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Que grande travesso é o mar!
Molha de novo o lençol
que a praia para secar,
expôs aos raios do sol!
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(Walter Waeny)
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Que grande travesso é o mar!
Molha de novo o lençol
que a praia para secar,
expôs aos raios do sol!
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(Walter Waeny)
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Pedro Bandeira
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Eu sou pequeno, me dizem,
e eu fico muito zangado.
Tenho de olhar todo mundo
com o queixo levantado.
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Mas, se formiga falasse
e me visse lá do chão,
ia dizer, com certeza:
— Minha nossa, que grandão!
Cartão postal, 1907, ilustração assinada pelas iniciais JLS.–
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Não te invejo, ave que voas
tão livre no firmamento!
Vou também aonde quero
nas asas do pensamento!
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(A. Coelho Neto)
Paisagem com touro, 1925
Tarsila do Amaral ( Brasil, 1886 – 1973)
óleo sobre tela, 52 x 65 cm
Coleção Particular
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Casimiro de Abreu
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Todos cantam sua terra
Também vou cantar a minha
Nas débeis cordas da lira
Hei de fazê-la rainha.
— Hei de dar-lhe a realeza
Nesse trono de beleza
Em que a mão da natureza
Esmerou-se em quanto tinha.
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Correi pras bandas do sul:
Debaixo de um céu de anil
Encontrareis o gigante
Santa Cruz, hoje Brasil.
— É uma terra de amores,
Alcatifada de flores,
Onde a brisa fala amores
Nas belas tardes de abril.
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Tem tantas belezas, tantas,
A minha terra natal,
Que nem as sonha o poeta
E nem as canta um mortal!
— É uma terra encantada
— Mimoso jardim de fada –
Do mundo todo invejada,
Que o mundo não tem igual.
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Em: Vamos Estudar? Theobaldo Miranda Santos, 3ª série primária, edição especial para o estado do Rio de Janeiro, RJ, Agyr:1957, 9ª edição.
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Casimiro José Marques de Abreu (Barra de São João, 4 de janeiro de 1839 — Nova Friburgo, 18 de outubro de 1860) poeta brasileiro da segunda geração romântica. Foi a Portugal com seu pai em 1853, onde permaneceu até 1857. Morreu aos 21 anos de idade de tuberculose. Deixou um único livro de poesias publicado em 1859, Primaveras, mas foi o suficiente para se tornar um dos mais populares poetas brasileiros de todos os tempos.
Obras:
Teatro:
Camões e o Jaú , 1856
Poesia:
Primaveras, 1859
Romances:
Carolina, 1856
Camila, romance inacabado, 1856
A virgem loura,
Páginas do coração, prosa poética,1857
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Admiro um pica-pau
Numa madeira de angico
Que passa o dia todim
Taco-taco, tico-tico
Não sente dor de cabeça
Nem quebra a ponta do bico
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Manoel Xudu Sobrinho, (São José do Pilar, PB, 1932- Salgado de São Félix, PB, 1987) poeta repentista.
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Ilustração, Amy Hintze ( EUA, contemporânea)–
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Uma pombinha branca, que estava com sede, desceu à beira de um riacho. Procurava um bom lugar para beber água. Eis que avista uma formiguinha debatendo-se nas águas do riacho, prestes a se afogar.
A pombinha ficou com pena da formiga. Depressa, apanhou um galho seco, levou-o até próximo à formiga que se salvou, agarrando-se nele com vontade.
Pouco depois, um caçador passou por ali. Vendo a pombinha numa árvore, resolveu caçá-la para o almoço. Rapidamente apontou a espingarda para matar a pobrezinha.
Mas a formiga, que ainda estava ali perto, resolveu ajudar a pombinha. Subiu no pé do caçador e deu uma boa ferroada. Surpreso, o caçador ao sentir a dor, perdeu a pontaria. E não acertou a pombinha.
A pombinha voou para longe e a formiga voltou ao seu formigueiro.
Texto adaptado da versão de Theobaldo Miranda Santos em Leituras Infantis, 2º livro, Rio de Janeiro, Agir:1962
Compatimento C, trem 293, 1938
Edward Hopper ( EUA,1882-1967)
óleo sobre tela, 50 x 45
IBM Corporation, Armonk, Nova York
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Ler em público, no metrô, na sala de espera, na fila do banco ainda é um comportamento mais raro no Rio de Janeiro do que na maioria das cidades americanas, inglesas e de muitos países da Europa continental. É interessante notar, no entanto, que cada vez mais vemos pessoas lendo em lugares públicos, bem mais do que se via algum tempo atrás quando comecei uma brincadeira de fotografar pessoas lendo em público. Quem está familiarizado com este blog sabe que no seu primeiro ano de existência – 2008 – ainda postei muitas fotos que eu mesma tirei de pessoas lendo em lugares públicos. Acho que uma alavanca para essa leitura em lugar público deva-se em parte ao sucesso dos projetos de bibliotecas públicas localizadas nos metrôs das grandes cidades brasileiras.
No metrô do Rio de Janeiro a Biblioteca Livros & Trilhos já funciona há mais de 4 anos, e está localizada na estação do metrô da Central. O projeto é fruto de uma parceria de três elementos: Metrô Rio, Instituto Brasil Leitor e da iniciativa privada. No final de 2010 esta biblioteca contava com 8.000 sócios e próximo de 80.000 empréstimos.
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Aconchego, 1976
Beryl Cook ( Inglaterra, 1926 – 2008)
Óleo sobre madeira e colagem de jornal
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A Biblioteca Livros e Trilhos foi inspirada pelas Bibliotecas Embarque na Leitura do metrô paulista, que hoje conta com 5 bibliotecas nas estações Santa Cecília, Luz, Tatuapé, Paraíso e Brás (CPTM) que também são fruto do Instituto Brasil Leitor.
O sucesso dessas bibliotecas é muito claro quando se contabiliza o número de sócios e o número de empréstimos, mas o exemplo mais concreto desse sucesso pode ser visto no menino Lucas Reis de Lima Silva, 9 anos, morador de Osasco, região metropolitana de São Paulo. Esse menino, que adora nadar e fazer educação física durante as tardes, depois da escola, ganhou no mês passado, o título de campeão das Bibliotecas Embarque na Leitura, de São Paulo. Entre o público de sua faixa etária, Lucas foi o que mais tomou livros emprestados: 190 livros em 2 anos.
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Lucas, que passa pela estação Santa Cecília todos os dias com a mãe, foi quem pediu para que ambos se tornassem sócios da biblioteca. D. Valéria, sua mãe, é uma grande incentivadora da leitura. Ambos logo se acostumaram a retirar livros na estação, mas quando se trata de volume de leitura, Lucas passa sua mãe, que em média tira 2 livros por mês para ler. Ele mesmo admite que a leitura tem o ajudado bastante na escola. “Quando tem ditado na escola, aparecem palavras que já li nos livros e acerto tudo.”
É maravilhoso ver que um jornal do porte do O Estado de São Paulo tenha dedicado seu espaço para a divulgação de tão boas novas, no mês passado. Depois algumas semanas conturbadas com notícias sobre cartilhas escolares distribuídas pelo governo repletas de erros gramaticais; depois das reportagens na televisão sobre a precariedade de grande parte das escolas brasileiras, é bom voltarmos atrás só uns poucos dias, para nos lembrarmos que ainda há esperança… de que ainda há crianças que lêem e pais que se preocupam com a educação de seus filhos… que nem tudo parece estar à beira do abismo.
FONTE; Estadão On Line
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Maria de Lourdes Figueiredo
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Vou fazer uma omeleta
pra botar dentro do pão,
e, para isto, é preciso
que eu preste toda atenção.
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Primeiro bater os ovos;
depois, fritar no fogão.
Virá-la, então, com cuidado…
Escapuliu! Foi ao chão!…
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Em: O mundo das crianças: poemas e rimas, vol 1, Rio de Janeiro, Delta: 1975, p. 110
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Theobaldo Miranda Santos
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A filha da Cobra Grande casou-se e disse ao marido:
— Meu esposo, tenho muita vontado de ver a noite.
Minha mulher, só existe o dia, respondeu-lhe o marido.
— A noite existe sim! Meu pai guarda-a no fundo das águas. Mande seus criados buscá-la, suplicou a moça.
Os criados partiram ligeiros em busca da noite. E transmitiram ao pai o pedido da filha. A Cobra Grande então entregou-lhe um coco de tucumã, avisando-os:
— Muito cuidado com este coco! Se ele for aberto, tudo escurecerá e todas as coisas se perderão.
Durante a viagem, os criados ouviram, dentro do coco, um barulhinho assim: xê-xê-xê, tem-tem-tem… Curiosos, os criados abriram o coco e tudo escureceu.
A moça disse então ao marido: — Meu esposo, os criados soltaram a noite. Agora tudo ficará escuro e todas as coisas se perderão.
O marido, espantado, perguntou-lhe: Que faremos! Precisamos salvar o dia!
A filha da Cobra Grande, então, arrancou um fio de seus cabelos e disse: Com este fio, vou separar o dia da noite. Feche os olhos, meu esposo… Agora pode abri-los e reparar. A madrugada já vem chegando. os pássaros cantam anunciando o sol.
Mas quando os criados voltaram, a filha da Cobra Grande os transformou em macacos, por sua infidelidade. Assim nasceu a noite. Assim surgiram os macacos.
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Em: Leitura infantis: 2º livro, para as escolas primárias, Theobaldo Miranda Santos, Rio de Janeiro, Agir: 1962
Desenho de astrônomo turco, anônimo,
Do livro Tarcuma-I Cifr, de Maomé Kamalladin.
Univerisdades Rektolugu-Istambul
Turquia
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João de Deus Souto Filho
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O Cometa não é estrela
Nem planeta,
O Cometa é viajante
Estelar,
Grande rei andarilho,
De bela coroa
E cauda a brilhar…
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Em: Jornal de Poesia
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João de Deus Souto Filho, Geólogo e educador. Nasceu em 1957 na cidade de Carolina, MA. É formado em Geologia pela Universidade Federal da Bahia, pós-graduado em Geo-Engenharia de Reservatórios de Petróleo pela UNICAMP (1994), Formado em Letras (Licenciatura) pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (1999). Desenvolve trabalho sobre a importância da formação de uma consciência de preservação dos recursos hídricos.
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Obras infantis:
O quintal do Seu Nicolau, 1992
O aprendiz de jardineiro, teatro, 1992
O passeio da Cinderela, teatro, 1992
Brincadeira de palavras, inédito
Na ponta da pena, inédito.