Imagem de leitura — Eric Wallis

2 11 2012

Sem título

Eric Wallis (EUA, 1968)

óleo sobre tela

www.wallisart.com

Eric K. Wallis nasceu nos Estados Unidos em 1968.  Começou a pintar aos sete anos, orientado por seu pai também pintor, Kent R. Wallis.  Os dois pintavam lado a lado, cenas simples, da natureza.  Eric continuou pintando durante os anos escolares formativos, ganhando diversos prêmios, como jovem talento, antes entrar para a Universidade de Utah, onde estudou pintura com Adrian Van Suchtelen e com Glen Edwards, ambos dedicados pintores figurativos.  Graduou-se em pintura em 1992. Mas desde 1990 começara a expor em galerias de arte particulares.  Pinta até hoje de 10 a 12 horas por dia e tem muitas obras em diversos museus e coleções particulares nos EUA.





Quadrinha da lição do xadrez

2 11 2012

Ilustração de autoria desconhecida.

O xadrez repete a vida

em sucessivas lições:

quando a nobreza é atingida

sacrificam-se os peões.

(Sinval Emílio da Cruz)





A Boneca — poesia de Presciliana Duarte de Almeida

30 10 2012

Bonecas, ilustração de Maud Taub.

A Boneca

    A Bemvinda Feitosa

Que boneca tão bonita
Aquela que ontem ganhei!
Pus-lhe um vestido de chita,
Que eu mesma fiz e cortei.

Seu cabelinho é tão louro
Como cabelo de milho.
Minha boneca é um tesouro,
Tem sapatos e espartilho!

Vou lhe fazer uma cama,
Vou lhe bordar um lençol,
Para tão mimosa dama
Farei fronhas de molmol.

Depois, para o batizado,
Hei de arranjar uma festa:
Um altar muito enfeitado,
Em meio de uma floresta…

Convidarei as amigas
Com quem costumo brincar,
E muito lindas cantigas
Hei de com elas cantar.

Há de haver presunto e bala,
Sorvete para a madrinha,
E desse dia de gala
Minha boneca é a rainha!

Presciliana Duarte de Almeida

Presciliana Duarte de Almeida (MG, 1867 – SP, 1944) Pseudônimo: Perpétua do Valle. Nascida numa família literária, Presciliana era prima de Júlia Lopes de Almeida e Adelina Lopes Vieira.  Vai para São Paulo depois do casamento, onde funda, em 1889, a revista feminista A Mensageira – revista literária dedicada à mulher brasileira.  Colabora na revista Educação, em 1902, e na revista A Alvorada,  em 1909. Participa da fundação da Academia Paulista de Letras em 1909 onde ocupa a cadeira nº 8, escolhendo a poetisa Bárbara Heliodora, sua trisavó, como patrona. Morreu aos 77 anos, em São Paulo, em 1944.

Obras:

Rumorejos, 1890

Sombras, 1906

Páginas Infantis, 1908

O Livro das Aves, 1914

Vetiver, 1939





UK: conhecimentos sobre cientistas em declínio

29 10 2012

Luizinho, Zezinho e Huguinho chegam em casa com novidades.  Ilustração de Walt Disney.

Uma recente pesquisa na Inglaterra soou um alarme sobre o ensino das ciências naqueles país. Proporcionalmente, poucos dos 1.000 jovens entrevistados souberam reconhecer alguns dos maiores e mais importantes inventores e descobridores do mundo das ciências, cientistas que revolucionaram nosso entendimento do mundo.  Além disso, esses jovens têm informações erradas sobre diversos inventos científicos.  Uma pequena porção dos resultados dessa pesquisa, feita pela  Haier’s Let Children Dream comparceria do Museu de Ciências do Reino Unido,  foi publicada hoje no jornal The Independent.

Entre os itens que causaram surpresa:

— só 45% dos entrevistados reconheceram Albert Einstein.

— só 37% conseguiram identificar Charles Darwin.

— só 38% identificaram Thomas Edison

— só 25% identificaram Louis Pasteur.

— só 39% identificaram Isaac Newton;

No entanto,

— 68% dos entrevistados conseguiram identificar corretamente Mark Zuckerberg, o criador do Facebook.

Que esse alerta sirva também para os nossos pais e professores? Como anda o seu conhecimento de ciências?

FONTE: The Independent





Quadrinha da solidão

25 10 2012

Trem, ilustração de George Willamson.

Na velha Estação de Trem,

que a Solidão dominava,

eu acenei a ninguém,

fingindo que alguém chegava…

(Otávio Venturelli)





Gorilas de volta ao habitat natural

25 10 2012

Pela primeira vez, uma família inteira de gorilas irá retornar ao seu habitat natural. O grupo de onze membros da espécie gorila ocidental das terras baixas, que está em um zoológico no condado de Kent, na Inglaterra, irá para uma reserva natural, no Gabão. A família inclui um macho de 30 anos, de aproximadamente 100 quilos, que havia sido salvo das mãos de caçadores ilegais, cinco fêmeas e cinco filhotes de idades que variam de 6 anos a 8 meses, que foram criados em cativeiro.

Cinquenta e um primatas já foram soltos na selva individualmente em áreas seguras de proteção animal, no período de 1996 e 2006,  pela mesma instituição —  The Aspinall Foundation.  Esses animais foram soltos depois de viver em cativeiro, mas nunca isso foi tentado com um grupo tão grande quanto esse.  A fundação Aspinall  atua no Gabão e no Congo, países onde os gorilas foram caçados até sua extinção. Ela irá fornecer medicamentos e comida extra para ajudar na adaptação deles.

Na selva, este grupo será nômade e se movimentará pela floresta em busca de comida, provavelmente a cada dois dias. A família deve ser liberada em janeiro de 2013.

Damian Aspinall, que criou a fundação, disse que a única justificativa para se manter animais em cativeiro no século XXI seria para participar de programas de reprodução de espécies em perigo de extinção para depois reintroduzí-las à vida selvagem.  A Fundação Aspinall já cruzou 135 gorilas, 33 rinocerontes negros, 123 leopardos, 33 gibões de Java, 104 macacos langures de Java e 20 elefantes africanos nos seus programas de acasalamento em cativeiro.

FONTE: Terra e Heart





O cabrito, poema de José Paulo Moreira da Fonseca

23 10 2012

Cabrito, gravura antiga.

O cabrito

José Paulo Moreira da Fonseca

Povoaste a paisagem grega

————–guardas um timbre clássico algo de conciso

ágil e jovem — quem negaria? — basta ver-te sobre os abismos

sem receio ou vertigem

—————como a vida

Em: Antologia Poética, José Paulo M. F., Rio de Janeiro, Leitura: 1968





O verde do meu bairro — Ixora Chinesa

20 10 2012

Vocês já notaram como jardins têm moda? Isso mesmo, fica na moda um certo tipo de planta, de arbusto, de flor e aos poucos antigos pés disso ou daquilo dão lugar a uma nova espécie, a uma nova folhagem.  De uns quinze anos para cá os jardins do meu bairro começaram a aparecer com algumas plantas interessantes, bonitas, com flores de cores brilhantes… Não estou reclamando.  Mas, acho que a moda leva os jardins a terem todos mais ou menos a mesma cara, principalmente quando são os porteiros que trabalham os jardins e costumam se concentrar nas plantas de maior efeito pelo menor trabalho.

Aqui no meu bairro, no Rio de Janeiro, há uma abundância de jardins de edifícios residenciais floridos o ano inteiro com essa planta que está em todo canto, retratada acima.   Alguns a chamam de Alfinete-gigante.  Mas é mais conhecida com Ixora-chinesa, ou Ixora-vermelha.  Não é uma planta nativa do Brasil.  É originária do Extremo Oriente: Malásia e China.  É planta asiática tropical, da família das Rubiaceae.  Por isso se dá tão bem no clima carioca.

Entrada de edifício residencial.

Cá pelo meu bairro não a deixam crescer muito.  A moda por aqui é deixá-la crescer só até um metro do chão, mais ou menos.  Mas pode chegar a dois metros de altura.  Deve ficar linda assim.   E em geral é plantada como cerca viva ou melhor dizendo, acompanhando as grades dos edifícios, porque cercas vivas por aqui não oferecem a tranquilidade de segurança de que os cariocas precisam.  Frequentemente elas são usadas como delimitadores de áreas do jardim, acentuando os caminhos para entrada de pedestres ou a beirada do caminho para as garagens.

Há uma papelaria aqui perto cuja entrada fica bem recuada do meio fio, sendo uma construção mais moderna do que a própria rua, foi construída numa linha imaginária, que estabelece um futuro alargamento dessa rua que data do século XVIII.  Assim, o dono da papelaria, para “mostrar o caminho das pedras”, colocou diversas jardineiras na calçada em duas colunas paralelas, para acentuar a entrada do estabelecimento.  Teve que colocar jardineiras porque a calçada não lhe pertence. Mas, ficou bonito para quem chega.

O mais interessante é que a Ixora-chinesa parece dar flores o ano inteiro.  São grandes pompons compostos de minúsculas flores de quatro pétalas.  De longe parecem até gerânios, e sei que às vezes as ixoras-chinesas são chamadas de gerânios selvagens, por causa da aparência dessas flores.  Mas não têm nada a ver.   Por aqui só tenho visto exemplares cujas flores tem tonalidade, laranja, damasco, salmão.  Mas sei que existem flores de outras tonalidades: branca e vermelha.

verde 9

Para maiores informações veja:

O Jardineiro.





Júbilo e tristeza: DNA de dinossauros não pode ser recuperado

18 10 2012

Cena do filme Parque dos dinossauros, I.

Foi com um misto de júbilo e tristeza que li esta semana que o DNA de dinossauros não poderá ser recuperado.  A ideia de que Michael Crichton se valeu para escrever o livro de suspense e aventura Jurassic Park, que nas mãos de Steven Spielberg se tornou um sucesso de bilheteria no cinema, não é viável.  Minha alegria veio de saber que não passaremos pelos perigos possíveis de termos, nas mãos de governos ou companhias particulares inescrupulosos, a possibilidade de criação dessas feras.  Mas tristeza porque tenho uma curiosidade imensa, que não conseguirá ser satisfeita, em relação a esses seres bestiais.

Tudo já indicava, no mundo científico, que a “reconstituição dos dinossauros” não seria possível.  Mas na dúvida havia sempre uma pequena brecha, uma centelha de esperança, de vermos um dia um dinossauro vivo, até que cientistas na Nova Zelândia descobriram o tempo máximo de estocagem de material genético.

Cena do filme Parque dos dinossauros, I.

Depois que a célula morre, enzimas começam a desfazer os ligamentos entre os nucleotídeos que formam a estrutura do DNA. Micro-organismos ajudam então na decomposição.  No entanto, a expectativa de manutenção das características de DNA são em geral dependentes da proximidade de água, que aumenta a rapidez da decomposição. Água na terra onde se encontra um osso de dinossauro, por exemplo, deveria poder estabelecer o ritmo de degradação do DNA.

Foi justamente essa determinação que se mostrou bastante difícil, principalmente porque há muitos fatores tais como temperatura, ataque de micróbios, condições do meio ambiente, oxigenação que podem alterar a velocidade do processo de decomposição. Comparando DNA de diferentes idades da mesma espécie assim como diferentes níveis de decomposição, os cientistas foram capazes de determinar que em 521 anos o DNA perde metade das conexões entre nucleotídeos.

Mas ainda há muito que se descobrir.  Os pesquisadores afirmaram que a idade do DNA afeta quase 38% da degradação – eles usaram ossos do moa, para o estudo.  Outro fatores tais quais preservação, maneira de estocagem de produto escavado, a química do solo e até mesmo a época do ano em que o animal morreu podem contribuir como fatores que diferenciam os níveis de degradação, fatores que ainda precisam ser estudados.

E lá se vai a porta da esperança de se ver um desses animais do passado, talvez, um preso em âmbar, “renascido”.  A porta se abre mais cautelosa, oferecendo só uma frestinha de esperança…  Mas quem sabe?  Talvez, num futuro longínquo possamos ainda reviver, ressoprar a centelha da vida num desses animais pré-históricos…

FONTES: Terra, Nature





A dama e o unicórnio de Tracy Chevalier, uma leitura leve

15 10 2012

Tapeçaria da Série A Dama e o Unicórnio, c. 1470-1475

Museu de Arte Medieval, França

Tracy Chevalier me encantou há alguns anos com sua Moça com Brinco de Pérola, que li muito antes do filme ter chegado aos cinemas.  Mais tarde li o romance  Viva Chama, que apesar de interessante já não me pareceu tão evocativo de uma era.   Por isso mesmo deixei passar um bom tempo para ler A dama e o unicórnio.  Raramente a boa experiência de leitura de um autor se duplica na leitura seguinte se ainda estou sob o feitiço do primeiro encontro.  E temi que este livro sobre as famosas tapeçarias francesas da proto-renascença  pudesse me trazer descontentamento.   Posso garantir no entanto que este é um livro charmoso, agradável e um testemunho da grande criatividade da autora que se revela muito hábil ao imaginar as situações que poderiam ter levado à produção das tapeçarias assim como as vidas dos artesãos que as teceram.

O encanto do livro Moça com brinco de pérola não se repetiu.  Mas também não saí ao final dessa leitura desapontada: esta é uma narrativa leve, sensual, que tem o mérito de respeitar aquilo que se sabe hoje sobre as tapeçarias em questão. E ainda, este é um romance que traz aos olhos do século XXI, aos não historiadores, a quem não precisa refletir sobre as condições de vida e de trabalho no século XV, uma perspectiva de como seria a vida de então, com suas restrições, suas liberdades, as regras das guildas artesanais, o papel do monastério de freiras na vida de uma mulher.  Porque sua pesquisa foi bem feita, Tracy Chavalier instrui ao mesmo tempo que assume o papel de uma Sherazade.

Se por um lado a trama é tênue e previsível, por outro ela se salva pela acuidade na representação do trabalho artesão e de fatos históricos.  Isso  releva quaisquer faltas no comportamento quase licencioso retratado em alguns personagens femininos, comportamento  inexato pelo que se sabe serem as normas vigentes na época.  Não obstante,  A dama e o unicórnio oferece um entretenimento leve e informativo.