Quadrinha da liberdade

1 12 2012

passaros, soltando,  J. Stanley, AmericanGirl1935-02

Soltando pombas, ilustração de J. Stanley, para capa da revista American Girl de fevereiro de 1935.

Liberdade é conviver

com sua própria razão,

sem a ninguém ofender,

nem magoar o coração.

(Durval Lobo)





Quadrinha do beijo

30 11 2012

beijo Harrison Fisher (1875 - 1934)

Beijo, ilustração de Harrison Fisher (EUA, 1875-1934)

Meu beijo é bem diferente

dos beijos que os outros dão:

eles beijam, simplesmente,

eu… beijo, com o coração.

(Rômulo Cavalcante Mota)





A lagarta, soneto de Bastos Tigre

28 11 2012

Pequeno encanto

Donald Zolan (EUA, contemporâneo)

óleo sobre tela

www.zolan.com

A lagarta

Bastos Tigre

Por sobre as ramas da árvore coleia

A lagarta. E a colear, viscosa e lenta,

O seu aspecto as vistas afugenta

E de tocá-la a gente se arreceia.

Verde-negra, amarela, azul, cinzenta,

Quando o sol as folhagens incendeia,

Sobe a aquecer-se, e à luz solar, aumenta

O asco de vê-la repulsiva e feia.

Mas eis que a encerra do casulo a tumba;

Não penseis que, de todo, ela sucumba

No seu sepulcro eternamente presa.

Qual, do corpo, alma livre, desprendida,

É borboleta: evola-se a outra vida,

Voando feliz, na glória da beleza.

Em: Antologia Poética, Bastos Tigre, volume I, Rio de Janeiro, Ed. Francisco Alves:1982





Quadrinha do falar da vida alheia

25 11 2012

Cochicho, ilustração Anni Matsick.

Falar mal da vida alheia
é coisa que não convém;
quem tem telhado de vidro
não fustiga o de ninguém…

(Alberto Isaías Ramires)





O alfabeto, poesia de Mauro Mota

24 11 2012

Ilustração de capa de livro, 1929, sem autoria especificada.

O alfabeto

Mauro Mota

A caixa de letras.

Minha filha brinca.

Espalha-as na mesa,

compõe as palavras,

pessoas e coisas,

plantas e animais,

deslizam na mesa

consoantes, vogais.

A caixa de letras

de matéria plástica,

brancas, amarelas,

vermelhas e pretas.

Minha filha brinca,

os nomes desfaz,

faz os objetos,

as letras empilha,

no mundo alfabético,

consoantes, vogais.

Do O faz a cara

limpa da boneca

com os olhos bulindo

dos pontos dos i i .

Do Q faz a rosa

suspensa no talo.

Lápis e papel,

mas o poema informe.

As letras, as letras

brancas e amarelas,

vermelhas e pretas.

Que faço com elas?

Em:  Antologia Poética, Mauro Mota, Rio de Janeiro, Editora Leitura:1968

Mauro Ramos da Mota e Albuquerque (Nazaré da Mata, 16 de agosto de 1911 — Recife, 22 de novembro de 1984) foi um jornalista, professor, poeta, cronista, ensaísta e memorialista brasileiro.

Obras:

Elegias (1952)

A tecelã (1956)

Os epitáfios (1959)

Capitão de Fandango (1960, crônica)

O galo e o cata-vento, (1962)

Canto ao meio (1964)

O Pátio vermelho: crônica de uma pensão de estudantes (1968, crônica)

Poemas inéditos (1970)

Itinerário (1975)

Pernambucânia ou cantos da comarca e da memória (1979)

Pernambucânia dois (1980)

Mauro Mota, poesia (2001)

Antologia poética, 1968

Antologia em verso e prosa, 1982.





Quadrinha do luar

22 11 2012

Noite fria… e, em minha rua,
tantos sonhos idealizo,
que vou pisando na lua
em cada poça que piso!

(Edmar Japiassú Maia)





Realidade, poema de Martins d’Alvarez

16 11 2012

Outono, Capa da Revista Fruit, Garden & Home, Setembro de 1929.

Realidade

Martins D’Alvarez

—  Que bairro bonito e grande!

Tu me dizes, debruçada

na sacada

da janela

deste meu primeiro andar.

De fato, a rua é um viveiro

de mocidade e de graça,

entre um recanto de praça

e um trapo verde de mar.

Bairro lindo, na verdade,

o mais belo da cidade.

Mas, nã me digas que é grande…

Não me digas, por favor!

Só eu sei, anjo moreno,

eu que provo o veneno,

como este bairro é pequeno

para abrigar nosso amor.

Em: Poesia do cotidiano, Martins D’Alvarez, Rio de Janeiro, Edições Clã: 1977





Quadrinha da flor

14 11 2012

Primavera, ilustração Sascalia.

A primavera, suponho,
que tendo sonhos de amor,
faz, sim,com que cada sonho
nasça em forma de uma flor.


(Miguel Russowsky)





Quadrinha do banquete

12 11 2012

Seja qual for o quinhão,
há sempre quem o bendiga;
a migalha do seu pão
é um banquete pra formiga.

(Ney Damasceno)





Quadrinha, trova, da lágrima

10 11 2012

Moça chorando, 1964

Roy Lichtenstein

Esmalte sobre placa de aço, 116 x 116 cm

Edição: 5

A lágrima é um pingo d’água,
Irizado e transparente:
– A bailarina da mágoa
Dançando no olhar da gente.

(João Rangel Coelho)