Mangueiras de Belém, poema para o dia da árvore de Sílvia Helena Tocantins

19 09 2008

 

Aléa das velhas mangueiras, Jardim Botânico, RJ.

Aléa das velhas mangueiras, Jardim Botânico, RJ.

 

 MANGUEIRAS DE BELÉM

 

 

Sílvia Helena Tocantins

 

 

Gentil mangueira que me dá abrigo

no aconchego morno do teu braço,

na tua ramagem encontro o ninho amigo

que há de embalar sempre o meu cansaço.

 

És tu mangueira de real grandeza,

só espalhando o Bem em tua missão,

além de embelezares a natureza,

és teto, és fruto, és sombra, és proteção.

 

E nunca negas à mão que te apedreja.

terno repouso contra a chuva e o mormaço,

em troca dá-lhes fruto, seja a quem seja

e ainda embalas, maternal num abraço.

 

Bendita seja a mão que te plantou

o sol que fecundou a terra, o orvalho,

onde tua semente fértil germinou,

para me dares sombra doce e agasalho.

 

E no teu colo verde de folhagem,

quero sonhar meus ideais acalentados,

esconder meus segredos em tua ramagem

como se eu fosse altivo pássaro encantado.

 

 

Em: A lira na minha terra: poetas antigos e contemporâneos no Pará, Ed. Clóvis Meira, Belém, PA, 1993.

 

 

Sílvia Helena Tocantins Mello Elder, (PA 1933) escritora e poeta.

 

Obras:~

 

As Ruínas de Suruanã (folclore)

Respingos da Maresia, 1982 (poesias)

 





Fragmentos de partituras de Mozart em Nantes

18 09 2008

Wolfgang Amadeus Mozart

 

 

 

A agência France Presse informa esta tarde que foi encontrada na Biblioteca Municipal de Nantes, na França, uma página de partitura, um esboço propriamente dito, escrito à mão e com trechos parciais de música  de Wolfgang Amadeus Mozart, (Áustria 1756-1791) escritos em 1787. Identificada por um especialista alemão, esta página inclui parte de uma sonata e o que se acredita ser parte da partitura de um Credo, para uma missa católica.   

 

Uma casa moura em Argel, 1856

Pierre-Antoine Lobouchère, ( França, 1807-1873)

Aquarela e lápis sobre papel

  

 

 

Estes fragmentos se encontram na Biblioteca de Nantes praticamente desde sua fundação.  Esta biblioteca, aberta ao público em 1753, só ganhou o corpo substancial de seu acervo em 1803,  quando as coleções das bibliotecas particulares confiscadas da nobreza pela Revolução Francesa foram distribuidas às municipalidades.  Os documentos de Mozart foram doados à biblioteca em 1807, pelo pintor orientalista, Pierre-Antoine Labouchère ( França 1807-1873), que colecionara próximo de 3000 autógrafos, durante sua vida.  O artista plástico doou toda a sua coleção que além do fragmento de partitura de Mozart inclui também  duas cartas do músico austríaco: uma carta de Mozart a seu pai, datada de 1783 e outra do pai de Mozart à sua filha, irmã do famoso compositor.  

 

Até recentemente a biblioteca acreditava estes documentos serem cópias.  

—–

Nantes é uma cidade de aproximadamente 270.000 pessoas e capital do departamento Loire-Atlântico.  É um porto fluvial, localizada na foz do rio Loire.





A África de Richard Dowden.

18 09 2008

No início de Setembro chegou às livrarias da Inglaterra e dos Estados Unidos o livro África de Richard Dowden.  Para quem vem acompanhando as aventuras que parecem quase sempre incompreensíveis das diversas democracias, guerras e extermínios no continente africano, este livro é esperado com grande ansiedade.  Isto porque Richard Dowden passou 30 anos viajando e morando no continente.  Começou como professor em Uganda, na época de Idi Amim até tornar-se diretor da Royal Africa Society em 2003.

 

 

O livro África pretende responder àquelas questões que não querem calar, entre outras:  Por que o desenvolvimento dos países africanos parece tão vagaroso?  Será o sistema democrático como o imaginamos nos países ocidentais o melhor sistema para as diversas sociedades africanas?

 

Este livro, que ainda não sei se terá tradução para o português vem com um prefácio de Chinua Achebe, o grande escritor nigeriano, que recebeu o prêmio Man Booker da Grã-Bretanha em 2007 e cujas traduções de seus livros para o português deve-se a Portugal, por vergonhosa falta de interesse tanto de editoras como de leitores no Brasil.  Em Portugal encontramos: A Flecha de Deus e Tudo se desmorona.   Em sua apresentação Chinua Achebe,  que além de escritor e poeta foi diplomata do seu país, esclarece que: não haveria melhor pessoa para interpretar a complexidade das sociedades africanas do que Richard Dowden.

 

Richard Dowden

Autor: Richard Dowden

Vamos esperar e ver se seu livro chegará a ser traduzido no Brasil.  Com freqüência nós brasileiros reclamamos que em outros países,  muitas vezes melhor educados e em melhor situação econômica que a nossa, que as pessoas nestes locais não se interessam pelas coisas brasileiras, que não sabem que Buenos Aires não é a nossa capital ou que Evo Morales não é o nosso presidente [O jornal The Boston Globe, no início deste mês cometeu este erro].  Mas a verdade é que sofremos do mesmo complexo de superioridade sobre o continente africano.  Pergunte-se:  você sabe o que está acontecendo naquele continente que representa o espaço de muitos dos nossos ancestrais?  Provavelmente a sua resposta será não.   Temos que deixar de sofrer desta mania de “pobrezinhos” em relação aos grandes e ignorar aqueles que ainda não chegaram ao nosso nível de desenvolvimento.  Uma das maneiras de se fazer isso é aprendendo sobre a África e tenho certeza de que ler o livro de Richard Dowden será um excelente começo!





Teu Nome, poema de Jair Amorim

18 09 2008

Escrevendo na areia, 1859

Dante Gabriel Rossetti (Inglaterra 1828-1882)

Aquarela sobre papel.

 

 

 

 

 

 

TEU NOME

 

Jair Amorim

 

 

Escrevi teu nome na areia

o vento veio e apagou.

 

Escrevi teu nome na pedra

o limo do tempo o turvou.

 

Escrevi teu nome na árvore

um raio a decapitou.

 

Escrevi teu nome em meus versos

tu mesma nem se lembrou.

 

Escrevi teu nome na mente

e para sempre ficou.

 

 

Em Canto Magro, Jair Amorim, EFES: 1995(?)

 

 

Jair Pedrinha de Carvalho Amorim (ES 1915 – SP 1993) poeta, compositor e jornalista.





Cai o número de pássaros marinhos migratórios

18 09 2008
Escher, anel de moebius com pássaros

Escher, anel de moebius com pássaros

 

No 4° Encontro da AEWA Wetlands International for the African-Eurasian Migratory Waterbird Agreement [ Acordo sobre os Pássaros Migratórios de Pântanos da África-Eurásia] que acontece esta semana (15-19 setembro) em Madagascar houve uma queda de 41% no número na população destes pássaros.  Para os pássaros usando as rotas que passam pela Ásia Central e Ocidental a situação é ainda de maior perigo, com um declínio na população dos pássaros de 55%.   O anúncio para a imprensa destes dados foi acompanhado da explicação de que isto está acontecendo principalmente pela destruição do meio ambiente nestes locais de pouso/ parada dos pássaros migratórios, pela falta de planejamento econômico e na execução da exploração destas terras na Eurásia e na África.  Lugares tradicionalmente retidos como parada/pouso destes pássaros para a jornada de inverno estão desaparecendo pela ação do homem.  

80 países tem representantes neste encontro na cidade de Antananarivo, mas mesmo assim, é essencial que haja cooperação internacional para que programas de conservação das rotas sejam mantidos e ampliados.  Pássaros que precisam de longos vôos, indo de um lado da Terra para o outro, com rotas estabelecidas através de séculos são os que mais sofrem com as mudanças climáticas, com o aquecimento da Terra e com a destruição dos lagos e pântanos onde estão acostumados a parar para recomeçar vôo depois do descanso. Um apelo a que se preste atenção a este problema e que se fomente maior cooperação internacional é até agora o resultado deste encontro.

 

Para mais informações, clique aqui.





Cachorrinhos não podem comer alho nem cebola!

17 09 2008

Há muitas pessoas que quando alimentam seus cães adicionam bastante alho e cebola.  A razão é prática e simples: estes alimentos diminuem a possibilidade de seu melhor amigo ter pulgas.  No entanto, o portal Terra hoje, 17/9/2008, diz que  nesta última semana, uma revista alemã DOGS [procurei a revista na web e não encontrei] adverte contra o uso destes alimentos porque em grande quantidade eles podem causar sérios danos aos rins dos cachorrinhos; podem levar à anemia e posteriormente ao envenenamento.  Cuidados especiais precisam ser tomados com as raças Akita e Shiba Inu.  

 

Vale a pena checar com o seu veterinário!





O renascimento do urso americano!

17 09 2008

 

Ontem a CNN revelou que depois de passar 75 anos na lista de animais em desaparecimento, este ano, o urso americano voltou a ser visto nas reservas florestais, em estado selvagem,  ao noroeste do estado de Montana. 

 

Pesquisadores trabalhando para a US Geological Survey calculam que haja no momento 765 ursos vivos em seu habitat nesta região intocada pelo homem.  Este é o maior número de ursos em 30 anos, aparentemente um sinal de que a espécie logo logo não estará mais na lista da espécies em extinção.  Este urso ocupava quase todo o território americano há 100 anos, mas a rápida transformação do país no século XX fez com que ele estivesse reduzido a uma população de aproximadamente 250-350 ursos. 

 

Esta nova descoberta de aumento da população dos ursos grizzly deve facilitar o afrouxamento das regras proibindo a exploração do petróleo e da indústria madeireira em Montana.

 





Biblioteca, poema infantil de Carlos Urbim

17 09 2008

 

BIBLIOTECA 

 

Carlos Urbim

 

Duas traças, irmãs

Biblió e Teca

Na hora do almoço

Com muito alvoroço

Ouvem a voz

Da mãe traça:

Biblió, Teca!

Venham almoçar

Há guisadinho

De papel

Para traçar!

Caderno de temas , Carlos Urbim, (RS 1948)  Porto Alegre, Mercado Aberto: 1999

Obras:

 

Um Guri Daltônico, 1984.
Patropi, a pandorguinha,

Uma Graça de Traça

Dona Juana, 1993

Rio Grande do Sul: um século de História, 1999

Caderno de Temas, 1999

Diário de um Guri, 2000

Saco de Brinquedos, 2000

Álbum de Figurinhas, 2002

Morro Reuter de A a Z, 2003

Os Farrapos, 2003

Negrinho do Pastoreio, 2004

Bolacha Maria, 2005

Lata de Tesouros, 2005 [re-edição de Dona Juana, 1993, com novo nome]

Histórias coloradas, versão mirim, 2005

Dinossauro @ Birutices, 2005 (nova versão do livro de 1986)

Piá farroupilha, 2005

 

 

 





Estudo do genoma para combater doenças recebe criticas

17 09 2008

 

Jacques Deshaies, 02 DNA, Pintura na Caverna número 21,  30 x 25 cm, acrilico sobre tela.

Jacques Deshaies, 02 DNA, Pintura na Caverna número 21, 30 x 25 cm, acrílico sobre tela.

Ontem 16/9/2008 o jornal The New York Times publicou um artigo de na seção de ciências por Nicholas Wade revelando que o estudo do genoma para combater doenças está se saindo menos promissor do que o esperado.  

O entrevistado é o renomado geneticista David B. Goldstein que trabalha na Universidade Duke no estado da Carolina do Norte.  Goldstein, conhecido por sua pesquisa sobre as raízes genéticas da população judia, afirma que ao contrário do que se pensava anteriormente, quando se começou a fazer a decodificação do genoma humano, não estamos mais próximos de descobrir curas para doenças até agora incuráveis, tais como Alzheimer.   Na verdade muito pouco foi descoberto para justificar, não só os gastos de 3 bilhões de dólares, como para encorajar maior dedicação das companhias Affymetrix e Illumina que desenvolveram poderosos chips para escanear o genoma humano.  Goldstein não tem dúvidas de que ainda não há nenhuma esperança concreta para a idéia de uma medicina personalizada.  Estamos, na verdade, muito longe disso e muito aquém do que esperávamos.  

 

A razão é muito simples, de acordo com Goldstein: a seleção genética natural é muito mais eficiente do que pensávamos ao peneirar as variantes genéticas que causam doenças.  Assim, ficaria quase impossível estudar um número suficiente de pacientes para se chegar a uma conclusão satisfatória.    Mas pesquisadores dedicados à caça de doenças no genoma humano, não concordam com ele.  Eles sugerem que estudos  feitos com um número maior de pacientes trarão resultados, mostrando um maiores variantes fomentadoras de doenças.  

 

Acredito que teremos ainda que esperar para ver quem está certo.  É claro, que há interesse dos pesquisadores em defenderem a continuação da pesquisa.   Afinal eles se dedicam há muito tempo a este trabalho que imaginam continuar.  Só o tempo dirá se a seleção natural será capaz de vencer até mesmo a dedicação deles.   

 

 

 

 

 

 

 

 





Boas novas do reino animal!

16 09 2008

 

OKAPI
OKAPI

No dia 11 de setembro, a CNN (Inglaterra) anunciou que foram tiradas novas fotos do Okapi, um animal africano, que de acordo com o noticiário há 50 anos não era fotografado livre, no seu próprio habitat.  Estas fotos foram obtidas no  Parque Nacional de Virunga National, no Congo.  A confirmação das fotos foi feita por Noelle Kumpel, gerente do Programa de Conservação das Florestas e Animais da Sociedade Zoológica de Londres.  

 

Na minha opinião ele é o “platipus” do mundo de 4 pernas: tem traseiro de zebra, mas não é zebra, tem cara de lhama, mas não é.  É da família das girafas, mas o pescoço é mais normal…  Na verdade eles parecem um cavalo, listrado nas ancas, com pescoço comprido e língua roxa.

 

Por não ter sido fotografado no meio selvagem há muito tempo pensou-se que já havia desaparecido como animal selvagem.  É um animal raramente visto.  Ele  não gosta de se exibir preferindo a solidão.  É tímido.  Esta é uma das razoes pelas quais a maioria dos dados vem exclusivamente do estudo de seus dejetos.  Hoje em dia só existe na República Democrática do Congo.

 

É sempre bom ter-se um pouquinho de boas novas!