Evitando acidentes XV

23 02 2009

dsc05680

Água fervendo evapora.

Não vá chegar perto logo agora!





Porque é Carnaval…

23 02 2009

baile-a-fantasia-1913-rodolpho-chambellandrj-1879-1967-ost-149x-209-mnba

Baile à fantasia, 1913

Rodolpho Chambelland (RJ 1879 – RJ 1967)

Óleo sobre tela, 149 x 209 cm

Museu Nacional de Belas Artes,

Rio de Janeiro

 

 

Rodolfo Chambelland (Rio de Janeiro RJ 1879 – Idem 1967). Pintor, professor, desenhista e decorador. Inicia seus estudos em artes no Liceu de Artes e Ofícios do Rio de Janeiro (Rio de Janeiro RJ).  Trabalha inicialmente realizando capas de partituras para a Casa Bevilacqua e retoques em fotografias para a Casa Bastos Dias. Em 1901, ingressa no curso livre da Escola Nacional de Belas Artes – Enba, onde é aluno de Rodolfo Amoedo (1857 – 1941), Zeferino da Costa (1840 – 1915) e Henrique Bernardelli (1858 – 1936). Em 1905, recebe o prêmio de viagem da Enba pelo quadro Bacantes em Festa e viaja para Paris no mesmo ano, onde permanece por dois anos. Em Paris, cursa a Académie Julien e estuda com Jean-Paul Laurens (1838 – 1921). Ao retornar ao Brasil realiza a primeira individual, no Rio de Janeiro, em 1908. Em 1911, viaja para Turim, Itália, acompanhado de Carlos Chambelland (1884 – 1950), seu irmão, e dos artistas João Timótheo da Costa (1879 – 1930) e do irmão Arthur Timótheo da Costa (1882 – 1922), entre outros, contratados pelo governo brasileiro para realizar a decoração do Pavilhão do Brasil na Exposição Internacional daquela cidade. Em 1916, assume a cadeira de professor de desenho de modelo vivo da Enba, cargo que exerce até 1946. Participa freqüentemente das Exposições Gerais de Belas Artes, entre 1896 e 1927, recebendo a pequena medalha de ouro, em 1912, pelo retrato de José Mariano Filho. Em colaboração com Carlos Chambelland, pinta oito painéis para a cúpula da sala de sessões do Palácio Tiradentes, no Rio de Janeiro em 1920.

 

 

 

 

Fonte: Itaú Cultural

 





A mesma rosa amarela — poema de Carlos Pena Filho

23 02 2009

 

 

a-rosa-amarela-2008-fernanda-guedes-caneta-tela-20x25

A rosa amarela, 2008

Fernanda Guedes

Caneta Fredix sobre tela, 20 x 25 cm

 

 

A mesma rosa amarela

 

                                 Carlos Pena Filho

 

 

Você tem quase tudo dela,

o mesmo perfume, a mesma cor,

a mesma rosa amarela,

só não tem o meu amor.

 

Mas nestes dias de carnaval

para mim, você vai ser ela.

O mesmo perfume, a mesma cor,

a mesma rosa amarela.

Mas não sei o que será

quando chega a lembrança dela

e de você apenas restar

a mesma rosa amarela,

a mesma rosa amarela.

 

 

Em:  Melhores poemas, Carlos Pena Filho, ed. Edilberto Coutinho, Editora Global: 2000, São Paulo.

 

 

Carlos Pena Filho ( PE 1929-PE 1960) poeta brasileiro. 

 

Obras:

 

O tempo da busca, 1952

Memórias do boi Serapião, 1956

A vertigem lúcida, 1958

Livro geral, 1959

 





Imagem de leitura — Márcio Melo

22 02 2009

a-cortina-de-renda-2008-marcio-melo-brasil-acrilica-tela-61x76

A cortina de renda, 2008

Márcio Melo ( Brasil)

Acrílica sobre tela, 61cm x 76 cm

 

 

 

 

 

 

Márcio Melo é um pintor brasileiro, morando em Québec.  Radicado no Canadá desde 1987. 





Romances celulares, você leria?

22 02 2009

CELL NOVELS-assembled image.indd

Há dois meses, no final de 2008 li uma reportagem de Dana Goodyear na revista The New Yorker que me deixou ao mesmo tempo feliz e preocupada.  O artigo chamado Carta do Japão: eu romances, considera que em 2007 quatro dos cinco romances mais vendidos no Japão haviam sido escritos em telefones celulares.  

 

Dana Goodyear centralizou seu artigo na experiência de Mone uma jovem de 21 anos que em março de 2006, achando-se casada, sem muito o que fazer, começou a escrever um romance, em grande parte baseado nos seus próprios diários de adolescente.  Na casa de sua mãe, à espera do marido completar um curso em Tóquio,  Mone se acomodou em sua antiga cama e começou a escrever seu romance no telefone celular.  Neste mesmo dia ela começou a postar o que escrevia num portal japonês chamado Maho i-Land ( A Ilha Mágica), sem nunca dar uma segunda olhadela no que havia escrito nem pensando num roteiro.  No terceiro dia de postagem Mone começou a ter contato com leitores de sua prosa que já se encontravam intrigados com as aventuras de Saki, personagem que narra o romance em questão.  O Sonho Eterno, nome que dera aos seus escritos, havia conquistado leitores que lhe pediam mais capítulos.

 

cell-writing-elizabeth-o-dulemba

 

Em meados de abril Mone havia terminado seu primeiro romance, dezenove dias depois de ter iniciado o trabalho.  Nesta altura, seu marido também acabara o curso e ela voltou a Tóquio.   Eis que de repente ela se vê procurado por uma casa editorial que queria publicar seu romance como um livro comum.  Em dezembro de 2006, o livro,  O Sonho Eterno, com aproximadamente 300 páginas foi lançado e distribuído pela Tohan, transformando-se imediatamente num dos dez mais vendidos livros do Japão em 2007.  No final daquele ano, romances escritos em telefones celulares haviam tomado 4 dos 5 primeiros lugares de mais vendidos em ficção.  O romance Linha vermelha de Mei, vendeu 1.800.000 exemplares, e ficou em segundo lugar para o romance Céu de Amor, de autoria de Mike, conseguiu o primeiro lugar em vendas.  

 

Estes escritores hoje em dia chamados de escritores de celulares conseguiram depois deste sucesso serem completamente reconhecidos como parte de um movimento cultural.  Inicialmente houve um grande rebuliço nas letras japonesas.  Muitos temiam que esta literatura, em grande parte direcionada a adolescentes viesse a acabar com a tradicional arte da escrita japonesa.  Mas logo descobriram que este não é o caso. 

 

Para jovens japoneses, e especialmente para meninas, os celulares são sofisticados, baratos e há mais de dez anos facilmente conectáveis com a internet.  Na verdade, 82% dos japoneses entre 10 e 21 anos de idade usam telefone celular.  Há uma geração inteira crescendo acostumada ao uso do celular como um mundo deles portátil, por onde eles compram, usam a internet, jogam videogames, vêem televisão em portais na web explicitamente dedicados aos celulares. 

 

cell-writing2

 

Este fenômeno daqui a pouco deixará de ser só japonês.  Com os novos IPhone e com serviços de entrega de textos como Twitter, os hábitos americanos estão no momento se desenvolvendo paralelamente aos japoneses.  Há nos EUA dois portais Quillpill e Textnovel, ambos ainda em beta, que oferecem modelos para a escrita e a leitura de ficção em celulares.  

 

A indústria editorial japonesa que havia encolhido por mais de 20% nos últimos 11 anos, abraçou o fenômeno da ficção celular com gosto.  Editoras já começam a contratar escritores para este tipo de ficção, e a distribuir capítulos dessas histórias por uma pequena taxa.  É a volta dos seriados, tal qual muito livros do século XIX foram escritos, com a diferença de terem sido publicados nos jornais.  Em 2007, 98 romances originalmente produzidos em celulares foram publicados em forma de livro.   Mais uma vez a internet mostra também como o a rede de conhecimentos de uma pessoa pode servir de base para o apoio inicial e para o sucesso mais tarde de um membro da sociedade.  Como Yoshida – um executivo em tecnologia – descreve, é um esforço coletivo.  Seus fãs lhe dão apoio e o encorajam a continuar no seu processo criador,  — eles ajudam na criação.   Depois eles compram o livro para re-afirmar aquela conexão, aquela “amizade” que têm com o autor.  

cell-writing-drawing-by-anthony-zierhut

 

Sozinhas estas jovens adolescentes escritoras e leitoras de ficção no celular estão mudando os costumes tradicionais.  Agora, para esta geração o sinal da tribo, é gostar de ler.  

 

Com tanto sucesso em ficção,  por que eu fiquei ao mesmo tempo feliz e preocupada?  Feliz, porque acho que qualquer incentivo à leitura é positivo. A leitura expande os conhecimentos, a imaginação.  Ela fertiliza o cérebro, ela nos mantem flexíveis nos modos de pensar, de ver e de calcular.   Preocupada, bem, fiquei mais com a escala da diferença tecnológica brasileira.  Por mais que tenhamos grandes cérebros trabalhando no Brasil em tecnologia, tenho a sensação de que o abismo entre as sociedades mais desenvolvidas tecnologicamente e nós se aprofunda.  Contrariando muitas projeções de desenvolvimento e de capacitação.  Isso é preocupante.   E muito.

 





Brasil que lê: foto tirada em lugar público

16 02 2009

dsc05629

Um porteiro de um edifício na Avenida Atlântica, Copacabana.





A chave do relógio, poema de Joaquim José Teixeira

15 02 2009

mechanical-clock-work

 

A CHAVE DO RELÓGIO

                                                

                                                 Joaquim José Teixeira

 

 

                                            Fábula

 

 

 

A um relógio dava corda

Chavinha de áureo metal.

E mui vaidosa do impulso

Parar não quis afinal.

 

Forçou, pois, e desta força

Dentro a mola arrebentou,

E do tempo o mecanismo

Sem movimento ficou.

 

Resolvam, mandem governos

Nas raias do seu poder,

Vejam bem nesta chavinha

Que não basta o só querer.

 

 

Em: Poetas cariocas em 400 anos, editado por Frederico Trotta, Editora Vecchi:1965, Rio de Janeiro.

 

 

Joaquim José Teixeira (RJ 1811- RJ 1885) poeta, romancista, teatrólogo tradutor, conferencista, diplomado em letras e direito, magistrado.  Foi presidente da Província de Sergipe; do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro e um dos fundadores do Instituto dos Advogados – Colaborou em vários jornais e revistas.  Traduziu Goethe, Molière, La Fontaine.  Usou o cognome: Papagaio.

 

 

Obras:

 

A Aposta, teatro   

A Heroína do Pará, romance e novela 

Elogio Dramático, poesia 1840  

Mata escura, romance, 1849

A sobrinha do cônego, romance, 1850

Fábulas, poesia 1864  

Versos, poesia, 1865

A Memória de Rita Manuela Duque-Estrada Teixeira, poesia 1873  

A Rica de Honra, teatro   

As Eleições, teatro   

As noites do cemitério,   tradução   

Camões, teatro   

Conferências literárias. Crítica, teoria e história literárias, 1874  

La fontaine e suas fabulas, ensaio, 1874  

O Barricida, teatro   

O Juiz de Paz, teatro   

O Ministro e seu Secretário, teatro   

O Ministro Traidor, teatro   

O Novo Gil Brás, romance e novela   

Os Compadres, teatro   

Os Dois Descontentes, teatro   

Pastoral, implorando um óbolo dos fieis para a reconstrução do seminário, 1894  

Pensamentos, poesia, 1878

Prometeu, tradução 1879  

Quelques Essais, crítica, teoria e história literárias,  1877  

Razão de recurso, apresentada no Tribunal da Relação da Corte pelo advogado de Domingos Moutinho. 1866  

Romances, romance e novela 1876  

Tartufo,  tradução 1880  

Três Dias de Ministro, teatro

 





Fim do horário de verão!

15 02 2009

amanhecer1

Ilustração: Maurício de Souza

 

Está na hora de prestar atenção ao relógio. 

Preparar-se para uma mudança: atrasar o relógio de uma hora.

 Acabou hoje o horário de verão.  

Não se esqueçam! 





A bananeira — poema de Sabino de Campos

13 02 2009

j-inacio-bananeiras-ast-70x60

Bananeiras, sd

J. Inácio (Brasil)

Acrílica sobre tela, 70 x 60 cm

 

A Bananeira

 

Humilde, em meio à flora, a bananeira,

Sozinha, transplantada em terra boa,

Vive ocultando à Natureza inteira

O seu destino de morrer à toa.

 

E parece feliz, bebendo as águas

Do céu, para o consolo das raízes,

Como se viessem transformar-lhe as mágoas

Nos encantos das árvores felizes.

 

O sol enche-lhe as palmas de pepitas

De ouro, na exaltação do amor violento,

E ela paneja suas largas fitas,

As folhas verdes balançando ao vento…

 

Outras vezes, a chuva, como um véu

Desatado de nuvem passageira,

Cai das vitrinas rútilas do céu

Para vestir de noiva a bananeira.

 

Noiva, mas noiva-mãe, toda pureza,

Pois sem amor, sem mácula e empecilhos,

Faz rebentar à luz da Natureza,

Na terra, em torno, a vida de seus filhos.

 

Pende-lhe, em breve, o cacho, de ouro ou prata,

Dos frutos bons…  Depois, a golpes brutos,

A bananeira cai em terra ingrata,

Pela desdita de ter dado frutos.

 

 

João Pessoa, Paraíba, 10-7- 1940

 

 

Em: Natureza: versos, Pongetti: 1960, Rio de Janeiro

 

sabino-de-campos-retrato-a-bico-de-pena-seth-1947

Sabino de Campos, Retrato a bico de pena, por Seth, 1947.

 

Sabino de Campos (Amargosa, BA, 1893– ? ),  poeta, romancista e contista.

 

Obras:

 

Jardim do silêncio, 1919, (poesia)

Sinfonia bárbara, 1932,  (poesia)

Catimbó: um romance nordestino, 1945 (romance e novela)

Os amigos de Jesus, 1955 (romance e novela)

Lucas, o demônio negro, 1956 – romance biográfico de Lucas da Feira (romance e novela)

Natureza, 1960 (poesia)

Cantigas que o vento leva, 1964, (poesia)

Contos da terra verde, 1966 (contos)

Fui à fonte beber água, 1968 (poesia)

A voz dos tempos, memórias, 1971

Cantanto pelos caminhos, 1975

Autor,  junto de Manoel Tranqüilo Bastos, do hino da cidade de Cachoeira, BA





Evitando acidentes XIV

11 02 2009

dsc05551

No vermelho não se atravessa.

Pra que tanta pressa?