Globo celestial com relógio, 1579
Fabricante: Gerhard Emmorser (trabalhando 1556-1584)
prata, banho de ouro sobre prata e latão
27 x 20 x 19 cm
Viena, Áustria
Globo celestial com relógio, 1579
Fabricante: Gerhard Emmorser (trabalhando 1556-1584)
prata, banho de ouro sobre prata e latão
27 x 20 x 19 cm
Viena, Áustria
Mulher lendo um livro, c. 1793-1800
Lâmpada decorativa
Porcelana de Sèvres, França
Artesãos: Louis-Simon Boizot e H. F. Vincent
Hermitage, São Petersburgo, Rússia
Cofre com bordados, final do século XVII
Bordados em seda, Inglaterra
Royal Collection Trust (C) Her Majesty Queen Elizabeth II
Esse pequeno cofre está coberto por bordados feitos em seda, com uma cena de pessoas na paisagem na parte de cima, que se abre e uma figura humana em cada porta. Ele pode ser aberto em três locais e inclui divisões, nichos, gavetinhas e compartimentos escondidos, assim como diversos pequenos objetos.
Conhecido como “Cofre Little Gidding”, foi provavelmente feito por uma das Senhoritas Colletts, sobrinhas de Nicholas Ferrar que fundaram a comunidade Little Gidding, em Huntingdondhire em 1626. Ambas as jovens, que ficaram famosas pelas suas habilidades como bordadeiras, cresceram nessa comunidade que se dedicava às preces, ao jejum e aos atos de caridade.
Ilustração mostrando a diferença de dias entre os calendário juliano e gregoriano, no ano e mês de sua adoção.
O mundo comemora este ano os 400 anos de morte de duas das maiores figuras das letras na cultura ocidental. Cervantes e Shakespeare são autores que revolucionaram as convenções estabelecidas para criações literárias. Suas influências são sentidas até hoje.
Cervantes e Shakespeare morreram no mesmo ano e, curiosamente, estabeleceu-se que ambos morreram também no mesmo dia. Mas isso não passa de uma convenção, de uma combinação do mundo literário. Não há dúvida de que ambos morreram no dia 23 de abril de 1616. Mas o dia 23 de abril de 1616 era em época diferente entre a Espanha e a Inglaterra. Como?
Simples: enquanto a Espanha já havia adotado o calendário gregoriano em 1616, a Inglaterra ainda usava o calendário juliano, que mostra o dia 23 de abril com 11 dias de atraso.
A Inglaterra só adotou o calendário gregoriano em 1752.
Matilda da Toscana, início do século XII
Iluminura do manuscrito Vita Mathildis
de autoria de Donizo.
[Aqui, Matilda no papel de interventora a favor da absolvição de Henrique IV, junto ao abade Hugo de Cluny].
É curioso como histórias que aprendemos há tempos às vezes retornam, assim do nada, trazidas por um fio puxado dos confins da memória, de tal modo que nem nós mesmos entendemos como viemos a nos lembrar dessa ou daquela informação. Estou lendo o livro Bonita Avenue do autor holandês Peter Buwalda e encontrei logo no primeiro capítulo referência ao conto do peixe e do anel, que neste romance é atribuído a uma passagem (uma anedota) de Vladimir Nabokov. Essa atribuição me deixou surpresa. Eu a conheço como parte do folclore belga.
Todos os meus caminhos me levaram ao estudo da Bélgica e da Holanda. Se houve um território na Europa que mais mudou de mãos através dos séculos, esse foi um deles. Foi francês, flamengo, espanhol, holandês, alemão, católico e protestante. Deu-nos não só as raízes do capitalismo, do mercantilismo, da classe média, da bolsa de valores, da tolerância religiosa, assim como nos deu Bosch, Bruegel, de Rubens, Rembrandt e Vermeer a Ensor, van Gogh e Mondrian, de René Magritte a Delvaux e Folon.
Pois a história do peixe e do anel também aparece na Bélgica e está ligada à fundação da Abadia de Nossa Sra. de Orval, fundada em 1132. Matilda da Toscana ou Matilda de Canossa era uma poderosa rainha medieval que visitando as terras da região de Gaume [Florenville], quando já se encontrava viúva, perdeu o belo anel de casamento em uma fonte. Matilda ficou muito contrariada e em desespero rezou fervorosamente para que o anel fosse encontrado. Eis que uma truta, de repente, salta da água segurando em sua boca o anel da Rainha Matilda. Grata pela resposta aos seus pedidos a rainha então exclamou: “Este é um verdadeiro Vale de Ouro” [Val d’Or], batizando, naquele momento, a região que veio a ser conhecida como Orval. E foi lá que os monges cisterciences decidiram construir um monastério.
Repouso da caravana no deserto, 1844
Ippolito Caffi (Itália, 1809-1866)
óleo sobre tela, 18 x 25 cm
Naquela tarde de verão egípcio, quando o sol se punha quase às nove horas da noite, devíamos visitar, no planalto de Gizé, as mais que célebres pirâmides de Queops, Quefrem e Miquerinos. Era o complemento da visita feita ao Museu do Cairo, onde já tínhamos visto a estátua de Queops, toda de marfim; o enorme colosso de Quefrem e o famoso grupo de Miquerinos ladeado pelas deusas de Jackal. Todos esses reis dormiam, há séculos, nas sombras das suas pirâmides, velada pela Esfinge, guardados pelas areias do deserto, mas agora expostos à curiosidade dos turistas. Podíamos ir a Gizé de automóvel: seria uma profanação! Imaginem o contraste de um “Chevrolet” americano junto à Esfinge de Gizé! Podíamos ir a cavalo: seria muito prosaico. Devíamos ir então a pé, como peregrinos, para prosternar-nos ante esses sarcófagos imortais? Não: ó o camelo é digna montaria de um hóspede do Egito. Só o dromedário, com sua giba em forma de pirâmide, completaria o quadro faraônico, daria a impressão da vida egípcia, sombra a mover-se nessa imobilidade do deserto. E descemos dos modernos automóveis do Cairo e tomamos os nossos dromedários a caminho da cidade dos mortos. A perspectiva, porém, dessa alimária tão alta e tão exótica, verdadeiro arranha-céu ambulante, começou a inquientar-nos. Nenhum de nós era atleta e como encarapitar-nos lá em cima, naquela corcova? A um aceno de mão do cameleiro, o dócil animal prosternou-se ante nós como a oferecer-nos a comodidade do amplo dorso, ampla cadeira balouçante, verdadeiro tombadilho de navio naquele oceano de areia. Vencidas as dificuldades da escalada, lá nos fomos, a passo lento, com todas as precauções, entre o riso escarninho dos cameleiros, sob a vaia dos que nos achavam bisonhos demais, rumo das pirâmides.”
Em: Pelos caminhos do mundo, Francisco da Silveira Bueno, São Paulo, Saraiva: 1956, p. 121.
La Fornarina, ou Retrato de uma jovem mulher, 1519
Rafael Sanzio (Itália, 1483-1520)
óleo sobre madeira, 85 x 60 cm
Galleria Nazionale d’Arte Antiga, Palazzo Barberini, Roma
“A galeria deste palácio está agora reduzida a sete ou oito quadros; mas quatro deles são obras-primas: de início o retrato da célebre Fornarina, amante de Rafael, de autoria do próprio Rafael. Esse retrato cuja autenticidade não pode ser posta em dúvida, pois existem cópias da mesma época, é totalmente diferente da figura que, na galeria de Florença, é dada como o retrato da amante de Rafael, e que foi gravado, com essa indicação, por Morghen. O retrato de Florença não é de Rafael. Em homenagem ao prestígio desse grande nome poderia o leitor perdoar essa pequena digressão?”
Em: Crônicas italianas, Stendhal, tradução de Sebastião Uchoa Leite, São Paulo, Editora Max Limonad: 1981, p. 101
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O retrato a que Stendhal se refere é o seguinte:
La Fornarina ou Retrato de uma jovem mulher, 1512
Sebastiano del Piombo (Itália, 1485-1547)
óleo sobre madeira, 68 x 55 cm
Galleria degli Uffizi, Florença
Moedas das Cruzadas encontradas no forte do Parque Apollonia, Israel.Ano Novo, hora de limpar antigas notas e manter o computador completamente limpo, eis que me deparo com um número enorme de artigos de interesse que selecionei para o blog, mas que por falta de tempo, não postei… Resultado vamos nos lembrar de algumas notícias do passado, porque já que tenho as fotos e os dados é melhor passar adiante.
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Um pote de ouro, avaliado em quinhentos mil dólares, do tempo das Cruzadas foi encontrado em Israel enterrado em um forte romano. Aparentemente as moedas foram enterradas por soldados da ordem do Cavaleiros Hospitalários, uma ordem militar cristã criada no século XI, quando se encontraram sob um grande ataque de soldados muçulmanos. Os cavaleiros foram aniquilados em abril de 1265.
Forte no Parque Nacional Apollonia, Israel.
As moedas valiam uma fortuna, mesmo em 1265, quando se acredita que tenham sido escondidas de propósito, dentro de um jarro quebrado para garantir que não seriam descobertas. O forte construído pelos romanos, hoje no Parque Nacional Apollonia, foi destruído em abril de 1265, pelas forças mamelucas. A ideia de enterrar o jarro quebrado, repleto de areia, com as moedas dentro,foi bem sucedida. O tesouro contém mais de 100 moedas de ouro da época das Cruzadas. O local havia sido conquistado pelos soldados cristãos em 1101 e tomado de volta pelo exército muçulmano em 1265.
Fonte: Daily News (Inglaterra)
Faiança policromada
Itália, escola de Pesaro, 35 x 22 x 23 cm
Hermitage, São Petersburgo
Ladyce West é historiadora da arte e escritora. Seu primeiro livro de poesias À meia voz, foi publicado em novembro de 2020, pela Autografia. Encontra-se à venda em todas as livrarias e em ebook na Amazon.