Vozes da noite, poema infantil de Armando Cortes Rodrigues

11 04 2009

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Vozes da noite

 

Armando Cortes Rodrigues

 

 

 

Vozes na Noite!  Quem fala

Com tanto ardor, tanto afã?

Falou o Grilo primeiro,

Logo depois foi a rã.

 

 

Pobre loucura dos homens

Quando julgam entendê-las…

Só eles pasmam os olhos

Neste encanto das estrelas.

 

 

Lá no silêncio dos campos

Ou no mais ermo da serra,

Na voz das rãs fala a água,

Na voz dos grilos a Terra.

 

 

Só eles cantam a vida

Com amor e singeleza,

Por ser descuidada, alegre;

Por ser simples com beleza.

 

 

Pudesse agora dizer-te,

Sem ser por palavras vãs,

O que diz a voz dos grilos,

O que diz a voz das rãs.

 

 

 

Em: Antologia Poética para a infância e a juventude,  Henriqueta Lisboa, Rio de Janeiro, INL:1961

 

 

 

Armando Cortes Rodrigues (1891-1971) Escritor português, nasceu em Vila Franca do Campo, S. Miguel a 28 de Fevereiro de 1891 . Tendo escrito na sua terra a opereta – Em Férias – de colaboração com um condiscípulo, ainda estudante do liceu, vem para Lisboa (1915), onde se matricula no Curso Superior de Letras. Licenciou-se em Filologia Românica, em 1927. Passou o resto da vida nos Açores, como professor. Foi diretor da revista Insular.

 

 

Obras poéticas:

 

Ode a Minerva. Angra do Heroísmo, 1922

Conto do Natal para a Fernanda, 1922  

Em Louvor da Humildade. Poemas da Terra e dos Pobres, 1924

Cântico das Fontes, 1934

Cantares da Noite Seguidos dos Poemas de Orpheu, 1942

Quatro Poemas Líricos, 1948

Horto fechado e Outros Poemas, 1953

Antologia de Poemas de Armando Côrtes-Rodrigues, 1956

Em Louvor da Redondilha, 1957

Auto do Espírito Santo, 1957   

Auto do Natal,  1965

 





Boas Maneiras — I

11 04 2009

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Alguém vai sempre ajudar,

Se “por favor” você falar.





Anjo da Guarda — poema infantil de Emílio Moura

10 04 2009

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Vaso chinês com dragão, pintura de Gary Michaels.

 

 

 

 

 

Anjo da Guarda

 

Emílio Moura

 

 

Dentro da sala meio escura

o Dragão salta do vaso.

Nenhuma espada em minha mão.

 

 

O tapete foge, o teto estica-se.

 

 

“ – Dorme, dorme, meu filhinho…”

 

 

Quem é que pega o Monstro

E prega o Monstro no vaso?

 

 

Alguém está pegando o Monstro…

 

 

 

Em: Antologia Poética para a infância e a juventude, Henriqueta Lisboa, Rio de Janeiro, INL: 1961

 

 

 

Emílio Guimarães Moura (14 de agosto de 1902, Dores do Indaiá—28 de setembro de 1971, Belo Horizonte) foi um professor universitário, poeta modernista e redator dos periódicos Diário de Minas, Estado de Minas e A Tribuna de Minas Gerais. Moura foi também um dos fundadores da FACE-UFMG, onde lecionou e da qual foi o primeiro reitor.

 

 

Obras:

 

Ingenuidade (1931)

Canto da hora amarga (1936)

Cancioneiro (1945)

O espelho e a musa (1949)

O instante e o eterno (1953)

A casa (1961)

50 Poemas escolhidos pelo autor (1961)

Itinerário Poético (1969)

 

 

 





Ser feliz é …

9 04 2009

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Súplica, poeminha de Martins d’Alvarez

9 04 2009

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Andorinhas na primavera, aquarela chinesa.

 

 

Súplica

 

                        Martins d’Alvarez

 

 

Saudade, minha amiguinha,

procura aquela andorinha

que o meu caminho cortou.

Pede à avezinha erradia

que me devolva a alegria

que ela me ofertou um dia

e no outro dia tomou!

 

 

 

 

Em: Poesia do cotidiano, Fortaleza, Ceará, Editora Clã: 1977

 

 

 

José Martins D’Alvarez   (CE 1904)  Poeta, romancista, jornalista, diplomado em Farmacia e Odontologia, professor, membro da Academia Cearense de Letras. Nasceu na cidade de Barbalha, Estado do Ceara, em 14 de setembro de 1904.  Filho de Antonio Martins de Jesus a de Antonia Leite da Cruz Martins. Fez os estudos primários na sua cidade natal, os secundários, no Liceu do Ceará.  Depois de formado em Odontologia. Transferiu em 1938 sua residência para o Rio de Janeiro, onde exerceu, além de atividades na imprensa, atividades no magistério superior.

 

 

 

Obras:

 

“Choro verde: a ronda das horas verdes”, 1930 (versos).

“Quarta-feira de cinzas”, 1932 (novela).

 “Vitral”, 1934 (poemas).

“Morro do moinho” 1937 (romance)

“O Norte Canta”, 1941 (poesia popular).

“No Mundo da Lua”, 1942 (poesia para crianças).

“Chama infinita, 1949 (poesias)

“O nordeste que o sul não conhece 1953 (ensaio)

“Ritmos e legendas” 1959 (poesias escolhidas)

“Roteiro sentimental: geopolítica do Brasil” 1967 (poesias escolhidas)

“Poesia do cotidiano”, 1977 (poesias)

 

 

 

 

Outros poemas de Martins d’Alvarez neste blog:

 

 

ANJO BOM ; AMIGOS ; JOÃO E MARIA

 

 





Brasil que lê: fotografia tirada em lugar público

8 04 2009

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Não só lendo, mas comentando…   Calçadão de Copacabana.





A cachorrinha, poema infantil de Vinicius de Moraes

7 04 2009

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 A cadelinha da vovó, ilustração de Maud Trube.

 

 

 

 

 

A cachorrinha

 

                       

Vinícius de Moraes

 

 

 

Mas que amor de cachorrinha!

Mas que amor de cachorrinha!

 

 

Pode haver coisa no mundo

Mais branca, mais bonitinha

Do que a tua barriguinha

Crivada de mamiquinha?

Pode haver coisa no mundo

Mais travessa, mais tontinha

Que esse amor de cachorrinha

Quando vem fazer festinha

Remexendo a traseirinha?

 

 

 

 

Em: A arca de Noé, Vinícius de Moraes, Livraria José Olympio Editora: 1984; Rio de Janeiro; 14ª edição.

 

 

 

 

 

Marcus VINÍCIUS da Cruz DE Melo e MORAES (RJ 1913-RJ 1980), diplomata, jornalista, poeta e compositor brasileiro.

 

Livros:

 

O caminho para a distância (1933)

Forma e exegese (1935)

Ariana, a mulher (1936)

Novos Poemas (1938 )

Cinco elegias (1943)

Poemas, sonetos e baladas (1946)

Pátria minha (1949)

Antologia Poética (1954)

Livro de Sonetos (1957)

Novos Poemas (II) (1959)

Para viver um grande amor (crônicas e poemas) (1962)

A arca de Noé; poemas infantis (1970)

Poesia Completa e Prosa (1998 )

 

 —

 

 

 

Outros poemas de Vinícius de Moraes neste blog:

 

As borboletas

 





Ser feliz é …

6 04 2009

sentir-paz-e-harmonia-bem-estar-calmaria





Quadrinha sobre O DIA — Ledo Ivo

6 04 2009

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Manhã na Terra.

 

 

 

 

 

Ó grande noite sonora

caída sobre o Ocidente,

o dia que dissipaste

recolhe-o alguém no Oriente.

 

 

 

 

 

Outras quadrinhas neste blog:

 

 

Ser criança

Gato e Rato

Passarinhos

Cuidar dos animais

 

 





Brasil que lê: foto tirada em lugar público

5 04 2009

dsc01599Dois leitores na praia de Copacabana.