O arco-íris, poesia infantil de Christina Rossetti, trad. & adapt. Helena Pinto Vieira

15 09 2011

Ilustração, autor desconhecido.

O arco-íris

Christina Rossetti

Navegam botes nos rios,

navios andam no mar,

mas que é mais belo que as nuvens

que se transformam no ar?

Vejo pontes sobre os rios,

belas esteiras de aço;

mas que ponte mais bonita

você conhece, no espaço?

Sete cores reunidas

formando bonito véu,

um arco misterioso

que serve de ponte ao céu.

É uma estrada colorida

que aparece, de repente,

levando, da terra ao céu,

tudo que nossa alma sente!…

Tradução e adaptação de Helena Pinto Vieira

Em:  O mundo da crianças, poemas e rimas, Rio de Janeiro, Editora Delta: 1975, volume 1, p. 156





Currículo, poema de Gilberto Mendonça Teles

13 09 2011

Estudante, s/d

Roberto de Souza ( Brasil, 1943)

óleo sobre tela,  88 x 55 cm

Currículo

Gilberto Mendonça Teles

Fiz meu curso de madureza,

passei nos testes com bom conceito:

conheço tudo de cama e mesa,

tenho diplomas dentro do peito.

Aluno médio de neolatinas,

vi línguas mortas, literaturas…

Mas eram tantas as disciplinas,

as biografias, nomenclaturas,

tantos os rumos na encruzilhada,

tantas matérias sem conteúdo,

que acabei não sabendo nada,

embora mestre de quase tudo.

Doutor em letras, as minhas cartas

são andorinhas nos vãos dos templos;

ensino o fino das coisas fartas

e amores livres com bons exemplos.

Livre-docente, sou indecente

e nunca ensino o pulo-do-gato:

esta a razão por que há sempre gente

contra o meu jeito de liter-rato.

Com tantos títulos e uma musa,

sou titular, mas jogo na extrema:

o ponta-esquerda que nunca cruza,

que sempre dribla nalgum poema.

Sou bem casado, mas já fiz bodas;

Já fui cassado, tive anistia:

e, buliçoso, conheço todas

as coisas boas de cada dia.

Só não conheço o que mais excita,

o que me envolve por todo lado:

talvez a essência da coisa escrita,

talvez a forma de um mau-olhado.

Em: Plural de nuvens, Gilberto Mendonça Teles, Rio de Janeiro, José Olympio: 1990

Gilberto Mendonça Teles (Bela Vista de Goiás, 30 de junho de 1931) é um poeta e crítico literário brasileiro.

Obras:

Alvorada, 1955.

Estrela-d’Alva, 1958

Fábula de Fogo, 1961

Pássaro de Pedra, 1962

Sonetos do Azul sem Tempo, 1964

Sintaxe Invisível, 1967

La Palabra Perdida (Antología),1967

A Raíz da Fala, 1972

Arte de Armar. Rio de de Janeiro: Imago, 1977

Poemas Reunidos, 1978

Plural de Nuvens, 1984

Sociologia Goiana, 1982

Hora Aberta, 1986

Palavra (Antologia Poética),1990

L ´Animal (Anthologie Poétique), 1990

Nominais, 1993

Os Melhores Poemas de Gilberto Mendonça Teles

Sonetos (Reunião), 1998

Casa de Vidrio (Antología Poética, 1999





Contraste, poesia de Aristeu Bulhões pelo dia da árvore

12 09 2011

Pé de romã, 1990

Amadeu Luciano Lorenzatto (Brasil, 1900-1995)

óleo sobre eucatex, 60 x 40 cm

Contraste

                                               Aristeu Bulhões

No chão do meu quintal, que rústico era,

Eu, que de sonhos enfeitava a vida,

Numa linda manhã de primavera,

Plantei ramos de uma árvore caída…

E, cheio de ilusão e de quimera,

Abandonei a terra estremecida

Como o viajante que atingir espera

A rósea meta, a que o Ideal convida…

Anos depois voltei…  Na alma cansada

nem mais um sonho, uma ilusão trazia

Porque tudo eu perdera na jornada.

Mas, cada ramo que plantei a esmo,

Era uma árvore imensa que floria

Para arrimo e conforto de mim mesmo.

Em:  Apologia da árvore, Leonam de Azeredo Penna, Rio de Janeiro, IBDF: 1973





Quadrinha do ipê, para a chegada da primavera!

10 09 2011

Ipê amarelo, s/d

Paulo Gagarin (Brasil, 1885-1980)

óleo sobre tela,  41 x33 cm

Banhado de sol e de ouro,

tanta é a beleza que encerra,

que o Ipê parece um tesouro

saído há pouco da terra!

(Clóvis Brunelli)





Primavera, poema de Olegário Mariano

9 09 2011

Ilustração assinada como MEE.

Primavera

                                               Olegário Mariano

Terra florida.  Estação nova.  Tanta

Vida em redor!  Ser folha quem dera!

Cada arbusto que vejo é uma garganta,

Um grito de entusiasmo à Primavera!

Bendito o sol que no alto céu flameja

E desce em fogo pelas serranias…

O sol é um velho sátiro que beija

Sofregamente as árvores esguias.

Anda, toto pelo ar, espanejante,

Um enxame fantástico de abelhas

Que estonteadoramente paira diante

De corolas e pétalas vermelhas.

Vida para o trabalho!  Ouve-se o coro

Dos lavradores e das raparigas…

Ondula ao sol, como um penacho de ouro,

A cabeleira fulva das espigas.

Primavera! No teu aspecto antigo,

Alucinante e triste muitas vezes,

Quando chegas pelo ar trazes contigo

Calma e fartura para os camponeses.

Dá arrepios fortes e desejos…

Teu nome é seiva, é força, é mocidade…

A terra anda a clamar pelos teus beijos

Que são sementes da fecundidade.

Em: Toda uma vida de poesia: poesias completas, Olegário Mariano, vol 1 ( 1911-1931), Rio de Janeiro, José Olympio:1957

Olegário Mariano Carneiro da Cunha (Brasil, 1889 — 1958) Usou também o pseudônimo João da Avenida, poeta, político e diplomata brasileiro. Em 1938, foi eleito Príncipe dos Poetas Brasileiros, substituindo Alberto de Oliveira que morrera e que, por sua vez, havia substituído Olavo Bilac. Membro da Academia Brasileira de Letras.

Obras:

Angelus , 1911

Sonetos, 1921

Evangelho da sombra e do silêncio, 1913

Água corrente, com uma carta prefácio de Olavo Bilac, 1917

Últimas Cigarras, 1920

Castelos na areia, 1922

Cidade maravilhosa, 1923

Bataclan, crônicas em verso, 1927

Canto da minha terra, 1931

Destino, 1931

Poemas de amor e de saudade, 1932

Teatro, 1932

Antologia de tradutores, 1932

Poesias escolhidas, 1932

O amor na poesia brasileira, 1933

Vida Caixa de brinquedos, crônicas em verso, 1933

O enamorado da vida, com prefácio de Júlio Dantas, 1937

Abolição da escravatura e os homens do norte, conferência, 1939

Em louvor da língua portuguesa, 1940

A vida que já vivi, memórias, 1945

Quando vem baixando o crepúsculo, 1945

Cantigas de encurtar caminho, 1949

Tangará conta histórias, poesia infantil, 1953

Toda uma vida de poesia, 2 vols., 1957





Quadrinha para crianças sobre a lua

8 09 2011

 

Cartão postal, década 1930, Havaí.

Docemente equilibrada,

ia a lua pelos ares,

qual linda concha embalada

pela corrente dos mares.

(Gonçalves Dias)





Quadrinha pela Primavera

6 09 2011

Primavera, Ilustração da capa da revista Farm Journal, de maio de 1929.

Que festa pelo caminho!

Que som, que luz, que esplandor!

Gorgeios em cada ninho,

abelhas em cada flor!

(Paulo Setúbal)





Ipiranga, poesia para o Dia da Independência, Bastos Tigre

5 09 2011

Paisagem do Campo do Ipiranga, 1893

 Antônio Parreiras (Brasil, 1860-1937)

Óleo sobre tela, 100 x 147 cm

Museu do Ipiranga, USP

Ipiranga

                        7 de setembro

                       Proclamação da Independência

Era arroio humilde e pequenino,

A deslizar, tranquilo e mansamente

Sem ideais e sem destino,

Sem ambições no coração de água corrente.

Boiadeiros, tangendo, nas estradas,

Cansadas reses, em jornadas lentas,

Buscavam-te por vezes.  E as boiadas

Bebiam, ávidas, sedentas,

Tuas águas barrentas.

Ipiranga, outro préstimo não tinhas.

Riacho, ribeiro, córrego, regato…

Jamais se soube de onde vinhas,

A serpentear dentro do agreste mato.

Jamais se soube aonde ias,

Rolando molemente nos calhaus,

A tua vida sempre igual, todos os dias,

Sem dias bons, sem dias maus.

No teu sono de rio preguiçoso

Não pensaste, jamais, que, num surto triunfal,

Chegarias a ter neste apogeu glorioso

Os fidalgos brasões de nobrreza fluvial.

E em radiosa manhã de setembro, eis que, ousado,

A tua timidez de córrego abandonas

E penetras na história audaz, transfigurado

Em possante caudal, desafiando o Amazonas.

E do teu curso, então, muda-se a trajetória;

E demarcas com ela, heril e sobranceiro,

Nos novos mapas da brasileira história.

A linha divisória

Entre Brasil-colônia e o Brasil brasileiro.

Ipiranga! Que importa, acaso, a procedência

A origem do teu nome?  Ipiranga, em verdade,

No idioma do Brasil traduz Independência,

Na língua nacional quer dizer: Liberdade!

Rio imenso, o Brasil cortas de sul a norte

E entram pelos sertões teus afluentes, aos mil.

Na voz d’água clamando.  Independência ou Morte.

Nas cachoeiras cantando o nome do Brasil.

Em: Antologia Poética, Bastos Tigre, 2 vols, Rio de Janeiro, Ed. Francisco Alves: 1982.

Manoel Bastos Tigre nasceu no Recife em 1882.  Formou-se em engenheiro pela Escola Politécnica do Rio de Janeiro.  Mas dedicou-se às letras.  Estreou na imprensa carioca em 1902, no Correio da Manhã, onde manteve uma coluna humorística diária: Pingos e Respingos, até a sua morte em 1957.  Foi o primeiro bibliotecário brasileiro por concurso o que lhe valeu o título e Patrono dos Bibliotecários do Brasil.





Trova da primavera

5 09 2011

Ilustração de Lisa Hutton, para a revista Better Homes & Gardens, de julho de 1929.

Primavera!  Que beleza!

A campina toda em flor.

É como se a natureza

despertasse para o amor.

(Álvaro Teixiera Fº)





Quadrinha infantil sobre o sorriso

3 09 2011

“Muito riso e pouco sizo”,

diz-nos o velho ditado.

Mas eu digo que um sorriso

sempre dá bom resultado…

(Lucina Long)