O arroz doce, texto de Eça de Queiroz

27 05 2015

 

 

Joseph Clark (British artist, 1834-1926) A Christmas Dole 1800sBonus de Natal

Joseph Clarke (Grã-Bretanha, 1834-1926)

óleo sobre tela, 90 x 120 cm

 

O arroz-doce

 

“Depois chegou a hora das luzes e do jantar. Eu encomendara pelo Grilo ao nosso magistral cozinheiro uma larga travessa de arroz-doce, com as iniciais de Jacinto e a data ditosa em canela, à moda amável da nossa meiga terra. E o meu Príncipe à mesa, percorrendo a lâmina de marfim onde no 202 se escreviam os pratos a lápis vermelho, louvou com fervor a ideia patriarcal:

-Arroz-doce! Está escrito com dois ss, mas não tem dúvida… Excelente lembrança! Há que tempos não como arroz-doce! Desde a morte da avó.

Mas quando o arroz-doce apareceu triunfalmente, que vexame! Era um prato monumental, de grande arte! O arroz, maciço, moldado em forma de pirâmide do Egito, emergia duma calda de cereja, e desaparecia sob os frutos secos que o revestiam até ao cimo onde se equilibrava uma coroa de Conde feita de chocolate e gomos de tangerina gelada! E as iniciais, a data, tão lindas e graves na canela ingênua, vinham traçadas nas bordas da travessa com violetas pralinadas! Repelimos, num mudo horror, o prato acanalhado. E Jacinto, erguendo o copo de Champanhe, murmurou como num funeral pagão:

Ad Manes, aos nossos mortos!”

 

Eça de Queiroz, A cidade e as serras

[Exemplo de Narrativa Descritiva]

 

Em: Flor do Lácio, [antologia]  Cleófano Lopes de Oliveira, São Paulo, Saraiva: 1964; 7ª edição. (Explicação de textos e Guia de Composição Literária para uso dos cursos normais e secundário) p. 194.

 

NOTA: Ad manes é a abreviação da expressão em latim Ad manes abiit, que significa: Aos mortos, aos que morreram.





Sublinhando…

26 05 2015

 

 

GESTEL, Leo - Interieur mit lesender Frau, ost, 50x60, decada de 30Interior com senhora lendo, década 1930

Leo Gestel (Holanda, 1881-1941)

óleo sobre tela, 50 x 60 cm

 

 

“Por ser da minha terra é que sou nobre,

Por ser da minha gente é que sou rico.”

 

Olavo Bilac (Brasil, 1865-1918) do poema Aos meus amigos de São Paulo, também conhecido pelo primeiro verso: Se amo, padeço, e sonho, a recompensa.





Um poema — para todos — de Miguel Torga

26 05 2015

 

 

leitura, distração, georges lepape, vogueDistração, gravura George Lepape.

 

 

Um poema

Miguel Torga


Não tenhas medo, ouve:
É um poema
Um misto de oração e de feitiço…
Sem qualquer compromisso,
Ouve-o atentamente,
De coração lavado.
Poderás decorá-lo
E rezá-lo
Ao deitar
Ao levantar,
Ou nas restantes horas de tristeza.
Na segura certeza
De que mal não te faz.
E pode acontecer que te dê paz…


Miguel Torga, Diário XIII





Imagem de leitura — Heinrich Vogeler

26 05 2015

 

 

Heinrich_Vogeler_Martha_Vogeler_im_Barkenhoff_1901Martha Vogeler em Barkenhof, 1901

Heinrich Vogeler (Alemanha, 1872-1942)

Aquarela,  lápis e bico de pena sobre papel,  28 x 15 cm





Nossas cidades — Campinas

25 05 2015

 

 

Di Cavalcanti, paisagem de Campinas, ost, c.1940, 60 x 80jpgPaisagem de Campinas, c. 1940

Di Cavalcanti (Brasil, 1897-1976)

óleo sobre tela, 60 x 80 cm





A chegada… texto de João Felício dos Santos

25 05 2015

 

 

PORTINARI Família real (chegada)2A chegada da Família Real à Bahia, 1952

Cândido Portinari (Brasil, 1903-1962)

Painel, óleo sobre tela, 381 x 580 cm

Banco BBM, Rio de Janeiro

Obra executada para decorar uma das salas da sede do Banco da Bahia, Salvador, Bahia.

 

 

“E foi o desembarque.

Conde da Ponte, o fiel, o velho, o prudente governador, já bem prevenido  — pelos ingleses — da vinda de tantos hóspedes importantes, havia providenciado tudo, da melhor forma que lhes fora possível.

Até bom suprimento de água potável e para a limpeza geral (tão urgente para quem trazia dois meses de carências e desconfortos), já se acumulava em tinas, pipotes e barris pelos quatro cantos da cidade enfeitada em ansiedades.

Do interior da província chegavam, a cada instante, as coisas mais inesperadas como reforço suplementar de manutenção.

Na subida da Montanha, ladeira por onde começara a desfilar o séquito real em emperrados trânsitos, sinos bimbalhando folganças em toda a redondeza, espalhava-se grosso povo em guardadas roupas (militares, frades, escravos, mucamas…) de domingo.

Mendigos.

Buscando evidências de importante separação, nobres da terra, de espadins e chapéus de fivela, desviavam seus cavalos, apeando-se com graça estudada nos requintes pretensiosos, de cima de seus selins ornados pretensiosamente com muita prata de lei. — Era a colônia a querer dar a nota de sociedade esmerada em preciosismos de educação. Nos becos onde sapateiros e outros ambulantes já haviam topado sítios bons para ver o desfile, acoitavam-se vendedores de comida com seus tabuleiros asseados em panos da costa e de rendas.

Nenhum local próximo andava devoluto. A população primava em berrantes presenças.

No adro da Conceição da Praia (sinos refrescando alegrias), estacionavam palanquins e serpentinas profusos em ouros, tetos de esmalte pintados ao gosto do tempo do senhor D. José, e cortinas riscadas de seda-china.

Os estufins e liteirinhas guardadas por dentuços moleques escravos, jogando aius na areia do chão a canela varrido, maganos moleques de tricórnios de plumas, casacas azuis, luvas branquinhas de anil e potassa nos fios de Escócia, ufanamente de pés no chão; os estufins e liteirinhas, nas festas ingênuas da colônia em sorriso, abrigavam a curiosidade espantada de muitos olhos negros, peludos olhões da rica mestiçagem na terra brotada.

Botinas-gracinhas, atacadas até aos tornozelos morenos, sacudiam impaciências do lado de fora, pelas frestas das sanefas ciosamente corridas.

Impaciências também ondulavam nas escondidas ancas armadas das senhorinhas passageiras enquanto escondiam assanhamentos, amuadas pela demora do cortejo.

E afogavam os ligeiros peitinhos cheirando a macela-alfazema, aperreados nos sonsos decotes dos espartilhos marotos da Europa importados. …”

 

 

Em: Carlota Joaquina a rainha devassa, de João Felício dos Santos, Rio de Janeiro, Ed. Civilização Brasileira: 1968, pp:65-66

 





Domingo, um passeio no campo!

24 05 2015

 

VICENTE LEITE, Vicente Ferreira Leite (1900 - 1941) Paisagem - Itaboraí, o.s.m, 18 X 26 cm, assinado, localizado (Itaboraí) e datado (1940) no c.i.e.Paisagem em Itaboraí, 1940

Vicente Leite (Brasil, 1900-1941)

óleo sobre madeira, 18 x 23 cm





Flores para um sábado perfeito!

23 05 2015

 

 

Shokichi Takaki - Natureza morta - Óleo sobre tela 55x46 cm - 1952 - Assinado no canto inferior direito

Natureza Morta,1952

Shokichi Takaki (Japão/Brasil, 1914-2006)

óleo sobre tela, 55 x 46 cm





Rio de Janeiro, comemorando 450 anos!

22 05 2015

GASTÃO FORMENTI (1894-1974) - Leblon, óleo s tela, 65 X 55.Leblon, 1948

Gastão Formenti (Brasil, 1894-1974)

óleo sobre tela, 65 x 55 cm





Em três dimensões: Antico

21 05 2015

69899215_pBaco, 1522
Antico, [Pier Jacopo Alari Bonacolsi] (Mantua, Italia, 1455-1528)
Bronze com folha de ouro, 59 x 43 x 27 cm
Kunsthistoriches Museen, Viena