Cartão postal, K. Nixon.
Sopra um vento suave, brando,
ondulando capinzais,
e os passarinhos, em bando,
se aninham nos matagais.
(Décio Valente)
Cartão postal, K. Nixon.
Sopra um vento suave, brando,
ondulando capinzais,
e os passarinhos, em bando,
se aninham nos matagais.
(Décio Valente)
Porquinho quer ajudar, ilustração de Walt Disney.
No mundo nada terás,
se não socorres alguém.
Ajuda, espera, e verás
como é bom fazer o bem!
(Almeida Corrêa)
Jorge Sousa Braga
As árvores como os livros têm folhas
e margens lisas ou recortadas,
e capas (isto é copas) e capítulos
de flores e letras de oiro nas lombadas.
E são histórias de reis, histórias de fadas,
as mais fantásticas aventuras,
que se podem ler nas suas páginas,
no pecíolo, no limbo, nas nervuras.
As florestas são imensas bibliotecas,
e até há florestas especializadas,
com faias, bétulas e um letreiro
a dizer: «Floresta das zonas temperadas».
É evidente que não podes plantar
no teu quarto, plátanos ou azinheiras.
Para começar a construir uma biblioteca,
basta um vaso de sardinheiras.
Em: Herbário, Jorge Sousa Braga, Lisboa, Assírio & Alvim: 1999
Ilustração de T. Corbella.
Não vem dos nossos rivais
a ingratidão que exaspera.
— Geralmente a que dói mais
vem de quem menos se espera.
(Severino Uchôa)
Georgina de Albuquerque (Brasil, 1885-1962)
óleo sobre tela
PESP –Pinacoteca do Estado de São Paulo, SP
Renato Travassos
Um delicioso anseio me atordoa,
Netas lindas manhãs de primavera;
Em mim não me contenho, pois quisera
ter asas para voar sem rumo, à toa!
Os olhos pondo na azulada esfera,
Toda ave invejo que, liberta, voa:
Como seria, sendo livre, boa
A vida que me prende e desespera!
Nestas manhãs de luz maravilhosas
Em que sorrindo, desabrocham rosas,
Quem me dera dispor de duas asas, —
Para, contente, voar do vale à serra;
Para, louvando o que existir na terra,
A um tempo além pairar das coisas rasas!
Em: Oração ao Sol: obra completa, Renato Travassos, Rio de Janeiro, José Olympio: 1946, 3ª edição, p. 97.
Ilustração Cecco Mariniello.
De livros encham-se as casas,
eis um conselho excelente,
pois o livro, aberto em asas,
põe asas na alma da gente.
(Orlando Brito)
Carolus Duran (França, 1837-1917)
óleo sobre tela
Museu de Belas Artes, Lille
Martins Fontes
Nunca roubei um beijo. O beijo dá-se,
ou permuta-se, mas naturalmente.
Em seu sabor seria diferente
se, em vez de ser trocado, se furtasse.
Todo beijo de amor, longo ou fugace,
deve ser um prazer que a ambos contente.
Quando, encantado, o coração consente,
beija-se a boca, não se beija a face.
Não toquemos na flor maravilhosa,
seja qual for a sedução do ensejo,
vendo-a ofertar-se, fácil e formosa.
Como os árabes, loucos de desejo,
amemos a roseira, olhando a rosa,
roubemos a mulher e não o beijo.
(A Flauta Encantada)
Em: Nossos Clássicos: Martins Fontes,poesia, Rio de Janeiro, Agir: 1959, p. 53
Moça com sombrinha, Ilustração de Neysa McMein, American Magazine, Agosto de 1925 [DETALHE].
Jair Amorim
Pensamento, pensamento,
mais veloz que um pé de vento
mais sonhador que um detento
mais duro que um sofrimento
mais forte que um juramento
mais feroz e violento
que o pranto de um sentimento.
Pensamento, pensamento,
cadê forças, onde o alento,
para tirar um momento
a amada do pensamento?
Em Canto Magro, Jair Amorim, EFES: 1995 (?), p. 41
Jair Pedrinha de Carvalho Amorim (ES 1915 – SP 1993) poeta, compositor e jornalista.
Diana de Meridor (personagem de Alexandre Dumas) em jogo… Ilustração de autoria desconhecida.
O xadrez repete a vida
em sucessivas lições:
quando a nobreza é atingida
sacrificam-se os peões.
(Sinval Emílio da Cruz)
Ilustração Blanche Fisher Wright.
Eu volto um dia — juraste.
Não te espero — me zanguei.
— Mentiste: nunca voltaste…
Menti: eu sempre esperei…
(Cícero Acaiaba)