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Carlos Anesi (Argentina, 1945 – Brasil, 2010)
óleo sobre tela, 90 x 105cm
Leitura no jardim, ilustração de Norman Price, capa da revista St. Nicholas, maio de 1917.
Eugênio de Andrade
São como cristal,
as palavras.
Algumas, um punhal,
um incêndio.
Outras,
orvalho apenas.
Secretas vêm, cheias de memória.
Inseguras navegam:
barcos ou beijos,
as águas estremecem.
Desamparadas, inocentes,
leves.
Tecidas são de luz
e são a noite.
E mesmo pálidas
verdes paraísos lembram ainda.
Quem as escuta? Quem
as recolhe, assim,
cruéis, desfeitas,
nas suas conchas puras?
Enriquecimento pelo saber, s/d
Marie Aimée Eliane Lucas-Robiquet (França, 1864-1959)
óleo sobre tela, 94 x 122 cm
Coleção Particular, EUA
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Ilustração para o Festival de San Remo, de Walter Molino, Corriere della Sera, Fevereiro 1961.–
Marcados por desenganos,
na busca de um céu aberto,
meus olhos são quais ciganos,
nunca têm destino certo.
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(Ilza Tostes)
Capa de espelho [lado de trás] em marfim com cena de enamorados a cavalo, século XIV.
Museu do Louvre, Paris
Robin Freedenfeld (EUA, contemporânea)
óleo sobre tela, 66 x 81 cm
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Convento da Penha, Vila Velha, ES, s/d
Levino Fanzeres (Brasil, 1884-1956)
óleo sobre tela, 54 x 81 cm
Henriqueta Lisboa
Andorinha no fio
escutou um segredo.
Foi à torre da igreja,
cochichou com o sino.
E o sino bem alto:
delém-dem
delém-dem
delém-dem
dem-dem!
Toda a cidade
ficou sabendo.
Na Biblioteca, c. 1927
Jean Edouard Vuillard (França, 1868-1940)
óleo sobre tela
Há três semanas li um artigo no New York Times que me deixou perplexa. No alardeado ocaso dos livros impressos, há um nicho nas casas editoriais americanas em pleno desenvolvimento: livros que ensinam a decorar a sua casa com LIVROS. Mireille Silcoff no artigo intitulado On their deathbed, Physical Books have finally become Sexy nota que há agora um nicho de grandes livros, do gênero Coffe-table books, livros em edições caras com muitas fotografias usadas em geral para decorar mesas de centro, promovendo a decoração com esses itens [livros] que dentro em pouco estarão em extinção.
Sempre soube que livros são e eram decorativos. No mercado de antiguidades/decoração muito se vendeu livros bem encadernados, em couro, com dorsos coloridos, a metro. Livros cujo valor do conteúdo era quase nulo (pelas mais diversas causas: grafia antiga, novelas fracas, gramáticas antigas, teorias científicas ultrapassadas, romances para moçoilas e assim por diante) mas se em boas e elegantes encadernações, esses livros eram há muito favoritos dos decoradores. O valor decorativo de uma parede cheia de livros bem cuidados é enorme. Fala de cultura e sofisticação.
Mas o que me causou espanto, foi a impressão de livros explicando como decorar a casa com livros: uma meta-decoração. Inacreditável. Vocês não acham?