Trova dos passarinhos

17 11 2014

 

 

pasarinho azul, Ariane Beigneux (1918, American)Ilustração de Ariane Beigneux.

 

Oh! quanta beleza… quanta!

nessa algazarra dos ninhos!

Parece até que Deus canta

pela voz dos passarinhos!

 

Joubert de Araújo Silva





Trova das mãos que trabalham

15 11 2014

 

 

76fc49784c0e3ee23c0701dc7ff4dcf4Ilustração anônima.

 

 

Mãos em obras, em conquistas,

mãos no campo, em hospitais,

mãos em prece, mãos de artistas,

tão diversas, tão iguais…

 

(Orlando Brito)





Fazenda abandonada, poesia de Décio Valente

13 11 2014

Inimá de Paula, O sítio,ost,1967, 33 x 42 cmO sítio, 1967

Inimá de Paula (Brasil, 1918-1999)

óleo sobre tela, 33 x42 cm

 

 

Fazenda abandonada

Décio Valente

 

 

Casa velha

de monjolo antigo,

tranquilo abrigo,

de sapos, rãs e lagartixas,

onde vespas e aranhas tecelãs

penduram teias e enxus.

No córrego que passa,

lépidas libélulas

assustam ariscos guaru-guarus.

A água,

outrora,

espumante,

sonora,

escorre,

agora,

calma,

silenciosa…

Samambaias e avencas solitárias

enfeitam com verdes rendas

limoso nicho.

Gotas de orvalho

lembram pérolas,

contas de rosário

enfiadas em capim.

Aveludados musgos

amaciam a face dura

de rugosas pedras.

Alegres pássaros

cantam afinados duetos

com cigarras estridentes.

Centelhas de ouro em pó,

estilhas de prata laminada,

enchem de raro encanto

a folhagem molhada

daquele ameno recanto

da fazenda abandonada.

 

Em: Cantiga Simples: poesias, Décio Valente, São Paulo:1971, pp. 55-56





Trova da confissão

11 11 2014

 

 

padreIlustração de Maurício de Sousa.

 

Para ter com quem falar

a velhinha sem ninguém

vai ao padre confessar

os pecados que não tem…

 

(José Carlos de L. G.)





Trova dos namorados

9 11 2014

 

amorosos, John Millar WattIlustração de John Millar Watt.

 

No portão os namorados

são como barcos no cais,

pelos beijos amarrados,

querem ir e ficam mais.

 

(Cleonice Rainho)

 





O grilo, poesia infantil de Almir Correia

7 11 2014

 

 

insetosIlustração de livro escolar americano, década se 1960, sem indicação de autor.

 

O Grilo

 

Almir Correia

 

O grilo

gritou no saco

gritou no papo

do sapo

gritou no poço

gritou na cara do moço

gritou no mato

gritou no

sa

………..pato.

 

E de repente

pra espanto da gente

não gritou mais.





A rede, poesia de Martins Fontes

5 11 2014

 

 

REDE Jan van Beers in the haNa rede

Jan van Beers (Bélgica, 1852-1927)

óleo sobre tela, 24 x 35 cm

 

 

A rede

 

Martins Fontes

 

Ao ronronar da rede preguiçosa,

ela, — morena de olhos de ouro, –embala

a esbraseante volúpia que se exala

dos seus vinte e dois anos cor de rosa.

 

Verão. O sol embriaga. Em plena orgia,

fundem-se os cheiros cálidos da terra.

E a moça abre o roupão, os olhos cerra,

e o que espera e deseja fantasia.

 

E a rede para. A viração marinha

Beija-a, lânguida e longa, loucamente…

E ela, os olhos abrindo, de repente,

Fica surpresa, por se ver sozinha!

 

(Volúpia)

 

Em: Nossos clássicos: Martins Fontes, poesia, Rio de Janeiro, Agir:1959, p.66





Trova da madrugada

3 11 2014

 

 

Noite no campo, Sylvie DaigneaultNoite no campo, ilustração de Sylvie Daigneault.

 

Orvalha, e da flor molhada

brota uma lágrima, e corre.

— Silêncio!, que a madrugada

pranteia a noite que morre…

 

(Elton Carvalho)





Trova de Finados

2 11 2014
 ???????????????????????????????Olívia Palito está ansiosa pelo que pode acontecer com Popeye, © E. C. Segar.

 

Dia dos mortos? Balela!

Finados? Tontos assuntos!…

Nem flor, nem cinza, nem vela,

nós todos estamos juntos.

 

(Cornélio Pires)

 





Poema de finados, Manuel Bandeira

1 11 2014

 

 

 

 

George_Edmund_Butler_-_A_roadside_cemetery_near_Neuve_EgliseCemitério de estrada, próximo a Neuve Église

George Edmund Butler (Inglaterra, 1872 – 1936)

aquarela

 

 

Poema de finados

 

Manuel Bandeira

 

Amanhã que é dia dos mortos

Vai ao cemitério. Vai

E procura entre as sepulturas

A sepultura de meu pai.

 

Leva três rosas bem bonitas.

Ajoelha e reza uma oração.

Não pelo pai, mas pelo filho:

O filho tem mais precisão.

 

O que resta de mim na vida

É a amargura do que sofri.

Pois nada quero, nada espero.

E em verdade estou morto aqui.

 

Em: Antologia Poética, Manuel Bandeira, Rio de Janeiro, José Olympio: 1978, 10ª edição,pp: 88-89.