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Convento da Penha, Vila Velha, ES, s/d
Levino Fanzeres (Brasil, 1884-1956)
óleo sobre tela, 54 x 81 cm
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Convento da Penha, Vila Velha, ES, s/d
Levino Fanzeres (Brasil, 1884-1956)
óleo sobre tela, 54 x 81 cm
Henriqueta Lisboa
Andorinha no fio
escutou um segredo.
Foi à torre da igreja,
cochichou com o sino.
E o sino bem alto:
delém-dem
delém-dem
delém-dem
dem-dem!
Toda a cidade
ficou sabendo.
Na Biblioteca, c. 1927
Jean Edouard Vuillard (França, 1868-1940)
óleo sobre tela
Há três semanas li um artigo no New York Times que me deixou perplexa. No alardeado ocaso dos livros impressos, há um nicho nas casas editoriais americanas em pleno desenvolvimento: livros que ensinam a decorar a sua casa com LIVROS. Mireille Silcoff no artigo intitulado On their deathbed, Physical Books have finally become Sexy nota que há agora um nicho de grandes livros, do gênero Coffe-table books, livros em edições caras com muitas fotografias usadas em geral para decorar mesas de centro, promovendo a decoração com esses itens [livros] que dentro em pouco estarão em extinção.
Sempre soube que livros são e eram decorativos. No mercado de antiguidades/decoração muito se vendeu livros bem encadernados, em couro, com dorsos coloridos, a metro. Livros cujo valor do conteúdo era quase nulo (pelas mais diversas causas: grafia antiga, novelas fracas, gramáticas antigas, teorias científicas ultrapassadas, romances para moçoilas e assim por diante) mas se em boas e elegantes encadernações, esses livros eram há muito favoritos dos decoradores. O valor decorativo de uma parede cheia de livros bem cuidados é enorme. Fala de cultura e sofisticação.
Mas o que me causou espanto, foi a impressão de livros explicando como decorar a casa com livros: uma meta-decoração. Inacreditável. Vocês não acham?
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Rolo sai no dia dos namorados, ilustração de Maurício de Sousa.–
“Meu bem” — frasinha sem cor
que, assim, nada significa.
Nos lábios do meu amor,
que amor de frasinha fica!
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(Eno Teodoro Wanke)
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Vaso de flores em fundo vermelho, s./d.
Ingres Speltri (Brasil, 1940)
óleo sobre tela, 102 x 97cm
Operários, 1933
Tarsila do Amaral (Brasil, 1886-1973)
Óleo sobre tela, 150 x 205 cm
Acervo do Palácio do Governo do Estado de São Paulo
Retrato de homem com vista de Sint-Michielsabdij, na Antuérpia, 1520
Albrecht Dürer (Alemanha, 1471-1528)
Ponta de prata sobre papel, 13 x 19 cm
Musée Condé, Chantilly
No dia 3 de agosto de 1520 chegava à Antuérpia Albrecht Dürer, acompanhado de sua esposa e de uma empregada. Ele viajava para confirmar com Carlos V a pensão que lhe havia sido dada. A essa altura Dürer já era muito conhecido na Europa em grande parte por causa das extraordinárias xilogravuras que produzira.
Hoje, preparando notas para uma futura aula, tive o prazer de recordar algumas passagens do diário que o pintor manteve enquanto viajava, que não só nos deixa entrever a vida no início do século XVI na Antuérpia, assim como o respeito com que o pintor era tratado por diversos dignitários nas cidades por onde passou.
Não sei se o diário de Albrecht Dürer já foi traduzido para o português. Uma breve pesquisa na internet me deu a impressão de que não foi. Vou traduzir para vocês do inglês uma passagem para que tenhamos a visão de um pouquinho do gosto da época
“Domingo, era dia de Santo Osvaldo, os pintores me convidaram para o salão da sua guilda, a mim e à minha esposa e empregada. Todo o serviço era de prata e havia outros ornamentos suntuosos e carnes preciosas. Todas as esposas também estavam lá. E à medida que fui levado à mesa todos os convidados ficaram em pé em ambos os lados da mesa como se eu fosse um grande senhor. E entre eles havia homens de grande estatura social, que se comportaram com muito respeito e grande cortesia para comigo, e prometeram fazer todo o possível em seu poder me satisfazer. E enquanto eu lá estava sentado com toda essa honra, o Síndico [Adrian Horebouts] de Antuérpia, veio com dois serventes e me presentearam com quatro recipientes de vinho em nome dos conselheiros da cidade de Antuérpia, e pediram para que ele dissesse que eles queriam dessa forma mostrar o respeito que tinham por mim e assegurar sua boa vontade. Pelo qual eu lhes retornei o meu agradecimento, modestamente oferecendo os meus serviços. Depois disso veio Mestre Peter [Frans], o marceneiro da cidade e me presenteou com dois recipientes de vinho e com a oferta de seus serviços. Então, depois de termos nos divertido por muito tempo até tarde, eles nos acompanharam até a casa com lanternas, com muita honra. E me rogaram para que eu estivesse sempre confiante da boa vontade deles, e prometeram que qualquer coisa que eu quisesse fazer, eles estariam prontos para ajudar. Então eu lhes agradeci e fui dormir.”
Travel Diary, Dürer, em W.M. Conway, Literary Remains of Albrecht Dürer (Cambridge; University Press, 1889): text slightly revised by J.B.R.
Encontrado em The Portable Renaissance Reader, editado por James Bruce Ross e Mary Martin McLaughlin, New York, The Viking Press: 1958, p. 227-28
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Geraldo de Castro (Brasil, 1914-1992)
óleo sobre tela, 90 x 90 cm
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