O orgulhoso, fábula de Monteiro Lobato

10 06 2009

o_jequitiba, oleo sobre telam 80 x 120 cm

O  jequitibá, s/d

Zenaide Smith ( Brasil, contemporânea)

Óleo sobre tela — 80 x 120 cm

 

O orgulhoso

                                                                                               Monteiro Lobato

           Era um jequitibá enorme, o mais importante da floresta.  Mas orgulhoso e gabola.  Fazia pouco das árvores menores e ria-se com desprezo das plantinhas humildes.  Vendo a seus pés uma tabua disse:

          — Que triste vida levas, tão pequenina, sempre à beira d’água, vivendo entre saracuras e rãs…  Qualquer ventinho te dobra.  Um tisio que pouse em tua haste já te verga que nem bodoque.  Que diferença entre nós!A minha copada chega às nuvens e as minhas folhas tapam o sol.  Quando ronca a tempestade, rio-me dos ventos e divirto-me cá do alto a ver os teus apuros.

          — Muito obrigada! Respondeu a tabua ironicamente.  Mas fique sabendo que não me queixo e cá à beira d’água vou vivendo como posso.  Se o vento me dobra, em compensação não me quebra e, cessado o temporal, ergo-me direitinha como antes.  Você, entretanto…

          — Eu, que?

          — Você jequitibá tem resistido aos vendavais de até aqui; mas resistirá sempre?  Não revirará um dia de pernas para o ar?

          — Rio-me dos ventos como rio-me de ti, murmurou com ar de desprezo a orgulhosa árvore.

          Meses depois, na estação das chuvas, sobreveio certa noite uma tremenda tempestade.  Raios coriscavam um atrás do outro e o ribombo dos trovões estremecia a terra.  O vento infernal foi destruindo tudo quanto se opunha à sua passagem.

          A tabua, apavorada, fechou os olhos e curvou-se rente ao chão.  E ficou assim encolhidinha até que o furor dos elementos se acalmasse e uma fresca manhã de céu limpo sucedesse aquela noite de horrores.  Ergueu, então, a haste flexível e pode ver os estragos da tormenta.  Inúmeras árvores por terra, despedaçadas, e entre as vítimas o jequitibá orgulhoso, com a raizana colossal à mostra…

 ***

Em:  Criança Brasileira, Theobaldo Miranda Santos, Quarto Livro de Leitura: de acordo com os novos programas do ensino primário.  Rio de Janeiro, Agir: 1949. 

 

VOCABULÁRIO

Imponente: altivo, orgulhoso; gabola: pretensioso, vaidoso; tabua: planta de haste fina e flexível; copada: ramagem; apuros: dificuldades; coriscavam: faiscavam; ribombo: barulho, estrondo; rente: junto; tormenta: tempestade; raizana: conjunto das raízes de uma planta.

 

——-

José Bento Monteiro Lobato, ( Taubaté, SP, 1882 – 1948).  Escritor, contista; dedicou-se à literatura infantil. Foi um dos fundadores da Companhia Editora Nacional. Chamava-se José Renato Monteiro Lobato e alterou o nome posteriormente para José Bento.

Obras:

A Barca de Gleyre, 1944  

A Caçada da Onça, 1924  

A ceia dos acusados, 1936  

A Chave do Tamanho, 1942  

A Correspondência entre Monteiro Lobato e Lima Barreto, 1955  

A Epopéia Americana, 1940  

A Menina do Narizinho Arrebitado, 1924  

Alice no País do Espelho, 1933  

América, 1932  

Aritmética da Emília, 1935  

As caçadas de Pedrinho, 1933  

Aventuras de Hans Staden, 1927  

Caçada da Onça, 1925  

Cidades Mortas, 1919  

Contos Leves, 1935  

Contos Pesados, 1940  

Conversa entre Amigos, 1986  

D. Quixote das crianças, 1936  

Emília no País da Gramática, 1934  

Escândalo do Petróleo, 1936  

Fábulas, 1922  

Fábulas de Narizinho, 1923  

Ferro, 1931  

Filosofia da vida, 1937  

Formação da mentalidade, 1940  

Geografia de Dona Benta, 1935  

História da civilização, 1946  

História da filosofia, 1935  

História da literatura mundial, 1941  

História das Invenções, 1935  

História do Mundo para crianças, 1933  

Histórias de Tia Nastácia, 1937  

How Henry Ford is Regarded in Brazil, 1926  

Idéias de Jeca Tatu, 1919  

Jeca-Tatuzinho, 1925  

Lucia, ou a Menina de Narizinho Arrebitado, 1921  

Memórias de Emília, 1936  

Mister Slang e o Brasil, 1927  

Mundo da Lua, 1923  

Na Antevéspera, 1933  

Narizinho Arrebitado, 1923  

Negrinha, 1920  

Novas Reinações de Narizinho, 1933  

O Choque das Raças ou O Presidente Negro, 1926  

O Garimpeiro do Rio das Garças, 1930  

O livro da jangal, 1941  

O Macaco que Se Fez Homem, 1923  

O Marquês de Rabicó, 1922  

O Minotauro, 1939  

O pequeno César, 1935  

O Picapau Amarelo, 1939  

O pó de pirlimpimpim, 1931  

O Poço do Visconde, 1937  

O presidente negro, 1926  

O Saci, 1918  

Onda Verde, 1923  

Os Doze Trabalhos de Hércules,  1944  

Os grandes pensadores, 1939  

Os Negros, 1924  

Prefácios e Entrevistas, 1946  

Problema Vital, 1918  

Reforma da Natureza, 1941  

Reinações de Narizinho, 1931  

Serões de Dona Benta,  1937  

Urupês, 1918  

Viagem ao Céu, 1932





Elogio do Bem, poesia para uso escolar, Cleômenes Campos

9 06 2009

colheita

 

ELOGIO DO BEM

 

Cleómenes Campos

 

 

 

Amigo, faze o bem: esse prazer dispensa

 A maior recompensa.

Aqueles frutos saborosos

Que o teu vizinho colhe, às vezes, a cantar,

Custaram, com certeza, os trabalhos penosos

De alguém que já sabia

Que nunca, em sua vida, os colheria…

Mas nem por isso mesmo, os deixou de plantar.

 

 

Em:  Criança Brasileira, Theobaldo Miranda Santos, Quarto Livro de Leitura: de acordo com os novos programas do ensino primário.  Rio de Janeiro, Agir: 1949. 

 

 

Cleómenes Campos de Oliveira, ( Maroim, SE 1895 – São Paulo, SP, 1968). Pseudônimo:  Ariel.  Poeta, teatrólogo, radicado em SP desde 1912, agente fiscal do imposto de consumo, membro da Academia Sergipana de Letras e da Academia Paulista de Letras.  Estudou as primeiras letras em seu estado natal, indo depois para a Bahia, onde freqüentou o Ginásio São José.  Ainda jovem, teve que abandonar os estudos, ingressando na vida comercial em Santos.  Foi nomeado para os Correios de São Paulo,  após concurso e mais tarde foi transferido para o Ministério da Fazenda.  Fundou “A garoa”, uma das revistas literárias que mais custaram a morrer…   Faleceu em 30 de abril de 1968.

 

Obras: 

 

Coração encantado, 1923, poesia, [prêmio Academia Brasileira de Letras]

De mãos postas, 1926 [prêmio Academia Brasileira de Letras]

Humildade, 1931, poesia

Meu livro de Amor, 1931

Canção da felicidade, 1934

Zebelê, 1940

Sonata do desencanto, 1950. poesia

O segredo de nós dois, 1969, poesia

O louco e as estrelas, s/d

 

Teatro

Mascote, com Oduvaldo Viana,





Hahahaha!!!!! Riso surgiu de ancestral comum…

9 06 2009

gargalhada 11

Quando os cientistas se dispuseram a encontrar as raízes do riso, alguns gorilas e chimpanzés sentiram cócegas para ajudar. Literalmente.

 Foi assim que pesquisadores fizeram uma variedade de macacos, e alguns bebês humanos, rirem. Depois de analisar os sons, concluíram que pessoas e grandes símios herdaram a risada de um ancestral comum, que viveu há mais de 10 milhões de anos.

Especialistas elogiaram o trabalho. Ele oferece evidências muito fortes de que o riso humano e o símio estão ligados pela evolução, disse Frans de Waal, do Centro Nacional Yerkes de Pesquisa com Primatas.

 

Desde o tempo de Charles Darwin que cientistas notam que macacos fazem sons característicos enquanto brincam ou quando recebem cócegas, aparentemente num sinal de interesse na brincadeira.

Já havia sido sugerido que o riso humano teria raízes nos primatas. Mas a risada primata não soa como riso humano. Ela pode ser um arfar rápido, uma respiração ruidosa ou uma curta série de grunhidos.

 risinho, eloise wilkin

Risinho, ilustração de Eloise Wilkin.

Então, o que isso teria a ver com gargalhada humana?

 

Para investigar a questão, Marina Davila Ross, da Universidade de Portsmouth, na Inglaterra, e colegas realizaram uma detalhada análise  dos sons evocados quando se faz cócegas em três bebês humanos e 21 orangotangos, gorilas, chimpanzés e Bonobos.

Após medir 11 características no som de cada espécie, eles mapearam possíveis relações entre cada um. O resultado parece uma árvore genealógica. Significativamente, a árvore combina com o modo pelo qual as espécies de relacionam, informam os cientistas na edição online da revista Current Biology.

Eles também concluíram que, embora o riso humano soe muito diferente das versões simiescas, suas características peculiares podem ter surgido a partir de peculiaridades partilhadas com as outras espécies e herdadas de ancestrais.

FONTE:  O Estado de São Paulo, Online





Retrato do professor brasileiro

9 06 2009

professora com aluno, dia da professora

O jornal O Estado de São Paulo na sua versão ONLINE, mostrou no dia 27 de maio, o resultado de uma pesquisa que retrata o perfil do professor no Brasil.  O censo foi feito pelo Ministério da Educação e mostra que mais de 60% lecionam em um turno e 40% têm uma única turma. Repito aqui o que foi descoberto.

 

1 —  Mais de 1.400.000 de professores leciona no ensino fundamental.

 

2 – Mulheres fazem a maioria com 81,6 %

 

3 – A média de idade é 38 anos.

 

4 – 63,8% dos professores lecionam em um único turno.

 

5 – 68,4 % dos professores têm curso superior;

 

6 – A grande maioria, 80,9%, leciona em uma única escola.

 

7 – 39,1% dos professores têm uma turma com a média de 35 alunos.

 

8 – 41,1% dos professores lecionam português ou línguas.

 

Será?  Você concorda?





Boas maneiras XV

9 06 2009

tola

 

Fazer de tola a amiga

pode acabar em briga!





Gatinha, trova para crianças

8 06 2009

Gatinho observador, quadro de Michael LeuGatinha observadora, por Michael Leu ( Formosa, China/EUA)

 

De olhos azuis transparentes,

a Mimi não é francesa,

mas seduz bichos e gentes

essa gatinha… siamesa.

 

(Dorothy Jansson Moretti)





Brasil que lê: foto tirada em lugar público

8 06 2009

Camelô da praia de Copacabana  lendo  1579Camelô boliviano de artesanato andino lê um jornal popular no calçadão da praia de Copacabana.





Sol sugando a atmosfera terrestre

8 06 2009

sol-terra-atmosfera

Um novo estudo, publicado pela National Geographic,  afirma que o Sol está lentamente “roubando” a atmosfera da Terra.

 

 

Diferente da atmosfera de Marte e Vênus, acreditava-se que a atmosfera terrestre era intocável dentro da proteção de nosso campo magnético. Mas um novo estudo afirma que o Sol está lentamente “roubando” nossa atmosfera – e a uma taxa maior do que em Marte ou Vênus. Talvez o mais surpreendente seja que a principal defesa de nosso planeta contra o Sol possa ser um agente duplo, auxiliando e cooperando com o roubo.

Marte, por exemplo, provavelmente começou com uma atmosfera densa semelhante à da Terra. Mas sem a proteção de um campo magnético, o vento solar – na verdade um fluxo de partículas carregadas que vem do sol – está erodindo a atmosfera marciana.

Vênus também não tem uma magnetosfera e está sendo destituído de sua cobertura atmosférica. Atualmente, sua taxa de perda superou a de Marte. Normalmente saudada como um escudo protetor contra a energia brutal do sol, a magnetosfera terrestre na verdade está ajudando as partículas energizadas do sol a eliminar uma fração minúscula da atmosfera da Terra, afirma o novo estudo.

“Estamos, na verdade, perdendo mais oxigênio e hidrogênio do que Vênus atualmente”, disse Chris Russell, professor de física espacial da Universidade da Califórnia em Los Angeles. “Normalmente, dizemos a nossos colegas e a nós mesmos que temos sorte de viver neste planeta, porque temos esse escudo magnético que nos protege.”

“Ele certamente ajuda”, explicou, “mas entendemos agora que, quando se trata da atmosfera, isso não é verdade.”

Sem pânico
Uma equipe internacional de pesquisadores tem monitorado atmosferas planetárias usando a missão Mars Express, da Agência Espacial Européia, para Vênus e Marte, e a missão Small Explorer (ou SMEX), da NASA, para a Terra. A SMEX também possui instrumentos para medir a atividade magnética terrestre.

“Na Terra, a magnetosfera funciona como um coletor energético que interage com o material que vem do sol e pode absorver a energia do vento solar”, disse Russel.

Mas, então, o campo magnético da Terra canaliza e orienta essa energia para a atmosfera superior, aquecendo a atmosfera e permitindo que ela escape através dos mesmos canais que possibilitaram a entrada da energia.

O funcionamento físico exato ainda precisa ser compreendido, mas não há motivos para alarde, disse Russell. No ritmo atual, nosso estoque atmosférico pode durar pelo menos até o sol – hoje na metade de sua vida – se tornar uma gigante vermelha e engolfar a Terra, disse Russell.

“Quando chegarmos a isso”, disse, “a perda de atmosfera se tornará irrelevante.”

As descobertas foram apresentadas recentemente em um encontro da American Geophysical Union, em Toronto, Canadá.

Traduções: Amy Traduções

Fonte: Portal TERRA





Não! a legalização dos grileiros!!!

5 06 2009

preservação da naturezaIlustração de Walt Disney.

 

Diga Não

 

A Legalização dos Grileiros na Amazônia!





5 de junho — Dia Internacional do Meio Ambiente

5 06 2009

preservando a naturezaIlustração: Maurício de Sousa