Vento do mar e o sol no meu rosto a queimar…

14 03 2025

Lagoa Rodrigo de Freitas, 1894

João Baptista da Costa (Brasil, 1865-1926)

óleo sobre madeira, 25 x 61 cm





Corujas e Picasso

13 03 2025

Coruja vermelha sobre fundo negro, 1957

Pablo Picasso (Espanha 1881-1973)

Cumbuca de terracota parcialmente cinzelada, vitrificada

número 3/150

[Christie’s]

 

 

Em 12 de maio de 2020 coloquei aqui neste blog uma pequena postagem sobre Picasso e a coruja de Antibes.  Corujas foram um tema contínuo na obra do artista espanhol desde os anos 40 até o anos 60 do século passado.  Ontem vi que mais uma coruja de Picasso entrava no mercado com venda em leilão, resolvi portanto postar algumas das corujas de Picasso que venho colecionando.  Não, ainda não esgotei minha coleção de fotos desse tema na obra dele.  Espero que gostem.

 

 

Coruja em uma cadeira com ouriços do mar, 1946

Pablo Picasso (Espanha, 1881 – 1973)

óleo sobre tela

A grande coruja da neve, autorretrato, 1957

Pablo Picasso (Espanha, 1881 – 1973)

 

 

Coruja, Natal, 1949

Pablo Picasso (Espanha, 1881 – 1973)

desenho

Coruja

Pablo Picasso (Espanha, 1881 – 1973)

Cerâmica

 

Coruja, 1957

Pablo Picasso (Espanha, 1881 – 1973)

medalhão em faiança, série de 100

pintado em frente e verso





Resenha: “O segredo de Espinosa”, de José Rodrigues dos Santos

12 03 2025

Portrait of Benedictus de Spinoza, c. 1665

Anônimo

óleo sobre tela

Biblioteca Herzog August, Wolfenbüttel

 

 

Biografias de intelectuais famosos, pensadores, podem facilmente se tornar narrativas que se perdem nas explicações teóricas sobre as contribuições dos retratados.  Essas podem desinteressar o leitor comum, nem sempre motivado para aulas teóricas na leitura de entretenimento. Ou, na tentativa de agradar a maior público esses livros podem pecar também ao  passarem por cima de teoria representativa da contribuição dos biografados no intuito do texto ser melhor digerido pelo público não especializado.  Esse não é o caso de O segredo de Espinosa, de José Rodrigues dos Santos [Planeta: 2023].  Esse é um livro muito bem escrito, cobrindo a vida do filósofo Baruch Espinosa, nascido na Holanda, judeu marrano de origem portuguesa. que trata por meio de diálogos, uma boa parte dos posicionamentos de Espinoza, fazendo-os acessíveis ao leitor sem entediá-lo.

Essas ponderações são ainda mais pertinentes quando se trata de uma obra que traz ao leitor o papel da religião no dia a dia, assim como na vida do Estado. Espinosa foi um dos grandes defensores da separação entre Igreja e Estado. Levando a racionalidade de Descartes a nível não imaginado anteriormente. Considerado o filósofo que abre a era da modernidade nos estudos filosóficos, ele está hoje entre os filósofos mais influentes do mundo atual. Toda essa importância poderia tornar O segredo de Espinosa difícil de ler, difícil de interpretar, mas José Rodrigues dos Santos fez um excelente trabalho cobrindo desde a infância de Espinosa até seus últimos dias.


 

 

Além de ser fiel aos argumentos de Baruch Espinosa, José Rodrigues dos Santos presenteia o leitor com deliciosas vinhetas da vida na Holanda do século XVII, historicamente confirmadas,  assim como eloquentes cenas da política local, da população em revolta.  Não se recusa tampouco a delinear com precisão as questões religiosas e culturais complexas da época.

Ao longo da Breestraat viam-se as lojas e os armazéns a exibirem os produtos mais variados; muitos provenientes de empresas neerlandesas como a Companhia das Índias Orientais e a Companhia das Índias Ocidentais, outros de empresas portuguesas como a Carreira das Índias e a Companhia Geral do Comércio do Brasil, outros ainda de navios oriundos de Veneza, de Antuérpia, de Hamburgo ou de outros pontos, incluindo saques efetuados por corsários marroquinos. As prateleiras enchiam-se assim de porcelanas de Cantão e de Nuremberg, tapetes de Esmirna, tulipas de Constantinopla, sedas de Bombaim e de Lyon, pimenta das Molucas, sal de Setúbal, linho branco de Haarlem, lã de Málaga, faiança de Delft, sumagre do Porto, açúcar do Recife, madeira de Bjørgvin, tabaco de Curaçau, marfim de Mina, azeite de Faro. Havia ali de tudo e de toda a parte, como se o bairro português de Amsterdã fosse o bazar dos bazares, o mercado do mundo.

 

 

José Rodrigues dos Santos

Esse é um romance histórico, uma biografia cuidadosamente construída, que explora a maneira como Espinosa desenvolveu levou adiante as ideias de Descartes.  A obra afirma a retidão de seu caráter, expõe a maneira como as publicações se espalhavam no século XVII, e trabalha a narrativa de tal forma que o leitor não deseja parar de ler.  Foi um presente conhecer esse autor português.  Irei procurar outras de suas obras.  Recomendo sem qualquer restrição, foi para minha lista de favoritos.

 

NOTA: este blog não está associado a qualquer editora ou livraria, não recebe livros nem incentivos para a promoção de livros.





Hoje é dia de feira: frutas e legumes frescos!

12 03 2025

Natureza morta, 1947

Christina Balbão (Brasil, 1917-2007)

pastel sobre papel, 48x66cm

UFRGS

 

 

Objetos sobre a mesa, 2004

Victor Arruda (Brasil, 1947)

óleo sobre tela, 130 x 110 cm





Minutos de sabedoria: Beatriz Bracher

12 03 2025

O enterro de Siegfried

William Brown Macdougall (Escócia, 1868-1936)

do livro The fall of the Nibelungs, de Margaret Armour, Londres, 1897.

 

 

“Morrer é intransitivo, incompartilhável, sujeito singular, nunca composto. Mesmo as mortes coletivas, holocausto, câmara de gás, chacinas, são mortes individuais. Quem morre, morre só.”

 

Beatriz Bracher

 

Beatriz Bracher (1961)





Nossas cidades: Caxambu

11 03 2025

Paisagem com casario em Caxambu, MG, 1952

Virgílio Tenório Filho (Brasil, ?)

óleo sobre madeira, 29 x 35 cm

 

 





Conto popular versus conto de autor

10 03 2025

 Big Sky Country

Chad Gowey (EUA, 1987)

 

No conto popular não importa o nome nem o local ou o tempo, cada personagem é uma peça para a história funcionar. Por isso ela pode ser recontada eternamente que permanecerá sempre a mesma história. “A moura torta”, “Chapeuzinho Vermelho”, cultura popular. Num conto de autor ou num romance é diferente, são as palavras, exatamente aquelas palavras, que constroem aquela história para sempre única, os personagens crescem, têm nomes, a ação tem idade, finca-se em um tempo. É obra de um homem e não de um povo.

 

 

Em: Antônio, Beatriz Bracher, Editora 34: 2010





Em casa: Even Ulving

9 03 2025

Tocando piano

Even Ulving (Noruega, 1863-1952)

óleo sobre tela. 50 x 67cm





Dia Mundial da Mulher: retratos de mulher na arte brasileira

8 03 2025

Beryl

Emiliano Di Cavalcanti (Brasil, 1897-1976)

óleo sobre tela, 71 X 58 cm

 

 

Figura femina, 1961

Edgar Oehlmeyer (Brasil, 1909-1967)

óleo sobre placa, 40 x 30 cm

 

 

Figura feminina, 2018

Ney Cardoso (Brasil, contemporâneo)

óleo sobre tela,  74 x 65 cm

 

 

Camponesa, 1927

Rodolpho Amoêdo (Brasil,1857-1941)

óleo sobre cartão, 23 x 18 cm

 

 

Figura Feminina, 1952

Samson Flexor (Moldávia-Brasil, 1907-1971)

óleo sobre tela, 100 x 80 cm

 

 

Figura feminina, 1958

Alberto da Veiga Guignard (Brasil, 1896-1962)

óleo sobre tela, 74 X 61cm

 

 

Hanna Andersen com cachorrinho no colo

Alfred Andersen (Noruega-Brasil, 1860-1935)

óleo sobre tela, 61 X 47 cm

 

 

Figura feminina

Antonio Gomide (Brasil, 1895-1967)

óleo sobre madeira, 30 x 22 cm

 

 

A jovem com chapéu de plumas, 1887

Augusto Duarte (Brasil,1848-1888)

óleo sobre madeira, 32 X 24 cm

 

 

Mulher com leque, Bahia, 1953

Tadashi Kaminagai (Japão-França, 1899-1982)

óleo sobre tela, 73 x 60 cm

 

 

Figura de mulher, 1956

Oswaldo Teixeira (Brasil, 1905 – 1974)

óleo sobre tela, 65 x 55 cm

 

 

Mercedes, 1943

Iberê Camargo (Brasil, 1914-1994)

óleo sobre tela, 46 x 42 cm

 

 

Retrato de mulher, década de 1890

João Timótheo da Costa (Brasil, 1879-1932)

óleo sobre tela, 56 x 56 cm

Sem título, 2013

Lucia Helena Redig de Campos (Brasil, contemporânea)

óleo sobre tela, 50 x 70 cm





Sobre George Orwell…

7 03 2025

Café na margem esquerda do Sena

Leslie Ficcaglia (EUA, contemporânea)

 

 

 

 

Orwell [George] não era um escritor dado à imaginação.  Ele precisava de acontecimentos concretos sobre os quais basear, aquela pessoa entrando num local cujas ações poderia descrever.  Seu primeiro livro  Down and Out in Paris [Na Pior em Paris e Londres] foi consequência de sua estadia em Paris — lavando pratos em um restaurante e sobrevivendo como um boêmio na Margem Esquerda [do Sena] — e vivendo junto aos pedintes do Leste de Londres [East London].

 

 
Em: Process: the Writing Lives of Great Authors, Sarah Stodola, Amazon Publishing: 2015

-.-.-.-.-.-

Tradução livre: Ladyce West

-.-.-.

Orwell was not a writer prone to invention. He needed concrete events upon which to draw, that person entering a room whose actions he could describe. His first book, Down and Out in Paris and London, rose out of his time in Paris—washing dishes in a restaurant and scraping by in the bohemian Left Bank—and living among the tramps of East London.