10 horas de sono e nada menos!

24 11 2008
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Ilustração Maurício de Sousa

 

No dia 19 de novembro a Medical News Today publicou um artigo sobre estudos feitos na Universidade de Montréal que indicam que entre as idade de 6 meses e seis anos, 90% das crianças têm problemas ao dormir.  Entre eles, os mais comuns são pesadelos, ranger de dentes e xixi na cama.  Para a maioria dessas crianças esses problemas são passageiros.  Mas 30 % dessas crianças tem dificuldades de dormir por mais de 6 horas consecutivas: ou porque elas não conseguem ficar sonolentas ou simplesmente porque não conseguem dormir por longos períodos.  

 

Apesar de já se saber que há efeitos comprovados entre a falta de horas de sono e dificuldade no aprendizado, não se havia associado a falta de sono ao sobrepeso nas crianças.  Mas os pesquisadores da Universidade de Montréal sob a direção de Jacques Montplaisir, diretor do Departamento de Psiquiatria e diretor do Centro de Desordens do Sono no Hospital Sacré-Coeur descobriram que 26% das crianças que dormem menos de 10 horas por noite entre as idades de 2,5 a 6 anos, estão com sobrepeso.

 

O relacionamento entre o sono e o peso poderia ser explicado pela mudança hormonal causada pela falta de sono.  Quando a gente dorme pouco, nosso estômago produz mais do hormônio que incentiva o apetite”, explica Montplaisir, “ e nós também produzimos menos do hormônio cuja função é reduzir a quantidade de comida que precisamos ingerir”.

 

O mais frustrante da pesquisa é que uma soneca de tarde, não compensa pela falta de sono.  Este mesmo estudo concluiu também que a falta de sono pode levar à hiperatividade.  Montplaisir explica que nos adultos a falta de sono à noite faz, no dia seguinte, a pessoa se sentir sonolenta.  Mas na criança acontece o oposto: cria uma excitação.  22% das crianças que dormiam menos do que 10 horas por noite na idade de 2,5 anos mostraram-se crianças hiperativas aos 6 anos.

 

Montplaisir sugere que esses problemas sejam tratados assim que aparecerem, para que não tragam problemas maiores quando essas crianças se tornarem adultos com desordens de sono.  

 

Lembrete:  10 horas de sono para crianças.

 

Para um dos artigos sobre o assunto em inglês, clique AQUI.





Seis graus e as soluções alternativas

24 11 2008

solucao-alternativa

A primavera no Rio de Janeiro anda fria, enquanto o inverno, de inverno só teve mesmo o nome.  Mas, novembro está bem mais frio do que o normal.  Em Curitiba o tempo também anda estranho.  Por todo Brasil parece que as estações decidiram mudar de estilo e até de temperatura e região.  Hoje na última semana de novembro nevou na Austrália.  Nevou muito.  E a Austrália assim como o Brasil está a um mês de o que deveria ser um quente verão. 

 

Todas estas notícias me lembraram Mark Lynas, autor do livro Seis graus, [Jorge Zahar: 2008] que se você ainda não leu, deve fazê-lo o quanto antes.  À medida que o efeito de estufa aumenta ano após ano, os cientistas alertam: a temperatura global pode aumentar 6 ° Celsius ao longo do próximo século.  Isso causaria mudanças radicais no nosso planeta.   Seis graus é um livro alarmante, que modificará a maneira como você vê e faz as coisas no seu dia a dia.  Lyman tenta responder a perguntas que ocorrem a todos nós que pensamos sobre o meio ambiente, mas que não levamos os nossos estudos ao ponto que o autor leva:  o que irá acontecer, à medida que o mundo for aquecendo?  O que sucederá às nossas costas, às nossas cidades, às nossas florestas, aos nossos rios, aos nossos campos de cultivo e às nossas montanhas?

 

Mesmo que a emissão de gases que provocam o efeito de estufa parasse imediatamente, as concentrações que já estão na atmosfera provocariam uma subida global de 0,5 ou mesmo 1º C.

 

Mas e se a temperatura global aumentasse mais 1ºC?    Tudo indica que essas mudanças não seriam graduais. Os glaciares da Groenlândia e muitas das pequenas ilhas mais a sul desapareceriam.

 

Se a temperatura subisse 3º C, o Ártico deixaria de ter gelo no verão.  A floresta tropical da Amazônia secaria e condições atmosféricas extremas seriam uma norma.

 

Com uma subida de 4ºC, o nível dos oceanos aumentaria drasticamente. Seguido de mudanças climáticas desastrosas se a temperatura global subisse mais um grau: regiões que conhecemos som clima temperado seriam inabitáveis.

 

O sexto grau traz um cenário de juízo final, com oceanos devastados e  desertos  crescendo em área.

 

Lynas é um autor britânico, jornalista e ativista ambiental que se interessa pelas mudanças climáticas. É licenciado em História e Política pela Universidade de Edimburgo. Nasceu em 1973 e mora em Oxford, na Inglaterra. Ele foi o vencedor do principal prêmio para livros de ciência, da Royal Society de Londres.  sugere seis estratégias para conter o aquecimento global.

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Em julho deste ano a revista Época publicou uma entrevista com o autor, sob o título Deixe de voar de avião, que reproduzo em parte aqui onde sugere seis estratégias para conter o aquecimento global, que você, eu, qualquer um pode começar a fazer hoje.

 

 

 

O que acontecerá no Brasil se a temperatura subir em média 10° centígrados?

 

Lynas:  Uma coisa que já ocorreu foi o surgimento de ciclones extratropicais. O primeiro foi o furacão Catarina, que atingiu o sul do Brasil em 2004. Mas a principal questão para vocês é o futuro da Amazônia.  Se a temperatura subir 20°c, é provável que a floresta desapareça, destruindo o maior reservatório de biodiversidade do planeta.  Projeções sugerem que o centro do Brasil se tornará uma savana seca ou até um deserto, com temperaturas muito altas e pouca chuva. As conseqüências serão globais. A Amazônia funciona como uma bomba d’água gigante e influencia o clima de todo o planeta. Na eventualidade de um aquecimento extremo, o que é hoje o centro da bacia amazônica será engolido pelas águas do atlântico, assim como uma língua de terra que vai do sul do Brasil até o pantanal.

 

O que, qualquer pessoa deve fazer para combater as mudanças climáticas?

 

 Lynas: A primeira é deixar de voar nas férias, por causa da enorme contribuição da aviação civil aos gases do efeito estufa. Eu já deixei de fazer isso há dez anos. [Lymas investigou e constatou que nos últimos 13 anos os aviões dobraram a emissão de gases com efeito de estufa.]

A segunda medida é, em viagens de negócios, sempre que possível ir de trem ou de ônibus.

A terceira medida é abandonar o carro e andar ou usar o transporte público.

A quarta, nos países frios, é reduzir o aquecimento das casas.

A quinta atitude: só usar eletricidade produzida por fontes renováveis, como a hidrelétrica, a solar e a dos ventos.

A sexta e última medida é convencer os membros de sua comunidade a fazer o mesmo e eleger políticos que defendam essas políticas. É a medida mais importante de todas.

 

 

Seis graus é um relato de um possível futuro da nossa civilização se o atual ritmo do aquecimento global persistir.   Não é uma obra de ficção científica nem sensacionalista. Os seis graus do título referem-se à possibilidade assustadora de as temperaturas médias subirem cerca de seis graus nos próximos cem anos. Os contrastes ambientais serão desmedidos: haverá, por um lado, rios dez vezes maiores que o Amazonas, mas, por outro, mais de metade da população mundial sofrerá os efeitos da seca.

 

No entanto, apesar de uma visão quase apocalíptica, Lynas termina com a apresentação de diversas estratégias que permitem contornar o problema do aquecimento global. Com: 1) um pouco de antevisão 2) alguma estratégia e 3) sorte poderemos pelos menos deter o rumo catastrófico pelo qual nos temos deixado levar. Mas esta é a hora de agir.

 

Para um resumo em inglês:  THE GUARDIAN

 





A arte de fazer filas

21 11 2008

formigas-em-fila-carlos-weikerFoto do site de Carlos Weick

 

Se você se acha freqüentemente na fila do supermercado, do cinema, do metro, do estacionamento, do pagamento no banco, sabe como é duro ficar ali, em pé à espera da sua vez.  

 

Hoje em dia, a maioria dos lugares – ainda bem – oferece uma fila única para diversos caixas, o que garante que as pessoas sejam atendidas por ordem de chegada.  Vamos e venhamos, nada pior do que ver a sua vez pulada… O que eu não sabia é que a arte de fazer filas é foco de estudos por psicólogos nos EUA.  Richard Larson, diretor do Centro de Fundamentos da Engenharia de Sistemas no MIT, estuda o assunto há mais de 20 anos.   Seu interesse é saber o que faz as pessoas perderem a calma nas filas e também o que as faria não perceberem a chatice de estar numa fila.  

 

O objetivo do estudo não é reduzir o tempo na fila, mas fazer com que filas possam ser vistas como uma experiência prazerosa.   Diga-se de passagem, sua primeira descoberta é simplesmente uma questão de bom senso, e nem deveria fazer parte de tal estudo: eliminar a sensação de perda de tempo, entretendo os participantes da fila, faz com que esta experiência seja mais bem recebida por quem espera.  

 

Este método já é bastante utilizado em locais que exigem uma longa espera.  Um dos exemplos dados são filas em parques de diversões, como os de Walt Disney nos EUA, que usam uma maneira das pessoas na fila de suas atrações começarem a se divertir com a futura atração participando de questionários e brincadeiras cujo tema é relacionado à atração por que o público espera.  

 

Aqui estão as pequenas regras da psicologia da fila:

 

• O tempo passado com a mente ocupada parece menor.

 

• As pessoas querem começar.

 

• A ansiedade faz as pessoas acharem que o tempo passa devagar.

 

• Uma espera sem tempo diagnosticado parece maior do que uma espera em que se conhece o fim.

 

• Esperas sem explicação parecem mais longas do que as que são justificadas.  

 

• Esperas igualmente distribuídas parecem menores do que as que parecem aleatórias.

 

• Quanto mais desejado o serviço, mais o cliente estará disposto a esperar.

 

• Para uma pessoa esperando sozinha o tempo passa mais devagar do que se ela estivesse num grupo.

 

Para maior detalhamento da arte de fazer filas, veja o artigo original de A. Pawlowski, na CNN, AQUI.

 





Fora da curva, a história do sucesso de Malcolm Gladwell

19 11 2008

Acabo de pedir na Amazon.com o novo livro de Malcolm Gladwell entitulado, Outliers, the history of success [Fora da curva: a história do sucesso].  A razão é simples, gosto imensamente das idéias do autor.  Ler um de seus livros é sempre um mergulho em terreno fértil onde a minha imaginação vagueia prazerosamente. 

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Malcolm Gladwell

Este novo livro começa pelas perguntas:  Por que as crianças asiáticas sempre se dão melhor em matemática do que as crianças americanas?  Como foi que Bill Gates se tornou um empresário de computação bilionário?  Havia alguma coisa de diferente em Mozart?

 

Malcolm Gladwell  faz estas perguntas e identifica no recém lançado livro aqueles tipos, entre advogados empresariais a jogadores de hockey até aos mais brilhantes estudantes.  Chando-os de “os fora-da-curva”  Gladwell mostra como estas pessoas, para quem oportunidades apareceram, tiveram a força e a presença de espírito para se agarrarem a estas mesmas oportunidades. 

 

Gladwell aparentemente explora o mito da pessoa que se faz por si só; analisa o impacto que aspectos culturais têm como fatores determinantes para o sucesso,

 

Como seus outros livros: Blink e Ponto de desequilíbrio, Gladwell deve nos deixar pasmos com sua habilidade de tirar conclusões do que nos parece óbvio, uma vez mencionado, ou mostrado por ele.  Espero ardentemente que este livro esteja às vésperas de ser traduzido para o português.

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 Clique AQUI para uma ótima resenha sobre o livro do Rodolfo Araújo.

 

Outras postagens neste blog que mencionam Malcolm Gladwell:

 

 

Você conhece os dez mais importantes intelectuais de 2008?

Buzz e A louca da casa – o marketing boca a boca





Por que os cachorros não gostam de música?

19 11 2008

cachorrinho-malhado-feliz

 

Qualquer ser humano sem deficiência auditiva pode distinguir entre os tons musicais de uma escala musical: dó, ré, mi, fá, sol, lá, si.  Nos achamos que esta habilidade deve ser comum, no entanto está provado que outros mamíferos não dispõem desta única precisão tonal sem a qual não podemos imaginar viver.    Esta característica de grande acuidade auditiva foi objeto de estudos por pesquisadores da Universidade da Califórnia, em Los Angeles, da Universidade Hebraica de Jerusalém e do Instituto de Ciências Weizmann  na cidade dde Rehovot em Israel.  O resultado deste estudo foi publicado pela primeira vez na revista Nature de janeiro deste ano. 

 

Esta estudo revelou que existe um grupo de neurônios muito sensíveis junto ao nervo auditivo da orelha ao córtex auditivo.  Nesses neurônios sons naturais tais como a voz humana provocam respostas muito diferentes e muito mais complexas do que quando expostas a sons artificiais, como os sons puros.   Neste ambiente misto o ser humano consegue detectar freqüência tão precisas quanto 1/12 de uma oitava.

 

A pergunta a ser respondida é: por quê?   Morcegos são os únicos outros animais mamíferos capazes de ouvir mudanças de tom assim como os seres humanos o fazem.  Cachorros por exemplo não são tão precisos – eles só conseguem discriminar sons de 1/3 de oitava.   Mesmo os nossos familiares primatas não chegam perto da nossa habilidade auditiva: macacos só distinguem ½ de uma oitava.   Estas descobertas sugerem que a habilidade de distinguir com precisão diferenças mínimas entre sons não é uma necessidade para a sobrevivência. 

 

Os cientistas estão agora inclinados a acreditar que seres humanos usam suas extraordinárias habilidades auditivas para facilitar a memorização e o aprendizado.  Mas mais pesquisa será necessária para a resolução deste quebra cabeças.

 

 

Artigo de Sandy Fritz

 

 

Tradução livre do artigo publicado na revista Scientific American, número de Outubro de 2008.  Para o artigo clique AQUI.

 





Lagos embaixo das geleiras na Antártica transbordam

17 11 2008

 

 

As grandes enchentes na Antártica podem ser responsáveis pela velocidade com que o gelo se  move para o oceano no Pólo Sul.

 

Os cientistas liderados por Leigh Stearns do Instituto de Mudanças Climáticas da Universidade do Maine, nos EUA, conseguiram demonstrar como a geleira gigantesca Byrd, localizada ao leste da Antártica moveu-se muito mais rapidamente depois que dois lagos, embaixo do gelo, transbordaram.  A água desta enchente agiu como um lubrificante, facilitando o gelo deslizar em cima do terreno de pedra.   Esta observação é considerada de grande importância porque ajuda a entendermos e projetarmos futuros níveis do mar.  Quanto maior a quantidade de gelo entrando no oceano, maior será a velocidade com que os níveis oceânicos irão subir.  

 

Até então não se havia relacionado o movimento das águas embaixo da camada de gelo como afetando o movimento do gelo, disse Dr. Stearns.  Sabíamos que a água embaixo das geleiras se move muito, mas não havíamos feito a conexão entre este “sistema hidráulico” e a “dinâmica das geleiras”.  

 

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A Geleira Byrd, na Antártica, que tem 135 km de comprimento e 24 km de largura

 

 

Há mais de meio século que a comunidade científica sabe da existência de lagos abaixo da camada de gelo na Antártica.  Há mais de 150 deles.  O maior, que leva o nome de Lago Vostok, é do tamanho do Lago Ontário na América do Norte.    Apesar de serem cobertos por gelo, às vezes por muitos quilômetros, esses lagos permanecem líquidos pela existência de diversos lugares quentes nos rochedos que os suportam.  Mas sempre se pensou que a água desses lagos fosse parada, estagnada; que esses lagos tivessem água que talvez não houvesse se modificado em milhões de anos.  Foi só em 2005 que cientistas descobriram  que o nível de água desses lagos podia mudar, às vezes até rapidamente.  E que eles chegam até a beirada e transbordam debaixo da capa de gelo.  

 

Quando a água transborda a camada de gelo de muitos metros de altura é levantada.  Um fenômeno que pode ser visto por satélites passando sobre a região.

 

Deve ser dito que esses movimentos de água como os estudado na geleira de Byrd não são por si sós relacionados a uma mudança climática.  Os lagos provavelmente transbordam e  escoam águas de maneira cíclica, regular, que não tem nada a ver com o aquecimento atmosférico ou oceânico.  

 

Mas é importante que cientistas entendam os mecanismos desta renovação de água para que este conhecimento possa ser aplicado aquelas massas de gelo que estão hoje aparecem expostas a temperaturas mais quentes tais como acontece agora na Groenlândia.

 

Esta é uma tradução livre de trechos do artigo publicado pela BBC.

 

Para uma leitura do artigo inteiro, clique aqui:  BBC

 

 

 

 

 

 

 





Dinossauros reconheciam companheiros pela voz

31 10 2008
Lambeossauro, foto The New York Times

Lambeossauro, foto The New York Times

 

Os lambeossauros – dinossauros com bicos semelhantes aos dos patos viveram entre 85 milhões e 65 milhões de anos atrás, no que chamamos de Período Cretáceo, tardio.  Conhecidos por terem uma crista, feita de ossos, e às vezes bastante complexas, bem em cima de suas cabeças como se fossem coroas, estes dinossauros sempre atraíram a curiosidade dos estudiosos, que já imaginaram todo tipo de função para tal apêndice.    A imaginação de paleontólogos parecia não ter limites quando ainda considerava que nestas cristas  haviam longas e tortuosas passagens nasais.  Inicialmente pensou-se que fizessem parte de um sistema de refrigeração do cérebro.  Ou talvez uma maneira dos dinossauros respirarem debaixo d’água.  Talvez eles tivessem a capacidade de melhorar o faro desses animais?  

 

Recentemente, no entanto, exames de tomografia computadorizada das passagens nasais desses dinossauros sugerem que os dinossauros tinham a capacidade de reconhecer indivíduos da espécie com base apenas em suas vozes.   Cientistas de três universidades canadenses e norte-americanas criaram reconstruções digitais dos fósseis de cérebros e das cavidades das cristas de quatro espécies diferentes de lamebossaurídeos.   Chegaram à conclusão de que estas cristas ósseas  faziam com que os dinossauros pudessem reconhecer outros dinossauros de sua espécie com base apenas em suas vozes.  As vozes desses animais provavelmente mudavam à medida que eles envelheciam, assim como mudavam os tamanhos de suas cristas.

 

O estudo revelou que uma porção, em forma de tubo, no ouvido interno dos dinossauros, a que se dá o nome de cóclea, era sensível o suficiente para detectar os sons em freqüências graves que as cristas produziam.  E como as cristas cresciam com a idade, as cócleas tomavam formas diferentes, mudando muito entre cada indivíduos. 

Isto indica que as cavidades nasais podem ter sido tão únicas quanto as impressões digitais humanas.

 

“Os jovens têm apenas o começo de uma crista e passagens de ar ligeiramente expandidas”, disse Lawrence Witner, paleontologista da Universidade do Ohio que participou do estudo. “À medida que envelhecem, começam a desenvolver passagens de ar muito mais tortuosas e cristas mais altas”.

 

Como resultado, os lambeossaurídeos podem ter tido maneiras únicas de se identificarem a ponto de permitir que seus chamados fossem distinguidos por outros animais.

 

Mais informações, aqui.





Unicamp interpreta as vozes dos animais!

29 10 2008

A Universidade Estadual de Campinas [Unicamp] apoiada pelo CNPq/MCT, acaba de desenvolver um software capaz de interpretar a vocalização dos animais suínos, bovinos e aves, identificando se estão com frio, fome ou sob algum tipo de estresse.

O software que está em fase de patente terá um custo barateado para ser usado como instrumento na busca do bem-estar animal.

Alguns dados interessantes foram mencionados no artigo em que este post de baseia, do Jornal do Comércio, de 29/10/2008, versão impressa, página B-11.  Por exemplo:  “pintinhos nas primeiras três semanas,  têm uma tendência para sonorizar menos quando estão expostos a um ambiente com conforto térmico.  Quando a temperatura diminui, a freqüência de vocalização vai aumentando, ” disse Irenilza de Alencar Naas, pesquisadora e coordenadora do projeto.

Também bezerras mais jovens apresentam  maior estresse com a separação da matriz.  E os pesquisadores registraram cinco tipos diferente de gritos no repertório dos leitões.

Ao que parece, a data de nos comunicarmos com os animais está próxima.





Novas vidas descobertas nos recifes australianos

26 10 2008
Great Barrier Reef -- Recife da Grande Barreira -- Austrália

Great Barrier Reef -- Recife da Grande Barreira -- Austrália

 

Pesquisadores descobriram centenas de novas espécies de animais marítimos inclusive mais de cem tipos de coral investigando as águas próximas a duas ilhas nos Recifes  Great Barrier e no Recifes ao noroeste da Austrália.  Este resultado é fruto de quatro anos de pesquisa sistemática investigando as águas que rodeiam estas duas ilhas. 

 

Alga verde Caleba supressoides, Ilha de Heron, Austrália.

Alga verde Caleba supressoides, Ilha de Heron, Austrália.

 

O Recife chamado Great Barrier  [Grande Barreira] – é o maior recife do planeta.  E já é conhecido como um local com uma enorme variedade de recifes de coral.   Em estudos anteriores, pesquisadores já haviam classificado próximo de 400 espécies de coral,  1.500 tipos de peixe e mais de 4.000 tipos de moluscos, neste recife. Mas como é extraordinariamente longo, tem 2.000 km de comprimento estudos continuam sendo feitos e novas descobertas certamente estarão a caminho.  Este recife também é a maior barreira terrestre formada por seres vivos.  É maior que a Grande Muralha da China e a única forma orgânica que pode ser vista da Lua.

 

Estrela do mar Nardoa Rosea, vista por baixo.

Estrela do mar Nardoa Rosea, vista por baixo.

 

A pesquisa continuará sendo feita e para isso os cientistas deixaram diversas estruturas, semelhantes a casas de bonecas, submersas.  A intenção dos pesquisadores é deixar que alguma vida marítima venha “colonizar” estas estruturas.  Nos próximos três anos estas “casas” serão retiradas trazendo junto com elas os animais que as habitaram.

 

Corais macios também chamados de Octocorals, pelos 8 tentáculos na beira de cada pólipo.

Corais macios também chamados de Octocorals, pelos 8 tentáculos na beira de cada pólipo.

 

Por três semanas 25 pesquisadores examinaram o solo oceânico próximo a Ilha Heron.  Fizeram muitas novas descobertas inclusive a estrela do mar  Nardoa rósea que é mostrada  na foto  acima vista pelo seu lado posterior.  Além de estudarem os corais novos, descobertos na área, a pesquisa incluiu também o estudo de algas, corais renda e ouriços do mar.   Estas foram as primeiras expedições feitas na área e em volta dos eco sistemas de coral.

 

Vista aérea da Ilha de Heron, no Recife Great Barrier, Austrália.

Vista aérea da Ilha de Heron, no Recife Great Barrier, Austrália.

 

A Ilha Heron nos Recifes Great Barrier está próxima do Trópico de Capricórnio e a 72 km da costa australiana.  Tem aproximadamente 800 metros de comprimento por 300 metros de largura. É nesta ilha que a Universidade de Queensland mantém um Centro de Pesquisa desde 1950.  

Fotos das descobertas oceânicas cortesia:  Census of Marine Life/Gary Cranitch/Queensland Museum

 

Para ver mais fotos, clique   AQUI.

 

 

 





Ora (direis) ouvir estrêlas? — Astrônomos gravam sons das estrelas

26 10 2008
Lua Cheia, Arte digital de TENINI

Lua Cheia, Ilustração, arte digital de TENINI

 

Cientistas gravaram o som de três estrelas semelhantes ao Sol usando o telescópio francês Corot.  Segundo os pesquisadores, a gravação dos sons permitiu que se conseguisse captar pela primeira vez informações sobre processos que acontecem dentro das estrelas.

 

A missão do telescópio francês Corot começada em dezembro do ano passado tem como centro o primeiro telescópio capaz de encontrar planetas de pedras pequenos — só umas poucas vezes menores que a Terra — e que tenham órbita em torno de um sol semelhante ao nosso sol.  Este telescópio, que não mede mais do que 35cm, consegue registrar uma pequena diminuição de luz toda vez que uma estrela gira em volta de seu sol.

 

Os sons captados pelos cientistas através do Corot revelam que as estrelas têm uma “pulsação” regular. Também é possível perceber que o som de cada uma das estrelas é levemente diferente das demais. Isso acontece porque o som das estrelas depende da idade, tamanho e composição química de cada um dos astros. A técnica de sismologia estelar, usada pelos cientistas nesta pesquisa, está tornando-se mais comum entre astrônomos, porque o som permite que se tenha uma idéia das atividades dentro das estrelas.

 

De acordo com o professor Eric Michel, do Observatório de Paris, a técnica já permitiu que pesquisadores tenham mais conhecimento sobre as estrelas.  Os sons mais interessantes vieram das estrelas – HD 49933, HD 181420 e um grupo conhecido com Grupo Globular  que são aproximadamente 1, 2  a 1, 4 vezes  maiores que o nosso sol e estão de 100 a 200 anos luz da Terra.

 

“Esta é uma forma completamente nova de se olhar para as estrelas, quando comparamos com o que estava disponível nos últimos 50 anos.  É muito animador”, diz Michel.  O professor descobriu que a pulsação das estrelas é muito parecida com o que os cientistas imaginavam, mas há uma pequena variação. Essa variação pode indicar que os astrônomos ainda precisam refinar suas teorias sobre evolução estelar.

 

Agora o estudo dos cientistas se voltará para as gravações já feitas.  A intenção é verem se conseguem entender o que acontece dentro destas estrelas.  Este estudo faz parte de um campo de estudos chamado Sismologia Estelar.    As oscilações entre estrelas, que são causadas pela fusão nuclear de seus interiores, dão pistas sobre o processo de radiação solar. 

 

A radiação solar é um dos fatores que contribui para a mudanças de temperatura da Terra.  Os cientistas estão com a esperança de que, ao compararem estes sons registrados pelo Corot,  poderão descobrir mais sobre a mudanças naturais do clima na Terra.

 

Os pesquisadores publicaram os resultados da pesquisa na revista científica Science.

 

Para mais informações, clique nos portais abaixo:

TERRA  

BBC     — aqui você consegue ouvir duas estrelas separadamente, um grupo e o sol.

THE TELEGRAPH

 

Poema de Olavo Bilac:

“Ora (direis) ouvir estrelas! Certo

Perdeste o senso!” E eu vos direi, no entanto,

Que, para ouvi-las, muitas vezes desperto

E abro as janelas, pálido de espanto…

 

E conversamos toda a noite, enquanto

A via-láctea, como um pálio aberto,

Cintila. E, ao vir do sol, saudoso e em pranto,

Inda as procuro pelo céu deserto.

 

Direis agora: “Tresloucado amigo!

Que conversas com elas? Que sentido

Tem o que dizem, quando estão contigo?”

 

E eu vos direi: “Amai para entendê-las!

Pois só quem ama pode ter ouvido

Capaz de ouvir e de entender estrelas.”