Ciência e quadrinhos: fazendo um fio de seda como do Homem Aranha

27 01 2012

Homem Aranha lendo.

As descobertas científicas têm mostrado que muitas vezes é possível transformar o que a imaginação de artistas e escritores produz em realidade.  Isso foi o que me passou pela cabeça quando li no início deste mês sobre alguns cientistas americanos que conseguiram modificar geneticamente os bichos da seda e fazer com que eles produzissem um fio muito mais forte e resistente, como são os fios das teias de aranha.  Procura-se, em resumo, um fio parecido com o da seda mas que seja tão resistente quanto os fios das teias de aranha.  Caso você não saiba, os fios das teias de aranha são mais resistentes que o aço.   O experimento, bem sucedido, feito pelos pesquisadores da Universidade de Wyoming, pode vir a ser usado na engenharia e na medicina.

O que os cientistas da Universidade de Wyoming fizeram foi inserir genes de aranhas nos bichos da seda com a intenção de que a seda produzida por eles tivesse as características de resistência dos fios que formam uma teia de aranha comum.  Mas o obstáculo a esse uso está na ausência de quantidades industriais que pudessem ser aproveitadas em larga escala.  Eles preferiram trabalhar com os bichos da seda porque os aracnídeos têm duas características de difícil gerenciamento: 1) produzem pouca quantidade de fio, 2)  tem a tendência de comerem uns aos outros.  Os bichos-da-seda por outro lado se criados em cativeiro produzem um fio mais fraco, mas que os cientistas acreditam poderem contrabalançar com o material genético das  aranhas.

Essencialmente, o que este estudo mostra é que os cientistas foram capazes de usar um componente da seda de aranha e fazer com que bichos-da-seda o transformassem em uma fibra juntamente com sua própria seda. Eles também provaram que este composto, que contém partes da seda de aranha e da seda do próprio bicho-da-seda, tem propriedades mecânicas melhoradas“, explicou o professor Christopher Holland, da Universidade de Oxford.

O objetivo mais imediato para a produção desse fio seria sa aplicação na área médica.  Suturas, implantes e ligamentos mais fortes estariam entre os primeiros usos imaginados. A seda de aranha geneticamente modificada também poderia ser usada como um substituto mais sustentável para os plásticos duros, que usam muita energia em sua produção.

Essa pesquisa corre paralela às pesquisas feitas com outros animais no estado de Wyoming, nos EUA, onde o biólogo molecular Randy Lewis trabalha com o implante dos genes de fazer seda das aranhas, em cabras.  Estes animais estão agora produzindo leite que levado para o laboratório onde a proteína da seda é filtrada e se torna sólida quando exposta ao ar.  É então colocada num rolo, carretel.  O grupo de cientistas sob a direção do Prof. Randy Lewis conseguiu quatro metros de seda para cada quatro gotas de proteinas do leite.

Este material tem uma multiplicidade de usos medicinais não só na sutura mas também no reparo de ligamentos.

E o melhor da história, não há nenhuma evidência que leve a acreditar que essa modificação genética possa ser maléfica para as cabras.

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Para maiores detalhes veja os links abaixo:

TERRA; BBC; NEWS; CBSNEWS





Brasil, um país destinado a voar: Bartolomeu de Gusmão

23 01 2012

Bartolomeu de Gusmão, 2009

J. G. Fajardo (Brasil, 1960)

óleo sobre tela

Antes, muito antes de Santos Dumont inventar o avião, já tínhamos uma tradição de conquista do ar.  Devemos isso ao padre e cientista brasileiro Bartolomeu de Gusmão que foi capaz de surpreender a Europa com sua máquina de voar. E só porque seu balão não foi aceito pela ignorante sociedade portuguêsa da época,  não quer dizer que não tenhamos orgulho desse nosso gênio.  Não há na história da conquista do ar quem não comece essa saga com a “Passarola” de Bartolomeu de Gusmão.  A decisão de D. João V, O Magnânimo,  de sucumbir às crendices do povo, às maledicências de uma sociedade dominada pela falta de conhecimento e pelo medo religioso ainda enraizado por uma Inquisição que cismava em permanecer viva,  nada têm a ver como a nossa memória cultural. Bartolomeu de Gusmão deve ser lembrado nas nossas escolas e universidades por sua insistência, a todo custo,  na pesquisa científica.  Se D. João V tivesse tido um pouco mais de coragem de enfrentar sua corte e os jornais, Portugal teria passado para a história mundial não só como o país das grandes descobertas marítimas, mas também o país da conquista dos ares.  Infelizmente esse título acabou sendo dado à França, quando 74 anos depois dos experimentos de Bartolomeu de Gusmão,  os irmãos Montgolfier conseguiram voar uma balão, em Annonay, em 1783.  Por isso, lembro a todos, o texto abaixo impresso para a 4ª série  das escolas primárias, em 1954, quem foi o nosso padre voador!

Reconstituição artística da apresentação de Bartolomeu de Gusmão à corte portuguêsa.

O Padre Voador



Bartolomeu Lourenço de Gusmão nasceu em Santos, em 1685.  Aos quinze anos, seguiu para Coimbra a fim de iniciar seus estudos de teologia.  Terminando o curso, tornou-se padre, e logo nos primeiros anos notabilizou-se pelo seu imenso saber e pela sua grande eloquência. Dedicou-se especialmente ao cultivo das ciências físicas e naturais. Mas o que imortalizou o seu nome foi a máquina de voar de sua invenção.

Recomendado por D. Isabel, rainha de Espanha, Bartolomeu de Gusmão tornou-se capelão-fidalgo de D. João V, rei de Portugal. Interessou-se este pelos estudos e pesquisas do jovem sacerdote, principalmente pela invenção de sua máquina voadora, cuja construção foi custeada pelo tesouro real.

No dia 8 de agosto de 1709, presentes o rei, a corte e de curiosos, foi realizada a primeira experiência do aeróstato de Bartolomeu.  O aparelho que tinha a forma de uma balão, com o seu inventor à bordo, elevou-se suavemente do pátio do castelo de S. Jorge, permaneceu algum tempo no ar e, em seguida desceu no terreiro do Terreiro do paço.

Outras experiências, bem sucedidas, foram realizadas com o aparelho, para júbilo do seu inventor e despeito dos invejosos que, para ridicularizar Bartolomeu, passaram a chamá-lo de “Padre Voador” e repr4esentar o seu aparelho por uma pássaro, a que deram o nome de “Passarola”.

Seus inimigos foram mais longe.  Aproveitando-se da ignorância do povo, começaram a apregoar que o “Padre Voador” era feiticeiro com ligações com o demônio…

E tais mentiras espalharam a respeito de Bartolomeu que o próprio D. João V, seu protetor, resolveu não mais auxiliá-lo. Entre as críticas maldosas que surgiram na imprensa da época figuravam versos como estes:

Com que engenho te atreves, brasileiro,
A voares no ar, sendo rasteiro,
Desejando ave ser, sem ser gaivota?
Melhor te fora, na região remota
Onde nasceste, estar com siso inteiro!

Abandonado pelo rei, escarnecido pelo povo, desprezado pelos amigos, Bartolomeu de Gusmão viu-se na triste contingência de fugir para a Espanha, onde foi acolhido por seu irmão frei João de Santa Maria.

Consumido pelo desgosto e atacado de súbita enfermidade, o “Padre Voador” morreu, a 19 de novembro de 1724, no hospital de Misericórdia de Toledo.

Findou seus dias esquecido todos e na mais extrema miséria.

Em: Terra Bandeirante, 4º ano, Theobaldo Miranda Santos, Rio de Janeiro, Agir: 1954.





Mais antigo manuscrito com os Dez Mandamentos em Nova York

17 12 2011

O manuscrito mais antigo e conservado com as mensagens dos Dez Mandamentos que, segundo a fé judaica, Moisés recebeu no Monte Sinai, será exposto a partir desta sexta-feira no Museu Discovery de Nova York.

Escrito em hebraico, o pergaminho de mais de 2 mil anos possui aproximadamente 45 cm de comprimento por 7 cm de largura e faz parte da mostra mais ampla sobre os manuscritos do Mar Morto, que inclui mais de 500 artefatos cedidos pela Autoridade de Antiguidades de Israel (IAA, na sigla em inglês). O documento foi descoberto em 1954 e, segundo o Museu Discovery, faz parte de uma coleção de mais de 900 peças encontradas ao longo dos anos 40 e 50 em uma gruta de Qumran, região situada próxima ao Mar Morto.

Os manuscritos, também escritos em aramaico e grego, além de hebraico, são os documentos mais antigos encontrados sobre a vida na Judéia. Segundo o museu nova-iorquino, “os Dez Mandamentos são as regras que constituem os pilares da moralidade e da lei do mundo ocidental”, destacando que o texto reúne e define como os homens e as mulheres devem trabalhar e viverem juntos sob sua fé em uma sociedade civil“.

Essa é a primeira vez que esse pergaminho será exposto em Nova York.  A peça, que contém fragmentos do Deuteronômio, está datada entre os anos 50 e 1 a.C. e é um dos dois únicos manuscritos antigos com os Dez Mandamentos que conhecemos atualmente. O pergaminho contém o texto de Deuteronômio 5, o quinto livro do Antigo Testamento, onde Moisés explica a aliança do Deus israelitas com o seu povo, lembrando os mandamentos de Deus à geração mais jovem, que estava para entrar na terra prometida.

Não obstante a sua idade, o Museu Discovery confirmou que o estado de conservação do manuscrito é “excepcional“, apesar de ser feito com um material tão frágil como a pele de um animal, ou seja, muito vulnerável à umidade, à luz e às variações de temperatura.  O período da exposição —  15 dias —  é um dos mais longos já permitidos pela Autoridade de Antiguidades de Israel que propiciou esta mostra fora de Israel por causa da importância universal desses rolos de sua fragilidade e idade.  Os Dez Mandamentos são importantes para as três religiões monoteístas do Ocidente:  o judaísmo, o cristianismo e o Islã.  Imediatamente após a exposição, o livro será devolvido para Israel .

O outro manuscrito, conhecido como o Papiro Nash, está armazenado na Universidade de Cambridge. Apesar de estar fragmentado, a peça é datada entre o ano 150 e 100 a.C. A identidade do escriba ainda permanece desconhecida, embora a instituição nova-iorquina tenha afirmado que muitos especialistas acreditem que todos os manuscritos do Mar Morto tenham sido escritos por integrantes de uma seita que se distanciou do Judaísmo e viveu no deserto de Israel do século III a.C. até o ano 68 d.C. antes de os romanos destruírem aquela comunidade.

Descoberto perto de Khirbet, Qumran, o rolo com os Dez Mandamentos está entre os antigos tesouros escritos conhecidos como Manuscritos do Mar Morto, que foram encontrados por pastores beduínos inicialmente entre 1947 e 1956 em uma série de cavernas perto da costa noroeste da Mar Morto.  Cerca de 900 manuscritos teriam sido encontrados em cavernas. Feitos com pele animal, o manuscrito com os Dez Mandamentos, em pergaminho, mede 18 centímetros de comprimento por 3 cm de altura e é escrito em hebraico.

Além dos rolos com os Dez Mandamentos, a exposição incluirá mais de 500 artefatos da era bíblica até o período Bizantino em Israel. Os artefatos e pergaminhos proporcionam “um olhar cativante e intrigante em um dos períodos mais influentes da história, quando surgiu o judaísmo, o domínio do Império Romano caiu, e as sementes do cristianismo surgiram,” disse Kristin Romney, consultor curador da exposição.  Objetos nunca antes vistos, incluindo mosaicos, esculturas em pedra, e utensílios domésticos, tais como jóias e cerâmica.

O pergaminho dos Dez Mandamentos poderá ser visto até o próximo dia 2 de janeiro, enquanto o resto da exposição, que foi inaugurada 28 de outubro, permanecerá aberta até o dia 15 de abril de 2012.

FONTES: Terra e Christian Post





“Fiz a cama na varanda”: o homem primitivo já dormia em colchões

12 12 2011

Ilustração Maurício de Sousa.

Os humanos primitivos da África do Sul já fabricavam colchões à base de erva e plantas medicinais há 77 mil anos, 50 mil anos antes do que se pensava.  Restos vegetais foram descobertos nas escavações da caverna de Sibudu, na província de KwaZulu -Natal, pela equipe comandada pelo professor Lyn Wadley, da Universidade de Witwatersrand (Johanesburgo).  Esses “colchões” são 50 mil anos mais antigos que outros exemplos conhecidos.  Nossos ancestrais da Idade da Pedra já faziam camas de folhas, sementes e caules de junco local adicionadas a gramíneas que colocavam no chão da caverna  a partir de 77 mil anos atrás. E pelos próximos 44 mil anos, os Homo sapiens nômades caçaram e se reuniram na área, utilizando Sibudu como seu local de descanso, usando a compactação de material vegetal para criar colchonetes.

O uso de colchões coincide com outros comportamentos introduzidos na vida cotidiana do homem moderno, entre eles uso de conchas como instrumentos e da tecnologia de lapidação da pedra.  Os especialistas destacam que modificar o espaço vital do habitat, incluindo o ambiente do dormitório, é um aspecto importante do comportamento e da cultura humana. Por isso, estes achados trazem informações “fascinantes” sobre os primeiros humanos modernos, que habitavam o sul da África.

Os pesquisadores descobriram pelo menos 15 centímetros de uma grossa camada de matéria vegetal encaixada dentro de um pedaço de sedimento, de 3m de espessura. Eles suspeitaram que essas camadas fossem camas humanas, mas já que as esteiras mais antigas para dormir conhecidas até hoje datavam só de 20.000 e 30.000 anos atrás, os arqueólogos tiveram que estudar o material sob o microscópio para ver de que exatamente era composta essa camada e se as pessoas haviam trazido essas plantas para o local intencionalmente.

Ilustração Maurício de Sousa.

Baseados na análise de fitólitos — pequenos restos de plantas fósseis — que permite a identificação das espécies de plantas e micromorfologia, o exame de alta resolução de vestígios arqueológicos, a equipe descobriu que as camadas, que datava de 77.000 a 58.000 anos atrás, eram feitas de caniços, juncos, e ervas, plantas que crescem além do rio Tongati mas que não são encontradas no abrigo rochoso e seco, ou próximas ao sítio da descoberta.   Assim, as pessoas em Sibudu devem tê-las juntado deliberadamente e trazido-as para a caverna. Sob o microscópio, o material vegetal mostrou sinais de compressão e de repetido pisoteio.  Na camada mais antiga, 77 mil anos de idade, a equipe descobriu que as folhas de Cryptocarya woodii, também conhecida como Cabo de louro, ou a “árvore de cânfora bastarda“, uma planta aromática cujas folhas são usadas até hoje na medicina tradicional, porque suas folhas contêm diversos compostos químicos que podem matar insetos.  A equipe sugeriu, então, que os primeiros seres humanos escolheram essas plantas especificamente para se proteger contra a malária,  transmitida por mosquitos e de outras pragas.

A seleção dessas folhas para a fabricação do colchão indica que os primeiros habitantes de Sibudu tinham um bom conhecimento das plantas que rodeavam sua caverna e da eficiência de seu uso medicinal“, explica Lin Wadley.  Os pesquisadores acreditam que os habitantes da caverna colheram as sementes e plantas das proximidades do rio Tongati e que as usavam não só para dormir, mas também para trabalhar sobre elas.  As camadas também mostraram evidência de queima regular, começando há 73 mil anos atrás.  Arqueólogos acreditam que as pessoas queimaram a cama para eliminar pragas que tinham infestado a plantas e / ou para reduzir a altura acumulada  com os anos de uso, para acabar com esteiras deterioradas e para que pudessem começar de novo, de maneira limpa. Este é o primeiro exemplo conhecido de seres humanos que usam o fogo para a manutenção de habitação.

Tudo indica que os habitantes dessa caverna não teriam vivido lá permanentemente, apesar de terem feito desse, um local tão agradável e acolhedor. Eles provavelmente usaram o espaço por algumas semanas de cada vez até que a área tivesse esgotado a sua caça e o material orgânico entrasse em decomposição atraindo vermes. Os arqueólogos encontraram fragmentos de lascas de pedras e ossos queimados no meio do material das plantas, portanto, além de usar as esteiras para dormir, seus criadores também podem tê-las usado como uma superfície de trabalho para fazer ferramentas e alimentos.

Há cerca de 58 mil anos atrás, as camadas da cama se tornaram mais freqüentes, sugerindo que a população em Sibudu estava crescendo durante este período. Os arqueólogos estimam que o Homo sapiens migrou da África 50 mil anos atrás, talvez, pela própria expansão populacional que os colchões indicam ter havido.

Fontes: Terra, The History Blog





Democracia na colméia ajuda a entender tomada de decisões

11 12 2011

Ilustração M&V Stúdio.

O voto democrático faz parte do gerenciamento tribal no mundo das abelhas, pelo menos essas são as primeiras conclusões de um grupo de cientistas estudando os métodos de comunicação e de escolha de um sítio entre as abelhas, para estabelecer uma nova colmeia.  Os métodos de comunicação incluem não só uma dança específica como uma diferenciação no zumbido e m aceno de cabeça.  Na dança as abelhas se comunicam entre si.  Essa dança, que paralela  as conexões neurais no cérebro no processo de decisão, pode vir a esclarecer o mecanismo de tomada de decisões, principalmente entre os primatas. “Os mecanismos de tomada de decisões nos sistemas nervosos e nas sociedades de insetos são muito similares“, destacou o estudo, da revista Science Express.

Anteriormente,  estudos com macacos mostraram que tomar uma decisão requer a ativação de muitos neurônios no cérebro. Mas certas células nervosas têm a tarefa de “parar” outras. No final, a alternativa escolhida é a que tem o menor número de sinais negativos.   Partindo desta premissa, uma equipe britânico-americana de cientistas chefiada por Thomas Seeley, da Universidade de Cornell, no estado de Nova York , demonstrou que as abelhas, enquanto dançam, “imitam” estes movimentos dos neurônios para se comunicar entre si , para decidirem onde irão formar a colmeia.

Os cientistas transferiram um enxame de abelhas para uma ilha em frente à costa do estado do Maine, onde não há lugares naturais para nidificar e puseram duas caixas idênticas onde podiam instalar sua colmeia. Em seguida, observaram como as abelhas exploradoras descobriram as duas caixas. O vídeo deste processo foi usado para analisar a dança das abelhas exploradoras, que serve para descrever o restante de suas descobertas.

Ilustração M&V Stúdio.

Ao gravar os sons desta dança, eles se deram conta de que o sinal de “parar” era uma batida de cabeça, acompanhada de um leve zumbido.  A comunicação com as outras abelhas sobre o que está lá fora, se faz com uma dança desenhando a figura oito acompanhado de um reboladinho.   O comprimento do rebolado diz o quão longe está o local da antiga colmeia. Os cientistas determinaram qual abelha havia escolhido qual caixa, marcando-as com as cores rosa ou amarela. Desta forma, estabeleceram quais eram os sinais de “parar” emitidos pelas abelhas exploradoras.  Essas abelhas que haviam visitado uma caixa, comunicavavam-se com a abelha bailarina indicando o lugar apropriado, quando esta parecia não se mostrar entusiasmada, já que considerava que outro local poderia valer a pena, “A mensagem da abelha exploradora, para a abelha bailarina parecia dizer para a bailarina conter o seu entusiasmo, porque não havia outro local do ninho digno de consideração” explicou P. Kirk Visscher, da Universidade da Califórnia em Riverside, coautor do estudo. “Esse sinal inibidor não é necessariamente hostil. É simplesmente um conselho: ‘Espere um minuto, aqui há outra opção a ser considerada, então não vamos ter pressa em recrutar cada abelha para um local que pode não ser o melhor para o enxame’“.

Ao deixar uma colmeia lotada em busca de um novo lar, o enxame leva consigo a abelha rainha. As exploradoras vão em busca de novos locais potenciais para construir a colmeia e voltam para comunicar ao grupo sua descoberta, que no geral se mantém perto da colmeia original até que um novo destino seja encontrado.

Visto que todas as abelhas buscam escolher o melhor lugar disponível, os cientistas acreditam que este processo ajude o grupo a tomar uma decisão, mesmo que as opções sejam quase as mesmas. “Estas conexões inibidoras ajudam a garantir que só se escolherá uma das alternativas e pode permitir uma tomada de decisões estatisticamente ótima“, destacou o estudo.  O número de abelhas exploradoras que gosta de um determinado local, eventualmente atinge um nível crítico, e o enxame decide de mudar para seu novo lar.

Fontes: Terra e Dawn





Filhotes fofos — puma branco

8 12 2011

Foto: Associated Press.

Um filhote de puma foi apresentado ao público pelo zoológico Attica Parque, nas proximidades de Atenas, na Grécia. Com apenas um mês de vida, o raro filhote branco recebeu uma mamadeira com leite de uma funcionária do parque. Batizado com o nome de Casper, ele pesa 2 kg.  De acordo com a União Internacional para a Conservação da Natureza, a espécie está na lista dos animais ameaçados de extinção. Originário do continente americano, o felino pode ser encontrado desde o Canadá até países da América do Sul, inclusive o Brasil.





Os cavalos Przewalski retornam à terra natal

4 12 2011

Cavalos Przewalski retornam à Mongólia.

Boas novas para os cavalos Przewalski dados como extintos desde 1969, quando o último desses equinos, naturais da Mongólia foi identificado.  Para a possibilidade de um final feliz dessa história muito se deve à iniciativa de zoológico de Praga na República Checa.  Ao todo há 1.800 cavalos Przewalski no mundo.  Dos quais 1600 estão em cativeiro.  Desses, aproximadamente 1/3 tem seus ancestrais ligados aos cavalos do zoológico de Praga.

Os cavalos Przewalski, foram descritos pela primeira vez em 1881 pelo zoólogo russo Poliakov, que os nomeou para homenagear o explorador e geógrafo russo Nikola Mikhalovitch Przewalski (1839-1888) que os havia descoberto nas montanhas, quando vinha através do deserto de Gobi em 1879.  Eles fazem parte da única espécie sobrevivente de cavalo selvagem.  Têm a silhueta atarracada, com aproximadamente 1,20 m de altura, peso variando entre 250 a 350 kg e a pelagem marrom.   São os parentes mais próximos dos cavalos pintados nas paredes das grutas do período pré-histórico e  já habitaram a vastas pradarias da Ásia Central.  No entanto, a partir do início de 1900, a pressão da caça, a concorrência por terras de pasto e água, e o cruzamento com pôneis Mongol contribuíram para a crescente escassez desses cavalos em seu estado natural.   A proteção legal que existe desde 1926 na Mongólia provou não ter qualquer efeito.  O cavalo Przewalski que retorna, hoje, às estepes mongólicas, sua terra de origem, foi salvo pelos esforços dos zoológicos.

O zoológico de Praga, encarregado da manutenção do livro genealógico mundial da espécie, desempenhou um papel de grande importância na proteção desse cavalo selvagem e sua reintrodução na Mongólia, principalmente porque todos os animais atuais descendem de um grupo de 12 reprodutores unicamente.  Assim, o cuidado com o cruzamento desses animais é de grande importância.

Com essa intenção a República Checa retornou quatro cavalos Przewalski à Mongólia.  São três fêmeas e um garanhão, todos criados em cativeiro, que começaram a viagem para Mongólia a partir Dolní Dobřejov.  Ao todos eles viajaram 17 horas, fazendo duas paradas para reabastecimento na Rússia.  Depois disso, as três éguas chamadas Kordula, Cassovia e Lima, e um garanhão chamado Matyááš,  enfrentaram uma viagem de 280 quilômetros de caminhão à reserva natural na Mongólia ocidental, onde passarão a fazer parte de um rebanho de mais de 20 outros cavalos já re-introduzidos por um grupo francês.  Os cavalos permanecerão na reserva Tal Khomiin, ocupando mais de 50.000 hectares.

A chegada de Praga, de quatro cavalos jovens e geneticamente diferentes é essencial para a continuação bem sucedida da população em Khomiin Tal, tanto do ponto de vista da quantidade e quanto da qualidade“, disse Byamba Munkhtuya o zoólogo encarregado, “cavalos completamente diferentes vão melhorar significativamente a variedade genética atual e contribuir para um aumento da taxa de natalidade. Esperamos que a chegada de nossos jovens animais dê um novo impulso à reprodução da manada de Khomiin Tal

A julgar pelas pinturas rupestres das grutas de Lascaux na França, esta espécie vivia na Europa há vinte milhões de anos, mas as mudanças climáticas levaram as manadas para a Ásia.  Esperemos agora que a reprodução da espécie possa se dar com maior regularidade, no seu habitat natural.

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Fontes:Horsetalk e Band





Dinossauro gaúcho tem penas!

25 11 2011

Cientistas de quatro universidades brasileiras apresentaram nesta quinta-feira em Canoas (RS) o resultado do estudo de uma espécie de dinossauro descoberta em 2004 em Agudo (RS). Após a classificação, o predador plumado ganhou o nome de Pampadromaeus barberenai. A pesquisa foi coordenada pelo professor Sergio Cabreira, da Universidade Luterana do Brasil (Ulbra), e contou com cientistas das universidades de São Paulo (USP), Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs) e de Minas Gerais (UFMG).

Segundo os paleontólogos, o primeiro nome faz referência ao pampa, os campos característicos do Rio Grande do Sul, e o sufixo grego “dromaeus” à palavra grega para “corredor”. Já o segundo nome homenageia o pesquisador e paleontólogo brasileiro Mario Costa Barberena, um dos fundadores do Programa de Pós-graduação em Paleontologia do Instituto de Geociências da Ufrgs.

O fóssil descoberto tem 228 milhões de anos e, destacam os pesquisadores, possui muitas características do grupo dos terópodos – famosos carnívoros como Tyrannosaurus rex e Velociraptor mongoliensis -, em especial ser bípede. Apesar disso, estes predadores existiram apenas 75 milhões atrás, muito depois do corredor dos pampas.

Contudo, o Pampadromaeus é um dos mais antigos representantes da linhagem dos sauropodomorfos, no qual se destacavam dinossauros de pescoço longo, geralmente herbívoros e grandes – como os titanossauros. O dinossauro gaúcho, apesar de pertencer ao grupo, era bem diferente – tinha apenas 1,2 m e era onívoro (comeria pequenos animais, inclusive insetos, e vegetais).

A descoberta indicaria que os primeiros sauropodomorfos e terópodos eram muito semelhantes, mas acabaram gerando dinossauros bem diferentes, o primeiro os saurópodos (herbívoros), enquanto os terópodos continurariam com “monstros” como os tiranossauros.

O estudo foi coordenado pelo paleontólogo Sergio Cabreira (Ulbra) e contou com os pesquisadores Cesar Leandro Schultz e Marina Bento Soares (Ufrgs), Max Cardoso Langer e Jonathas Bittencourt (USP) e Daniel Fortier (UFMG), além do biólogo e mestrando Lúcio Roberto da Silva (Ulbra).

Fonte: Terra





Ressuscitada das cinzas? Rãzinha não está extinta!

24 11 2011

Israel divulgou a foto de um sapo encontrado esta semana que pertence a uma espécie que se acreditava estar extinta há 50 anos. O sapo pintado de Hula foi visto em um parque natural do país, e agora está sendo mantido em um tanque dentro da Reserva Natural do Vale Hula, no norte de Israel, único habitat do animal.

Pouco se sabe sobre o animal. Alguns cientistas especulam tratar-se de uma espécie canibal, já que na década de 1940, um sapo foi flagrado devorando outro da mesma espécie.  Após seu desaparecimento por anos, o sapo pintado de Hula foi declarado extinto em 1996.

Fonte: Terra





Meio ambiente um passo na direção certa: renovação da ponte Blackfriars em Londres

23 11 2011

Ponte Blackfriars em Londres tem cobertura de painéis para energia solar.

Uma estação de trem construída sobre o rio Tâmisa, em Londres, está prestes a se tornar a maior ponte solar do mundo, com a instalação de 4,4 mil painéis solares em seu telhado.  A Ponte de Blackfriars, construída em 1886, tem 281 metros de comprimento e serve de fundação para a estação de trem de mesmo nome, que está em processo de  reforma.   O novo telhado, que será adicionado à estrutura original da ponte, terá mais de 6 mil m² de painéis solares, criando, assim, o maior sistema de captação de energia do sol em Londres.

 Trabalhadores colocando painel solar no telhado.

A previsão é que os painéis solares, que começaram a ser instalados em outubro, gerem em torno de 900 mil kWh por ano, fornecendo 50% da energia consumida pela estação e reduzindo as emissões de gás carbônico em cerca de 511 toneladas anuais.   Além dos painéis solares, outras medidas de economia de energia adotadas na nova estação incluem sistemas para coleta de água da chuva e o uso de “canos solares” para aproveitar a luz natural.   “A ponte férrea, da época da Rainha Vitória, em Blackfriars é parte da história de nosso sistema ferroviário. Foi construída na ‘idade do vapor’ e nós estamos a atualizando com uma tecnologia solar do século 21 para criar uma estação que será um ícone para a cidade“, diz o diretor do projeto, Lindsay Vamplew.  A obra de instalação dos painéis solares em Blackfriars deve terminar em 2012. Além dela, a única “ponte solar” conhecida no mundo é a ponte de Kurilpa, em Brisbane, na Austrália, construída em 2009.

Ponte Solar Kurilpa, para pedestres e bicicletas, em Brisbane, Queensland, Austrália.

A Ponte Kurilpa sobre o Rio Brisbane, na cidade de Brisbane na Austrália já foi originalmente construída para ser uma ponte solar.  A ponte, para pedestres e bicicletas, popularmente conhecida como “Fiddle Sticks” [Arcos de Viola], tem 470 m de comprimento e  custou em 2009, 63 milhões de dólares australianos, que no Brazil de hoje seriam 112 milhões de reais [por que será que tenho a impressão de que aqui no Brasil essa ponte sairia 4 vezes mais cara?].  Em 2011, o projeto dessa ponte recebeu o prêmio mundial de projetos de transporte, no WAF — World Architecture Festival [Festival de Arquitetura Mundial].  

FONTE:  Terra-BBC