Saindo da livraria, texto de Permínio Asfóra

17 09 2013

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Livraria, 2012

John Farnsworth (EUA, contemp.)

Óleo sobre tapel colado em madeira, 21 x 21 cm

John Farnsworth

“A livraria era frequentada por curiosos que passavam as tardes remexendo livros, anotando cadernos e abrindo gavetas; desencavavam edições esgotadas, gozavam da intimidade do patrão, cuspinhavam literatura, falavam mal dos outros e galanteavam Teresa, — galanteios de esporas.

Ela se acostumara, só fazia sorrir. Fechou o decote e desceu as mangas, mas os seios empinados desafiavam os fregueses. Impossível disfarçá-los, primeiro lugar para onde espiavam.

Uma tarde quase caía da cadeira alta junto à maquina: a mão que se estendia pedindo-lhe o troco era a mesma que lhe fizera carinhos. Não mudara: o asseio de sempre, a camisa bem alva, o bigode certo, a roupa cinzenta.  Estranhou-lhe a calma; surgia tão sereno, tão sem surpresa que parecia mentira. Jamais pensou que fosse assim, um tipo sem alma, lembrou-se de um livro que lera. Na livraria havia facilidade de obter, emprestados, romances da moda; quase todos contavam histórias de amores infelizes, de pobres mocinhas que sonhavam com príncipes encantados.

Afável, cordial e alheio, como se nada entre eles houvesse ocorrido. Num minuto atravessava Teresa um mundo de recordações: noites de lágrimas, a perseguiçã ao vidro de formicida, tudo por ele, que estava ali calmo e distante, sorriso incolor, sem um aperto de mão. Sujeito ordinário, pensou em dizer-lhe. Noivo? Teria casado? Os olhos cinzentos iam dominá-la; seu rancor tropeçava, fraquejava. O mesmo rapaz, nem alto nem baixo, roupa nova, a gravata escura, o cabelo cortado. Por ele sofrera, esquecida e apagada; se não fosse o emprego, teria morrido de tédio. Andaria iludindo outras tolas, sujeito ordinário, quase dizia. Soçobrava nas recordações tumultuadas, o ódio adormecia, o desejo imperava. Fraqueza. Cadê o amor-próprio? Não devia ceder. Seria capaz de repetir a loucura? Loucura não houvera. O coração de Teresa perdendo o compasso, subia e descia, não havia o que falar.  Se falasse, iria se render, iria adular, iria chorar. Que coisa trágica, o amor. Os homens não amavam, aproveitavam a fraqueza das pobres para se divertir.

— Quem quiser se divertir, compre macaco — proclamava Viriato.

Mas Viriato também fazia sofrer a irmã de um amigo.

Coração descompassado, alegria e horror.

— Quase não a reconhecia — falou. Cada vez mais bonita.”

Em: O amigo Lourenço, Permínio Asfóra, Rio de Janeiro, José Olympio: 1962, pp, 96-97





Imagem de leitura — David Hockney

17 09 2013

My Parents 1977 by David Hockney born 1937

Meus pais, 1977

David Hockney (Inglaterra, 1937)

Óleo sobre tela, 183 x 183 cm

Tate Gallery, Londres

 David Hockney nasceu em Bradford,na Inglaterra em 1937. Estudoou no Bradford College of Art e on Royal College of Art em Londres.  Um dos pintores da Pop Art Britânica. Mais tarde mudou-se para os EUAm onde viveu por muitos anos na Califórnia. É considerado um dos pintores de maior influência na arte contemporânea britânica.





Imagem de leitura — Émile Béranger

15 09 2013

Emile Beranger,1848-XX-A-Curions-WomanUma mulher curiosa, 1848

Émile Béranger (França, 1814-1883)

óleo sobre madeira, 42 x 50 cm

Museus Hermitage, São Peterburgo





Flores para um sábado perfeito!

14 09 2013

Bernardo Cid, Flores, ost, 100x80Vaso de flores, s/d

Bernardo Cid (Brasil, 1925-1982)

óleo sobre tela, 100 x 80 cm

Coleção Particular





Boa sexta-feira 13 a todos vocês!

13 09 2013

Bereny_Robert-Black_cat.normalO gato preto, s/d

Robert Berény (Hungria, 1887-1953 )

óleo sobre tela, 87 x 100 cm

Galeria Nagy István





Imagem de leitura — Iszák Perlmutter

8 09 2013

Iszák Perlmutter, In the Parlour (1907-1910)Na sala, 1907-1910

Iszák Perlmutter (Hungria, 1866-1932)

óleo sobre tela, 115 x 85 cm

Coleção Particular

Iszák Perlmutter nasceu em Budapeste, na Hungria em 1866, de família judia.  Estudou na Gusztáv Magyar Mannheimer e com Bertalan Karlovszky. Foi para Paris, onde por alguns meses estudou na Academia Julian em 1891.  Voltando a Hungria, tornou-se aluno de Sándor Bihari.  Voltou a viajar em 1894.  Depois de retornar a Paris, deslocou-se para a Holanda, onde morou de 1898 a 1904, época em que pintou muitas das paisagens que conhecemos, e também se dedicou à pintura de gênero.  Estabeleceu residência em Szolnok  e mais tarde em Besztercebánya no seu retorno à Hungria. Participou em 1905 da Bienal de Veneza [Esposizione Internazionale d’Arte della Città di Venezia] e de novo da Bienal de Veneza em 1909, 1910, 1914 e 1922. Seus quadros refletem a influência do Impressionismo francês e do surrealismo. Seu auto-retrato encontra-se na Galeria degli Uffizi em Florença. Faleceu em Budapeste em 1932.





Língua portuguesa, poesia de Raquel Naveira

8 09 2013

Erico Santos (Brasil) Sala de Estar, 1988, ost, 40x 50 cm, wwwericosantos.comSala de estar, 1988

Érico Santos (Brasil, 1952)

óleo sobre tela, 40 x 50 cm

Acervo pessoal do artista

www.ericosantos.com

Língua Portuguesa

Raquel Naveira

Língua Portuguesa,

Tuas regras são as cordas da minha harpa,

Duras e firmes,

Que procuro dedilhar

Desde a infância.

Que prazer reconhecer tuas notas graves e agudas!

Ata-me nos teus laços afinados,

Na tua lei tensa

E criarei poemas

Como pássaros.

Que delícia o esforço de cortar,

Esticar,

Retesar!

Livra-me da frouxidão,

Da lassidão de cometer pecados

Contra ti.

Língua Portuguesa,

Tuas regras são as cordas de minha harpa,

Torna meu canto angélico,

Feito de forma e beleza,

Oferenda consagrada a ti,

Ao Tejo,

Às espumas do mar.

Em: Casa e Castelo, Raquel Naveira, São Paulo, Escrituras: 2002, p.71





Flores para um sábado perfeito!

7 09 2013

João Carlos Bento - acrílica sobre tela - 100cm x 100cmSem título

João Carlos Bento (Brasil, 1951)

acrílica sobre tela, 100 x 100 cm

www.joaocarlosbento.com.br





7 de setembro — Dia da Independência do Brasil!!

7 09 2013

Djanira, Independência,Independência, 1968

Djanira da Motta e Silva (Brasil, 1914 – 1979)

óleo sobre tela

Orgulho de ser brasileira!

 





Curiosidade: a língua romana

6 09 2013

Cesar-sa_mortA morte de César, 1804-1805

Vincenzo Camuccini (Itália, 1771-1844)

óleo sobre tela

A Língua Romana foi uma das duas principais línguas coloquiais do império romano.  A outra foi  o grego. A língua romana foi usada principalmente nas províncias ocidentais do império (Itália, Espanha, Gália, Grã-Bretanha, África do Norte, Sardenha, Córsega), mas também em partes do norte da península dos Bálcãs  [Dacia, Moesia, Illyria, norte da Macedônia. A população do Império Romano  no século I-II da nossa era foi estimada em 50 milhões de pessoas  ou 1/6 do total mundial da época.  Calcula-se que o império chinês também  tivesse cerca de 50 milhões de habitantes, nos primeiros dois séculos da Era Comum . Supõe-se que dois terços dos cidadãos romanos usassem a língua romana como língua nativa ou que a usassem como língua secundária em seus assuntos públicos.