Ilustração de Avelino Guedes.
Nosso amor de adolescente
teve tanta intensidade,
que nem toda a vida à frente
vai matar esta saudade!
(Walter Leme)
Ilustração de Avelino Guedes.
Nosso amor de adolescente
teve tanta intensidade,
que nem toda a vida à frente
vai matar esta saudade!
(Walter Leme)
Chico Bento ouve o canto dos passarinhos © Maurício de Sousa
Trinam pássaros nos galhos,
a brisa é leve e sombria;
a aurora sobre os orvalhos,
abre as cortinas do dia.
(Manoel Cavalcante de Souza Castro)
Primavera, ilustração de Marie Cramer.
Mário Quintana
Primavera cruza o rio,
Cruza o sonho que tu sonhas.
Na cidade adormecida
Primavera vem chegando.
Catavento enlouqueceu,
Ficou girando, girando,
Em torno do catavento
Dançamos todos em bando.
Dancemos todos, dancemos,
Amadas, mortos, Amigos,
Dancemos todos até
Não mais saber o motivo….
Até que as paineiras tenham
Por sobre os muros florido!
Em: Antologia Poética para a Infância e a Juventude, Henriqueta Lisboa, Rio de Janeiro, Instituto Nacional do Livro: 1961, pp: 121-2.
O espírito da guerra em casa: comemorando a Batalha de Vicksburg, 1866
Lilly Martin Spencer (EUA, 1822 -1902)
óleo sobre tela, 76 x 83 cm
Newark Museum
Rikhard-Karl Karlovich Zommer (Alemanha, 1866-1939)
óleo sobre tela, 52 x 93 cm
À caravana, que de longe vem
Cansada, a se arrastar num passo incerto,
As palmeiras do oásis oferecem
Um poema de sombras, no deserto.
(Maria Thereza de Andrade Cunha)
Professor Pardal pronto para decolar, © Walt Disney
Pra que foguete, pra quê?
Pra ir à lua distante?
Eu, quando beijo você,
não subo aos céus num instante?
(Wilson Montemór)
Chico Bento tirou 7, ©Maurício de Sousa.
“Amor no plural amores…”
Dizem aí… Não há tal!
Enganam-se os professores,
porque amor não tem plural.
(Antonio Sales)
Piteco pensando na vida © Maurício de Sousa
Da vida ao brando balanço
diz o malandro, folgado:
— Se a morte é mesmo descanso,
prefiro viver cansado.
(Maia D’Athayde)
Carissa Rose Stevens (EUA,contemporânea)
aquarela e marcador permanente sharpie
Lêdo Ivo
O mundo em peso cai-me sobre os ombros
e em seguida se evola, sol de urânio.
Arquipélago branco, sai da terra
a rosa nuclear da anunciação.
Fossem meus braços límpidas colunas
e eu deteria o mundo enfurecido
por esta luz atômica que sobe
ao convívio dos céus despedaçados.
Ó corola de átomos, leitosa
flor da quinta estação da terra em pânico
que se exibe à feição do Apocalipse,
sê para nós igual à rosa branca
da paz, sempre banhada pelo orvalho
monumental das lágrimas dos homens!
Em: Central poética, Lêdo Ivo, Rio de Janeiro, Nova Aguillar: 1976, p. 98-9.
Armen Vahramyan (Armênia, 1968)
Álvaro Magalhães
Sorridente, ao nascer do dia,
ele sai de casa com sua rede.
Vai caçar borboletas, mas fica preso
à frescura do rio que lhe mata a sede
ou ao encanto das flores do prado.
Vê tanta beleza à sua volta
que esquece a rede em qualquer lado
e antes de caçar já foi caçado.
À noite regressa à casa cansado
e estranhamente feliz
porque sua caixa está vazia,
mas diz sempre, suspirando:
Que grande caçada, que belo dia!
Antes de entrar limpa as botas
num tapete de compridos pelos
e sacode, distraído,
as muitas borboletas de mil cores
que lhe pousaram nos ombros, nos cabelos.
Em:O Reino Perdido, Alvaro Magalhães, Porto, ASA: 2000