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Moacir Alves (Brasil, 1904-1982)
óleo sobre tela, 46 x 54 cm
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Laerte Agnelli, (Brasil, 1937).
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O jornal inglês The Guardian fez esta pergunta a seus leitores: “daqui a cem anos que livros publicados no século XXI ainda serão lidos?” Para nos ajudar nessas especulações próprias para o fim de semana, John Crace, que assina a matéria, nos lembra que entre a virada do século XX e o início da Primeira Guerra Mundial, em 1914, os seguintes livros foram publicados que ainda são lidos nos dias de hoje:”L Frank Baum escreveu The Wonderful Wizard of Oz, [O mágico de Oz]; Colette escreveu Claudine em Paris; Joseph Conrad escreveu Heart of Darkness [O coração das trevas], Baronesa Orczy escreveu The Scarlet Pimpernel, [O pimpirnela escarlate]; EM Forster escreveu Howards End, Thomas Mann escreveu Death in Venice [Morte em Veneza] e Marcel Proust escreveu Swann’s Way [No caminho de Swann]: todos esses livros se tornaram clássicos e são lidos até hoje”.
A minha pergunta é a mesma que o jornal inglês faz. Que livros que você leu — publicados — nesses 14 anos do século XXI, você acredita que estarão ainda sendo lidos no ano de 2114?
Dos que li acredito que ainda sejam lidos em 2114.
Equador, de Miguel Sousa Tavares
Traduzindo Hannah, de Ronaldo Wrobel
E vocês?
Mais dois:
Seu rosto amanhã, Javier Marías — contribuição da leitora, Nanci Sampaio, como vemos nos comentários.
2666, Roberto Bolaño — contribuição do leitor Alexandre Kovacs
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PS: Adicionei outros quando me lembrar de outros.
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Ilustração botânica do maracujá [Passiflora edulis Sims] de Maria Cecília Tomasi.
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Sônia Carneiro Leão
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Pego o maracujá e me assusto
Tão dura e tão oca
essa fruta mais louca
me deixa perplexa
de tão desconexa.
Sua carne é só casca.
Seu ventre, sementes.
Sua polpa tão pouca,
não dá pros meus dentes,
Maracujá intrigante,
enrugado, velhinho,
de gosto aceso, bacante,
como o do vinho.
Quero morder, não consigo.
Chupar, tão pouco não posso.
Que fazer, então, contigo,
com o teu paradoxo?
Ninguém o fura com o dedo
para evitar contusão,
esconde dentro o segredo
o doce-azedo da paixão.
Respeitamos o non-sense
da sua concepção.
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Em: Respostas ao Criador Das Frutas, Sônia Carneiro Leão, auto-publicação,Holos Design, ilustrado por Renata Vilanova, p. 13.
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Sônia Carneiro Leão nasceu no Rio de Janeiro, mas reside em Recife. Psicanalista, escritora, poetisa, contista e tradutora.
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Outono, ilustração de Paul Bransom (1885-1979).–
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Mário Quintana
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O outono toca realejo
No pátio da minha vida.
Velha canção, sempre a mesma,
Sob a vidraça descida…
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Tristeza? Encanto? Desejo?
Como é possível sabê-lo?
Um gozo incerto e dorido
De carícia a contrapelo…
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Partir, ó alma, que dizes?
Colher as horas, em suma…
Mas os caminhos do Outono
Vão dar em parte nenhuma!
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Em: Prosa e Verso, Mário Quintana – série paradidática Globo, Porto Alegre, Edições Globo: 1978, p. 12
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Marie Nivouliès de Pierrefort (França, 1879- Brasil, 1968)
óleo sobre tela, 55 x 48 cm
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Orgulho é como se fosse
uma bolha de sabão:
com um sopro do destino,
espatifa-se no chão.
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(Ailsa Alves Santos)