Queda das folhas de outono, 1888
Vincent van Gogh (Holanda, 1853-1890)
óleo sobre tela, 73 x 92 cm
Museu Kröller-Müller, Otterlo
As folhas, antes viçosas,
da natureza o pulmão,
inda mostram-se graciosas
mesmo pisadas no chão!
(Francisco José Pessoa)
Queda das folhas de outono, 1888
Vincent van Gogh (Holanda, 1853-1890)
óleo sobre tela, 73 x 92 cm
Museu Kröller-Müller, Otterlo
As folhas, antes viçosas,
da natureza o pulmão,
inda mostram-se graciosas
mesmo pisadas no chão!
(Francisco José Pessoa)
Ramo de amendoeira em flor, 1888
Vincent van Gogh (Holanda,1853-1890)
óleo sobre tela, 24 x 19 cm
Van Gogh Museum, Amsterdã
Pouco vemos as numerosas naturezas mortas de Vincent van Gogh. No entanto elas nos oferecem oportunidade de nos detalharmos na sua técnica, já que há poucos elementos retratados.
Natureza morta com cardo, 1890
Vincent van Gogh (Holanda,1853-1890)
óleo sobre tela, 40 x 35 cm
Coleção Particular
Rosas, 1890
Vincent van Gogh (Holanda,1853-1890)
óleo sobre tela, 93 x 74 cm
Metropolitan Museum of Art
Interessante notar que uma única linha, muitas vezes de cor contrastante, ele estabelece o espaço, a borda de uma mesa, e sedimenta o objeto em um lugar, ou o vaso pareceria flutuar no espaço.
Natureza morta com margaridas e papoulas , 1890
Vincent van Gogh (Holanda,1853-1890)
óleo sobre tela, 50 x 65 cm
Coleção Particular
Natureza morta com jarra de cerâmica e flores do campo, 1888
Vincent van Gogh (Holanda,1853-1890)
óleo sobre tela, 55 x 46 cm
Barnes Foundation, Filadélfia
Natureza morta com fritilárias em jarro de bronze, 1887
Vincent van Gogh (Holanda,1853-1890)
óleo sobre tela, 76 x 60 cm
Musée d’Orsay
Natureza morta, 1887
Vincent van Gogh (Holanda,1853-1890)
óleo sobre tela, 41 x 38 cm
Van de Heydt Museum, Wuppertal
Natureza morta com liláses, margaridas e anêmonas,1887
Vincent van Gogh (Holanda,1853-1890)
óleo sobre tela, 46 x 37 cm
Coleção Particular, Genf
Vaso com três girassóis,1888
Vincent van Gogh (Holanda,1853-1890)
óleo sobre tela, 73 x 58 cm
Coleção Particular, EUA
Vaso de flores,1890
Vincent van Gogh (Holanda,1853-1890)
óleo sobre tela, 42 x 29 cm
Van Gogh Museum, Amsterdã
Bouquê de flores em vaso, 1890
Vincent van Gogh (Holanda, 1853- 1890)
óleo sobre tela
Metropolitan Museum, NY
Cesta de violetas, 1887
Vicent van Gogh (Holanda, 1853- 1890)
óleo sobre tela, 46 x 55 cm
Van Gogh Museum, Amsterdã
Cinerária, 1886
Vincent van Gogh (Holanda, 1853-1890)
óleo sobre tela, 45 x 54 cm
Museum Boijmans Van Beuningen, Roterdã
Copo com rosas amarelas, 1886
Vincent van Gogh (Holanda, 1853-1890)
óleo sobre cartão, 35 x 27 cm
Van Gogh Museum, Amsterdã
Rosas, 1890
Vincent van Gogh (Holanda, 1853-1890)
óleo sobre tela, 71 x 90 cm
National Gallery of Art, Washington DC
Vaso com cravos e outras flores, 1886
Vincent van Gogh (Holanda, 1853-1890)
óleo sobre tela, 61 x 38 cm
Coleção Particular: David Lloyd Kreeger
Vaso com cravos, 1886
Vincent van Gogh (Holanda, 1853-1890)
óleo sobre tela, 46 x 37 cm
Stedelijk Museum, Amsterdã
Vaso com palmas de Santa Rita e cravos, 1886
Vincent van Gogh (Holanda, 1853-1890)
óleo sobre tela, 65 x 35 cm
Museum Boijmans Van Beuningen, Roterdã
Vaso com palmas de Santa Rita e Áster-da-china, 1886
Vincent van Gogh (Holanda, 1853 – 1890)
óleo sobre tela, 46 x 38 cm
Van Gogh Museum, Amsterdã
Vaso com áster-da-china e palmas de Santa Rita, 1886
Vincent van Gogh (Holanda, 1853- 1890)
óleo sobre tela, 61 x 46 cm
Van Gogh Museum, Amsterdã
Vaso com palmas de Santa Rita, rosas e lilases, 1886
Vincent van Gogh (Holanda, 1853-1890)
óleo sobre tela, 69 x 33 cm
Coleção Particular: Edwin McClellan Johnston
Vaso com centáureas e papoulas, 1887
Vincent van Gogh (Holanda, 1853-1890)
óleo sobre tela, 80 x 67 cm
Fundação Triton, Holanda
Vaso com papoulas e flores-de-Bristol, 1886
Vincent van Gogh (Holanda, 1853-1890)
óleo sobre tela, 65 x 54 cm
Museu de Arte do Egito, Cairo
Vasilha com zínias e outras flores, 1886
Vincent van Gogh (Holanda, 1853-1890)
óleo sobre tela, 50 x 61 cm
National Gallery of Canadá, Ottawa
A casa amarela, 1888
Vincent Van Gogh (Holanda, 1853 – 1890)
óleo sobre tela
Museu de Van Gogh, Amsterdã
Hélio Pellegrino
Por debaixo de tudo:
diques, dunas, frontões;
Por debaixo de tudo:
nobres pedras, canais
onde remam cisnes;
Por debaixo do mundo
lavra um incêndio.
Amsterdã, 1º/1/1981
Em: Minérios Domados, Hélio Pellegrino, Rio de Janeiro, Rocco:1993, p.39
Autorretrato com cachimbo, 1886
Vincent van Gogh (Holanda, 1853 –1890)
óleo sobre tela, 46 x 38cm
Museu Van Gogh, Amesterdã
O carteiro Joseph Roulin, 1888
Vincent van Gogh (Holanda, 1853–1890)
óleo sobre tela, 81x 65
Museu de Belas Artes de Boston
A vida peculiar de um carteiro solitário, de Denis Thériault, traduzido por Daniela P. B. Dias, é um livro difícil de definir. Prosa e verso se misturam e formam um todo potente. O enredo trata de um homem solitário, carteiro, com personalidade limítrofe ao autismo que, para seu próprio divertimento, abre sistematicamente cartas que leva para casa, cartas vindas ou endereçadas a pessoas na sua rota. Sua curiosidade inicial é a fascinação pela caligrafia que vê nos envelopes, arte a qual se dedica. Durante a execução destes pequenos crimes, levando as cartas para casa, abrindo-as com vapor, lendo-as e colocando-as de volta na rota original, apaixona-se simultaneamente por uma mulher que não conhece e pela poesia japonesa.
Com encanto, este pequeno romance trouxe-me memórias vívidas de duas obras: uma do cinema e outra da literatura. Lembrei-me da comédia australiana Malcolm (1986), dirigido por Nadia Tessa e estrelado por Colin Friels, que trata de um homem com características de autismo cuja paixão por carros de controle remoto o leva a cometer um crime: as habilidades de Malcolm são usadas por uma quadrilha para assaltar um banco. Aqui também a personalidade limítrofe de Bilodo, um homem tão solitário e recluso quanto Malcolm, o leva a se envolver em crime, ainda que de sua própria vontade. Outra lembrança foi da peça de teatro Cyrano de Bergerac, de Edmond de Rostand, que será muito provavelmente conhecida de Denis Thériault, canadense da província de Quebec, cuja língua materna é francês. Nesse clássico da literatura francesa, obra trágica, um poeta declama os versos de outro que se esconde da amada, por não se achar à altura da bela moça. O versos são de sua autoria, mas quem os declama, a voz e a aparência são de outro homem. Há uma quase simetria com o que acontece com carteiro Bilodo, que toma o lugar do poeta Gaston Grandpre e escreve haicais em seu nome para conquistar Ségolène, na distante Guadalupe, no Caribe.

Em um livro tão pequeno é de surpreender as reviravoltas caracterizando uma linha narrativa complexa, que além da história de amor, explana claramente sobre poesia japonesa, do haicai ao enso, forma circular da poesia nipônica. Thériault passa alguns conhecimentos da filosofia zen, explora o uso do kimono mágico e ainda produz para deleite do leitor uma coletânea de belos haicais. Para minha surpresa, que sempre considerei haicai poesia quase enigmática, evanescente, um punhado dos haicais apresentados no texto vêm repletos de forte sensualidade, claras imagens eróticas, que fazem paralelo interessante às conhecidas xilogravuras policromadas, Ukiyo-e, retratando o mundo flutuante pelos tradicionais mestres japoneses.
Denis Thériault
Com o uso de imagens surpreendentes, poucos e inesquecíveis personagens, esta história está localizada entre o mundo do sonho e a realidade. Traz um pouco de assombro ao leitor, do início ao fim. A trama, muito bem desenvolvida, ressalta a solidão de Bilodo, cujo único amigo é Bill, o peixe de aquário, seu animal de estimação. A solidão forma cada um de seus pensamentos e ações. Este é um homem que vive através da vida dos outros, no canto seguro de seu pequeno, previsível e metódico mundo. Há uma tênue conexão que o segura, que o mantém no dia a dia, agindo no mundo que conhecemos. Ela é ancorada nas suas obsessões, na tenacidade e precisão com que enfrenta o que há de novo no mundo. Bilodo é um homem que aprecia detalhes e encontra beleza não só no gesto de uma caligrafia bem feita mas nas regras precisas da poesia japonesa. É a rigidez desses conceitos que o seguram no cotidiano. E ele se esforça para superar suas limitações, reconhece a dificuldade de trazer aos seus pequenos poemas a mágica da poesia, mas quando o consegue, encontra finalmente seu destino cármico. Este livro é quase um poema-prosa, que se desdobra em múltiplos significados e ângulos cada vez que o examinamos. Um prazer de leitura.
NOTA: este blog não está associado a qualquer editora ou livraria, não recebe livros nem qualquer incentivo para a promoção de livros.
Paisagem de outono ao cair da tarde, 1885
Vincent van Gogh (Holanda, 1853 – 1890)
óleo sobre tela
Centraal Museum, Utrecht, Holanda
“Esta vida é uma estranha hospedaria,
De onde se parte quase sempre às tontas,
Pois nunca as nossas malas estão prontas,
E a nossa conta nunca está em dia.”
Mário Quintana
Em: Esconderijos do tempo, Mário Quitana, Porto Alegre, L&PM: 1980.
Ciprestes, 1889
Vincent van Gogh (Holanda, 1853-1890)
óleo sobre tela, 93 x 74 cm
Metropolitan Museum, N.Y.
” Vou pelo campo com uma nova muda de macieira para plantar.
Deposito-a no chão, viro-a, olho seus ramos mal esboçados tentarem lugar no espaço em torno.
Uma árvore precisa de duas coisas: sustança sob a terra e beleza fora. São criaturas completas mas impulsionadas por uma força de elegância. Beleza necessária a elas é vento, luz, pássaros, grilos, formigas e uma meta de estrelas em direção às quais apontar a fórmula dos ramos.
A máquina que nas árvores impulsiona linfa para cima é beleza, porque só a beleza na natureza contradiz a gravidade.
Sem beleza a árvore não quer. Por isso para num ponto do campo e pergunto: “Aqui, quer?”
Não espero uma resposta, um sinal no punho em que seguro seu tronco, mas gosto de dizer uma palavra à árvore. Ela sente as bordas, os horizontes e procura um lugar exato para se erguer.
Uma árvore escuta cometas, planetas, nuvens e enxames. Sente as tempestades do sol e as cigarras sobre ela com a mesma urgência de velar. Uma árvore é aliança entre o próximo e o perfeito longínquo.
Se vem de um viveiro e tem de enraizar-se em solo desconhecido, fica confusa como uma jovem camponês no primeiro dia de fábrica. Assim levo-a a um passeio antes de escavar-lhe o lugar.”
Em: Três cavalos, Erri de Luca, São Paulo, Berlendis & Vertecchia: 2006, tradução de Renata Lúcia Bottini, página 26.

Vinhedos de Auvers, 1890
Vincent van Gogh (Holanda, 1853-1890)
óleo sobre tela
Saint Louis Art Museum
De quando em quando um livro atravessa o meu mundo que suscita a pergunta: o que foi que uma editora brasileira viu nessa obra, que valeria o investimento na compra dos direitos autorais, no pagamento de um tradutor, no investimento de imprimir e distribuir uma obra, com a confiança, até certo ponto, de que tal investimento iria trazer o lucro mínimo que a companhia precisa ter para continuar sua vida editorial.
Essa pergunta voltou a me perseguir na leitura de Desvendando Margaux, dos autores Jean-Pierre Alaux e Noël Balen. Estava a procura de uma leiturinha fácil, de um livrinho de mistério, detetive, qualquer coisa, para passar uma tarde de folga e esquecer o cotidiano quente do verão carioca. Peguei esse livro que é o segundo de uma série policial da dupla, passado nos vinhedos franceses. Um dos autores é especialista em vinhos e seu parceiro é jornalista.

É um dos livros policiais mais insossos que já li. Não há tensão. Não há um mistério que agarre a atenção. Os personagens são comuns, o drama sofrível, o mistério quase inexistente. Há sim algumas noções de gerenciamento de vinhedos e o panorama por trás da produção de vinhos. Mas falta aquela trama que não deixa dormir. Essa obra não dá ao leitor o frenesi de ter que chegar ao final, nem é cheia do charme de uma Miss Marple que resolve as intrigas da cadeira de balanço de sua casa na aldeia.
Jean-Pierre Alaux e Noël Balen
Depois da leitura, enquanto me deliciava com um bom Simenon, procurei mais informações sobre outros livros da dupla. E realmente há muitos. Os autores são populares e até traduzidos para o inglês. É possível que eu tenha tido a falta de sorte de pegar uma de suas obras mais fracas. Mas para isso confia-se no selo da editora.
NOTA: este blog não está associado a qualquer editora ou livraria, não recebe livros nem qualquer incentivo para a promoção de livros.
Vincent van Gogh (Holanda, 1853-1890)
óleo sobre tela, 46 x 55 cm
Museu van Gogh, Amsterdã
Marialzira Perestrello
I
Já te conhecia tanto, poeta danado!
Num mundo de demônios
Só Théo era teu anjo.
Visitando esses quadros,
caminho em tua vida.
1887, 1888, Boulevard de Clichy,
essa paisagem, esse bosque tranquilo,
essa sombra, essa luz,
tu, impressionista calmo, aceito.
Onde teu mundo caótico?
Depois,
árvores ameaçadas,
céus em fogo em Saint Remy-Provence.
Nesse auto-retrato
braço e paleta unidos, fundidos.
Ah! Vincent!
pintavas com tua própria alma.
Em: Mãos dadas, Marialzira Perestrello, Rio de Janeiro, Nova Fronteira: 1989, p. 15