Quadrinha do andar na rua

8 04 2015

 

rua, Patópolis, calçada, homem lendo, crianças brincando,Rua de Patópolis, ilustração Walt Disney.

 

 

Quem atravessa a rua,

Lendo revista ou jornal,

Quando não encontra a morte,

Vai parar no hospital.

 

 

Em: 1001 Quadrinhas Escolares, Walter Nieble de Freitas, São Paulo, Difusora Cultural:1965





Trova do bebê dormindo

25 03 2015

 

bebe dormindo, Maria Pia Franzoni (1902 – , Italian)Bebê dormindo, ilustração de Maria Pia Franzoni.

 

Não há música mais bela

do que a canção de ninar:

a mãe canta em voz singela,

e o bebê põe-se a sonhar!

 

(Alba Helena Corrêa)





O enamorado das rosas, poesia de Olegário Mariano

23 03 2015

 

 

66f8f6f784f6376200145e95a190d4baDesconheço a autoria dessa ilustração.

 

O enamorado das rosas

Olegário Mariano

 

 

Toda manhã, ao sol, cabelo ao vento,

Ouvindo a água da fonte que murmura,

Rego as minhas roseiras com ternura

Que água lhes dando, dou-lhes força e alento.

 

Cada uma tem um suave movimento

Quando a chamar minha atenção procura.

E mal desabrochada na espessura,

Mandam-me um gesto de agradecimento.

 

Se cultivei amores às mancheias,

Culpa não cabe às minhas mãos piedosas

Que ele passassem para mãos alheias.

 

Hoje, esquecendo ingratidões mesquinhas,

Alimento a ilusão de que essas rosas,

Ao menos essas rosas, sejam minhas.

 

 

Em: Toda uma vida de poesia — poesias completas, Olegário Mariano, Rio de Janeiro, José Olympio: 1957, volume 2 (1932-1955), p. 597.





Minutos de sabedoria — Vicente de Carvalho

21 03 2015

 

Malie Baehr, Verkocht, moça lendo, 1998, 35x30cmMoça lendo no café, 1998

Malie Baehr (Holanda, contemporânea)

óleos sobre tela, 35 x 30 cm

www.maliebaehr.com

 

 

“Errou quem disse que as paixões são cegas.”

 

 

vicente_de_carvalhoVicente de Carvalho (1866-1924)




Soneto à lua, Augusto Frederico Schmidt

20 03 2015

 

 

luar, moonlight-and-you, Gene Pressler (1893 – unknown)Ilustração de Gene Presler (EUA, 1893-?)

 

 

 

Soneto à lua

 

Augusto Frederico Schmidt

 

 

Vens chegando de longe, tão cansada,

Tão frágil e tão pálida vens vindo,

Que pareces, ó doce Lua amiga,

Vir impelida pelo vento leve.

 

Pelo vento gentil que está soprando

Tu pareces tangida, como um barco

Com as suas louras velas enfunadas,

E vens a navegar nos altos mares…

 

Atravessando campos e cidades,

Quantas artes e sortes não fizeste,

Ó triste Lua dos enamorados!

 

Quantas flores e virgens distraídas

Não seduziste para a estranha viagem

Por esse mar de amor, cheio de abismos!

 

 

Em: Eu te direi as grandes palavras – seleção poética, Augusto Frederico Schmidt, Rio de Janeiro, José Aguilar:1975, p. 76





Trova dos tons cinzentos

17 03 2015

 

pintar a casa, ajudando na pinturaDesconheço a autoria.

 

 

Não deixe que maus momentos

Ofusquem seus ideais.

Sobre “velhos” tons cinzentos

“novas” cores brilham mais.

 

(Wandira Fagundes Queiroz)





Redemoinha o vento, poesia de Fernando Pessoa

10 03 2015

 

vendavalIlustração de George Barbier, 1924.

 

 

Redemoinha o vento,

Anda à roda o ar.

Vai meu pensamento

Comigo a sonhar.

 

Vai saber na altura

Como no arvoredo

Se sente a frescura

Passar alta a medo.

 

Vai saber de eu ser

Aquilo que eu quis

Quando ouvi dizer

O que o vento diz.

 

 

Em: Poesias, Fernando Pessoa, Lisboa, Ática, 1987, 12ª edição, p. 164.





Trova do meu adeus

7 03 2015

 

adeus, meu amor, cartão postalAdeus, cartão postal francês.

 

Meu lenço, na despedida,

tu não viste em movimento:

— Lenço molhado, querida,

não pode agitar-se ao vento.

 

(Carlos Guimarães)

 





Os bois, soneto de Olegário Mariano

24 02 2015

 

 

Georgina de Albuquerque,Fazenda com figuras e animais, óleo sobre tela,(c.1952) - 39 x 47 cm.Fazenda com figuras e animais, c. 1952

Georgina de Albuquerque (Brasil, 1885-1962)

óleo sobre tela, 39 x 47 cm

 

 

Os bois

 

Olegário Mariano

 

É dolorosa a angélica atitude

Dos grandes bois lentos a trabalhar…

Sinto neles a força da saúde

A glória de viver para ajudar.

 

Da sua laboriosa juventude

Nada têm, pobres diabos a esperar…

Quem sabe? A vida pode ser que mude…

E eles se põem a olhar o campo, a olhar…

 

Tempo de safra. Brilham canaviais…

Gemem os carros e o rumor se irmana

À alma dos bois que geme muito mais.

 

Pacientemente seguem, dois a dois…

Há uma filosofia muito humana

No mugido e no olhar, tristes, dos bois…

 

 

Em: Toda uma vida de poesia: poesias completas (1911-1955) , Olegário Mariano, Rio de Janeiro, Editora José Olympio: 1957, 1º volume (1911-1931), p. 93

 





As flores do jambeiro vão caindo, poesia de Augusto Frederico Schmidt

21 02 2015

 

Olímpia Couto,Composição c árvore vestse,1989, 90 x 70cmComposição com árvore, 1989

Olímpia Couto (Brasil, contemporânea)

vinil sobre tela colado em eucatex, 90 x 70 cm

www.olimpiacouto.com.br

 

 

As flores do jambeiro vão caindo

 

 

Augusto Frederico Schmidt

 

As flores do jambeiro vão caindo.

E aos poucos reina em sangue a madrugada.

Deste alto, o olhar domina ao longe

O mar tranquilo e azul.

E no mar, um veleiro vai fugindo

E o vento o afasta para longe,

para o reino que não sei.

 

Foge o veleiro e foge o tempo,

Para onde vão?

Não sei.

Vejo apenas as sombras

E as estrelas,

E mesmo a magra lua

Se esconderam;

E que no mar,

As asas claras de um veleiro

Fogem para um reino que não sei.

 

Em: Eu te direi as grandes palavras – seleção poética, Augusto Frederico Schmidt, Rio de Janeiro, José Aguilar:1975, p. 134