado, 1876
Diário oficial do império do Brasil, 1878
O abolicionista, 1880
Sessenta anos de jornalismo, a imprensa no Maranhão, 1820-80, por Ignotus, 1883
O coroado, 1887
Poesias e poemas, 1888
Os melros brancos, 1890
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É Natal no mundo inteiro,
mas persiste esta verdade:
não há Natal verdadeiro
sem a solidariedade.
(Milton Souza)
Karen Bates (EUA)
—
—
Ser criança é fase bela
de alegrias a granel.
É ver sempre da janela
presentes do bom Noel.
—
(Porphírio Rodrigues)
Osório Dutra
No leque verde dos coqueiros
Que ornam a margem dos caminhos,
Os periquitos galhofeiros
Zombam dos outros passarinhos.
Numa algazarra delirante,
Batendo as asas irisadas,
Cantam a terra e o céu distante,
Glorificando as alvoradas.
Porque se julguem muito ricos
Donos do espaço e das alturas,
Fogem dos pobres tico-ticos,
Trocando afetos e ternuras.
Unidos contra aos caçadores,
Andam ariscos e assustados:
Temem os ventos destruidores
E a poeira azul dos descampados.
São tão alegres, tão ruidosos,
Que a gente ao vê-los avalia
Que sejam todos venturosos,
Brincando ao sol de cada dia.
Não param nunca os mais tranqüilos.
Pulam, febris, de galho em galho.
Com que prazer, para segui-los,
Deixo de lado o meu trabalho!
Passam a vida saltitando
E é cada qual mais tagarela.
Onde vai um, lá vai o bando,
Cortando o azul na tarde bela.
Ordena um deles a partida
Em busca de outros horizontes.
Depois é a volta… E que corrida
Vertiginosa sobre os montes!
E quando, à noite, escuto os gritos
De mil insetos bandoleiros,
Dormem, sonhando, os periquitos
No leque aberto dos coqueiros.
Osório Hermogênio Dutra, Vassouras, Estado do Rio, (1889 -1968). Diplomata brasileiro e poeta.
Obras:
O país do deuses (crônicas sobre o Japão)
Terra Bendita, 1923 (poesia)
Castelos de Marfim e Céu Tropical (poesia), 1930
Inquietação, 1933 (poesia)
Dentro da noite Azul, 1934
Silêncio doce silêncio, 1936 (poesia)
O gênio poético de Martins Fontes, 1938
Mundo sem alma, 1943
Terra da gente, 1944 (poesia)
Emoção, 1945
Tempo perdido, 1946
Elas e nós, 1955, (poesia)
Vocabulário para uso escolar:
Ornar = decorar, enfeitar
Galhofeiro = brincalhão
Irisada = furta-cor
Venturoso = feliz
Bandoleiros = errante, sem paradeiro
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Sugestões para uso escolar do poema: Os Periquitos, de Osório Dutra
Aqui estão diversos exercícios que usam a leitura deste poema como base do aprendizado. Cada professor deve selecionar os exercícios que melhor se adaptem ao nível de conhecimento de seus alunos: 1ª, 2ª, 3ª série e assim por diante.
VOCABULÁRIO:
Ornar = decorar, enfeitar, ornamentar
“No leque verde dos coqueiros
Que ornam a margem dos caminhos,
Os periquitos galhofeiros
Zombam dos outros passarinhos”.
1 – Substitua o verbo nas seguintes frases, pelo verbo ornar:
Luzes pisca-pisca decoram as janelas no Natal.
Flores de açúcar enfeitarão o bolo da noiva.
O coelhinho ornamentava a cesta de ovos de Páscoa com papel colorido.
2 – Escolha, entre as mencionadas abaixo, outras coisas que possam ornar a margem do caminho:
Luzes, roseiras, latas de lixo, cerca de arame, árvores floridas, muro alto, bandeirinhas de São João, fios elétricos, garrafas de refrigerante.
3 – Onde também encontramos margens? Faça um círculo em volta das palavras certas:
Automóvel, lagoa, estrada, trem, rio, carroça, baía, patinete, caminhão, barco.
4 – Na cidade de São Paulo, existe uma estrada longa, que acompanha o rio Tietê. Ela se chama: Estrada Marginal Tietê. Explique nas suas palavras por que ela tem este nome?
5 – O leque é usado para espantar o calor. As pessoas se abanam com o leque para se refrescarem. Explique a expressão: leque do coqueiro. É por causa da cor verde? É por causa da forma das folhas dos coqueiros? É porque as folhas balanceiam com o vento?
6 – Você sabia que os primeiros leques eram feitos de penas? Ponha um X ao lado do que também é feito de penas:
( ) sombrinha ( ) camarão ( ) saia da baiana
( ) peteca ( ) chapéu ( ) cocar
( ) capa do livro ( ) lápis ( ) baleia
LEITURA:
A lenda do primeiro leque
Há muitos e muitos anos, na China, havia um mandarim muito poderoso. Ele tinha uma filha obediente e bonita, que todos na corte admiravam. Chamava-se Kan-Si. Ela era um modelo de bondade e todos que a viam ficavam encantados. Todos os anos o país inteiro participava de uma festa muito bonita neste reino. Chamava-se a Festa das Lanternas. Numa noite as pessoas que haviam preparado belas lanternas, mostravam a todo mundo o que tinham feito. Estas lanternas eram feitas com papel colorido, decoradas com pinturas ou com recortes de figuras coladas no papel. Elas também eram iluminadas por dentro, cada qual com sua vela. A noite ficava toda carregadinha de luzes das mais diversas cores e com a leve brisa do verão, as lanternas tinham um pisca-pisca, um tremelique mágico, fazendo a noite parecer encantada.
O mandarim e sua filha estavam sempre entre os juízes que decidiam quais eram as lanternas mais bonitas. Para que ninguém soubesse quem era o autor de cada lanterna ou quem eram os juízes da competição, todos os participantes usavam uma máscara, dura, feita com uma massa de papel, cola e tinta colorida. Assim todos que participavam da festa não podiam ser reconhecidos.
Naquele verão, naquela noite da Festa das Lanternas, havia uma competição muito grande. Todo mundo queria mostrar suas habilidades na arte de fazer e decorar lanternas. Havia prêmios! Eram tantas, mas tantas as lanternas acesas naquela noite no reino que já não se sabia se era noite ou dia. A jovem filha do Mandarim começou a sentir muito calor. Estavam no meio do verão. A noite permanecia quente e as todas as velas acesas aqueciam ainda mais o ar calmo. De repente, não agüentando mais, a jovem retirou a sua máscara e pôs-se a se abanar com ela, para aliviar o calor que sentia. Todos os membros da corte, vendo a bela princesa fazer isso, passaram a imitá-la também, arrancando suas máscaras e usando-as como abano. No ano seguinte, toda a corte compareceu à Festa das Lanternas mascarada, mas cada pessoa tinha em mãos um abano para aliviar o calor. Assim surgiram, na China, os primeiros leques.
7 – Periquitos. Existem periquitos no mundo inteiro. Mas há alguns periquitos que existem SÓ no Brasil e alguns que vivem aqui e em outros países da América do Sul:
Primeiro vejamos:
O periquito é parente do papagaio. E faz ninhos em árvores em lugares seguros contra seus predadores. Seus inimigos são: iguanas, serpentes, cães e o homem.
Periquito-do-rei
Periquito-do-rei – ou Jandaia – vive em todo o Brasil. Estes periquitos sempre andam em bandos. Acordam muito cedo e já fazem barulho de madrugada, antes do sol raiar. Gostam de comer arroz e milho. Quando decidem formar uma família eles deixam o bando de lado para criarem os filhotes sozinhos. Eles também gostam muito de cantar e conseguem aprender algumas palavras se tiverem contato com pessoas.
Periquito-da-cabeça-amarela
Periquito-da-cabeça-amarela – também é chamado de Jandaia – este, pode-se dizer que é um periquitão! Chega a 32 cm! Maior do que a tradicional régua de 30 cm. Os periquitos-da-cabeça-amarela gostam de um clima mais quente. Então moram principalmente no Nordeste do Brasil, nos seguintes estados: Maranhão, Piauí, Ceará e Pernambuco. Assim como os Periquitos-do-rei eles gostam de voar em bandos, estão sempre afiando os seus bicos, falam entre si o tempo todo, fazendo bastante barulho. Uma verdadeira algazarra.
Periquito–rei — também chamado de caturra — gosta mais do clima ameno. Vive da Bahia ao Rio Grande do Sul, e também no Paraguai e na Argentina.
Os periquitos-reis são menores chegando a um palmo de altura ou 20 cm. Ele tem um topetinho de penas vermelhas no topo da cabeça que descem pelas suas costas. Por isso, fora do Brasil, ele também é chamado de maitaca-da-cabeça-vermelha. São muito numerosos e pode-se vê-los em todo e qualquer lugar com árvores frutíferas. Adora comer milho e frutas.
Caturrita
Periquito-do-pantanal – também chamado de caturra ou caturrita – tem um tamanho entre o periquito-rei e o periquito-da-cabeça-amarela. Chega a medir 28 cm. As caturritas vivem no Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná até os estados do Mato-Grosso e Mato-Grosso do Sul. Também moram no Paraguai, na Argentina e no Uruguai. Também gostam muito de comer milho e arroz. Mas eles são muito diferentes dos outros periquitos porque eles constroem uns ninhos muito grandes, às vezes até muitos ninhos numa mesma árvore. E tem mais: o casal de periquitos não se separa do grupo para criar seus filhotes. As caturritas fêmeas dividem o trabalho de cuidar dos filhotes e chegam até a morar duas ou três fêmeas por ninho.
Tuim
Periquito-do-Espírito-Santo também chamado de Tuim. Este periquito é verdadeiramente sul-americano, ou seja, mora em todo o Brasil e em toda a América do Sul. Vive na beira das florestas. Estes são os menores periquitos do Brasil, chegam só até 12 centímetros de comprimento. No entanto, fazem tanta algazarra o tempo todo, falando tão alto, que parecem até maiores do que são. Apesar de conversarem muito entre si, eles nunca chegam a falar. São namorados muito carinhosos. Gostam de comer milho e cana. Preferem sementes às frutas. São atraídos por árvores frutíferas como mangueiras, jabuticabeira, goiabeiras, laranjeiras e mamoeiros. Os cocos de muitas palmeiras constituem sua alimentação predileta, procuram também as frutas da imbaúba dos capinzais.
Periquito – este é o periquito comum. Não tem outro nome. É o mais encontrado dos periquitos no Brasil. Podemos vê-lo nos parques, nas cidades, nas praças públicas, nos jardins, nas fazendas. Adora brincar no bambuzal e roer bambus. Aliás adora roer. Ele chega a 26 cm de comprimento e gosta de milho e de arroz. Este periquito aprende a falar.
8 – Veja o mapa do Brasil
A – Cubra de tracinhos vermelhos os estados onde vivem os periquitos-do-rei.
B – Encha de bolinhas verdes os estados onde vivem os periquitos-do-pantanal.
9 — Galhofeiro quer dizer brincalhão, zombeteiro, a pessoa que ri à custa dos outros…
Substitua a palavra grifada pela palavra galhofeiro nas seguintes frases.
1- Depois que Esmeraldo, um conhecido zombeteiro, fez a turma toda rir dos sapatos vermelhos de Cazuza, este saiu chorando da sala.
2- Maria das Dores era brincalhona. Pegou um papel, escreveu a palavra burro e o colou nas costas de João Pedro sem que este soubesse.
3- O palhaço Zumzum sempre ri quando vê o jato d’água de sua flor na lapela molhar o rosto da pessoa com quem conversa. Ele é um zombeteiro de primeira categoria!
10- A palavra algazarra, quer dizer: barulheira, vozeria, tagaleria. Note que a palavra algazarra começa com as letras a + l, seguidas de uma consoante (g). Preencha os pontinhos formando palavras que comecem com as letras a+l seguidas de uma consoante:
Na salada: al _ _ _ _
Na costura: al _ _ _ _ _ _
No dicionário: al _ _ _ _ _ _
No armário de remédios: al _ _ _ _ _
Com o policial: al _ _ _ _ _
No navio: al _ _ _ _ _ _ _
Na gaiola do passarinho: al _ _ _ _ _
Leitura: Você sabia?
A nossa língua, a língua portuguesa, tem mais de 700 palavras que começam com as letras a + l. 600 destas palavras são de origem árabe. Do tempo que os mouros invadiram Portugal.
11 — …batendo as asas irisadas… Nós vimos que irisada quer dizer furta-cor, que muda de cor conforme o ângulo. Nas frases abaixo troque as palavras grifadas pela palavra irisada.
O corpo da mosca varejeira é furta-cor.
Maria colecionava conchinhas do mar, mas guardava só aquelas com as conchas matizadas.
Minha avó foi à festa com um vestido de tafetá rosa cambiante.
12 – No poema acima, Osório Dutra caracteriza os periquitos como “alegres e ruidosos”. E que por causa disso, eles parecem “venturosos”. Nas frases abaixo, passe um círculo em volta das palavras que sejam sinônimos de venturoso.
A — As meninas ao saírem da escola, alegres e tagarelas, pareciam felizes.
B – Nem todos os reis foram afortunados na guerra. Alguns perderam tudo.
C – João tem muita sorte, ganhou um ursinho de pelúcia no sorteio da escola.
D – Lúcia é uma jovem afortunada: inteligente, atraente e tem muitas amigas.
LEITURA/ DITADO
Em 1500, o Brasil foi descoberto por Pedro Álvares Cabral. N aquela época, D. Manuel I, também chamado O Venturoso, era rei de Portugal. Seu reinado foi repleto de muitos eventos felizes, de decisões acertadas e de várias aventuras marítimas bem realizadas. Foi um período importante para Portugal, porque o país se tornou muito rico. Dentre os eventos mais ditosos, mais felizes, de seu reinado estão: a descoberta do caminho marítimo para as Índias por Vasco da Gama e a descoberta do Brasil. Por isso esse rei ficou conhecido pelo cognome O Venturoso.
Cognome: é um nome, um apelido, pelo qual pessoas ficam conhecidas. Por exemplo:
Edson Arantes do Nascimento, cognome: Pelé.
Diogo Álvares Correia, cognome: Caramuru.
13 – Escreva o nome completo e seu cognome de um mártir da Independência do Brasil.
14 — Onde vai um, lá vai o bando, /Cortando o azul na tarde bela./ Ordena um deles a partida/ Em busca de outros horizontes. Nestes versos de Osório Duque parece que os periquitos têm um líder que os orienta. Nem todos os pássaros voam em bandos e seguem um líder. Faça um círculo em volta dos pássaros da lista abaixo que voam em grupos:
Águia, Beija-flor, Arara, Martim-pescador, Urubu, Pato, Albatroz, Sabiá, Flamingo, Cegonha, Assum-preto, Canário, Tucano, Maracanã.
15 – Onde dormem os periquitos? Onde dormem…
Os macacos?
Os morcegos?
O gado na fazenda?
A jaguatirica?
E os alunos da escola?
Ó rosa, nobre e bonita,
que encantamento trazeis!
Em vossa beleza, habita
a majestade dos reis!
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(Eno Teodoro Wanke)
Daniel Penna ( Brasil, 1951)
óleo sobre tela/ sobre madeira
18 cm x 24 cm
A .D. Olga
Ricardo Gonçalves
Arrepanhando o vestido
De chita azul, nhá Carola,
Põe feijão na caçarola
Para o almoço do marido.
Dorme um cachorro estendido
À porta da casinhola;
Gritam galinhas de Angola
No terreiro bem varrido.
Enquanto chia a panela,
A moça vai à janela,
A ver se o marido vem.
Mas entra logo zangada
Porque na volta da estrada
Não aparece ninguém.
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Em: Poesia Brasileira para a Infância, Cassiano Nunes e Maria da Silva Brito, São Paulo, Saraiva:1968
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Ricardo Mendes Gonçalves (SP, SP 1893 – SP, SP 1916) pseudônimos: Ricardo Gonçalves, Bruno de Cadiz, D. Ricardito. Poeta, tradutor, jornalista, diplomado em Direito (1908), político, membro grupo Minarete. Trabalhou para diversos jornais entre eles o Comércio de São Paulo e Estadinho. Foi também repórter do jornal O Correio Paulistano.
Obras:
Ipês, 1922