–
–

Soltando pombas, ilustração de J. Stanley, para capa da revista American Girl de fevereiro de 1935.
–
Liberdade é conviver
com sua própria razão,
sem a ninguém ofender,
nem magoar o coração.
–
(Durval Lobo)
–
–

–
Liberdade é conviver
com sua própria razão,
sem a ninguém ofender,
nem magoar o coração.
–
(Durval Lobo)
–

–
Meu beijo é bem diferente
dos beijos que os outros dão:
eles beijam, simplesmente,
eu… beijo, com o coração.
–
(Rômulo Cavalcante Mota)
–
–
Pequeno encanto
Donald Zolan (EUA, contemporâneo)
óleo sobre tela
–
–
–
Bastos Tigre
–
–
Por sobre as ramas da árvore coleia
A lagarta. E a colear, viscosa e lenta,
O seu aspecto as vistas afugenta
E de tocá-la a gente se arreceia.
–
Verde-negra, amarela, azul, cinzenta,
Quando o sol as folhagens incendeia,
Sobe a aquecer-se, e à luz solar, aumenta
O asco de vê-la repulsiva e feia.
–
Mas eis que a encerra do casulo a tumba;
Não penseis que, de todo, ela sucumba
No seu sepulcro eternamente presa.
–
Qual, do corpo, alma livre, desprendida,
É borboleta: evola-se a outra vida,
Voando feliz, na glória da beleza.
–
–
Em: Antologia Poética, Bastos Tigre, volume I, Rio de Janeiro, Ed. Francisco Alves:1982
–
–
Cochicho, ilustração Anni Matsick.–
Falar mal da vida alheia
é coisa que não convém;
quem tem telhado de vidro
não fustiga o de ninguém…
–
(Alberto Isaías Ramires)
–
–
Noite fria… e, em minha rua,
tantos sonhos idealizo,
que vou pisando na lua
em cada poça que piso!
–
(Edmar Japiassú Maia)
–
Soldadinho de chumbo, s/d
Marysia Portinari ( Brasil, 1937)
óleo sobre tela, 30 x 20 cm
–
–
Manuel Bandeira
–
Bão balalão,
Senhor capitão.
Tirai este peso
Do meu coração.
Não é de tristeza,
Não é de aflição:
É só de esperança,
Senhor capitão!
A leve esperança,
A aérea esperança…
Aérea, pois não!
Peso mais pesado
Não existe não.
Ah, livrai-me dele,
Senhor capitão!
–
–
Em: Manuel Bandeira Antologia Poética, Rio de Janeiro, Livraria José Olympio:1978, 10ª edição
–
–
–
–
Martins D’Alvarez
–
–
— Que bairro bonito e grande!
Tu me dizes, debruçada
na sacada
da janela
deste meu primeiro andar.
De fato, a rua é um viveiro
de mocidade e de graça,
entre um recanto de praça
e um trapo verde de mar.
–
Bairro lindo, na verdade,
o mais belo da cidade.
Mas, nã me digas que é grande…
Não me digas, por favor!
Só eu sei, anjo moreno,
eu que provo o veneno,
como este bairro é pequeno
para abrigar nosso amor.
–
–
Em: Poesia do cotidiano, Martins D’Alvarez, Rio de Janeiro, Edições Clã: 1977
–
–
–
A primavera, suponho,
que tendo sonhos de amor,
faz, sim,com que cada sonho
nasça em forma de uma flor.
–
(Miguel Russowsky)
–
Seja qual for o quinhão,
há sempre quem o bendiga;
a migalha do seu pão
é um banquete pra formiga.
–
(Ney Damasceno)
–
–
–
Sérgio Caparelli
–
O tatu cava um buraco
a procura de uma lebre,
quando sai pra se coçar,
já está em Porto Alegre.
–
O tatu cava um buraco,
e fura a terra com gana
quando sai pra respirar
já está em Copacabana.
–
O tatu cava um buraco
e retira a terra aos montes,
quando sai pra beber água
já está em Belo Horizonte.
–
O tatu cava um buraco
dia e noite, noite e dia,
quando sai pra descansar,
já está lá na Bahia.
–
O tatu cava um buraco,
tira a terra, muita terra,
quando sai por falta de ar,
já está na Inglaterra.
–
O tatu cava um buraco
e some dentro do chão,
quando sai pra respirar,
já está lá no Japão.
–
O tatu cava um buraco
com as garras muito fortes,
quando quer se refrescar
já está no Polo Norte.
–
O tatu cava um buraco
um buraco muito fundo,
quando sai pra descansar
já está no fim do mundo.
–
O tatu cava um buraco,
perde o fôlego, geme, sua,
quando quer voltar atrás,
leva um susto, está na lua.
–
–
Em: Boi da cara preta, Sérgio Caparelli, Porto Alegre, LPM: 2000, 27ª edição