Quadrinha do saci-pererê

14 11 2011

Chico Bento pensa no Saci-pererê, ilustração Maurício de Sousa.

Saltando apenas num pé,

negrinho, maroto e arteiro,

o saci nada mais é

que o capeta brasileiro!

(Carolina Ramos)





Quadrinha infantil sobre a floresta

13 11 2011
Floresta, ilustração de Marcel Marlier, 1953.

A devastação das matas

Constitui um grande mal

Que pode levar ao caos

A nossa Terra Natal.

(Walter Nieble de Freitas)





É a hora de esconder o bico, poesia de Augusto Frederico Schmidt

12 11 2011

É a hora de esconder o bico

Augusto Frederico Schmidt

É a hora de esconder o bico

Entre as penas e adormecer.

É a hora de ficar quieto,

De mergulhar o bico entre as asas

E deixar que sopre

O vento fresco do sono.

É a hora em que as sombras leves

Amadurecem as coisas do mundo,

Em que nos céus desmaiados

Sobem as últimas palpitações

E o fumo da terra.

É a hora da breve doçura.

Quando as árvores, as flores e os pássaros

Principiam a envolver-se na imobilidade

– – –  –  E no silêncio…

Em: Eu te direi as grandes palavras: poemas escolhidos e versos inéditos, Augusto Frederico Schmidt, Rio de Janeiro, José Aguillar:1975.

Augusto Frederico Schmidt  (RJ 1906 – RJ 1965) viveu e estudou na Suíça dos 8 aos 10 anos e, ainda adolescente, começou a trabalhar no comércio do Rio, primeiro como balconista da famosa livraria Garnier e, em seguida, caixeiro viajante. Em 1931, fundou a Editora Schmidt.  Colaborou com os jornais O Globo, Correio da Manhã e A Tarde.





A mulher de vermelho e branco de Contardo Calligaris e a ambiguidade

11 11 2011

O que você vê nesta imagem?

Depois da leitura do excelente romance A mulher de vermelho e branco, de Contardo Calligaris, [ Cia das Letras: 2011] eu gostaria de poder rever meu primeiro professor em teoria da percepção, Antônio Gomes Penna (1917-2010), para dizer, “valeu mestre”, o senhor me preparou para a boa interpretação de texto e das artes visuais.  A  realidade é plural.  É a soma do que vemos e do que não vemos.  Mas, através desses anos, como historiadora da arte, o conhecimento da gestalt raramente se fez óbvio, pelo menos ostensivamente.  A razão é simples: a ênfase tem sido na historiadora e não no teórico das artes visuais.  A  história da cultura ocidental através das artes plásticas e da literatura prevaleceu sobre as teorias da percepção, se isso pode de fato acontecer, porque a  história também está sujeita a interpretações diversas,  não sendo fixa nem sedimentada.  Como tudo mais,  é a soma do que  vemos e do que não vemos.  O romance de Contardo Calligaris é uma fascinante e deliciosa aventura, contagiante e sedutora, no mundo das nossas percepções daquilo que nos rodeia, daquilo que nos afeta e até mesmo da interpretação dos nossos sonhos.

Mas não se enganem, A mulher de vermelho e branco é antes de tudo uma ótima história, contada de maneira simples, direta, sem muitos rodeios literários.  É um quase-thriller.  Digo um quase-thriller porque as aventuras que se desenrolam ao longo do caminho são mais de ordem intelectual.  Até mesmo o perigo é mais potencial do que factual, se bem que tão importante quanto.  Mas há um fio condutor de suspense até a última página, quando temos que reconsiderar tudo o que poderíamos ter imaginado e somá-lo ao que já considerávamos como certo.

A trama se passa em seis meses de 2003 com duas atualizações em 2010 e 2011 e retrata a vida do psicanalista Carlo Antonini, dentro e fora de seu consultório: vida profissional e particular.  São os dois aspectos de sua vida que se entrelaçam: ora o psicanalista, ora o homem comum nos ajudam a construir o enredo.  Seguindo seus passos e suas divagações, considerando os amigos, as conversas e, em particular, uma paciente entramos com ele na difícil arte de interpretar a realidade que se apresenta aos seus olhos.  A mulher de vermelho e branco não deixa de ser um envolvente ensaio prático sobre a ambiguidade, um documento lúdico que demonstra como as condições do observador modificam a importância do que é percebido.  

Nessa narrativa tudo tem muitas faces.  Tudo é a soma de todos os seus componentes tanto os percebidos quanto os que estão distantes do nosso conhecimento: as pessoas têm diferentes nacionalidades, vão e vêm de diferentes países, falam pelo menos duas diferentes línguas com familiaridade.  São famílias com mais de uma identidade, vindas de diversos lugares do mundo.  Duas mulheres, que a princípio parecem diametralmente opostas, ambas com singular dualidade entre seus nomes de batismo e os nomes pelos quais vêm a ser conhecidas, apresentam comportamentos que, por base em um evento, parecem se modificar no inesperado oposto do que haviam sido até então.  Ambas podem ou não ser suspeitas de atos de violência, mas ambas também podem demonstrar fragilidade e doçura. Até mesmo o psicanalista Carlo Antonini que narra o romance, que trafega com familiaridade entre São Paulo, Nova York e Paris, que muda de língua como se muda de roupa, considera a ambivalência do dentro e do fora de seu consultório, de seus motivos e até do que a vida poderia ter sido.  E ainda é confrontado com a ambivalente leitura que faz daqueles que o rodeiam, dos amigos e conhecidos. Não é que a realidade esteja sempre em questionamento na narrativa, é ela que se apresenta camaleonesca, múltipla, facetada e precisa ser ajustada à medida que os personagens dão vazão à fluidez de suas vidas.

Contardo Calligaris

Mais do que um romance, uma aventura ou um thriller,  A mulher de vermelho e branco é um exemplo do trabalho da psicologia cognitiva.  Ele demonstra que a realidade é ambígua, que cada pessoa, fato ou evento pode mudar de acordo com a interpretação que deles fazemos. E, no final, quase somos surpreendidos,  não necessariamente pela trama.  Mas quando consideramos o efeito da ambiguidade em tudo que nos cerca.  Como conseguimos navegar ao longo de nossas vidas sem maiores embates, sem grandes desentendimentos, quando não podemos compreender tudo o que nos cerca?  Parece fantástico, miraculoso até:  se cada um de nós percebe o mundo de maneira tão diferente,  tudo deveria contribuir para um caos ainda maior do que o que enfrentamos, para o oposto da ordem.    Vale a leitura.  Recomendo.





Quadrinha do primeiro livro

10 11 2011

 

 

Não sou mais analfabeto!

Felizmente já sei ler!

Este meu primeiro livro

Vai-me dar muito prazer!

(Walter Nieble de Freitas)





O jumento e o gelo, uma fábula de Leonardo da Vinci

8 11 2011

O jumento e o gelo, ilustração de Adriana Saviossi Mazza.

Mais uma fábula de Leonardo da Vinci.  Quem vem seguindo este blog  já sabe que além de grande pintor, arquiteto e cientista, o gênio da Renascença italiana também ficou conhecido por sua arte de conversar, de contar histórias.  Também escreveu e anotou fábulas e contos populares, lendas e anedotas, organizando-as em volumes diversos.   Algumas dessas lendas foram traduzidas por Bruno Nardini e publicadas no Brasil em 1972.  Transcrevo aqui a fábula O jumento e o gelo do volume de Leonardo chamado: Fábulas, Atl. 67 v.b.)  Em: Fábulas e lendas, Leonardo da Vinci, São Paulo, Círculo do Livro: 1972, p.34.

A fábula de hoje, tem uma moral conhecida nossa, sabedoria popular, vinda da tradição latina através de Portugal: Quem avisa amigo é.

O jumento e o gelo

Era uma vez um jumento que estava muito cansado e sentiu-se sem forças para ir até o estábulo.

Isso aconteceu no inverno, e fazia muito frio.  Todas as ruas estavam cobertas de gelo.

— Vou ficar aqui, disse o jumento, deitando-se no chão.

Um pequeno pardal voou para junto dele e murmurou-lhe ao ouvido:

— Jumento, você não está na rua, mas sim sobre um lago congelado.  Seja prudente!

O jumento estava cansado.  Não tomou conhecimento do aviso.  Bocejou e adormeceu.

O calor de seu corpo começou aos poucos a derreter o gelo, que, finalmente, estalou e partiu-se.

Ao ver-se dentro d’água, o jumento acordou aterrorizado.  E enquanto nadava na água gelada, arrependeu-se por não ter ouvido o conselho do pardal amigo.

–  .  –  .  –  .  –  .  –  .  –  .  –  .  –  .  –  .  –  .  –  .  –  .  –  .

Nesse blog temos também:

A Raposa e a pega, de Leonardo da Vinci.





Decidindo sobre os cartões postais de obras de arte

7 11 2011

Longos feriados em geral me levam a grandes projetos.  Não gosto de sair em mini-férias nas semanas com feriados.  Tudo fica muito cheio, o trânsito horrível, acabo cansada e irritada.  Esta semana com o feriado na quarta-feira fiquei sem saber se emendava para do domingo anterior ou para o domingo seguinte.  Acabou que não fiz nem uma coisa nem outra.  Só tirei “férias” das minhas atividades corriqueiras.  E comecei  — PERIGO!  — a organizar aquelas coisas que a gente sempre tem a intenção de arrumar e não consegue.  Fui checando diversos itens que estavam para serem revistos, portanto não se surpreendam se eu voltar a esse assunto nas semanas que seguem, principalmente porque já estou me preparando para continuar – e quem sabe conseguir terminar o que comecei — no dia 15, feriado nacional.

Desde que me mudei – passaram-se 14 meses! – estou para dar ordem a algumas das centenas e centenas de cartões postais que tenho.  Antes de me mudar para um local com menos espaço, selecionei todos os postais brasileiros de minha coleção, que haviam sido impressos na primeira metade do século vinte e mandei para leilão.  Mas guardei comigo outros tantos, quase todos de obras de arte. Por razões emocionais.

Na época em que precisei fazer provas orais de reconhecimento de obras de arte e estilos – parte do processo normal da finalização do curso de mestrado em história da arte, a maneira de estudar era através de cartões postais, que eu e meus colegas na universidade, mostrávamos uns aos outros testando os conhecimentos:  “ Isto é, Fantin-Latour, Natureza Morta.” “Ingres, Retrato de Mlle Rivière, 1805”; “Sátiro com bacantes, Clodion”; “Venus Consolando o Amor, Boucher”; e assim por diante.  As provas orais do mestrado eram divididas em 3 partes:  duas delas incluíam conhecimento geral, da Idade da Pedra ao momento presente com o reconhecimento darte projetada na tela.  E havia também a defesa da tese de mestrado.  Era a prova oral de reconhecimento das obras de arte, esta a que me referi ainda agora, em que os slides eram projetados por 30 segundos, mais ou menos, quando tínhamos que reconhecer e identificar o que estava sendo projetado, que era a parte que mais nos dava medo.  Mesmo a segunda fase desse torneio de reconhecimento de obras de arte, aquela em que  o aluno tinha que dar uma pequena aula de cinco minutos  sobre o que estava na tela, não apavorava tanto, parecia  mais fácil, porque dava tempo de pensarmos: cinco minutos para cada projeção, além é claro da possibilidade de uma boa dose de “embromol” [que diga-se de passagem, ao contrário do que muitos pensam, não é uma invenção brasileira].  Mas a parte de identificação era muito traumática, a meu ver, porque tínhamos que fazê-lo na hora, de imediato, “na lata”, qualquer obra da Idade da Pedra ao presente.

As provas orais para o doutoramento também se dividiam em duas partes, duas provas orais: a defesa da tese de doutoramento e a parte que incluía identificação [ao acaso] e até de obras sem autor conhecido para você atribuir e dizer porque atribui.  Essas eram em dias separados.  Mas sempre me pareceram mais fáceis porque eram obras [pintura, escultura e arquitetura] dentro da sua área de especialização, e é claro, tínhamos a obrigação de saber.  Passáramos anos a fio estudando exclusivamente um determinado período da história para isso mesmo, para sermos especialistas.

De modo que os muitos cartões postais de obras de arte que tenho comigo têm um simbolismo grande.  Alguns já estão amarelando.  Se levar em consideração as fotografias modernas muito mais precisas do que as do passado, devo me desfazer deles. Mesmo assim não tive coragem de jogá-los fora, pelo menos alguns deles.  Vou dizer a razão.

A pergunta que me preocupou nesses dias: devo me desfazer deles ou não?  É difícil. E é difícil responder de maneira satisfatória.  Mantê-los é  de um luxo, que viver no Rio de Janeiro talvez não me permita desfrutar: o espaço para guardá-los é preciosíssimo.   Por outro lado, já não olho mais para esses postais.  Na maioria das vezes quando penso em algum quadro corro para a internet e o acho.  Mantive os postais por acreditar, que tinha obras reproduzidas em postais que eu considerava de artistas muito pouco conhecidos.  Eles vinham das minhas viagens [não há historiador da arte que se preze que não viaje, porque não há como ver um quadro a não ser em pessoa] ou de amigos e familiares que visitaram lugares distantes, digamos a Eslovênia, ou a Ucrânia, ou até mesmo lugares mais corriqueiros, mas em datas onde já havia outras edições de postais.  Essas pessoas gentilmente traziam imagens das obras de arte encontradas em museus locais.  Meu pai chegou ao extremo de num tour da Europa me trazer uma maleta repleta de cartões postais de obras de arte, pesadíssima, que ele, um cardíaco, não deveria ter-se aventurado a  carregar, todos postais únicos, não repetidos entre si, só para me ajudar na difícil tarefa de sucesso nas provas orais.

A surpresa é que hoje já encontro muitas, a maioria dessas obras de arte, na rede.  E estou grata por isso.  Artistas cujos trabalhos pareciam tão fora do meu alcance ou dos olhos de qualquer um de nós, agora estão simplesmente a alguns cliques dos meus olhos. E essa é uma das maiores vantagens da rede.  O acesso ao conhecimento, mesmo que esse conhecimento se resuma a uma familiarização visual, está muito próximo.  Democraticamente próximo.  Exceto que temos que ter o conhecimento prévio do que queremos para poder achar.  É preciso saber procurar, e é aí que vem o conhecimento não só dos artistas, mas de línguas também, não só do inglês e do francês.  Um historiador da arte precisa pelo menos ler em alemão, não importa a sua área de especialização.  Diz o ditado que quem procura acha.  Mas quem procura precisa saber daquilo que quer achar…

No meu campo, nas artes visuais, por causa dessa educação mais abrangente que engloba muito mais do que o mínimo necessário, há países que se destacam com a riqueza das imagens que encontramos na rede.  Os Estados Unidos, Inglaterra  e  Canadá são hors-concours, realmente tenho a impressão de que tudo deles está na rede, ainda que seja só impressão.  E muito do que está na rede é para ser usado, para ser divulgado, os museus não fazem pequenos truques para evitar a reprodução na rede de suas obras de arte como encontramos por aqui.  Está tudo aberto, aberto ao público, a todos.  Devo lembrar que a Rússia não fica atrás.  Há portais russos oficiais e de amantes das artes que batem de longe muitos dos portais que encontro por cá, com reproduções em grande resolução,  com  clareza de informações.  Muito bons também são os portais quer oficiais, quer de amantes das artes dos Países Baixos (incluo entre eles a Holanda e a Bélgica).  A França tem um maravilhoso leque de imagens das obras em seus museus, mas, típico daquele país,  a maioria delas postada pelos próprios museus e consequentemente pelo governo.  O público em geral é mais retraído.  A Itália é muito pobre nesse âmbito, pouquíssima informação extra-oficial.  A impressão que tenho da Itália, pelos portais nas artes visuais é que o italiano ainda está numa outra era da vida na rede.  No Brasil a vida na rede está em grande parte nas mãos de adolescentes ou jovens adultos com pouca escolaridade.

O que me fascina  nas artes visuais na rede são as pessoas que “dividem” os seus conhecimentos, as suas obsessões com as artes e estas estão justamente nos países em que a instrução é levada a sério.  No caso brasileiro, encontro muito pouco da produção nacional de obras de arte ao alcance do público.  Temos falta da participação das organizações oficiais, tais como museus de arte, museus históricos.  Não temos um cadastro das obras encontradas em cada museu brasileiro – como há ao alcance de todos na rede francesa — e há acima de tudo a falta do “amador” no Brasil,  daquela pessoa que é digamos, engenheiro, técnico de fertilização in vitro, técnico na agricultura, o bancário,  taxista, pessoas que amam a arte, ou amam alguma coisa, maior do que si mesmos, que se disponham a dividir com o mundo, com outros brasileiros,  aquilo de que gostam, aquilo que ocupa sua imaginação.  Falta aquela pessoa que queira dividir com o público, ou com outros aficionados o que tem, o que conhece, o que o deslumbra, sem a intenção de lucro.  Aqui todo mundo quer dinheiro pela informação.  Há um consenso cultural de que informação é coisa preciosa e que se você quiser saber terá de pagar por isso.  É uma das muitas conseqüências do viés da inequalidade brasileira.  Falam muito do capitalismo americano, mas nos portais americanos, canadenses, ingleses, encontramos o apaixonado, o colecionador, a pessoa que gostaria de dividir com o mundo aquilo de que gosta, aquilo que sabe.  É nesses países, as estrelas do capitalismo, que encontramos o maior conhecimento ao menor preço. Vejam os blogs de cidadãos desses países, eles não se limitam a diários da minha aventura amorosa da noite passada.    Na rede, no Brasil, o que encontramos nas arte visuais, a maioria deve ser paga, ou precisa de conhecimentos especiais…  O acervo dos nossos museus na rede é ridículo,  e além disso, quando encontrado depende de fotografia de baixa resolução, são portais em geral  mal elaborados.  Esse é o reflexo, em grande escala, da falta de instrução, da falta de um conhecimento um pouco acima do mínimo requerido para a sobrevivência do corpo.  Dizem que estamos com uma deficiência de quesitos morais, que perdemos a noção dos valores.  Mas valores são adquiridos quando passamos do limite da instrução mínima necessária.  A vida interior não pode, nem deve, ser domínio único da religião.  Há outros caminhos para uma vida interior rica, generosa, excitante e capaz.  São esses caminhos os que nos ajudam na criatividade, na liderança, no pulo do gato da ciência.  As artes são um deles.  As ciências também.  O conhecimento é a grande alavanca da criatividade e de valores morais.

Ah, sim, a decisão: vou manter os cartões postais de arte brasileira.  A maioria ainda não está na rede.

©Ladyce West, Rio de Janeiro: 2011





Quadrinha do tagarela

5 11 2011

Pato Donald e Margarida como índios americanos, ilustração de Walt Disney.

Tanto fala o tagarela

que quando o faz sem cautela,

se não o deixam banguela,

o acertam na canela.

(Paschoalino Lauro)





A melancolia das ruas, poema de Olegário Mariano

4 11 2011

Minha rua antes da chuva, 2007

Luiz  Paulo de  Morais (Brasil, conteporâneo)

Flickr

A melancolia das ruas

Olegário Mariano

Choveu o dia todo… Era chuva de vento.

O dínamo da Vida amiudando os instantes,

Acelerava em continuado movimento,

Os automóveis, as carroças, os viandantes.

As casas de comércio, portas largas,

Fechadas, sonolentas e pesadas…

Os caminhões deitando cargas

Sobre a chapa polida das calçadas…

Tudo a rua sentiu embriagada e felina.

De quando em quando, no alto, lá bem no alto,

Um pássaro sonoro esgarçava a neblina

E o rumor do motor vinha morrer no asfalto…

Depois a rua adormeceu… Veio descendo

A noite…  Foram desaparecendo

As vozes todas…  Para que retê-las?

Agora as poças d’água estão sorrindo,

Monótonas, humildes, refletindo

O céu…   Tão longe o céu cheio de estrelas!

Olegário Mariano Carneiro da Cunha, (PE1889 —  RJ 1958). Poeta, político e diplomata brasileiro.

 Obras: 

 Angelus (1911)

Sonetos (1921)

Evangelho da sombra e do silêncio (1913)

Água corrente, com uma carta prefácio de Olavo Bilac (1917)

Últimas cigarras (1920)

Castelos na areia (1922)

Cidade maravilhosa (1923)

Bataclan, crônicas em verso (1927)

Canto da minha terra (1931)

Destino (1931)

Poemas de amor e de saudade (1932)

Teatro (1932)

Antologia de tradutores (1932)

Poesias escolhidas (1932)

O amor na poesia brasileira (1933)

Vida Caixa de brinquedos, crônicas em verso (1933)

 O enamorado da vida, com prefácio de Júlio Dantas (1937)

Abolição da escravatura e os homens do norte, conferência (1939)

Em louvor da língua portuguesa (1940)

A vida que já vivi, memórias (1945)

Quando vem baixando o crepúsculo (1945)

Cantigas de encurtar caminho (1949)

Tangará conta histórias, poesia infantil (1953)

Toda uma vida de poesia, 2 vols. (1957)





Quadrinha dos bons livros

31 10 2011

Cascão lê Robin Hood, ilustração de Maurício de Sousa.

Se queres vencer na vida,

Desenvolver, prosperar,

Procura sempre bons livros:

Quem lê aprende a pensar!

(Walter Nieble de Freitas)