As ilustrações de LeBlanc para Fábulas de Monteiro Lobato

30 10 2011

Página de frente do livro Fábulas de Monteiro Lobato.

Continuando a nossa coletânea da memória visual brasileira, hoje damos uma olhadinha nas ilustrações de André LeBlanc, para as Fábulas de Monteiro Lobato.  André LeBlanc tem melhor chance de ser estudado porque fez carreira não só aqui no Brasil, mas nos Estados Unidos também.  Nascido no Haiti em 1921, LeBlanc, estudou nos Estados Unidos.  Apaixonado pela brasileira Elvira Telles acabou trabalhando tanto aqui no Brasil quanto nos EUA.  Lá, foi assistente de Will Eisner no The Spirit, e trabalhou com Sy Berry na revista O Fantasma.  Também contribui para as tirinhas diárias dos jornais, das histórias de Flash Gordon, Apartmento 3-G e Rex Morgan. LeBlanc também foi professor na Escola de Artes Visuais de Nova York.  Faleceu em 1998. As ilustrações de André LeBlanc para Fábulas de Monteiro Lobato se restringem ao texto.

A capa dessa edição é de autoria do ilustrador e artista plástico Augustus, [Augusto Mendes da Silva] nascido em 1917, em Santos, SP; estudou desenho com Máximo de Azevedo Marques.   Responsável por grande parte das capas dos livros de Monteiro Lobato, Avgvstvs [assinado como em Latim] era um artista plástico dedicado principalmente ao retrato, mesmo tendo trabalhado com desenho  gráfico para propagand [foi o responsável pelos anúncios do Biotônico Fontoura].   Faleceu em 2008, em Florianópolis, deixando não só mais de 1000 retratos de personalidades, na sua maioria paulistanas, mas os protótipos de Narizinhos, Pedrinhos, Emílias, Dona Bentas e demais personagens de Lobato, que permanecem até hoje nas imaginações de milhares e milhares de brasileiros.

Capa da frente e de trás, de Avgvstvs

Ilustrações de André LeBlanc, texto

A cigarra e a formiga

— Que quer?  — perguntou, examinando a triste mendiga suja de lama e a tossir.

O reformador do mundo

— Eu trocaria as bolas, passando as jaboticabas para a aboboreira, e as abóboras para a jaboticabeira.

O rato da cidade e o rato do campo

No melhor da festa, porém, ouviu-se um rumor na porta.

O velho, o menino e a mulinha

— Carreguemos o burro às costas.  Talvez isso contente o mundo…

O pastor e o leão

Apareceu diante dele um enorme leão, de dentes arreganhados.

A assembléia de ratos

— Acho — disse um deles, que o meio de nos defendermos de Faro-fino é lhe atarmos um guizo no pescoço.

O galo que logrou a raposa

Ao ouvir falar em cachorro, Dona Raposa não quis saber de histórias, e tratou de por-se ao fresco.

Os dois viajantes na Macacolândia

E o viajante neurastênico, arrastado dali por cem munhecas, entrou por ali numa roda de lenha que o deixou moído por uma semana.

A menina do leite

Treque, treque, treque, lá ia Laurinha para o mercado com uma lata de leite à cabeça.

O burro na pele do leão

Firmou a vista e logo notou que o tal leão tinha orelhas de asno.

A raposa sem rabo

A raposa finalmente conseguiu fugir, embora deixando na ratoeira a sua linda cauda.

O leão, o lobo e a raposa

— Diga lá o que é — ordenou o leão, já calmo.

Qualidade e quantidade

Disse asneiras como nunca, tolices de duas arrobas, besteiras de dar com um pau.


O cão e o lobo

— Fique-se lá com a sua gordura de escravo que eu me contento com a minha magreza de lobo livre.

O corvo e o pavão

— Repare como sou belo!  Que cauda, hem?

O macaco e o gato

— Amigo Bichano, você, que tem uma pata jeitosa, tire as castanhas do fogo.

A mosca e a formiguinha

— Ora, ora! — exclamou a mosca.  Viva eu quente e ria-se a gente.

Os dois burrinhos

— Socorro, amigo!  Venha acudir-me que estou descadeirado…

O cavalo e as mutucas

Volta e meia, plaf!  uma lambada e era um inseto a menos.

O ratinho, o gato e o galo

O ratinho por um triz que não morreu de susto.

Os dois pombinhos

O pombinho assanhado beijou o companheiro e partiu.

Os dois ladrões

Enquanto isso um terceiro ladrão surge, monta no burro e foge de galope.

O lobo e o cordeiro

— Que desaforo é esse de turvar a água que venho beber!

Segredo de mulher

— Pois então ouça:  meu marido esta  noite botou dois ovos…

A galinha dos ovos de ouro

João Impaciente descobriu no quintal uma galinha que punha ovos de ouro.

O leão e o ratinho

Atraído pelos urros, apareceu o ratinho.

O burro sábio

— Grande pedaço d’asno!  Roubaste o tempo, a nós e a ti…

Em: Fábulas, Monteiro Lobato, São Paulo, Editora Brasiliense, s/d [1960s], 20ª edição.





Valsa, poema dissílabo de Casimiro de Abreu

29 10 2011

Fim de baile

Rogelio de Egusquiza Barrena (Espanha 1845-1915)

óleo sobre tela

VALSA

Casimiro de Abreu

Tu, ontem,

na dança

que cansa,

voavas

c’as faces

em rosas

formosas

de vivo,

lascivo

carmim;

na valsa

tão falsa,

corrias,

fugias,

ardente,

contente,

tranqüila,

serena,

sem pena,

de mim!

Casimiro José Marques de Abreu (Barra de São João, 4 de janeiro de 1839 — Nova Friburgo, 18 de outubro de 1860) poeta brasileiro da segunda geração romântica. Foi a Portugal com seu pai em 1853, onde permaneceu até 1857. Morreu aos 21 anos de idade de tuberculose. Deixou um único livro de poesias publicado em 1859, Primaveras, mas foi o suficiente para se tornar um dos mais populares poetas brasileiros de todos os tempos.

Obras:

Teatro:

Camões e o Jaú , 1856

Poesia:

Primaveras, 1859

Romances:

Carolina, 1856

Camila, romance inacabado, 1856

A virgem loura,

Páginas do coração, prosa poética,1857





Lenda brasileira do diamante — Theobaldo Miranda Santos — uso escolar

29 10 2011

Índia Amazônia, s/d

Luciana Futuro ( Santos, Brasil, contemporânea)

acrílica

www.lucianafuturo.com.br

Lenda do Diamante

Theobaldo Miranda Santos

Há muito tempo,  vivia à beira de um rio uma tribo de índios brasileiros.  Dela fazia parte um casal muito feliz: Itagibá e Potira.  Itagibá, que significa braço forte, era um guerreiro robusto e destemido.  Potira, cujo nome quer dizer flor. era uma índia jovem e formosa.

Vivia o casal tranquilo e venturoso, quando rebentou uma guerra contra uma tribo vizinha.  Itagibá teve de partir para a luta.  E foi com profundo pesar que se despediu da esposa querida e acompanhou os outros guerreiros.  Potira não derramou uma só lágrima, mas seguiu, com os olhos cheios de tristeza, a canoa que conduzia o esposo, até que a mesma desapareceu na curva do rio.

Passaram-se muitos dias sem que Itagibá voltasse à taba.  Todas as tardes.  Todas as tardes, a índia esperava, à margem do rio, o regresso do esposo amado.  Seu coração sangrava de saudade.  Mas permanecia serena e confiante, na esperança de que Itagibá voltaria à taba.

Finalmente Potira foi informada de que seu esposo jamais regressaria. Ele havia morrido como um heroi, lutando contra o inimigo.  Ao ter essa notícia, Potira perdeu a calma que mantivera até então e derramou lágrimas copiosas.

Vencida pelo sofrimento, Potira passou o resto de sua vida, à margem do rio, chorando sem cessar.  Suas lágrimas puras e brilhantes misturaram-se  com as areias brancas do rio.  A dor imensa da índia impressionou Tupã, o rei dos deuses.  E este para perpetuar a lembrança do grande amor de Potira, transformou suas lágrimas em diamantes.

Daí a razão pela qual os diamantes são encontrados entre os cascalhos dos rios e regatos.  Seu brilho e sua pureza recordam as lágrimas de saudade da infeliz Potira.

Em: Vamos estudar? — 3ª série primária – de Theobaldo Miranda Santos, Edição especial para os estados Goiás e Mato Grosso,  Rio de Janeiro, Agir: 1961





Quadrinha da borboleta

27 10 2011

Ilustração: menino e borboleta, autor desconhecido.

Qual menino sonhador

eu fico às vezes pensando

que a borboleta é uma flor

que gosta de andar voando.

(Soares da Cunha)





O subjuntivo, esse amigo do bem-falar!

25 10 2011

Magali tem dúvidas!  Ilustração Maurício de Sousa.

No outro dia, fui buscar um quadro numa loja de molduras.  Na oficina, ainda trabalhavam no acabamento da moldura.  Sem pensar duas vezes disse para o Sr. Pedro:

—  Quer que venha mais tarde?

Ele foi verificar, no fundo da oficina, a que horas os empregados teriam o quadro pronto.  Do lado de fora do balcão, sentado pacientemente num canto, com as mãos pousadas numa bengala, estava um senhor.  Só depois vim a conhecê-lo por causa de nossa conversa, soube tratar-se de um conhecido pintor paisagista de Minas Gerais.  Mas quando ele me abordou, enquanto o Sr. Pedro verificava o horário, eu não sabia quem era.

— Mas a senhora usa o subjuntivo!  — ele disse surpreso.

— Como?  — eu não entendi, assim de repente, o que ele queria dizer…  Estava fora de contexto…

— Pouca gente usa o subjuntivo.  A senhora não é carioca, é?

— Sou sim, disse rapidamente, acostumada a responder a essa pergunta seguidamente. E assim começou uma conversa que durou pra lá de duas horas.  Ele dizia que nós cariocas estávamos nos esquecendo do subjuntivo.  E por isso ele achou que eu não era carioca além, é claro, da minha pronúncia ser um tanto sulista.

Minha mãe, apesar de carioca, foi educada em São Paulo e ficou com a pronúncia dos esses mais acentuada do que a dos cariocas, apesar de usar o erre carioca.  Nós todos, os filhos, cariocas, falamos os plurais com esses em vez de xis e também temos uma pronúncia clara, quase cantada.  Minha mãe era professora de português e não deixava por menos: todos tínhamos que falar corretamente.  Ela nos corrigia automaticamente, a qualquer momento, em qualquer ocasião, não deixava passar uma oportunidade.  Venceu pela persistência, tenho certeza.

Depois dessa abordagem na loja das molduras, passei a prestar mais atenção ao uso do subjuntivo.  E realmente não só o carioca anda abusando de não usá-lo, mas a imprensa também, tanto a escrita quanto a falada.  É pena, porque o subjuntivo esclarece o pensamento além de auxiliar o interlocutor a entender as variáveis daquilo que se fala.  Sei disso, por estar casada com um estrangeiro e ser colocada constantemente no papel que minha mãe tinha comigo: corrigir o português a qualquer momento.  Meu marido passou a gostar do subjuntivo e hoje o usa em grande parte dos casos, sem erro.  Há uma pequena regra que ajuda a clarificar o uso do subjuntivo.

Chico Bento tem dúvidas…  Ilustração Maurício de Sousa.

Se há duvida na primeira frase, a segunda vai para o subjuntivo.

Uma regra clara e eficiente.  A dúvida pode ser claramente expressada [pelo uso de verbos como duvidar] ou pode ser implícita.

Vejamos os exemplos:

É possível  [dúvida] que eu ao cinema amanhã.

Imagina-se  [dúvida] que o ladrão tenha fugido pela porta da frente.

Meu tio desconfia  [dúvida] que seu emprego esteja por um fio.

Os bombeiros suspeitam  [dúvida] que o fogo tenha-se iniciado na cozinha.

Os médicos receiam  [dúvida] que as medidas tomadas contra a epidemia de dengue não sejam suficientes para evitar mortes no bairro.

Duvidamos  [dúvida] que o  horário de verão acabe antes do Carnaval.

Julgava-se  [dúvida] que o criminoso tivesse saído pela porta da frente, mas descobriu-se que esse não fora o caso.

Supúnhamos  [dúvida] que as respostas do ENEM fossem dadas à tarde, mas nos enganamos.

João suspeitou  [dúvida] que fosse traído pela mulher.

Maria suspeitou  [dúvida] que sua melhor amiga roubasse os bombons da caixa assim que os visse.

Os senadores duvidam que o ministro permaneça no cargo até o final do ano.

Desconfiei  [dúvida] de que o teste de hepatite fosse dar negativo.

Façam bom proveito!





Quadrinha da boa alimentação

24 10 2011

Refeição em família, ilustração de Avelino Guedes.

A água , o suco de frutas,

O leite, os refrigerantes

São as melhores bebidas

Para os jovens estudantes.

(Walter Nieble de Freitas)





A chácara do Chico Bolacha — poesia infantil de Cecília Meireles

23 10 2011

A chácara do Chico Bolacha

Cecília Meireles

Na chácara do Chico Bolacha,
o que se procura
nunca se acha!

Quando chove muito,
o Chico brinca de barco,
porque a chácara vira charco.

Quando não chove nada,
Chico trabalha com a enxada
e logo se machuca
e fica de mão inchada.

Por isso, com o Chico Bolacha
o que se procura
nunca se acha!

Dizem que a chácara do Chico
só tem mesmo chuchu
e um cachorro coxo
que se chama Caxambu.

Outras coisas ninguém procura,
porque não acha,
coitado do Chico Bolacha!

Cecília Benevides de Carvalho Meireles (RJ 1901 – RJ 1964) poeta brasileira, professora e jornalista brasileira.

Obras:

Espectros, 1919

Criança, meu amor, 1923

Nunca mais…, 1924

Poema dos Poemas, 1923

Baladas para El-Rei, 1925

O Espírito Vitorioso, 1935

Viagem, 1939

Vaga Música, 1942

Poetas Novos de Portugal, 1944

Mar Absoluto, 1945

Rute e Alberto, 1945

Rui — Pequena História de uma Grande Vida, 1948

Retrato Natural, 1949

Problemas de Literatura Infantil, 1950

Amor em Leonoreta, 1952

12 Noturnos de Holanda e o Aeronauta, 1952

Romanceiro da Inconfidência, 1953

Poemas Escritos na Índia, 1953

Batuque, 1953

Pequeno Oratório de Santa Clara, 1955

Pistóia, Cemitério Militar Brasileiro, 1955

Panorama Folclórico de Açores, 1955

Canções, 1956

Giroflê, Giroflá, 1956

Romance de Santa Cecília, 1957

A Bíblia na Literatura Brasileira, 1957

A Rosa, 1957

Obra Poética,1958

Metal Rosicler, 1960

Antologia Poética, 1963

História de bem-te-vis, 1963

Solombra, 1963

Ou Isto ou Aquilo, 1964

Escolha o Seu Sonho, 1964

Crônica Trovada da Cidade de San Sebastian do Rio de Janeiro, 1965

O Menino Atrasado, 1966

Poésie (versão francesa), 1967

Obra em Prosa – 6 Volumes – Rio de Janeiro, 1998

Inscrição na areia

Doze noturnos de holanda e o aeronauta 1952

Motivo

Canção

1º motivo da rosa





Quadrinha da satisfação

23 10 2011

Nunca estamos satisfeitos

com aquilo que alcançamos.

Queremos o que não temos,

o que temos desprezamos.

(Luís Carlos Rohan)





Quadrinha infantil de um bom livro

22 10 2011

Chico Bento lê à noite.  Ilustração Maurício de Sousa.

Nas páginas de um bom livro,

Há mais luz e ensinamento

Do que em todas as estrelas

Que brilham no firmamento.

(Walter Nieble de Freitas)





Quadrinha de Santos Dumont

21 10 2011

Avião, ilustração de Hergé de revista das Aventuras de Tintin.

Num aparelho a explosão,

Mais pesado do que o ar,

Alberto Santos Dumont

Foi o primeiro a voar.

(Walter Nieble de Freitas)