Trova do amor adolescente

9 10 2016

 

 

beijo 7 avelino guedesIlustração de Avelino Guedes.

 

 

Nosso amor de adolescente

teve tanta intensidade,

que nem toda a vida à frente

vai matar esta saudade!

 

 

(Walter Leme)

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Trova da aurora

5 10 2016

 

 

canto do passarinhoChico Bento ouve o canto dos passarinhos © Maurício de Sousa

 

 

Trinam pássaros nos galhos,

a brisa é leve e sombria;

a aurora sobre os orvalhos,

abre as cortinas do dia.

 

 

(Manoel Cavalcante de Souza Castro)

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Canção da Primavera, poesia de Mário Quintana

2 10 2016

 

 

primavera-menina-com-boneca-marie-cramerPrimavera, ilustração de Marie Cramer.

 

 

Canção da Primavera

 

Mário Quintana

 

 

Primavera cruza o rio,

Cruza o sonho que tu sonhas.

Na cidade adormecida

Primavera vem chegando.

Catavento enlouqueceu,

Ficou girando, girando,

Em torno do catavento

Dançamos todos em bando.

 

Dancemos todos, dancemos,

Amadas, mortos, Amigos,

Dancemos todos até

Não mais saber o motivo….

Até que as paineiras tenham

Por sobre os muros florido!

 

 

Em: Antologia Poética para a Infância e a Juventude, Henriqueta Lisboa, Rio de Janeiro, Instituto Nacional do Livro: 1961, pp: 121-2.





Imagem de leitura — Lilly Martin Spencer

30 09 2016

 

 

lilly-martin-spencer-the_war_spirit_at_home_-_celebrating_the_battle_at_vicksburgO espírito da guerra em casa: comemorando a Batalha de Vicksburg, 1866

Lilly Martin Spencer (EUA, 1822 -1902)

óleo sobre tela, 76 x 83 cm

Newark Museum





Quadrinha da Caravana

29 09 2016

 

66530-0Caravana com família

Rikhard-Karl Karlovich Zommer (Alemanha, 1866-1939)

óleo sobre tela, 52 x 93 cm

 

 

 

À caravana, que de longe vem

Cansada, a se arrastar num passo incerto,

As palmeiras do oásis oferecem

Um poema de sombras, no deserto.

 

 

(Maria Thereza de Andrade Cunha)

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Trova do foguete

10 09 2016

 

 

 

tomem seus lugaresProfessor Pardal pronto para decolar, © Walt Disney

 

 

 

Pra que foguete, pra quê?

Pra ir à lua distante?

Eu, quando beijo você,

não subo aos céus num instante?

 

(Wilson Montemór)

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Trova da lição aos professores

23 08 2016

 

 

professora, provaChico Bento tirou 7, ©Maurício de Sousa.

 

 

“Amor no plural amores…”

Dizem aí… Não há tal!

Enganam-se os professores,

porque amor não tem plural.

 

 

(Antonio Sales)

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Trova para o cansaço da vida

16 08 2016

 

 

pensando na vidaPiteco pensando na vida © Maurício de Sousa

 

 

Da vida ao brando balanço

diz o malandro, folgado:

— Se a morte é mesmo descanso,

prefiro viver cansado.

 

 

(Maia D’Athayde)

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Soneto à Bomba Atômica, de Lêdo Ivo

8 08 2016

 

 

atomic-garden-ii-carissa-rose-stevensJardim Atômico II, 2010

Carissa Rose Stevens (EUA,contemporânea)

aquarela e marcador permanente sharpie

 

 

Soneto à Bomba Atômica

Lêdo Ivo

 

 

O mundo em peso cai-me sobre os ombros

e em seguida se evola, sol de urânio.

Arquipélago branco, sai da terra

a rosa nuclear da anunciação.

 

Fossem meus braços límpidas colunas

e eu deteria o mundo enfurecido

por esta luz atômica que sobe

ao convívio dos céus despedaçados.

 

Ó corola de átomos, leitosa

flor da quinta estação da terra em pânico

que se exibe à feição do Apocalipse,

 

sê para nós igual à rosa branca

da paz, sempre banhada pelo orvalho

monumental das lágrimas dos homens!

 

 

Em: Central poética, Lêdo Ivo,  Rio de Janeiro, Nova Aguillar: 1976, p. 98-9.

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“O caçador de borboletas” poema de Álvaro Magalhães

2 08 2016

 

 

Armen VahramyanCaçadora de borboletas

Armen Vahramyan (Armênia, 1968)

www.vahramyan.com

 

 

 

O Caçador de borboletas

 

Álvaro Magalhães

 

 

Sorridente, ao nascer do dia,

ele sai de casa com sua rede.

Vai caçar borboletas, mas fica preso

à frescura do rio que lhe mata a sede

ou ao encanto das flores do prado.

Vê tanta beleza à sua volta

que esquece a rede em qualquer lado

e antes de caçar já foi caçado.

 

À noite regressa à casa cansado

e estranhamente feliz

porque sua caixa está vazia,

mas diz sempre, suspirando:

Que grande caçada, que belo dia!

 

Antes de entrar limpa as botas

num tapete de compridos pelos

e sacode, distraído,

as muitas borboletas de mil cores

que lhe pousaram nos ombros, nos cabelos.

 

 

Em:O Reino Perdido,  Alvaro Magalhães, Porto, ASA: 2000

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