Imagem de leitura — Théo van Rysselberghe

28 03 2012

Uma leitura no jardim, 1902

Théo (Théophile) van Rysselberghe (Bélgica, 1862 –1926)

óleo sobre tela

Casa Solvay, Bruxelas

Théo (Théophile) van Rysselberghe nasceu em Ghent, na Bélgica em 1862.  Estudou primeiro na Academia de Ghent sob a orientação de Theo Canneel e a partir de 1879 completou seus estudos na Académie Royale des Beaux-Arts , em Bruxelas, onde trabalhou sob a orientação de  Portaels .  Tinha apenas 18 anos quando  participou de seu primeiros Salão em Ghent.  Em 1881 expôs pela primeira vez no Salão de Bruxelas. Viajou bastante principalmente para o Marrocos, onde pintou muitas cenas orientalistas.  Na volta dedicou-se ainda mais ao estudo da luz.  Em 1886 tem contato com os primeiros trabalhos impressionistas, encantado ela leva o estilo para a Bélgica.  Já nessa época abandona o estilo realista com o qual havia começado a pintar pelo pontilhismo. A maior parte de sua obra, dedicada principalmente à pintura de gênero ainda permanece em coleções particulares.  Morreu em Saint-Clair em 1926





Pássaros, poesia de J. G. de Araújo Jorge

28 03 2012

Pássaros e figura, 2005

Waldomiro de Deus (Brasil, contemporâneo)

acrílica sobre papel, 44 x34 cm

www.waldomirodedeus.com.br

Pássaros

J. G. de Araújo Jorge

Há uma companhia que não aceito:

a dos pássaros engaiolados.

Gosto do rumor que fazem nos galhos

ao entardecer,

de seus cantos isolados que nunca podemos saber

se são reproduzidos

ou se partirão para sempre, com o voo ignorado.

Em: A outra face, J. G. de Araújo Jorge, Rio de Janeiro, Editora Vecchi:1957.





Palavras para lembrar — Mary Wortley Montagu

28 03 2012

Moça lendo, 1815

Dinastia Qing, Jiaqing, Cantão, China

Pintura em vidro, no reverso, 29 x 44 cm

Museu de Liverpool, Inglaterra.

“Não há diversão mais barata que a leitura, nem prazer mais duradouro”.

Mary Wortley Montagu





Os céus mais espetaculares na pintura… Quais são os seus favoritos?

28 03 2012

A promessa, 1950

René Magritte (Bélgica, 1898-1957)

óleo sobre tela

O jornal inglês The Guardian publicou no dia 11 de março um artigo interessante, que mais parece um jogo de memória para quem gosta das artes visuais, onde eles nomearam os 10 melhores céus na pintura.    Eles conseguiram fazer com que eu discordasse de quase todas as suas escolhas, com exceção do quadro de Van Gogh, Noite estrelada. [não deixe de seguir o link e ver as escolhas deles e das pessoas que comentam no artigo].

Noite estrelada, 1889

Vincent van Gogh (Holanda, 1853-1890)

óleo sobre tela

Museu de Arte Moderna, Nova York

Além do Van Gogh, eu incluiria os céus de Magritte, os maravilhosos céus de Georgia O’ Keeffe. O artigo menciona O’Keeffe, mas outro trabalho.

A Igreja em Cebolla, 1945

Georgia O’ Keeffe ( EUA, 1887-1986)

North Carolina Museum of Art


Giorgione, Winslow Homer, Van Goyen são igualmente extraordinários.

A tempestade, 1506-08

Giorgione (Veneza 1477 -1510)

óleo sobre tela, 83 x 73 cm

Gallerie dell’Accademia, Veneza

Navegando em Sloop, Bermudas, 1903

Winslow Homer  (EUA 1836-1910)

aquarela

O mar em Haarlam, 1656

Jan Van Goyen (Holanda, 1596-1656)

óleo sobre painel de carvalho, 40 x 55 cm

Museu em Frankfurt

Confesso que sou muito parcial ao expressionismo.  Com ele temos a obra maravilhosa de Munch e de Max Beckmann.

O grito, 1893

Edvard Munch (Noruega, 1863-1944)

óleo sobre tela

Paisagem com lua, 1925

Max Beckmann ( Alemanha, 1884-1950)

óleo sobre tela, 40 x 60cm

San Diego Art Museum, EUA

Amo a limpidez dos céus do Saara, como capturados por Marilhat.

Ruínas da mesquita do califa El-Haken no Cairo, 1840

Prosper Marilhat (França, 1811-1847)

óleo sobre tela, 84 x 131cm

E o peso das pinceladas de Cézanne que transformam esse céu.

Margens do rio, 1904-05

Paul Cézanne (França, 1839-1906)

óleo sobre tela,  65 x 81 cm

Coleção Particular, Suíça

E os seus céus favoritos, quais são?





Palavras para lembrar — Henry Miller

27 03 2012

Amigas, 1943

Istvan Szonyi (Hungria, 1894-1960)

Têmpera

Museu Zebegeny

“Nós devemos ler para dar às nossas almas a experiência da luxúria”.

Henry Miller





Quadrinha das proporções

27 03 2012

Em meu ranchinho pequeno,
tanta beleza se expande,
que o meu riacho sereno
parece que é um rio grande!


(Clenir Neves Ribeiro)





Imagem de leitura — Iluminura do Evangelho Lorsch

25 03 2012

Iluminura, Evangelho Lorsch, ( 780-820)

Período de Carlos Magno

Pintura em pergaminho

Biblioteca do Vaticano

O Codex Aureus de Lorsch ou O Evangelho de Lorsch (Biblioteca Apostolica Vaticana, Pal. lat. 50, and Alba Iulia, Biblioteca Documenta Batthyaneum, s.n.) é um manuscrito com  iluminuras, com o evangelho, escrito entre 778 e 820, o que o coloca aproximadamente no peródo do reinado de Carlos Magno, Imperador dos francos, unificador do território francês.  Foi provavelmente escrito na abadia de Lorsch na atual Alemanha, pela qual foi nomeado, aparecendo no ano de 830 na listagem de manuscritos dessa abadia, que nos séculos X e XI — ou seja dos anos 900 a 1100 — foi considerada uma das melhores bibliotecas do mundo.  Em meados do século XVI, próximo a 1550,  esse manuscrito foi levado para Heidelberg, para a então nova Biblioteca Palatina.  Foi roubado de lá durante a Guerra dos Trinta Anos (1618-1648).  Para ser vendido, o manuscrito foi dividido em 2  partes e suas capas removidas.  A primeira metade foi para a Biblioteca Migazzi e mais tarde vendida para o Bispo Ignac Batthany.  Hoje essa parte se encontra em Alba lulia na Rumênia e pertence à Biblioteca Batthyaneum.  A outra metade está na Biblioteca do Vaticano e a capa da frente, ricamente ornada em relevos de marfim se encontra nos Museus do Vaticano.

NOTA:  A águia acima da cabeça do evangelista revela que se trata de São João Evangelista, retratado aqui.  Os quatro evangelistas que compõem o Novo Testamento são: São João Evangelista, também representado por uma águia; São Lucas também representado por um touro (pode ser ou não alado, dependendo da época em que foi representado); São Mateus também representado por um anjo e São Marcos também representado por um leão (pode ou não ser alado, dependendo da época em que foi representado).





Quadrinha infantil da sala de aula

25 03 2012

Chico Bento vai à escola, ilustração Maurício de Sousa.

Em aula preste atenção

Naquilo que o mestre ensina,

Não converse, não graceje,

Não perturbe a disciplina.

(Walter Nieble de Freitas)





Palavras para lembrar — Sutton Elbert Griggs

25 03 2012

Senhora que lê, 1942

[também conhecido como Odalisca com espelho]

Gino Severini ( Itália, 1883-1966)

óleo sobre tela, 60 x 50 cm

Coleção Particular

“É comum necessitarmos de mais coragem para ler alguns livros do que para travar uma guerra”.

Sutton Elbert Griggs





Fábula: A assembléia dos ratos, texto de Monteiro Lobato

25 03 2012

A assembléia de ratos, ilustração de Gustave Doré.

A assembléia dos ratos

Um gato de nome Faro-Fino deu de fazer tal destroço na rataria duma casa velha que os sobreviventes, sem ânimo de sair das tocas, estavam a ponto de morrer de fome.

Tornando-se muito sério o caso, resolveram reunir-se em assembléia para o estudo da questão.  Aguardaram para isso certa noite em que Faro-Fino andava aos mios pelo telhado, fazendo sonetos à lua.

— Acho — disse um deles — que o meio de nos defendermos de Faro-Fino é lhe atarmos um guizo ao pescoço. Assim que ele se aproxime, o guizo o denuncia e pomo-nos ao fresco a tempo.

Palmas e bravos saudaram a luminosa idéia.  O projeto foi aprovado com delírio. Só votou contra, um rato casmurro, que pediu a palavra e disse — Está tudo muito direito.  Mas quem vai amarrarar o guizo no pescoço de Faro-Fino?

Silêncio geral.  Um desculpou-se por não saber dar nó.  Outro, porque não era tolo.  Todos, porque não tinham coragem. E a assembléia dissolveu-se no meio de geral consternação.

Dizer é fácil; fazer é que são elas!

Em: Fábulas, Monteiro Lobato, São Paulo, Ed. Brasiliense:1966, 20ª edição.

José Bento Monteiro Lobato, (Taubaté, SP, 1882 – 1948).  Escritor, contista; dedicou-se à literatura infantil. Foi um dos fundadores da Companhia Editora Nacional. Chamava-se José Renato Monteiro Lobato e alterou o nome posteriormente para José Bento.

Obras:

A Barca de Gleyre, 1944

A Caçada da Onça, 1924

A ceia dos acusados, 1936

A Chave do Tamanho, 1942

A Correspondência entre Monteiro Lobato e Lima Barreto, 1955

A Epopéia Americana, 1940

A Menina do Narizinho Arrebitado, 1924

Alice no País do Espelho, 1933

América, 1932

Aritmética da Emília, 1935

As caçadas de Pedrinho, 1933

Aventuras de Hans Staden, 1927

Caçada da Onça, 1925

Cidades Mortas, 1919

Contos Leves, 1935

Contos Pesados, 1940

Conversa entre Amigos, 1986

D. Quixote das crianças, 1936

Emília no País da Gramática, 1934

Escândalo do Petróleo, 1936

Fábulas, 1922

Fábulas de Narizinho, 1923

Ferro, 1931

Filosofia da vida, 1937

Formação da mentalidade, 1940

Geografia de Dona Benta, 1935

História da civilização, 1946

História da filosofia, 1935

História da literatura mundial, 1941

História das Invenções, 1935

História do Mundo para crianças, 1933

Histórias de Tia Nastácia, 1937

How Henry Ford is Regarded in Brazil, 1926

Idéias de Jeca Tatu, 1919

Jeca-Tatuzinho, 1925

Lucia, ou a Menina de Narizinho Arrebitado, 1921

Memórias de Emília, 1936

Mister Slang e o Brasil, 1927

Mundo da Lua, 1923

Na Antevéspera, 1933

Narizinho Arrebitado, 1923

Negrinha, 1920

Novas Reinações de Narizinho, 1933

O Choque das Raças ou O Presidente Negro, 1926

O Garimpeiro do Rio das Garças, 1930

O livro da jangal, 1941

O Macaco que Se Fez Homem, 1923

O Marquês de Rabicó, 1922

O Minotauro, 1939

O pequeno César, 1935

O Picapau Amarelo, 1939

O pó de pirlimpimpim, 1931

O Poço do Visconde, 1937

O presidente negro, 1926

O Saci, 1918

Onda Verde, 1923

Os Doze Trabalhos de Hércules,  1944

Os grandes pensadores, 1939

Os Negros, 1924

Prefácios e Entrevistas, 1946

Problema Vital, 1918

Reforma da Natureza, 1941

Reinações de Narizinho, 1931

Serões de Dona Benta,  1937

Urupês, 1918

Viagem ao Céu, 1932

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Esta fábula de Monteiro Lobato é uma das centenas de variações feitas através dos séculos da fábulas de Esopo, escritor grego, que viveu no século VI AC.  Suas fábulas foram reunidas e atribuídas a ele, por Demétrius em 325 AC.  Desde então tornaram-se clássicos da cultura ocidental e muitos escritores como Monteiro Lobato, re-escreveram e ficaram famosos por recriarem estas histórias, o que mostra a universalidade dos textos, das emoções descritas e da moral neles exemplificada.  Entre os mais famosos escritores que recriaram as Fábulas de Esopo estão Fedro e La Fontaine.

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