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Senhoras elegantes e homens na praia, 1926
Gerardus Hendrik Grauss (Holanda, 1882-1929)
óleo sobre tela, 73 x 98 cm
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Gerardus Hendrik Grauss nasceu em Middelburg em 1882 e faleceu em Den Haag em 1929.
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Senhoras elegantes e homens na praia, 1926
Gerardus Hendrik Grauss (Holanda, 1882-1929)
óleo sobre tela, 73 x 98 cm
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Gerardus Hendrik Grauss nasceu em Middelburg em 1882 e faleceu em Den Haag em 1929.
Marcus, meu irmão.–
Saudade – uma vida cheia
de outra vida que passou:
– marcas de passos, na areia,
que o tempo não apagou!
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(Ferreira Gullar)
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Hoje seria seu aniversário. Saudades. Muitas. Sem fim.
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Menina do espelho, 2008
Inha Bastos (Brasil, 1949)
óleo sobre tela, 50 x 50 cm
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Vaidade e status social de uma mulher que viveu há aproximadamente 4.500 anos, no que hoje é a Inglaterra, são provavelmente as causas das joias encontradas com seu esqueleto em Windsor na Inglaterra. Carinhosamente chamada de “Rainda de Kinsmeade” — Kingsmead é o local próximo a Windsor onde foi descoberta — esta mulher, foi encontrada em sítio explorado por arqueólogos de Wessex. Suas joias, como lembram os cientistas, devem ter sido símbolos de sua afluência e importância para a sociedade em que vivia.
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Domínio do Povo dos Copos.–
O pouco que restou de seus ossos, aparentemente corroídos pela acidez do solo, deixou que se concluísse ser uma mulher de aproximadamente 35 anos. Foi enterrada usando um colar com contas de ouro intercaladas com contas de lignite. No túmulo também foram encontradas contas de âmbar, perfuradas, que podem ter sido botões da vestimenta que usava quando enterrada. E parece ter usado também um bracelete de contas negras.
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Copos de barro encontrados no túmulo do arqueiro de Amesbury.–
Por causa de um copo encontrado ao seu lado, é possível que “a rainha de Kinsmead” tenha pertencido ao Beaker Folk [Povo dos Copos] uma cultura com raízes na península ibérica que dominava com grande técnica a manufatura de artefatos de cobre e de ouro. O Povo dos Copos era assim chamado por fazer uso de copos, provavelmente para beber cerveja ou outra bebida fermentada. Por volta de 2400 a.C. o Povo dos Copos dominou toda a península ibérica, parte do sul e do norte da França, a Alemanha, as terras onde hoje encontramos a Holanda e a Bélgica, a costa da Sardenha e Sicília, a Irlanda e o sul da Inglaterra. Pessoas desse povo eram frequentemente enterradas com todo tipo de pertences incluindo copos de barro. É quase certo que esse senhora fosse de fato mulher de prestígio pois tinha pertences que seriam raros e exóticos.
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Contas de ouro encontradas no local.
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Análise de seus pertences colocam a origem do ouro provavelmente na Irlanda, a do lignite no leste da Inglaterra e o âmbar podendo ser de um lugar tão longínquo quanto o Báltico.
Recentemente o sítio em Kingsmead tem sido fonte de grandes descobertas para a arqueologia britânica. Em março de 2013 noticiou-se a existência de um pequeníssimo vilarejo – um grupo de quatro casas vizinhas — algumas das casas mais antigas já descobertas na Inglaterra, construído aproximadamente há 6.000 anos. Essas casas, cujas grossas e pesadas fundações sobreviveram, algumas com pilastras de apoio, assim como a fonte para o fogo do lar – local da lareira – sugerem casas substanciais, altas com um mezanino provavelmente para a estocagem de grãos e outros alimentos durante o inverno. Devem ter sido construídas por volta de 3.800 a 3640 a.C. e todas tinhas subdivisões em cômodos internos. A maior dessas casas mede 17 x 7 m. E todas tinham telhado de sapê.
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Estudo mais detalhado dos objetos encontrados com a “rainda de Kingsmead” certamente trarão mais detalhes sobre o povoamento da Inglaterra na Idade do Bronze.
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FONTES: GUARDIAN — “Rainha de Kinsmead”; GUARDIAN — Casas de sapê ; WSHC
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Senhora Francis Luis Mora e sua irmã, 1902
Francis Luís Mora (Uruguai-EUA 1874-1940)
óleo sobre tela
Metropolitan Museum, Nova York
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William Godwin
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O Circo chinês, publicação póstuma, c. 1820-30
Gaetano Zancon (Itália, 1771-1816)
gravura
Publicada em: Le Costume Ancien et Moderne
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Eça de Queirós
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Fomos até as entradas das pontes sobre os canais, onde saltimbancos seminus, com máscaras simulando demônios pavorosos, fazem destrezas dum picaresco bárbaro e sutil; e muito tempo estive a admirar os astrólogos de longas túnicas, com dragões de papel colocados às costas, vendendo ruidosamente horóscopos e consultas de astros. Oh! cidade fabulosa e singular! De repente ergue-se uma gritaria! Corremos: era um bando de presos, que um soldado, de grandes óculos, iam impelindo com o guarda-sol, amarrados uns aos outros pelo rabicho! Foi aí nessa avenida que em vi o estrepitoso cortejo de um funeral de Mandarim, todo ornado de auriflamas e de bandeirolas; grupos de sujeitos fúnebres vinham queimando papéis em fogareiros portáteis; mulheres esfarrapadas uivavam de dor, espojando-se sobre tapetes; depois erguiam-se, galhofavam e um cule vestido de luto branco servia-lhes logo chá, de um longo bule em forma de ave. Ao passar junto ao Templo do Céu, vejo apinhada num largo uma multidão de mendigos, as mulheres com os cabelos entremeados de velhas flores de papel, roíam ossos tranquilamente; e cadáveres de crianças apodreciam ao lado, sob o vôo dos moscardos. Adiante topamos com uma jaula de grades, onde um condenado estendia, através das grades, as mãos descarnadas à esmola… Depois Sá-Tó mostrou-me respeitosamente uma praça estreita; aí sobre pilares de pedra, repousavam pequenas gaiolas contendo cabeças decapitadas; e, gota a gota, ia pingando deles um sangue espesso e negro…
– Uf! – exclamei, fatigado e aturdido. – Sá-Tó, agora quero o repouso, o silêncio, e um charuto caro…
Ele curvou-se: e, por uma escadaria de granito, levou-me às altas muralhas da cidade, formando uma esplanada que quatro carros de guerra a par podem percorrer durante léguas.
E enquanto Sá-Tó, sentado num vão de ameia, bocejava, num desafogo de cicerone enfastiado, eu fumando contemplei muito tempo aos meus pés a vasta Pequim…
É como uma formidável cidade da Bíblia, Babel ou Nínive, que o profeta Jonas levou três dias a atravessar. O grandioso muro quadrado limita os quatro pontos do horizonte, com as suas portas de torres monumentais, que o ar azulado, àquela distância, faz parecer transparentes. E na imensidão do seu recinto aglomeram-se confusamente verduras de bosques, lagos artificiais, canais cintilantes como aço, pontes de mármore, terrenos alastrados de ruínas, telhados envernizados reluzindo ao sol; por toda a parte são pagodes heráldicos, brancos terraços de templos, arcos triunfais, milhares de quiosques saindo de entre as folhagens dos jardins; depois espaços que parecem um montão de porcelanas, outros que se assemelham a monturos de lama; e sempre a intervalos regulares o olhar encontra algum dos bastiões, de um aspecto heróico e fabuloso…
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Imperador Ch’Ien Lung carregado em triunfo, publicação póstuma, c. 1820-1830
Gaetano Zancon (Itália, 1771-1816)
gravura
Publicada em: Le Costume Ancien et Moderne
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A multidão, junto a essas edificações grandiosas, é apenas como grãos de areia negra que um vento brando vai trazendo e levando…
Aqui está o vasto palácio imperial, entre arvoredos misteriosos, com os seus telhados de um amarelo de ouro vivo! Como eu desejaria penetrar-lhe os segredos, e ver desenrolar-se pelas galerias sobrepostas, a magnificência bárbara dessas dinastias seculares!
Além ergue-se a torre do Templo do Céu, semelhando três guarda-sóis sobrepostos: depois a grande Coluna dos Princípios, hierática e seca como o gênio mesmo da raça: e adiante branquejam numa meia-tinta sobrenatural os terraços de jaspe do Santuário da Purificação…
Então interrogo Sá-Tó: e o seu dedo respeitoso vai-me mostrando o Templo dos Antepassados, o Palácio da Soberana Concórdia, o Pavilhão das Flores das Letras, o Quiosque dos Historiadores, fazendo brilhar, entre os bosques sagrados que os cercam, os seus telhados lustrosos de faianças azuis, verdes, escarlates e cor de limão. Eu devorava, de olho ávido, esses monumentos da Antiguidade asiática, numa curiosidade de conhecer as impenetráveis classes que os habitam, o princípio das instituições, a significação dos cultos, o espírito das suas letras, a gramática, o dogma, a estranha vida interior de um cérebro de letrado chinês… Mas esse mundo é inviolável como um santuário…
Sentei-me na muralha, e os meus olhos perderam-se pela planície arenosa que se estira para além das portas até aos contrafortes dos montes mongólicos; aí incessantemente redemoinham ondas infindáveis de poeira; a toda a hora negrejam filas vagarosas de caravanas… Então invadiu-me a alma uma melancolia, que o silêncio daquelas alturas, envolvendo Pequim, tornava de um vago mais desolado: era como uma saudade de mim mesmo, um longo pesar de me sentir ali isolado, absorvido naquele mundo duro e bárbaro: lembrei-me, com os olhos umedecidos, da minha aldeia do Minho, do seu adro assombreado de carvalheiras, a venda com um ramo de louro à porta, o alpendre do ferrador, e os ribeiros tão frescos quando verdejam os linhos…
Aquela era a época em que as pombas emigram de Pequim para o Sul. Eu via-as reunirem-se em bandos por cima de mim, partindo dos bosques dos templos e dos pavilhões imperiais; cada uma traz, para a livrar dos milhafres, um leve tubo de bambu que o ar faz silvar; e aquelas nuvens brancas passavam como impelidas de uma aragem mole, deixando no silêncio um lento e melancólico suspiro, uma ondulação eólica, que se perdia nos ares pálidos…
Voltei para casa, pesado e pensativo.
Ao jantar, Camilloff, desdobrando o seu guardanapo, pediu-me com bonomia as minhas impressões de Pequim.
– Pequim faz-me sentir bem, general, os versos de um poeta nosso:
Sôbolos (*) rios que vão
Por Babilônia me achei …
– Pequim é um monstro! – disse Camilloff oscilando refletidamente a calva. – E agora considere que a esta capital, à classe tártara e conquistadora que a possui, obedecem trezentos milhões de homens, uma raça subtil, laboriosa, sofredora, prolífica, invasora… Estudam as nossas ciências… Um cálice de Médoc, Teodoro!… Têm uma marinha formidável! O exército, que outrora julgava destroçar o estrangeiro com dragões de papelão donde saíam bichas de fogo, tem agora táctica prussiana e espingarda de agulha! Grave!
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Em: O Mandarim, Eça de Queirós, publicado em 1880, em domínio público.
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(*) Nota da peregrina: sôbolos é uma contração de ‘sobre os’, encontrada em Camões, de onde são estes versos citados por Eça de Queirós – mas a palavra também aparece mais recentemente no título do livro de Antônio Lobo Antunes, Sôbolos rios que vão, publicado em 2010, que é uma citação direta dessa redondilha de Camões (**).
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(**) A redondilha de Camões:
“Sobolos rios que vão
Por Babilônia m’achei,
Onde sentado chorei
As lembranças de Sião,
E quanto nela passei.
Ali o rio corrente
De meus olhos foi manado;
E tudo bem comparado,,
Babilônia ao mal presente
Sião ao tempo passado.”
(Versos 1-10)
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Prateleira, 2005
Joni di Pirro (Itália/EUA, contemporânea)
óleo sobre tela, 30 x 40 cm
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Lindos em seu colorido,
a dar-nos lição de calma,
os livros, tomem sentido,
no falam através da alma.
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(Roosevelt da Silveira)
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Ilustração de autoria desconhecida.–
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Pedro Bandeira
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Não suporto o meu vizinho!
Imagine que o danado,
com a cara mais lavada,
passa pela minha frente
como se eu não fosse nada.
–
Não suporto o meu vizinho!
Roda pelo bairro todo,
Sem prestar nem atenção,
e se esquece que uma vez
lhe emprestei o meu pião.
–
Não suporto o meu vizinho!
É um moleque egoista,
pedalando assim a esmo,
não quer nem saber dos outros,
pois só pensa em si mesmo.
–
Não suporto o meu vizinho!
Se eu pudesse, agora mesmo
me mudava da cidade,
ou melhor: mudava ele
pra bem longe, na verdade.
–
Não suporto meu vizinho!
Ele tem cara de bobo,
de embrulho sem barbante,
de bocó e de pateta.
–
Ah, moleque feio e tolo!
Pensa que é muito importante
só porque tem bicicleta.
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Eu só vou mudar de ideia
de uma forma bem completa,
se o danado do vizinho
me emprestar a bicicleta…
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Em: Cavalgando o arco-iris, São Paulo, Moderna: 1986.
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Era uma vez, s/d
Chantal Poulin (Canadá, contemporânea)
gravura, 50 x 65 cm
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Em tempos de harmonia: a alegria de viver — domingo à tarde, 1895-6
Paul Signac (França, 1863-1935)
Litografia a cores, 38 x 50 cm
Museu de Belas Artes de Houston, EUA
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Charles “Tremendous” Jones