Cartão postal, Agnes Richardson (Inglaterra, 1885-1951)
No desejo de pescar
um pouquinho de esperança,
eu espero conquistar
um beijinho de lembrança…
(Olivaldo Júnior)
Cartão postal, Agnes Richardson (Inglaterra, 1885-1951)
No desejo de pescar
um pouquinho de esperança,
eu espero conquistar
um beijinho de lembrança…
(Olivaldo Júnior)
A colecionadora de porcelanas, 1868
Alfred Stevens (Bélgica, 1823-1906)
óleo sobre tela, 71 x 45 cm
North Carolina Museum of Art
Alberto de Oliveira
Estranho mimo aquele vaso! Vi-o,
Casualmente, uma vez, de um perfumado
Contador sobre o mármor luzidio,
Entre um leque e o começo de um bordado.
Fino artista chinês, enamorado,
Nele pusera o coração doentio
Em rubras flores de um sutil lavrado,
Na tinta ardente, de um calor sombrio.
Mas, talvez por contraste à desventura,
Quem o sabe?… de um velho mandarim
Também lá estava a singular figura.
Que arte em pintá-la! A gente acaso vendo-a,
Sentia um não sei quê com aquele chim
De olhos cortados à feição de amêndoa.
Em: Nossos Clássicos: Alberto de Oliveira, poesia, Rio de Janeiro, Agir: 1959, p. 24
Cartão postal, Margret Boriss.
Guardada como fragrância,
a verdadeira amizade
não se perde na distância,
adormece na saudade.
(Ângela Togeiro)
Caspar David Friedrich (Alemanha, 1774-1840)
óleo sobre tela, 44 x 73 cm
Alte Nationalgalerie, Berlim
Maria Thereza de Andrade Cunha
Quando a rua em que moro tu subias,
Por detrás da cortina eu te esperava;
E passavas sorrindo, pois bem vias
Que a cortina de rendas ondulava…
Como foram felizes esses dias
Em que meu coração se alvoroçava,
Quando longe passavas, e sabias
Que eu, de longe, te via… e te adorava!
Deixaste de passar à minha porta.
Da cortina rasgaram-se os babados.
— O tempo, rendas e esperanças corta! —
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
Foi trocada a cortina da janela!
A nova é toda feita de bordados
… Mas, eu gostava muito mais daquela…
Em: É primavera… escuta., Maria Thereza de Andrade Cunha, Rio de Janeiro, 1949, p.49-50.
Tintin e Milou estão na Lua, ilustração Hergé.
Se o homem conquista o espaço,
por que é que, lutando a esmo,
é incapaz de dar um passo
para dentro de si mesmo?!…
(Izo Goldman)
Candidatos no palco, ilustração de Walt Disney.
Num concurso de mentira,
promovido por um crítico,
quem ganhou, não me admira,
foi justamente um político…
(Jorge Murad)
Cartão Postal.
Vinícius de Moraes
Leão! Leão! Leão!
Rugindo como um trovão
Deu um pulo, e era uma vez
Um cabritinho montês
Leão! Leão! Leão!
És o rei da criação!
Leão! Leão! Leão!
És o rei da criação!
.
Tua goela é uma fornalha
Teu salto, uma labareda
Tua garra, uma navalha
Cortando a presa na queda
.
Leão longe, leão perto
Nas areias do deserto
Leão alto, sobranceiro
Junto do despenhadeiro
Leão! Leão! Leão!
És o rei da criação!
.
Leão na caça diurna
Saindo a correr da furna
Leão! Leão! Leão!
Foi Deus quem te fez ou não?
Leão! Leão! Leão!
És o rei da criação!
.
O salto do tigre é rápido
Como o raio, mas não há
Tigre no mundo que escapa
Do salto que o leão dá
Não conheço quem defronte
O feroz rinoceronte
Pois bem, se ele vê o leão
Foge como um furacão
Leão! Leão! Leão!
És o rei da criação!
Leão! Leão! Leão!
Foi Deus quem te fez ou não?
.
Leão se esgueirando à espera
Da passagem de outra fera…
Vem um tigre, como um dardo
Cai-lhe em cima o leopardo
E enquanto brigam, tranqüilo
O leão fica olhando aquilo
Quando se cansam, o Leão
Mata um com cada mão
Leão! Leão! Leão!
És o rei da criação!
Leão! Leão! Leão!
Foi Deus quem te fez ou não?
.
Em: A arca de Noé:poemas infantis, Vinícius de Moraes, Companhia das Letrinhas, São Paulo:1991
Tio Patinhas desconfia das contas a pagar. Ilustração de Walt Disney.
Na terra do cambalacho,
há sempre um jeitinho novo,
por lei ou simples despacho,
de dar o “cano” no povo…
(Thereza Costa Val)
Ilustração de Nicoletta Ceccoli.
Henriqueta Lisboa
Papagaio verde
deu um grito agudo.
Rocha numa raiva
brusca, respondeu.
Ganhou a floresta
um grande escarcéu.
Papagaios mil
o grito gritaram
rocha repetiu.
De um e de outro lado
metralhando o espaço
os gritos choveram
e choveram, de aço.
Gritos agudíssimos!
Mas ninguém morreu.
Em: Nova Lírica, Henriqueta Lisboa, Belo Horizonte, Imprensa Oficial: 1971, p. 38