As noivas de branco…Desde quando?

12 06 2015

 

 

Casamento russo 3Casamento na Rússia, década de 1960. Ignoro a autoria dessa ilustração.

 

“Até meados do século XVII, as noivas usavam vestidos coloridos, com pedrarias e bordados. Tons vermelhos e dourados  eram os mais comuns. Foi a rainha Vitória, da Inglaterra, que inaugurou o visual da noiva mais usado até hoje — ao se casar de branco com seu primo, o príncipe Albert. Ela também acrescentou ao seu traje nupcial um véu — detalhe, na época era proibido para rainhas que, para provarem sua identidade e soberania, nunca deveriam cobrir o rosto. O mais curioso é que ela o pediu em casamento, pois não se permitia fazer esse pedido diretamente à rainha. Com a chegada da burguesia, o vestido branco ganhou outro significado: o da virgindade.”

 

Em: Sempre, às vezes, nunca – etiqueta e comportamento, Fábio Arruda, São Paulo, Arx: 2003, 8ª edição, p: 44.





Rio de Janeiro, comemorando 450 anos!

12 06 2015

 

 

RUBEM DUAILIBI - Três VW em Copacabana e Ipanema - Acrílico s tela colado e silk-screen - 100 x 100 cm - ass. inf. direito e verso - 2008 -Três VW em Copacabana e Ipanema, 2008

Rubem Duailibi (Brasil, 1935)

Acrílica e silkscreen colada sobre tela, 100 x 100 cm

 





Teto de vidro nos prêmios literários

12 06 2015

 

 

154-To-Kill-A-Mockingbird-Book-Realism-Bird-PaintingO sol é para todos *

Camille Engel (EUA, contemporânea)

óleo sobre tela, 50 x 40 cm

www.camille-engel.com

* [O título em inglês, To Kill a Mockingbird, faz trocadilho com o título do romance da escritora americana Harper Lee, conhecido no Brasil como O sol é para todos, e em Portugal como, Mataram a cotovia]

 

Um estudo por Nicola Griffith, abrangendo os principais prêmios literários em língua inglesa, nos últimos quinze anos, mostra que livros com personagens principais masculinos têm sido favorecidos nas premiações literárias. Ou seja, se o autor deseja ser premiado, seu personagem principal deve ser masculino.  Livros sobre mulheres, com personagens femininos têm menor chance de serem premiados.

O estudo revelou ainda que, contrário ao bons ventos da igualdade de direitos, há um teto de vidro nas editoras segregando mulheres nos postos mais baixos. Postos de chefia e de decisão editorial não estão  nas mãos de mulheres. Os números da pesquisa não deixam dúvida de que há uma preferência pelo ponto de vista masculino.

E, no entanto, há mais mulheres leitoras do que homens, no mundo inteiro. Assim como há mais mulheres no mundo do que homens em números absolutos. O ponto de vista feminino sobre a vida, sobre o mundo não deveria ser negligenciado.

Seria o mesmo aqui no Brasil?

 

Para o artigo inteiro: The Guardian





Imagem de leitura — Jehan Georges Vibert

11 06 2015

 

 

Vibert_Jehan-Georges_A_Fine_PointUm bom argumento

Jehan Georges Vibert (França, 1840-1902)





Trova humorística dos grilos — já pensando no dia dos namorados…

11 06 2015

 

 

aquarela chinesaSem título

Linag Zhi Qing (China, contemporâneo)

aquarela sobre papel de arroz, 40 x 40 cm

 

 

A grilinha, toda ardida,

murmurava, num queixume:

–Nunca mais, na minha vida,

Vou namorar vagalume.

 

(Mário Peixoto)





Hoje é dia de feira: frutas e legumes frescos!

10 06 2015

 

 

CARLOS CHAMBERLLAND (1884-1950) - Natureza Morta - Frutas e Bule, pintura a óleo sobre tela, med. 25 x 29cmNatureza morta com frutas e bule, s.d.

Carlos Chambelland (Brasil, 1884-1950)

óleo sobre tela, 25 x 29cm





Palavras para lembrar — Jorge Luis Borges

10 06 2015

 

 

Harriet Backer (Norwegian, 1845-1932), By Lamplight, 1890, Oil on canvas, 64.7 x 66.5 cm, The Rasmus Meyer Collection, The Bergen Art Museum, RMS.M.20.

À luz do lampião, 1890

Harriet Backer (Noruega, 1845-1932)

óleo sobre tela, 64 x 66 cm

Coleção Rasmus Meyer

The Bergen Art Museum

 

 

“Se lemos algo com dificuldade, o autor fracassou.”

 

Jorge Luis Borges





Ele queria ser escritor! – texto de David Antunes

9 06 2015

 

 

Kulikov_Writer_E.N.Chirikov_1904Escritor russo Eugênio Kulikov, 1904

Ivan Kulikov (Rússia, 1875-1941)

óleo sobre tela

 

 

“Por esse tempo começaram a cintilar os primeiros alvores de minha vocação literária. Estava eu certo de que meu pai se afogaria em júbilos, acaso me lesse um artigo de campanha contra a espada aventureira, que rasgou o ventre da Bahia e ameaçou decapitar São Paulo. Mas, tanto que me surpreendeu os intuitos, concentrou nas sobrancelhas todas as forças de sua energia e, chamando-me a um ajuste, ordenou, com dedo autoritário, que me fosse ocupar de ofício limpo. E não era limpo o da imprensa? Meu pai entendia que o tal mister calha ao patetas, aos inúteis, aos irresponsáveis. Tais os epitetos com que fulminava os jornalistas — por amor de meu futuro!  Mas é bem notar, ele não detestava letrados. Ao contrário, acolhia-os, com regozijo, na usa consideração de boêmio tardiamente regenerado. E a prova está em que nunca deixou esmorecer a velha camaradagem, travada aos tempos da Academia, de alguns poetas de classe, notadamente de um tal José de Freitas, vivo ainda, parece-me que em Minas, o qual sempre escrevia para solicitar-lhe notícias e dinheiro. Meu pai, regra geral, só atendia à primeira parte das cartas do amigo, porém não se enfastiava a no-lo citar, à hora da mesa, amiudando-lhe gabos aos mérito de estilista e versejador.

O pobre José Freitas voltava, de novo, com os queixumes e soluços, estes simbolizados por um desperdício de reticências. Dizia-se na miséria, encravado com promissórias e oito filhos raquíticos. Para contê-lo, meu pai mandava-lhe duas ou três laudas de conselhos. O homem sossegava durante quinze dias, mas tornava, depois, lamuriante ainda, reclamando o vale-postal. Talvez mal compare, mas esse desgraçado José de Freitas me fazia lembrar alma penada, que suplicasse, do outro mundo, preces de alívio aos seus tormentos. Tenho por certo que o velho o tomou por exemplo do infortúnio, que me esperava, se me abandonasse aos impulsos da idade. Excelente pai!

Ora, não sei se erro, afirmando qua as paixões trazem a vantagem de nivelar índoles. Não me rebelei contra meu pai. Curvei-me resignado, às objurgatórias, como a receber a coroa de mártir que, no caso, me ficava a talho. Bem a contragosto, em casa dava de mão às consolações da pena. À noitinha, então sim, escapulia-me às vistas paternas e corria ao meu protetor, o Ferreira, que me oferecia lenitivo pronto às aflições: o conhaque, papel e tinta. Bom sujeito! Daqui ainda o vejo, alto, grosso, gordura consistente e pesada, ilhargas tão amplas como as espáduas, enormes bigodes retorcidos a modos de chifres, uma cicatriz angular na região frontal esquerda, sempre alegre, sempre loquaz, sempre desbocado… Bom sujeito. Tinha a mania de esmurrar o próximo por dê cá aquela palha, mas, afinal, isto é sestro de homem musculoso,e ninguém o recriminava por isto, afora os hermistas que lhe temiam o contato, como se evitassem pisar numa casca de banana.

Ferreira arrumava-me nos fundos da taverna, entre dois tabiques discretos, que ficavam por detrás das teias de aranha e das quartolas de azeite doce e de vinagre. Eu, meio desalentado, sentava-me defronte de um traste coxo e trêmulo e aguardava a inspiração… Ferreira trazia-me o conhaque… dois, três… a lambujem do trato, e as ideias, pouco a pouco destilavam no papel, seguindo a vertiginosa abalada de minha cólera contra o mundo e os adversários de Rui Barbosa.”

 

Em: Gente Moça, novela, (a primeira publicação em 1920), aqui, publicada junto ao romance Bagunça, David Antunes, São Paulo, Saraiva:1968, p. 115-117.

 

David Antunes, usou também o cognome Iago Joé,  escritor brasileiro. Nasceu em Santa Branca, São Paulo em 1891 e faleceu em Campinas, SP, em 1969).

Obras:

Gente Moça, novela, 1920

Bagunça, romance, 1932

Incenso e pólvora, romance, 1937

Caminhos perdidos, romance, 1940

Briguela, romance, 1945

Lagoa Verde, romance, 1947

A face trágica da arte, ensaio, 1952

Obsessão, romance, 1956

Piracicaba, romance histórico, 1956

O pastor e as cabras, romance, 1968

 

 





Imagem de leitura — Octavian Smigelschi

9 06 2015

 

Octavian_Smigelschi_-_Tanar_citindRapaz lendo

Octavian Smigelschi (Romênia, 1866-1912)

óleo sobre tela, 65 x 75 cm

Museu Nacional Brukental, Sibiu, Romênia





25 anos, soneto de Menotti del Picchia

8 06 2015

 

75e570ac2d6c8ac4e71bc03d71d14182Menino com cesto e cão, 1861

Édouard Manet (França,1832-1883)

Óleo sobe tela, 92 x 72 cm

Coleção Particular, Paris

 

25 anos

 

Menotti del Picchia

 

Quase me desconheço. Onde anda o imbele

menino alegre, de calcinha curta,

cantando, sempre aos saltos entre a murta,

entre os cafeeiros tão amigos dele?

 

Cresceu: ei-lo descrente… Eu sou aquele menino alegre.

A vida logo encurta as ilusões, a idade os risos furta…

E quem diria agora que eu sou ele?

Hoje me desconheço.

 

O outro, a criança lembro,

toda risonha, ao sol ardente

pelos campos em flor vagando a esmo…

 

Mas, sempre que me vem isto à lembrança,

sinto-me tão mudado e diferente

que chego a ter saudades de mim mesmo.

 

 

Em: Entardecer, Menotti del Picchia, São Paulo, MPM propaganda: 1978, p. 57.