Ilustração italiana, Pierrô e Colombina
Triste vida a do Pierrô:
sofrer pela Colombina,
que, nos braços de Arlequim,
ri de sua triste sina!
(Paluma Filho)
Triste vida a do Pierrô:
sofrer pela Colombina,
que, nos braços de Arlequim,
ri de sua triste sina!
(Paluma Filho)
Ferreira Gullar
Ter medo da morte
é coisa dos vivos
o morto está livre
de tudo que é vida
Ter apego ao mundo
é coisa dos vivos
para o morto não há
(não houve)
raios rios risos
E ninguém vive a morte
quer morto quer vivo
mera noção que existe
só enquanto existo
Em: Muitas vozes: poemas, Ferreira Gullar, 3ª edição, Rio de Janeiro, José Olympio, 1999, p. 48
Ladyce West
Pelo próprio nome é aumentativo.
É mais quente, mais intenso,
mais esperado, ensolarado,
letárgico, suado.
Prefiro o outono,
Excessos sempre me exaurem.
Em: À meia voz, Ladyce West, Rio de Janeiro, Autografia: 2020, p. 26
Hoje, 22-12-23, solstício de verão, é quando a estação mais quente do ano se inicia.
Papai Noel – o segredo
mais risonho da Esperança;
o mais bonito brinquedo
no sonho azul da criança.
(Durval Mendonça)
Primavera no campo, 1967
Zé Inácio (Brasil, 1911-2007)
[José Inácio Alves de Oliveira]
óleo sobre tela, 33 x 41 cm
Augusto Frederico Schmidt
Dia para quem ama
Dia límpido e claro!
O azul do céu, o azul da terra, o azul do mar!
Dia para quem é feliz e sem tormento
Dia para quem ama e não sofre de amor!
Dia para as felicidades inocentes!
Em mim a mocidade acordou violentamente
Porque o sol expulsou as trevas e inundou-me!
Uma pulsação de vida enche meu ser doentio e incerto.
Veja as água correndo
Vejo a vida e o espaço
Vejo as matas e as grandes cidades líricas
Vejo os vergéis em flor!
É a primavera! É a primavera!
Desejo de tudo abandonar e sair cantando pelos caminhos!
Em: Eu te direi as grandes palavras, Augusto Frederico Schmidt, Editora Nova Fronteira, 2ª edição, Rio de Janeiro: 1977, p. 56
Terra – bendito seu nome,
sinônimo de fartura;
só quem nunca sentiu fome
menospreza a agricultura!
(Arlindo Tadeu Hagen)
Do meu anúncio em jornal
gostei tanto quando li
que antes do prazo final
comprei tudo o que eu vendi.
(Abílio Kac)
Minha amada foi-se embora
para bem longe de mim…
o que vou fazer agora
se a lembrança não tem fim?
(Luiz Antonio Cardoso)
Glicínia em flor
Da série: Flores da Primavera
Yushi Osuga (Japão, 1946-1970)
xilogravura policromada
CHUVA DE PRIMAVERA
Vê como se atraem
nos fios os pingos frios!
E juntam-se. E caem.
FESTA MÓVEL
Nós dois? – Não me lembro.
Quando era que a primavera
caía em setembro?

Casinha da vovó,1976
Lorenzato (Brasil, 1900-1995)
óleo sobre cartão, 38 x 32 cm
(Diário I, 1941)
Miguel Torga
A vida é feita de nadas:
De grandes serras paradas
À espera de movimento;
De searas onduladas
Pelo vento;
De casas de moradia
Caiadas e com sinais
De ninhos que outrora havia
Nos beirais;
De poeira;
De sombra de uma figueira;
De ver esta maravilha:
Meu Pai a erguer uma videira
Como uma mãe que faz a trança à filha.