Palavras para lembrar — Emile Faguet

8 01 2013

Marie Françoise Caroline Vallée (ativa Paris, sec XIX)Lendo Paulo e Virginia, ost,56 x 69 cmLendo Paulo e Virgínia

Marie Françoise Caroline Vallée (ativa em Paris no século XIX)

óleo sobre tela,  56 x 69 cm

Christie´s Auction House, 2010

“A arte de ler é a arte de pensar com um pouco de ajuda”.

Emile Faguet





A máquina de fazer espanhóis: música aos meus ouvidos

7 01 2013

Brown_Ellen, lendo a Ilha do Tesouro

Lendo a Ilha do Tesouro, 2010

Ellen Brown (EUA, contemporânea)

óleo sobre tela,  56 x 71 cm

www.ellencbrown.com

Dois preconceitos acabaram por retardar a minha leitura de A máquina de fazer espanhóis de Valter Hugo Mãe. O primeiro preconceito tem a ver com a falta de letras maiúsculas, uma complicação textual que continuo a achar desnecessária e um tanto marqueteira.  Depois de ver uma entrevista com o autor, na época em que ele veio à FLIP, fiquei convencida de que era isso mesmo que se passava, e deixei o livro de lado. [Folgo em saber que Valter Hugo Mãe já deixou de lado este pequeno e esdrúxulo requisito para suas obras].   O outro preconceito é mais sutil e não menos importante: não me afino muito com leituras cujas narrativas pendem para fluxo de consciência.  Sim, sim, sei que grandes obras da literatura moderna usam desse artífice para narrar, mas é uma questão de escolha pessoal minha, de afinidade.

Dito isso, venho reconhecer que A máquina de fazer espanhóis, que ganhou o prêmio José Saramago, em 2007, é um dos textos mais criativos com que me deparei nos últimos anos.  Ostensivamente o assunto que provoca as ponderações — sobre a vida, o país, a história, o Benfica, futebol, maneira de viver e de morrer e todos os demais questionamentos do dia a dia da vida de qualquer cabeça pensante —  é trazido para a arena de debate interno, do pensamento analítico, por um senhor de oitenta e tantos anos que acaba de ser internado  num asilo para idosos. São poucos os livros que conheço que abordam o assunto da velhice, da memória, da decrepitude, com tanta energia, simpatia e realismo.  Bernice Rubens, autora de um excelente romance sobre o tema — The Waiting Game–  com o qual ganhou o Booker Prize em 1993, tem em comum com Valter Hugo Mãe o fino senso de humor.  Já Leite Derramado, de Chico Buarque , que ganhou o prêmio Jabuti de 2010, que se desenvolve a partir de um tema semelhante, não consegue, a meu ver, narrativa tão sensível e emotiva quanto Valter Hugo Mãe atinge nos seus momentos mais poéticos.

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A máquina de fazer espanhóis se impõe então no universo literário lusófono como uma bela homenagem aos nossos anciãos, onde a tão conhecida melancolia portuguesa é combinada de forma sutil e inesperada com uma boa dose de humor e de realismo. Valter Hugo Mãe  alerta que nem todos os velhos são iguais. E mostra como todos são tratados como se fossem iguais, como crianças.  Nosso mundo vê os velhos como tendo um pouco de poetas, de loucos, de fantasiosos, de irresponsáveis.  A sociedade, a família, os profissionais de assistência social, enfermeiros, todos os tratam como se a caduquice fosse generalizada e talvez até contagiante.  Com essa narrativa somos requisitados a pensar nos velhos que conhecemos: pais, mães, avós, tios.  E temos que admitir que também nos comportamos de maneira análoga. Quantas vezes não nos pegamos em conversa jogada fora, na hora do cafezinho, dizendo que fulano que passou dos 80 ainda está bem, ainda pega ônibus, ainda toma conta de suas contas bancárias, ainda vota.  Como se o normal fosse o contrário; como se a decrepitude se estabelecesse inevitavelmente em todos, a partir de uma certa data.

Surpreendente é a forma poética de apresentar as diferenças entre uns e outros no asilo.  Às vezes é a ternura  que embala certas situações:  “a dona glória do linho parecia um ser delicado, toda candura e menina. tinha uma pouca experiência do amor e não aguentava a timidez de estar a ser cortejada por um garboso doutor em arte antiga. a dona glória do linho tinha estado no quarto do anísio dos olhos de luz e apequenara-se entre as estátuas importantes e bem pintadas que ele guardava. achava ela que estava dentro de um pedaço de museu, assim preciosa e maior do que o tempo de uma vida, porque era um pedaço de coisas que tinham de ficar para sempre como património de toda gente, mais preciosas do que toda gente.”

Surpreendente também é a crítica quando presenciamos a irreverência de quem não tem mais nada a perder: “ser religioso é desenvolver uma mariquice no espírito. um medo pelo que não se vê, como ter medo do escuro porque o bicho-papão pode estar à espreita para nos puxar os cabelos. esperar por deus é como esperar pelo peter pan e querer que traga a fada sininho com a sua minisaia erótica tão desadequada à ingenuidade das crianças.

valter hugo mãeValter Hugo Mãe

O jogo entre a lucidez e a fantasia permite que Valter Hugo Mãe se embrenhe por referências políticas, pelos problemas do Portugal moderno, membro da Comunidade Europeia, sem que seu livro se torne um cansativo tratado sócio político.  Pelo contrário, ele ilustra e relata fatos sem radicalismos nem pieguices  doutrinárias.  Seus velhinhos de asilo são ricos de características ímpares que num pulo da imaginação podem se tornar elementos para uma leitura mais alegórica do momento sócio-econômico pelo qual o país passa.  Mas em toda a narrativa o que mais me emocionou foi a língua.  Foi o português, o brincar com as palavras, foram os sons das palavras, a maneira de escrever como se fala, como ouvimos, como a gente da rua se expressa, cheia de poesia embutida nas sílabas cantadas.  Este sim foi, acima de tudo, o meu maior prazer nessa leitura.  Prazer que me fez parar e repetir parágrafos, marcar trechos, ler em voz alta. Mesmo com meu sotaque brasileiro o português cantou com Valter Hugo Mãe. Sim, com ele, a língua canta.





Na livraria, texto de Geraldo França de Lima

4 01 2013

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Leitora

Elaine G. Coffee ( EUA, 1941)

óleo sobre tela

Hoje posto, uma pequeníssima passagem do livro Branca Bela de Geraldo França de Lima.  Li esse livro na semana em que completei quatorze anos.  E ele me marcou muito e para sempre.  Adorei a personagem principal, que é uma jovem, com quem pude me identificar na época  e compartilhei de seus questionamentos. Seu impacto foi tão grande que tive receio de reler esse volume, ainda que tenha lido quase toda a obra de Geraldo França de Lima.  O receio era de que a magia que me influenciara, principalmente quanto ao papel feminino, pudesse ser desencantada durante uma segunda leitura.  Mas isso não está acontecendo.  À medida que leio Branca Bela, nessas férias de Natal e Ano Novo, tenho uma nova apreciação.  Sinal de que o romance é mesmo muito bom e que a leitura de hoje, mais madura, ainda consegue tirar outros significados do texto.  Fica aqui a recomendação:

“Nem sempre são flores a livraria: há instantes em que o ambiente se torna empestado e tenho de meter-me dentro de mim mesma, para não ouvir o que, alto, de propósito, conversam.  Explosões de sensualismo naqueles homens incapazes, que tentam afirmar-se pela palavra, pelos gestos… Embora eu me mantenha de cabeça baixa, sinto fixados em mim seus olhares insatisfeitos. O juiz é mestre, e se está na terra o coronel Anfilóquio, deliram…  Às vezes fico arrepiada. E tais, os tipos que dirigem a sociedade, que falam em moral e que condenam!

Meu pai com suas manias cíclicas, com aquela irreverência, jamais proferiu uma palavra feia.  Nem me lembro de o ter visto ser estar barbeado, camisa clarinha, de gravata, paletó abotoado, sapatos limpos e impecáveis os frisos da calça.

Falar mal dos outros é o assunto da livraria. O que dizem! Excetuados os negócios serão incapazes de uma palavra séria.

Acompanha-me, de Seu Artur, sacristão e pai de Nora, a impressão da infância: jeitos e trejeitos do demônio, língua impiedosa, o primeiro comentário sobre Luisita Veras veio dele.

Seu Antero é fantasma, fugindo à luz e ao sol, esqueleto em movimento: olhos morbidamente apagados, encravados nas órbitas.

Dr. Orestes é o menos mal-educado: desagradáveis as risadas regozijando-se com a desdita alheia. Por entre o intervalo de cada gargalhada, sentencia doutrinariamente:

— Mundo perdido! A licenciosidade, a promiscuidade!

— A causa é a mulher. Lugar dela é trancada em casa. Mas vive solta, tentando os homens – acrescenta  Seu Artur  porejando despeito.

— E você está certo, Artur, — concorda Seu Antero – a mulher é o mal. Ainda ontem vi uma, na rua, sem meia! Que se pode esperar de uma mulher sem meia!

Fervo e protesto por dentro: reduzir o conceito de mulher a um par de meias! Moral terá sexo?

Por que existem uma moral masculina e outra feminina?

Infelizmente a mulher permanece propriedade e sua conduta depende das concessões ou do tacanhismo do senhor”.

Em: Branca Bela, Geraldo França de Lima, Rio de Janeiro, São José: 1974, 2ª edição, p.49





Palavras para lembrar — Jean-Paul Sartre

3 01 2013

Anton Faistauer (Austria, 1887-1930)  A leitora, gd

Senhora à mesa com livro, 1916

Anton Faistaeur (Áustria, 1887 – 1930)

óleo sobre tela,

ColeçãoParticular em Saltzburg

www.saltzburgmuseum.at

“Tudo que sei a respeito da vida,  me parece, aprendi através dos livros”.


Jean-Paul Sartre





Imagem de leitura — Lois Mailou Jones

2 01 2013

12_lois mailou jones_jardin du luxembourg_oleo tela_c. 1948Jardim de Luxemburgo, c. 1948

Lois Mailou Jones ( EUA, 1905-1998)

óleo sobre tela

Lois Mailou Jones nasceu Boston, Massachusetts, em 1905.  Começou a pintar ainda criança, incentivada pela família que todos os verões a levava para a ilha Martha’s Vineyard, onde aprendeu a pintar com aquarelas o que se tornou seu meio favorito de pintura. Estudou na Escola de Arte do Museu de Boston. Na década de 1930, o trabalho de Louis Mailou Jones começou a refletir influências de tradições artísticas da África; e chegou a desenhar máscaras no estilo africano.  Esse trabalho refletiu no quadro Les Fétiches de 1938, que mostra máscaras africanas em cinco estilos étnicos diferentes.  Durante o ano de estadia na França produziu próximo a quarenta trabalhos entre paisagens e estudos figurativos, dando vazão a influencias africanas. Faleceu em 1998.





Descobrindo Machado de Assis, texto de Marques Rebelo

2 01 2013

Belmmiro de Almeida, (brasil 1858-1935) Amuada,oleosobremadeira,33x41, pontilhista, museu mariano procópio, mg

Amuada, s/d

Belmiro de Almeida (Brasil, 1858-1935)

óleo sobre madeira, 33 x 41

Museu Mariano Procópio, MG

“23 de junho [1939]

Meu primeiro contato com Machado de Assis data do mês que passei com Mimi e Florzinha, quando Roberto, ainda em colo de ama, não fora entregue aos cuidados das tias. Depois de vários adiamentos, papai resolvera limpar a casa, fazer alguns retoques no telhado e no forro, reformar o banheiro  — estava bastante maltratada.

Pintada a óleo, a óleo devia ser repintada, mas como cheiro de óleo envenena, durante a pintura não poderia continuar habitada. Houve uma distribuição de domicílios. Papai e mamãe foram para a casa de Ataliba, Mariquinhas carregou Emanuel para Magé, eu e Madalena ficamos na casa das primas, que era na Boca do Mato. A novidade foi excitante. Navegadores de primeira viagem, sentíamo-nos à deriva – e o casarão suburbano, com comida, hábitos, móveis, decoração, conversas e linguagem diferentes, com outra paisagem, outra luz, outro cheiro e calor, era um cosmos que se abria em mil e mil descobrimentos fascinantes.

Mimi era leitora inveterada e, de pouco dormir, chegava a romper madrugadas com livros na mão, livros dos quais, por não ignorar os meus pendores livrescos, contava-me depois os enredos com o mais lato seguimento e minudência. Se eu gostava, lia o livro, o que resultava em longas e posteriores conversações nas quais a boa prima não se dava conta, em absoluto, da nossa diferença de idade e com suma sisudez, manejando pincenê como uma batuta, aceitava ou rebatia os meus balbuciantes argumentos literários, o que de resto me envaidecia.

E foi assim que travei conhecimento com o mestre. Ela havia devorado Helena numa noite e no outro dia estava com a sensibilidade em polvorosa – é o melhor livro dele, dizia, e narrou-me todo o entrecho depois do almoço, na fresca e ensombrada varanda, que ladeava a casa em toda a sua longitude e que até o meio tinha uma tecedura de guaco, cujas virtudes expectorantes, sob a forma de chá ou de balas, eram amplamente recomendadas e exploradas.

Solicitei o romance, mas a verdade é que achei decepcionante, transmiti minha impressão, Mimi repisou o seu entusiasmo, e não pensei mais no autor.

Um ou dois anos mais tarde, passava eu para aquilo que no colégio se chamava o curso adiantado de português, isto é, o curso ao termo do qual era tirado o exame final dessa matéria. Para leitura e análise tínhamos uma grossa antologia de pífio papel, mas se houve livro que eu amasse, foi este. As amostras que trazia davam logo para gostar ou detestar. Foi nele que li “O Plesbicito”, de Artur de Azevedo, incorporando-o imediatamente à minha perene simpatia. Foi nele que amei Maupassant, por causa do “Adereço de esmeraldas”, amor que foi diminuindo como tempo até se mudar em desinteresse, desinteresse de que escaparam as curtas páginas de “Ao luar”, sim de que escaparam as curtas páginas de “Ao luar”.  Foi nele que Schiller me arrepiou com o episódio da luva e Coppée me emocionou como os vícios daquele capitão reformado, a primeira ficção francesa em que eu encontrava uma referência ao Brasil. Foi nele também que li um trecho de Dickens, “O jantar de Toby”, jantar de tripas numa noite glacial, jantar de pobre, trazido pela filhinha, maravilhosa revelação, pois a alegria de Toby me impressionou tanto que eu quis sem demora conhecer o romance por inteiro. Foi nele que aprendi a detestar Garcia Redondo, Pedro Rabelo, Coelho Neto, Alcides Maia, Macedo e tantos outros. Foi nele que, afinal, encontrei o meu Machado.  Vinha em pedaços como fatias de um grande bolo, grande e saboroso.  Fui comendo deliciado: aquele admirável trecho do fanático por brigas de galo, o do pesadelo em que o diabo tira libras de um saco para por em outro, o episódio da ponta do nariz, a célebre volta aos tempos, cavalgada às avessas, imorredouro retrocesso, e, principalmente, o famoso jantar da família Brás Cubas, ágape a que iria assistir, coberto de vergonha, numerosos similares. E o que não pude acreditar mui prontamente foi que houvesse relação entre o padeiro desses nacos surpreendentes e o confeiteiro de Helena de tão chocha  e açucarada memória. E atirei-me ao manjar inteiro, começando pelas Memórias Póstumas de Brás Cubas. Daí para Quincas Borba, depois para Dom Casmurro, quando fiquei para toda a vida apaixonado por Capitu, paixão que só se igualaria com a provocada por Vidinha, a gargalhante mulatinha dos lundus. Quando cheguei aos contos – “Conto de escola”, “Uns braços”, “O diplomático”, “Uma senhora”, “Missa do galo”, “Capítulo de chapéus”, “Ideias de canário” – quando cheguei aos contos alumbramento de que Antônio Ramos compartilhava, senti que formavam um trilho ideal, caminho único encimado por uma estrela, estrela guiadora, bem diversa daquelas,  indiferentes às lagrimas e aos risos, que o mal-aventurado Rubião pedia à bela Sofia que fitasse”.

Em: A mudança, Marques Rebelo, 2º volume de O Espelho Partido, São Paulo, Martins: 1962





FELIZ ANO NOVO! Um bom 2013 para todos!

31 12 2012

# 38 Zhong Sheng  Phoenix Woman Conte

Mulher e Fênix

ZONG SHENG  (Yunnan, China)

Baseado no famoso quadro do mesmo nome

de TING SHAO KUANG

Aquarela sobre papel de arroz,  36cm x 36 cm

Este ano ao invés da tradicional imagem de fogos de artifício que costumo postar escolhi essa imagem de uma ave fênix.

A fênix é uma ave da mitologia grega.  Não só vive muito tempo, como tem a habilidade de se regenerar, de renascer ciclicamente, formando-se das cinzas da ave anterior. Tem uma enorme força o que a leva a transportar cargas pesadas, havendo lendas nas quais chega a carregar elefantes. Pode  também se transformar em uma ave de fogo.

Fênix, Bestiario, Manuscrito Aberdeen sec xii,

Fênix, entre duas árvores de mirra, século XII

Bestiário de Aberdeen

Manuscrito iluminado

Biblioteca do Palácio de Westminster

Inglaterra

Acredita-se que traga boa sorte, que viva eternamente pois renasce de suas próprias cinzas e que seja o mais belo pássaro conhecido.  Como ave mitológica tem a vida tão longa quanto a do ser humano na terra.  Em diferentes versões a fênix aparece nas culturas da antiguidade, mas sua origem deve estar no antigo Egito, ainda que esta teoria não tenha sido confirmada satisfatoriamente.

Aves míticas semelhantes à fênix existem na antiga China [fenghuang] no Japão [ho-oh], no mundo árabe [Anka], na antiga cultura indiana [ garuda e chiva], na Rússia [pássaro de fogo], na antiguidade persa [ simorgh] na Turquia [kerkes] assim como no Tibete [Me byi karmo].

No mundo cristão foi sempre associada à figura de Cristo por servir de metáfora à Sua ressurreição. Apesar disso, há poucas pinturas ou ilustrações desse pássaro na arte cristã, além de umas poucas iluminuras.  O tema só chega se fazer presente  no mundo das artes plásticas mais assiduamente a partir do século XIX e XX.

Todos os anos deveriam ser novas fênix!

Feliz 2013 a todos!





Resoluções literárias para o Ano Novo

29 12 2012

lecture28 temasA praia, s/d

Françoise Amadieu ( França, 1948)

acrílica  sobre papelão corrugado, resinado, dobrado, sobre madeira.

www.amadieu.eu

Todos os anos faço minha listinha: coisas que gostaria de  fazer durante o ano.  Depois coloco uma lista parcial, numa dessas notas de papel adesivas, e colo essa lista parcial no início do mês que se inicia na agenda que carrego comigo para todo lado.  À medida que vou riscando algumas das tarefas colocadas na lista, refaço a lista parcial. Assim a lista que inicia o mês de novembro já é completamente diferente da que iniciou o mês de abril, por exemplo.   Para minha surpresa, quando chega dezembro em geral consegui completar 90% ou mais do que havia programado.

O fato de estar sempre olhando para a lista, porque afinal está no início de cada mês na agenda, faz com que me lembre da promessa de comprometimento.  Também acho que não podemos ser  nem ambiciosos demais nem de menos nessa lista.  O equilíbrio é difícil de encontrar, mas com a prática se consegue.  E a mais importante das descobertas: quanto mais detalhada a lista, mais fácil é cumpri-la.

Quanto aos comprometimentos literários aqui vão algumas sugestões do que estou pensando em colocar na minha lista:

1 — Ler mais livros que não sejam de ficção.

2 — Organizar os livros que tenho.

3 – Ler a cada mês pelo menos um dos livros já comprados e empilhados em casa.

4 — Eliminar, por doação ou venda a um sebo, o número de livros em casa.

5 – Ler pelo menos um livro científico de assunto contemporâneo.

6 – Fazer um passeio literário. Estou pensando em pegar  as Memórias da Rua Ouvidor de Joaquim Manuel de Macedo e passear por recantos do Rio de Janeiro onde JMM se detém.

E vocês?  Fazem listas literárias de fim de ano?  O que colocaram nelas?





Sobre livros: Jennifer Howard

27 12 2012

Harry J Pearson (1872-1933) Sra no café

Senhora à mesa de café, s/d

Harry J. Pearson (EUA, 1872 – 1933)

Óleo sobre madeira, 51 x 41 cm

Coleção Particular, Gavin Graham Gallery, Londres

“Qualquer um que tenha mostrado um livro como troféu numa mesa de centro sabe que pessoas fazem muitas coisas com livros além de lê-los.  Um livro pode ser usado como um sinal de posicionamento ou aspiração intelectual. Pode ser usado como uma barreira social entre esposos no café da manhã ou entre estranhos em um trem.  Pode ser desmembrado e reciclado ou transformado em arte”.

Jennifer Howard, Secret Lives of Readers





FELIZ NATAL para todos!

24 12 2012

Fuga para o Egito, 1881

José Ferraz de Almeida Júnior (Brasil, 1850-1899)

óleo sobre tela, 333 x 226 cm

Museu Nacional de Belas Artes, Rio de Janeiro

Feliz Natal para todos.

Paz, alegria e amor!